Na era da internet, é possível apagar o passado?, questiona Juliano Nóbrega

Empresas discutem ‘direito ao esquecimento’

Jornais brasileiros e o Google acham que a supressão dos nomes é, na verdade, uma forma de censuraPawel Czerwinski/Unsplash

JULIANO NÓBREGA
07.set.2019 (sábado) - 5h50
atualizado: 07.set.2019 (sábado) - 6h45

Antes dos temas da semana, duas dicas para quem quer se atualizar:

Plantão de palestras:

  • Acontece na semana que vem, na Alemanha, o Dmexco, maior evento de marketing digital da Europa. O canal deles no YouTube sempre bomba de conteúdo bacana. Aqui tem a programação completa.
  • Na semana passada, rolou o Digitalks em SP. Boa parte das palestras está no YouTube. O formato não é dos melhores –vídeos do live stream completo com 8 horas de duração— mas vale a pena.

Então vamos ao que vi de mais interessante na semana? Boa leitura!


1. NA ERA DA INTERNET, É POSSÍVEL APAGAR O PASSADO?

Não é de hoje que se discute o “direito ao esquecimento”, segundo o qual as pessoas teriam o direito de ter seus nomes deletados de sites de notícia e mecanismo de busca.

É aquela história: o nome aparece numa matéria de jornal de anos ou décadas atrás. O assunto morreu, a pessoa já pagou suas dívidas, cumpriu pena, etc. Mas não consegue se livrar do assunto porque, em fração de segundos, ele ressurge no Google. Muita gente inteligente (e até a corte máxima da Europa) diz que essa pessoa tem “direito ao esquecimento”. Jornais brasileiros e o Google acham que a supressão dos nomes é, na verdade, uma forma de censura.

Um veículo americano adotou uma posição diferente. No cleveland.com, desde 2018 um comitê editorial se reúne regularmente para discutir casos de pessoas envolvidas em crimes não violentos —um servidor flagrado em corrupção, um adolescente pego com maconha, e assim por diante— e avaliar a remoção de seus nomes das matérias. O assunto é contado lindamente nesse episódio do Radiolab, meu podcast preferido, que acompanhou uma sessão do comitê (dica de leitor).

Ao lançar o projeto, o editor chefe, Chris Quinn, se perguntou: “Por quanto tempo alguém deveria pagar por um erro?”. Ele se refere a pessoas “impedidas de melhorar suas vidas pelo destaque das histórias do cleveland.com sobre seus erros nas pesquisas de nomes de seus nomes no Google. Eles não conseguem emprego, ou seus filhos encontram o conteúdo, ou novos amigos o veem e fazem julgamentos”. Pois é.

No mundo da reputação, um resultado ruim no Google pode significar um tipo de morte.

Por aqui, sempre que o assunto surgiu na Justiça, os grandes jornais repudiaram a ideia. “Não é possível garantir que a informação deletada hoje não venha a ser elucidativa amanhã. Melhor prevenir erros e mantê-las todas”, disse O Globo. “Por mais que se possa compreender o sofrimento íntimo envolvido nesse caso –e sem dúvida surgirão outros, ainda mais complexos–, a memória dos fatos e o registro histórico devem prevalecer”, defendeu a Folha no famoso caso Aida Curi, que é a base de uma ação a ser julgada no STF.

Realmente, não é simples. O cleveland.com analisa o caso de um policial condenado por fraudar a folha de ponto que limpou sua ficha criminal na Justiça. Parecia uma decisão simples, até que lembraram o caso de um jovem negro morto por um policial quando portava uma arma de brinquedo. O tal policial, vejam só, quase tinha sido expulso da polícia de outra cidade. “E se a gente apaga o registro e esse policial acabar cometendo um crime pior lá na frente?”, começam a se perguntar. O nome foi mantido.

Em matéria recente do Conjur, advogados que defendem grandes veículos brasileiros se disseram a favor da ideia de uma “instância arbitral” nos veículos, com o comitê do cleveland.com. Seria uma forma de evitar discussões na Justiça.

Não tenho notícia de iniciativa nesse sentido por aqui. Alguém conhece? Adoraria contar essa história.

  • PS: quer se aprofundar no tema? Esse site tem vários materiais para discussão.

