O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira (2 de abril de 2026) praticamente estável, cotado a R$ 5,1599 (+0,06%), após oscilar ao longo do dia. A moeda americana chegou a atingir R$ 5,1939 no início dos negócios, mas perdeu força ao longo da tarde.Apesar da tensão provocada pelo discurso de Donald Trump na véspera, que frustrou expectativas de um fim rápido do conflito no Oriente Médio, o real resistiu bem ao aumento da aversão ao risco no exterior.Na semana, o dólar acumulou queda de 1,56%. No ano, a desvalorização chega a 6% em relação ao real, que registra o melhor desempenho entre as principais moedas do mundo em 2026, tanto entre divisas fortes quanto emergentes.Fatores que sustentam o realO economista Gustavo Rostelato, da Armor Capital, destaca que o Brasil ser exportador líquido de petróleo favorece o real. Com a alta nos preços da commodity, o país melhora seus termos de troca, o que ajuda a reduzir o déficit em transações correntes.“Isso traz, no curto prazo, um viés favorável para o real, que tende a ter um desempenho superior ao dos seus pares”, afirma Rostelato. Ele ressalta ainda a perspectiva de manutenção de uma taxa real de juros elevada no Brasil, mesmo com o início do ciclo de cortes da Selic pelo Banco Central em março.Cenário internacionalNo exterior, o índice DXY (que mede o dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes) voltou a superar os 100 pontos, mas encerrou a semana em leve queda. Os rendimentos dos Treasuries americanos recuaram, refletindo temores de estagflação provocados pelo choque nos preços de energia.O petróleo disparou novamente: o WTI para maio subiu 11,4%, fechando a US$ 111,54 por barril — o maior nível desde 8 de março. O Brent para junho avançou 7,77%, a US$ 109,03.A notícia de que Irã e Omã negociam um novo protocolo para o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para conter a alta da commodity.Trump voltou a subir o tom nesta quinta, afirmando que “é hora de o Irã fazer um acordo antes que seja tarde demais”. Mais cedo, o Irã havia reivindicado ataques a instalações de aço e alumínio dos EUA em países do Golfo, em retaliação a bombardeios anteriores.Analistas avaliam que o discurso de Trump foi pouco esclarecedor para os mercados, com viés voltado ao público doméstico e sem detalhes sobre um possível cessar-fogo ou estratégia clara para o conflito.

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