Se a industrialização brasileira demorou a engrenar (como vimos anteriormente), o primeiro grande "sacrifício" do modelo colonial ocorreu em 28 de janeiro de 1808, com o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas.
Este foi o primeiro ato de Dom João VI ao chegar ao Brasil, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte. Foi uma decisão tomada sob pressão, mas que mudou o destino do país para sempre.
1. O Fim do Pacto Colonial
Até 1808, o Brasil vivia sob o Exclusivo Comercial: tudo o que o Brasil produzia só podia ser vendido para Portugal, e tudo o que consumia deveria vir da metrópole.
A Mudança: Com a abertura, o Brasil passou a poder comercializar diretamente com outros países (na prática, principalmente com a Inglaterra, que escoltou a Família Real na vinda para o Rio de Janeiro).
Impacto Econômico: Isso significou o fim formal do pacto colonial. O Brasil deixava de ser uma "fazenda fechada" para se tornar parte do comércio global.
2. A Influência Inglesa e as Tarifas Aduaneiras
A "Nação Amiga" por excelência era a Inglaterra. Como recompensa pelo apoio militar, os ingleses conseguiram vantagens desleais que, curiosamente, atrapalharam a nossa industrialização inicial:
Tratado de 1810: Estabeleceu que produtos ingleses pagariam apenas 15% de imposto para entrar no Brasil.
A Curiosidade: Produtos vindos de Portugal pagavam 16% e de outras nações 24%. Ou seja, era mais barato comprar um tecido feito em Londres do que um feito em Lisboa ou fabricado aqui.
3. Consequências para a Sociedade Brasileira
A abertura dos portos trouxe uma enxurrada de novidades para os portos do Rio de Janeiro, Salvador e Recife:
Novos Consumos: Surgiram lojas com pianos, livros, tecidos finos e até patins de gelo (que, obviamente, não tinham utilidade no calor tropical, mas mostram a loucura das importações).
Urbanização: A chegada de estrangeiros e mercadorias forçou a modernização das cidades portuárias, a criação do Banco do Brasil e da Imprensa Régia.
4. O "Passo Anterior" à Industrialização
A Abertura dos Portos foi um passo de liberdade comercial, mas não de liberdade industrial.
Embora Dom João VI tenha revogado o alvará que proibia fábricas no Brasil, a concorrência com os produtos ingleses (muito mais baratos e de melhor qualidade) sufocou qualquer tentativa de indústria nacional no século XIX.
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