2. AINDA O CASE FABIO ASSUNÇÃO

Não foi combinado: uma semana depois que eu escrevi neste espaço sobre “as lições de comunicação de Fabio Assunção”, o ator deflagrou mais uma etapa de sua inteligente ofensiva de comunicação. Em parceria com o Twitter Brasil, abriu uma conta oficial na rede, deu uma bela entrevista ao vivo ao pessoal da empresa e lançou uma campanha de arrecadação para entidades que ajudam dependentes químicos.

  • Sobre sua decisão de começar a postar mais em redes sociais (começando por Instagram e Facebook), Fabio comenta: Ali eu fiz a minha imprensa. Pois é: como tantas outras celebridades, Fabio conseguiu acesso direto ao público sem o filtro do jornalismo… de celebridades.

E em 1 semana, o perfil já tem 95 mil seguidores.

3. UMA ESPIADA DENTRO DAS REDAÇÕES

A imprensa tradicional, definitivamente, vive seu momento podcast. E nós, ouvintes, ganhamos uma oportunidade inédita de conhecer o jornalismo por dentro. Todos os dias, jornalistas de veículos como Folha, O Globo e Estadão contam em áudio os bastidores da produção de suas reportagens.

É um instrumento superimportante de transparência e aumento da confiança do leitor (como comentei na semana passada).

É também material precioso para quem trabalha com PR e assessoria de imprensa, pois permite passar a clientes uma visão muito mais próxima do veículo e de seus jornalistas.

Gostei particularmente do episódio do Café da Manhã, da Folha, em que o diretor de redação, Sergio Davila, e o diretor da sucursal de Brasília, Leandro Colon, contam os detalhes da entrevista com Bolsonaro, publicada na 4ª feira (dica de leitora).

No podcast, eles revelam que a conversa começou toda “off the record”, e por isso nada foi gravado ou anotado. No fim do papo, no entanto, os jornalistas perguntaram a Bolsonaro se poderiam usar as declarações “em on”, no jargão jornalístico. “Sim, pode usar tudo, só não coloquem os palavrões”, disse Bolsonaro. “Espertamente”, nas palavras de Davila, Leandro repetiu ao presidente algumas perguntas “para a gente ter as respostas frescas”. No carro de volta à redação, a dupla foi se lembrando e anotando as frases.

Para acompanhar:

4. O CEO POLÍTICO

“Mesmo os CEOs mais introvertidos e com medo da imprensa precisam ser políticos de fato, graças a várias tendências sociais inequívocas”, escreveu Mike Allen, do Axios, quando os executivos chefes das maiores empresas americanas mudaram e deixaram de considerar o lucro para o acionista como principal objetivo das empresas (falei sobre aqui). Que tendências?

  • “Funcionários millenials exigem que seus empregadores defendam algo além do lucro.”
  • “Está ficando mais difícil recrutar e reter talentos, especialmente em tecnologia, se o lucro for o único objetivo.”
  • “Um número crescente de consumidores toma decisões de compra com base no objetivo social da empresa.”
  • “A mídia aplica muito mais pressão aos CEOs para tomar posições em tópicos políticos.”
  • “Todo CEO/empresa é vulnerável a revoltas de mídia social de uma fração de segundo.”

Pois é. Na última semana, foi a vez do CEO do Walmart tomar posição no tema das armas, altamente politizado nos EUA. Depois que um atirador matou 22 pessoas em uma loja da rede no Texas, Doug McMillon anunciou restrições à venda de munição, e sugeriu a autoridades que reforcem o controle da concessão do porte de armas. Não é simples, e vale ler um trecho de sua declaração:

“Temos uma longa tradição como empresa de servir caçadores e esportistas, e continuaremos fazendo isso. Nosso fundador, Sam Walton, era um ávido homem da natureza que tinha paixão pela caça a codornas, e estamos sediados em um Estado conhecido por sua caça a patos e veados [Arkansas]. Minha família criou cães de caça (…) e também sou proprietário de armas. Entendemos essa herança, nosso lugar profundamente enraizado nos Estados Unidos e nossa influência como o maior varejista do mundo. E entendemos a responsabilidade que vem com ela. Queremos o melhor para nossos clientes, nossos associados e nossas comunidades. Em uma situação complexa, sem uma solução simples, estamos tentando tomar medidas construtivas para reduzir o risco de eventos como esses acontecerem novamente. O status quo é inaceitável.”

