Penduricalhos: STF limita benefícios extras, mas cria regra que permite remunerações até 70% acima do teto

 


O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, na última quarta-feira (25 de março de 2026), o julgamento sobre os chamados “penduricalhos” — verbas indenizatórias e adicionais que permitiam a alguns servidores públicos, especialmente do Judiciário e do Ministério Público, receber valores muito acima do teto constitucional remuneratório.A decisão não extinguiu completamente os pagamentos extras, como chegou a ser divulgado. Em vez disso, o STF estabeleceu limites e regras de transição até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica sobre o tema (prevista no art. 37, §11, da Constituição).O que mudou na prática?
  • Teto constitucional mantido: Continua valendo o limite de R$ 46.366,19 (subsídio dos ministros do STF), aplicável à remuneração base de magistrados, membros do Ministério Público, Defensorias Públicas, Advocacia Pública e Tribunais de Contas.
  • Verbas indenizatórias limitadas a 35%: O STF autorizou o pagamento de certas verbas de caráter indenizatório (como diárias, ajuda de custo para remoção, gratificações por comarcas de difícil provimento, férias não gozadas e acúmulo de jurisdição) até o limite de 35% do teto — cerca de R$ 16.228.
  • Adicional por tempo de serviço (quinquênio) recriado: O tribunal validou uma “parcela de valorização por tempo de antiguidade na carreira”, de 5% a cada cinco anos de efetivo exercício em atividade jurídica, limitada também a 35% do teto. Esse adicional vale para ativos e inativos e tem natureza indenizatória e caráter transitório.
Resultado: Servidores no final da carreira poderão somar o subsídio-base + até 35% em verbas indenizatórias + até 35% no adicional por tempo de serviço. Na prática, a remuneração total poderá chegar a cerca de R$ 78.800 por mês (cerca de 70% acima do teto).O que foi restringido ou proibido?O STF proibiu a criação de novos auxílios ou verbas indenizatórias por meio de atos administrativos ou leis estaduais sem previsão expressa em lei federal de caráter nacional. Auxílios considerados sem base legal clara (como alguns auxílios-moradia, natalino ou outros “penduricalhos” criados internamente) foram limitados ou vedados.A decisão também reforçou a necessidade de transparência total nas folhas de pagamento e determinou que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) fiscalizem o cumprimento das novas regras.Impacto fiscalA medida é apresentada pelo STF como uma forma de organização e economia. Estima-se que a limitação gere uma economia anual da ordem de R$ 7 bilhões aos cofres públicos. No entanto, o adicional por tempo de serviço (ATS/quinquênio) sozinho pode representar um custo adicional significativo — análises preliminares apontam para cerca de R$ 1,1 bilhão apenas em 2026 em alguns cenários.Contexto e vigênciaA decisão foi tomada por unanimidade em um julgamento de repercussão geral e vale como tese vinculante. Ela começa a produzir efeitos a partir da remuneração de maio de 2026 (mês-base abril). Trata-se de uma regra temporária, válida até que o Congresso edite a lei nacional regulamentando as exceções ao teto remuneratório.Em resumo: o STF impôs limites mais claros e proibiu excessos sem base legal, mas, ao mesmo tempo, legalizou um “teto especial” para as carreiras de elite do serviço público, permitindo que remunerações cheguem a valores substancialmente superiores aos R$ 46 mil do teto geral do funcionalismo. A palavra final sobre o tema ainda caberá ao Legislativo.

Monsters of Rock 2026: Guns N’ Roses e Extreme são atrações do festival em São Paulo

 


