MDB decide não apoiar candidato à Presidência e libera diretórios estaduais para definir alianças locais

 


Em convenção nacional realizada nesta segunda-feira, 27, o MDB decidiu não apoiar oficialmente nenhum candidato à Presidência da República nas eleições de 2026 e liberar seus diretórios estaduais para definirem seus alinhamentos de acordo com o cenário local.

A decisão foi anunciada pelo presidente nacional da sigla, deputado federal Baleia Rossi (SP). Segundo o partido, a medida busca preservar a unidade interna diante da polarização nacional.

"A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos Estados tenha um resultado bastante positivo", afirmou Baleia durante a convenção. "Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização, e o MDB tem essa característica de ter uma posição sempre equilibrada para fazer a diferença nas grandes discussões do País."

A possibilidade de liberar os estados já havia sido admitida por Baleia Rossi no início do ano, em entrevista ao Estadão. Na ocasião, ele avaliou que, em um cenário polarizado, a tendência da legenda seria não fechar nacionalmente.

De acordo com fontes do partido, houve movimentação do PT para atrair o MDB para a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sem negociação formal. A avaliação interna é que um apoio nacional único poderia gerar racha, já que há diretórios com maior proximidade ao governo federal, principalmente no Nordeste e em parte do Norte, e outros com resistência a uma aliança com o PT, no Centro-Oeste, Sul e Sudeste.

A posição foi defendida por lideranças emedebistas presentes. O deputado federal Hildo Rocha (MA) afirmou que lançar candidatura própria neste momento iria "desunir o partido". O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), que declarou apoio ao ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), disse que "o MDB é plural no Brasil inteiro. Cada diretório tem seus contextos e temos que respeitar essas conjunturas".

Durante a convenção, parte da legenda defendeu que o partido volte a ter candidatura própria ao Planalto em 2030, com o nome de Baleia Rossi sendo citado por integrantes do diretório gaúcho.

Com a decisão, o MDB concentra esforços nas disputas estaduais, com 10 candidaturas a governador e seis a vice, além de 20 candidaturas ao Senado. A meta da sigla é eleger 50 deputados federais e entre 10 e 12 senadores.

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