Detalhe: logo após o tiroteio, Andrew Ross Sorkin, um dos mais respeitados repórteres de Wall Street, havia escrito uma carta aberta clamando McMillon a usar a força da rede varejista para enfrentar a questão das armas. São os tempos atuais.

5. A BATATA GRATINADA PERFEITA

Alegria dos churrascos em casa, essa batata não poderia ser mais simples. Em resumo: descasque e corte em rodelas, leve à panela com 1 xícara de leite, 1 xícara de creme de leite fresco, manteiga, sal, pimenta, noz moscada. Após 10 minutos, transfira tudo para uma assadeira untada e cubra com gruyere ralado, e leve ao forno por 20 a 30 minutos, até o queijo ficar bem gratinado. É isso.

  • A original está aqui. É uma das “Genius Recipes“, preparações “geniais” coletadas pelo Food52, um dos meus sites de receita preferidos.

6. O NOSSO ELTON SE FOI

Aos 89 anos, morreu Elton Medeiros, o sambista que era um gênio da caixa de fósforos. Aliás, sambista não. Segundo o jornalista e amigo João Máximo, “implicava com o rótulo de sambista que costumavam lhe dar. Por que sambista e não compositor?” Faz sentido.

Elton foi gravado por uma lista enorme de grandes intérpretes, entre eles parceiros como Paulinho da Viola e Cartola.

  • Reuni nessa playlist alguns dos maiores sucessos do compositor. Uma coleção de sambas clássicos para chamar o fim-de-semana e homenagear esse grande talento.
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Autores

Juliano Nóbrega

Juliano Nóbrega

Juliano Nóbrega, 41 anos, é diretor de Operações na CDN Comunicação. Jornalista, foi repórter e editor no jornal Agora SP, do Grupo Folha, fundador e editor do portal Última Instância e coordenador de imprensa no Governo do Estado de São Paulo. Está na CDN desde 2015. Publica, desde junho de 2018, uma newsletter semanal em que comenta conteúdos sobre mídia, tecnologia e negócios, com pitadas de música e gastronomia.


Poder 360

Vagas de emprego em Porto Alegre–07.09.2019

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Vendedor
Salário: R$ 5000.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Alécio Rodrigo Ferreira
Descrição: Venda de produtos e serviços de energia renováveis

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1370.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Ilha Service Tecnologia
Descrição: Atividades: Realizar o recebimento, movimentação e estocagem de matérias primas e produtos. Receber e conferir notas fiscais de entrada de peças / remessas em garantia, verificar a qualidade, descrição e as condições gerais dos materiais e embalagens.
Requisitos: Ensino técnico completo / superior cursando; experiência com gestão de estoque (na área de ti será diferencial)
Horário: Segunda a sexta-feira das 08:00 às 12:00 e das 13:12 às 18:00 hrs - 44 horas semanais
Local: Bairro são geraldo - Porto alegre / rs

EU QUERO ESSA VAGA

Vendedor
Salário: R$ 1500.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Realizar a venda de produtos, prestar informações dos produtos, fechamento da venda, operação de caixa, organização das lojas e produtos. experiência em vendas. Ensino médio completo
Vt+plano de saúde

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1400.58
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Julia Felix Recrutamento
Descrição: Atribuições: Agendar consultas, organizar planilhas, vender planos e se relacionar com cliente.
Requisitos:
Ter curso ou estar cursando tecnólogo/faculdade na área de administração é um diferencial;
Ser proativo.

EU QUERO ESSA VAGA

Vendedor Interno
Salário: R$ 1200.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Julia Felix Recrutamento
Descrição: Requisitos:
– experiência em atendimento e negociação de médio e grande porte;
– Postura, pró ativo para captação de clientes, participativo no trabalho em grupo;

EU QUERO ESSA VAGA

Atendente
Salário: R$ 2000.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Empresa busca por
Imprescindível que já tenha concluído o ensino médio.

EU QUERO ESSA VAGA

Atendente
Salário: R$ 1800.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Não é necessário experiência, pois será disponibilizado todo o treinamento adequado para que se tenha um crescimento profissional constante.
Imprescindível que já tenha concluído o ensino médio.
Favor anexar currículo, caso contrário não será lido.

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1500.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Rh Motta
Descrição: Recepção atendimento ao cliente, no balcão, por e mail telefone
Cadastro de equipamentos realização de planilhas caixa com boa escrita
Tipo de vaga: Efetivo/clt
/mês
Benefícios: Vt + Vr + Va + Convênio médico.