O tradicional festival Monsters of Rock retorna a São Paulo neste sábado (4 de abril de 2026) para sua nona edição. O evento será realizado no Allianz Parque, na zona oeste da capital, e tem como principal atração o Guns N’ Roses, que fecha a noite após passagem recente por Porto Alegre.O lineup reúne nomes consagrados do rock, bandas em ascensão e grupos com forte presença na cena atual. A programação começa logo após a abertura dos portões:
  • 11h30 – Jayler (Reino Unido)
  • 12h30 – Dirty Honey (EUA)
  • 13h45 – Yngwie Malmsteen (Suécia)
  • 15h15 – Halestorm (EUA)
  • 16h45 – Extreme (EUA)
  • 18h15 – Lynyrd Skynyrd (EUA)
  • 20h30 – Guns N’ Roses (EUA)
Como chegar ao Allianz ParqueO estádio fica na Avenida Francisco Matarazzo, 1705, próximo à Estação Palmeiras/Barra Funda. É possível chegar de metrô, ônibus ou aplicativos de mobilidade como Google Maps e Moovit.O festival oferece transporte oficial por R$ 120, com embarque em diversos pontos de São Paulo e cidades da Grande São Paulo (como Guarulhos, Osasco, São Bernardo, Campinas e Jundiaí). A compra pode ser feita pelo site da Eventim. É necessário chegar com 15 minutos de antecedência e apresentar o QR Code.Portões de entrada
  • Cadeira Superior → Portão B
  • Cadeira Inferior → Portões A, C e D
  • Pista → Portão A
  • Pista Premium → Portão B
  • Backstage Fanzone e Mirante → Portão C1
Objetos proibidosA organização divulgou a lista de itens não permitidos, entre eles:
  • Alimentos não lacrados
  • Vapes e juices
  • Fogos de artifício, sinalizadores ou objetos explosivos
  • Roupas ou acessórios com partes pontiagudas
  • Camisetas de times de futebol
  • Remédios sem receita médica
Alimentos lacrados e medicamentos com prescrição são liberados.IngressosAinda há ingressos disponíveis para a maioria dos setores. O único esgotado é a Cadeira Superior. A Pista Premium conta apenas com ingressos inteiros. Os camarotes Backstage também estão à venda. As entradas podem ser adquiridas pelo site da Eventim ou na bilheteria física do Allianz Parque.O Monsters of Rock 2026 promete uma grande celebração do rock, reunindo gerações diferentes em um dos palcos mais tradicionais do gênero no Brasil.

Boulos sobe o tom contra a Uber após receber notificação extrajudicial e acusa empresa de intimidação

 


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, reagiu com firmeza após receber uma notificação extrajudicial da Uber em seu gabinete no Palácio do Planalto. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (31), ele acusou a plataforma de tentar intimidar o governo federal em meio ao avanço de propostas de regulação do trabalho por aplicativos.“Olha o que eu acabei de receber aqui no meu gabinete: uma notificação extrajudicial da Uber. Ameaçando processo, inclusive”, afirmou Boulos. “Não tem nenhuma empresa norte-americana, estrangeira, de onde quer que seja, que vai intimidar o trabalho do governo do presidente Lula. Não vai chegar aqui e dizer o que o Brasil tem que fazer”, acrescentou.A notificação da Uber questiona declarações recentes do ministro, nas quais ele critica o modelo de negócios das plataformas e sugere que políticos e influenciadores estariam atuando em favor das empresas no debate público. A empresa afirma que as falas extrapolam os limites da liberdade de expressão ao fazer acusações graves sem apresentar provas.Críticas ao modelo de remuneraçãoNo vídeo, Boulos reforçou as críticas à chamada “taxa de retenção” cobrada pelas plataformas sobre as corridas e entregas. “Quem é motorista sabe bem: uma parte importante do dinheiro que o cliente paga vai para a Uber. O motorista tem o carro, paga gasolina, assume o risco. E a Uber chega a ficar com 40%, às vezes 50% do valor da viagem. Isso é um absurdo”, disse.Ele comparou o percentual com outras atividades de intermediação, como a corretagem imobiliária, que tem limites legais em torno de 6%. “A Uber fica com 30%, 40%, 50% só por fazer intermediação tecnológica. Isso é um escândalo”, afirmou.Boulos citou o exemplo da Espanha, que limitou a taxa entre 20% e 25%, e defendeu que o Brasil siga o mesmo caminho. “Aí a Uber faz o quê? Inventa mentira e entra com processo. Pode enviar um, dois, dez processos. A gente vai continuar lutando para garantir dignidade para o trabalhador brasileiro”, declarou.Contexto da regulaçãoO embate acontece enquanto o governo Lula articula a regulamentação do trabalho por aplicativos, uma das prioridades da atual gestão. As principais demandas dos motoristas e entregadores giram em torno da melhoria da remuneração. Entre as medidas em discussão estão o aumento do valor mínimo por entrega (de R$ 7,50 para R$ 10), criação de pontos de apoio, transparência nas notas fiscais e reconhecimento de acidentes como acidentes de trabalho.Boulos reafirmou que o governo não recuará diante de pressões judiciais. “Quando a sociedade souber quanto as plataformas ficam de cada corrida ou pedido, vai ficar evidente quem está aumentando o preço e lucrando às custas de uma remuneração indigna”, disse em entrevista recente.A Uber, por sua vez, reforçou que a notificação não se refere às críticas sobre a taxa de retenção, mas sim a acusações de corrupção e influência sem comprovação. A empresa afirma ter “políticas rigorosas de integridade e compliance”, com tolerância zero a práticas como suborno ou disseminação de desinformação.O caso deve seguir gerando repercussão no debate sobre a regulação das plataformas digitais no Brasil.