Impactado pela estiagem, PIB do RS cresce apenas 0,9% em 2025

 


31/03/2026 | 17:37
Correio do Povo
O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul registrou crescimento tímido de 0,9% em 2025, na comparação com o ano anterior. O resultado foi fortemente impactado pela estiagem, que provocou retração de 6,8% na agropecuária gaúcha, mas foi sustentado pelo avanço da indústria e dos serviços.O PIB gaúcho totalizou R$ 753,194 bilhões em 2025, o que representa 5,91% do PIB nacional. O PIB per capita do estado chegou a R$ 67.050, valor 12,3% superior à média brasileira (R$ 59.687).Os dados foram apresentados nesta terça-feira pelo pesquisador Martinho Lazzari, do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).Agropecuária sofre forte quedaA estiagem foi o principal fator negativo. A agropecuária recuou 6,8% no RS, enquanto no Brasil o setor cresceu 11,7%. Dentro do agronegócio gaúcho, a soja — principal produto — despencou 25,2%. Por outro lado, houve crescimento expressivo em arroz (22,9%), milho (17,5%), fumo (22,5%) e uva (39,3%).Indústria e serviços puxam o resultadoA indústria e os serviços registraram ambos alta de 1,7% no estado, desempenho ligeiramente superior ao registrado no Brasil (1,4% na indústria e 1,8% nos serviços). No setor industrial gaúcho, o crescimento foi impulsionado pela indústria extrativa e pela de transformação.No comércio, as atividades ligadas ao consumo diário da população — como supermercados, combustíveis e farmácias — tiveram bom desempenho. Já os segmentos mais dependentes de crédito sofreram com o alto endividamento familiar e com a taxa Selic elevada.Quarto trimestre e contexto externoApenas no quarto trimestre de 2025, o PIB do RS cresceu 0,4%, enquanto o nacional avançou 0,1%. Lazzari destacou que, em 2024, o comércio e a construção haviam crescido fortemente devido às obras de reconstrução após as enchentes, mas esses setores se estagnaram em 2025.Sobre a taxação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil em meados de 2025, o pesquisador avaliou que o impacto foi menor do que o inicialmente esperado. “As empresas gaúchas souberam se defender bem”, completou.

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