EU QUERO ESSA VAGA

Vendedor
Salário: A combinar
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Domo Clube De Beneficios
Descrição: Atividades profissionais: Prestar atendimento ao cliente. Vender proteção veicula% sua e você ainda recebe um percentual por cada boleto pago. Regime de contratação: Autônomo

EU QUERO ESSA VAGA

Vendedor Interno
Salário: R$ 6000.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: - Prospecção de clientes por telefone; Fechamento da venda e gerenciamento de carteira de clientes.
- Necessário: Habilidade de negociação e motivação. Ter vontade de aprender.
- Ensino médio completo.
- Comissão acima da média do mercado e bonificações.

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1500.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Responsável por verificar a entrada e saída de correspondências, receber e documentos, atender chamadas telefônicas, recepcionar o público em geral, fazer o arquivamento de documentos, manter atualizados os contatos.

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1500.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Responsável por verificar a entrada e saída de correspondências, receber e documentos, atender chamadas telefônicas, recepcionar o público em geral, fazer o arquivamento de documentos, manter atualizados os contatos.

EU QUERO ESSA VAGA

Auxiliar Administrativo
Salário: R$ 1500.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: (Confidencial)
Descrição: Responsável por verificar a entrada e saída de correspondências, receber e documentos, atender chamadas telefônicas, recepcionar o público em geral, fazer o arquivamento de documentos, manter atualizados os contatos.

EU QUERO ESSA VAGA

Atendente
Salário: A combinar
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Administrar Rh Consultoria E Treinamentos
Descrição: Escola de idiomas (bairro petrópolis), seleciona atendente para realizar as seguintes atividades: Recepcionar os alunos da escola; Atender aos professores em sala de aula; Prospectar novos clientes; Auxiliar nos controles financeiros.
Vt + Cursos de idiomas na escola
Segunda à sexta-feira das 07h45min às 17h33min
Requisitos: Ensino médio completo
Obs.: Informar pretensão salarial

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Recepcionista
Salário: R$ 1200.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Julia Felix Recrutamento
Descrição: Recepcionar os pacientes, agendar e cancelar consultas, demais atividades da área. Necessário experiência comprovada na área.

EU QUERO ESSA VAGA

Vendedor Interno
Salário: R$ 1690.00
Cidade: Porto Alegre/RS
Empresa: Sauber
Descrição: Supervisionar, atender clientes. Direcionar. Cuidar dos prazos, pedidos e entregas de mercadorias da empresa.

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A primeira vez que senti de perto a eletricidade do poder presidencial, escreve Mario Rosa

A História faz o cavalo de pau

O Rolls Royce apenas segue

João Figueiredo, com o vice, Aureliano Chaves, e o ministro-chefe do gabinete militar, Danilo Venturini, no Rolls Royce presidencialSenado Federal - 15.mar.1979

MARIO ROSA
07.set.2019 (sábado) - 5h50
atualizado: 07.set.2019 (sábado) - 6h45

Que voltas a democracia dá…

Hoje, o Rolls Royce preto Silver Wraith 1952, conversível, de couro marrom, detalhes em madeira, vai desfilar solenemente na Esplanada dos Ministérios neste 7 de setembro de 2019, trazendo a bordo o presidente Jair Bolsonaro, eleito legitimamente pelo povo brasileiro. Um militar da reserva. Egresso da mesma caserna que esse mesmo povo, não faz tanto tempo, queria tanto retirar dos assentos do mesmo Rolls Royce, os passageiros egressos das tropas quando ele trafegava pelas vias escuras do regime de 1964. E tudo que se queria era colocar ali, no Rolls Royce que hoje será o ponto alto deste 7 de setembro, um civil eleito pelo povo. Pois o povo venceu e o Rolls Royce desfilou com inúmeros civis após a redemocratização. Até que… veio o acúmulo de escândalos que culminou com a Lava Jato e o povo deu uma guinada no Rolls Royce e expulsou os civis e trouxe para bordo seu atual passageiro, o Capitão. A História faz o cavalo de pau. O Rolls Royce apenas segue.


Cheguei a Brasília menino de colo, em 1965 e desde então acompanho os triunfais festejos da celebração de nossa Independência. E, neste dia, recordo-me da primeira vez que senti a eletricidade do poder presidencial atravessando a multidão. Eu era menino e o ano devia ser 1971, 73…nem eu sei… só lembro do olhar daquilo tudo se passando pela lente sem filtros daquele menino. O fato é que Brasília e eu crescíamos juntos e ela, àquela altura, era um enorme terreno baldio de barro vermelho e mato alto. O desfile não era na Esplanada, como hoje. No “meu” tempo, na cidade quase fantasma que ainda não existia, o Eixão Sul era o lugar que concentrava a maior parte da população. Por isso, era ali que o Rolls Royce passava. O tédio de uma capital recém-nascida consegue ser ainda maior do que o de uma já consolidada, se capitais provocam tédio em certas pessoas. Pois no meio daquela poeira e daquele vazio, o 7 de setembro era como um carnaval: o maior espetáculo do ano.

As mães, sobretudo as iguais à minha, barnabés da baixa extração do funcionalismo, acordavam cedo e se arrumavam todas para disputar as primeiras filas bem em frente à avenida. E os meninos e meninas íamos com roupas bonitas participar daquela festa. E não entendíamos direito, mas todos estavam muito alegres com o garbo e a elegância de nossos soldados. E apontavam de vez em quando, com certo espanto, para ele, como ele era importante? O general! E chegávamos antes das sete da manhã e tínhamos de disputar um lugar na primeira fila e as horas iam passando e o sol de rachar do Cerrado ia fritando a todos, mas ninguém arredava o pé. Todos esperavam por ele: o Rolls Royce…

Eu me lembro bem da agitação que foi tomando conta de todo mundo. Era uma onda. Eu, baixinho, não conseguia ver nada. Estava em cima do meio fio, mas ouvia o murmúrio vindo, sei lá, de 100, 200, 500 metros? Mas era perturbador e congelante: “é ele, é ele, é ele, é ele, é ele…”. E esse mantra sussurrado por todos os adultos, de olhos arregalados e se esgueirando, contorcendo o corpo, tornava tudo um campo elétrico para um menino como eu. Como poderia saber quem era “ele”? E que ele era o presidente? E o que afinal de contas era o presidente, como eu poderia saber? E mais ainda que ele se chamava Emílio Garrastazu Médici?

Eu só lembro daquela eletricidade atravessando aqueles brasileiros pobres, como minha mãe, vindos de todo lugar, gente que já estava ali há horas apenas para capturar aquele flagrante. E como num filme, hoje, consigo visualizar o balé de crânios na coreografia do espanto enquanto o Rolls Royce passava, lentamente. Eu, eu não sabia o que fazer. Eu não sabia nem quem era e porque era tão importante aquele automóvel. Só sei que tudo aquilo me perturbou. E o meu “grito” para participar da catarse coletiva foi levantar meu cata-vento verde amarelo com a mão direita. E quando o Rolls Royce passou por mim, lá estava eu, com o meu cata-vento verde amarelo no mais alto ponto que podia.

De lá pra cá, foram tantos os 7 de setembro que assisti. Lembro de Geisel, que frequentava uma igreja Luterana na 405 Sul, onde eu morava. E como era bizarro ver aquelas limusines infestando uma quadra modorrenta num domingo de manhã. O que era aquilo? Depois, os desfiles de 7 de setembro foram transferidos para o Setor Militar Urbano, um lugar mais afastado, mais protegido, mais imune a vaias e manifestações. Talvez o povo já não estivesse tão exultante com os passageiros do Rolls Royce. Mas como o menino podia saber? Só notou que mudaram o lugar do desfile. Até que veio a democracia e, num certo momento, o desfile se transferiu para o coração do poder, a Esplanada dos Ministérios.

O Rolls Royce já desfilou sem o presidente que se internou na véspera da posse e subiu a rampa do palácio presidencial num esquife. E desfilou com o primeiro presidente eleito pelo povo e também o primeiro deposto por um impeachment. Bolsonaro vai se sentar no mesmo banco de couro marrom em que Lula, hoje preso, desfilou oito vezes. E de onde Dilma foi tirada, pelo segundo impeachment da República. Em 7 de setembro de 2023, só há uma dúvida e duas certezas. A dúvida é quem estará a bordo. A primeira certeza é que o Rolls Royce estará trafegando no asfalto. A outra certeza é que, se estiver vivo, eu estarei como sempre estive, desde a primeira vez, com meu cata-vento verde e amarelo na mão e projetado no ponto mais alto, vendo o Rolls Royce passar.

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Mario Rosa

Mario Rosa

Mario Rosa, 54 anos, é 1 dos mais renomados consultores de crise do Brasil. Pede que em sua biografia seja incluído o fato de ter sido jurado de miss Brasil e ter beijado o manto verde-rosa da Estação Primeira de Mangueira. Foi o autor do prefácio do primeiro plano de gerenciamento de crises do Exército Brasileiro. Atuou como jornalista e consultor. Escreve para o Poder360 semanalmente, às segundas e sextas-feiras.


Poder 360

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Marcos Lisboa defende reformas mais intensas para cortar gasto público

Vê risco de crise como a da Argentina

Considera direito adquirido insustentável

Afirma que o governo investe mal

Lisboa foi secretário de Política Econômica de 2003 a 2005, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Antonio Palocci era ministro da FazendaReprodução/YouTube

PAULO SILVA PINTO
07.set.2019 (sábado) - 5h50
atualizado: 07.set.2019 (sábado) - 6h37

O economista Marcos Lisboa, 55 anos, é 1 dos poucos críticos do governo pela linha liberal. Assim como a equipe do ministro Paulo Guedes (Economia), ele defende reformas para equilibrar e reduzir o tamanho do setor público, e outras para destravar a economia. Considera, porém, insuficiente o que vem sendo feito ou mesmo proposto.


Em algumas áreas, vê erro mesmo. É o caso da ideia de criar 1 tributo sobre movimentação financeira, nos moldes da famigerada CPMF que existiu no passado. Causará, alerta, imensas distorções. Quem projeta algo diferente deveria mostrar evidências.

O maior problema, diz Lisboa, está na falta de medidas que reduzam de forma consistente as despesas obrigatórias. Se isso não for equacionado, alerta, as chances de o Brasil virar a Argentina são grandes. “Estamos fazendo muito esforço para isso”, afirmou.

De 2003 a 2005, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Antonio Palocci era ministro da Fazenda, Lisboa foi secretário de Política Econômica. Ajudou a levar a meta de superavit primário a 4,25% do PIB. Atualmente, há deficit, de 1,29%.

Lisboa atualmente preside o Insper, instituição de ensino superior e pesquisa em São Paulo, onde concedeu a entrevista a seguir (49min3seg):

Leia abaixo trechos da entrevista:

Por que o Brasil cresce pouco?
O Brasil por muitos anos cresceu a uma taxa razoável em função do aumento populacional. Na minha geração, cada casal tinha 6,3 filhos. A atual tem 1,7. A queda da mortalidade infantil nos anos 1960 e 1970 resultou em uma enxurrada de gente chegando ao mercado de trabalho. O Brasil cresceu porque tinha muita gente para trabalhar. A população crescia 3% (ao ano) há 40 anos. Hoje cresce 0,7% e daqui a 10 anos vai crescer zero.

Não houve ganho de produtividade?
O Brasil há muito tempo não cresce com ganho de produtividade. O melhor momento recente foi no governo Lula. Chegou a crescer 1,6% a produtividade total de fatores. O que temos hoje é pouca gente chegando ao mercado de trabalho e muita gente se aposentando. A renda por trabalhador fica estável e a renda por habitante vai cair nos próximos anos.

Por que houve ganho de produtividade no passado e agora não há?
Foi 1 ganho modesto. Os países desenvolvidos têm ganhos de produtividade de 2,3% ao ano. O Brasil chegou a 1,6% porque havia uma conjuntura internacional favorável com 1 país que se beneficiava de uma série de mudanças institucionais iniciadas no governo de Fernando Henrique Cardoso: criação de agências, equilíbrio fiscal, várias reformas no mercado de crédito. De lá para cá a produtividade só decaiu. O governo federal a partir de 2008 iniciou uma extensa agenda de mudanças da legislação e de (realização de) investimentos públicos que foram desastrosos. Acho que na situação atual é melhor criar 1 decreto dizendo ‘o governo não pode investir’. Olha quanto investimento mal feito: as refinarias de petróleo, a transposição do São Francisco. Projetos de investimento público foram absolutamente ineficientes. Foram desperdiçados pela incompetência do governo federal.

É melhor fazer com que o setor privado invista?
O setor privado também não tem condições de investir hoje de forma razoável. O governo federal poderia ao menos definir condições de contorno, regras. Mas não conseguimos. O governo não consegue fazer projetos executivos detalhados, não consegue obter licenças ambientais antes de realizar as licitações, não consegue criar condições para o setor privado investir em infraestrutura. Sem isso, o restante do investimento privado fica comprometido. Como você vai investir em fábricas se não tem oferta de energia? Isso também afeta o setor de serviços, principalmente ligados à tecnologia.

Algo mais atrapalha o investimento?
Temos a estrutura totalmente disfuncional na tributação no país. É algo incerto, em que se tenta, o tempo todo, criar novas teses para aumentar a arrecadação. As regras são complexas e geram contencioso. Se há hoje uma prioridade para voltar a crescer e não naufragar como uma parte da América Latina é acertar tanto a parte tributária quanto a governança para permitir previsibilidade dos investimentos.

Os projetos de concessão não são promissores?
Qual projeto vem com licença ambiental pré-aprovada? Não vi nenhum até agora. Precisa ter 1 jogo combinado do governo que dê capacidade de definir projetos executivos de saída que permita a concessão de licenças. E também tem que ter uma mudança de que novas obrigações depois da licitação têm de ser de responsabilidade. do poder público. Tem que ter um seguro por parte do governo.

Precisa mudar a lei?
Hoje não precisa para muitas dessas coisas. O poder público não consegue fazer projetos  executivos, apenas esboços.

O governo quer que o BNDES trabalhe para melhorar os projetos. Isso pode ajudar?
Acho que não. Está na hora de esquecer o BNDES, que tem fracassado sucessivamente na tentativa de coordenar projetos de infraestrutura. Acho que perdeu o bonde. Ao longo dos anos a burocracia ficou defasada.

O que é mais importante: infraestrutura ou reforma tributária?
A reforma tributária é urgente. A preocupação de todas as esferas de governo em aumentar a arrecadação se tornou disfuncional. Procuram mudar a interpretação das regras. O resultado é 1 setor privado asfixiado. E a complexidade permite ao segmento mais sofisticado do setor privado operar as regras. Fica 1 jogo disfuncional em que a sociedade perde. Difícil hoje ter 1 projeto de investimento, uma nova fábrica, uma nova planta, porque você não consegue calcular quais serão as obrigações tributárias. São necessárias mudanças radicais da governança e das normas. E é preciso que as receitas estaduais, municipais e federal entendam que o objetivo não é criar mecanismos para aumentar a arrecadação. O resultado da política tributária das últimas décadas tem sido o empobrecimento do país.

É viável aprovar a reforma tributária?
Acho que sim. É 1 passo importante. Mas há muito mais a fazer. Há uma série de reformas que dependem da caneta do governo federal para simplificar, uniformizar bases de arrecadação, mudar a governança do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Não é mais possível que em caso de empate a vitória seja do governo federal. Claro que os governos estão pressionados porque não têm recursos para pagar as despesas obrigatórias. Mas a saída não é matar o gado que alimenta a corte. A saída é reduzir o tamanho da corte. Temos que entender que o setor público brasileiro passou dos limites de tamanho, não para de aumentar muito acima do que o país gera de renda.

Como rever isso? Teria que demitir funcionários públicos?
Teria que rever isso. Tem que discutir o que é direito adquirido. Inventamos 1 conceito no Brasil, descolado da realidade, em que os servidores públicos têm direito adquirido. Não pode ser demitido, não pode ter salário reduzido com o horário de trabalho. E quem exerceu o cargo de diretor por 1 tempo tem remuneração maior. São regras que só valem para servidor público no Brasil. Não valem para o país. O empresário não tem direito a lucro adquirido, o servidor privado não tem direito adquirido ao emprego, ao salário. O país ficou mais pobre, todos perderam renda. O servidor público não pode perder. O aposentado público não pode. Se o país tem menos renda, fez política econômica errada, a sociedade inteira perdeu lucro, salário, o servidor público não entra na conta? Então a sociedade tem que perder mais renda ainda. Criou-se uma fantasia insustentável. Essa fantasia do direito adquirido está quebrando o país.

Isso vale para aposentadoria?
Vale também. O país tem que discutir. A crise pode chegar a uma situação do tipo Grécia, em que se tenha que reduzir aposentadoria. Infelizmente a dificuldade do pais de entender o tamanho da crise e a resistência das corporações está levando a 1 extremo em que talvez o ajuste seja mais severo do que se fosse feito antes.

A  reforma da Previdência era para evitar isso. Foi insuficiente?
A reforma da Previdência faz parar de piorar. Vai estabilizar o gasto da Previdência como fração do PIB nos próximos anos. Mas os demais gastos obrigatórios vão continuar aumentando. A reforma da Previdência é apenas a 1ª das reformas necessárias. Vendeu-se uma fantasia de que a reforma renderia uma economia de R$ 1 trilhão. Venderam terreno na lua. A retórica deu impressão de que resolveria os problema.

Crises ajudam o país a avançar?
Não. A gente está em crise há 40 anos e não avançou nada. O país está parado desde o fim dos anos 70. É 1 país que está ficando para  trás.

O que resolve o problema fiscal? Funcionalismo e Previdência?
Sim, mas também a eliminação de todas as regras de indexação dos gastos públicos: vinculação com fundos constitucionais. Tem uma série de políticas ineficientes. Eu fico me perguntando: quanto tempo mais de fracasso em política regional a gente precisa para perceber que não deram certo.

O que daria certo?
O que deu certo por exemplo foi  desenvolver a produtividade do Centro-Oeste pelo agronegócio. Com Embrapa, com tecnologia, adaptou-se a soja ao solo. A renda per capita é parecida com a do Sudeste. No Nordeste, 58 anos de Sudene, com política de desenvolvimento regional, o que resultou? O Nordeste continua tão pobre em relação ao Sudeste quanto era na época do Celso Furtado. Vamos reconhecer: deu errado a política de subsídios, de transferência de indústrias. Deu errado no Nordeste, em Manaus e, recentemente, no próprio Centro-Oeste. É o caso de Goiás, um Estado pré-falimentar. As indústrias que foram para lá só sobrevivem graças aos subsídios. Não é questão de ser a favor ou contra ter indústria. A política é tecnicamente errada porque dá subsídio sem ganho de produtividade. Faz a montagem de bens em 1 local onde não tem mercado consumidor, não tem insumos, gerando 1 custo de logística imenso. Isso é inviável.

A Zona Franca é exatamente isso, certo?
E deu errado, né? A Zona Franca era para ter acabado. Foi prorrogada na Constituição e, agora, de novo. Lá continua sendo uma região pobre, para a qual se levou uma quantidade enorme de pessoas. O dia em que acabar o subsídio da Zona Franca será 1 desastre. Como fazer a transição? É 1 problema que nós criamos.

Mas não preservou a floresta?
Não há nenhuma prova disso. Você levou 2 milhões de pessoas para uma cidade que tinha 100 mil. Não tirou gente que estava ao redor. Levou gente do Nordeste e do Sul do país. Agora, se a Zona Franca se degradar, e está se degradando, essas pessoas terão de fazer outra coisa.

O agronegócio não levou problemas aos locais aonde chegou?
Não. O agronegócio moderno aumenta a produção por meio da produtividade. A quantidade de terra não tem aumentado. Tem 1 crescimento de produtividade de 3,5% a 4% ao ano! Tem outros aspectos da agropecuária, na produção de gado, que vai ocupando áreas queimadas, essa sim com pouca produtividade. Mas é preciso tomar cuidado com causa e consequência. Não é o gado que leva a queimada. É a queimada que abre espaço para o gado. O problema está na extração ilegal de madeira. É preciso combater a devastação.

Muitos defendem modificação do teto de gastos porque tem limitado investimentos. Qual sua opinião?
Isso é a prova de que o país está atrapalhado. Não tem que mudar o teto de gastos. Tem que mudar o crescimento do gasto obrigatório. Está criando 1 incômodo porque não para de aumentar. Vamos mudar a temperatura crítica do paciente de 40 graus para 42 graus. Uma hora o paciente morre. Em 2º lugar, há uma discussão muito superficial sobre a qualidade do investimento. O setor público no Brasil não consegue fazer investimento arrumado. Temos que reconhecer o fracasso do setor público em realizar investimentos efetivos. De novo estão discutindo Angra 3. Olha o custo! Isso é sonho dos militares, que têm mania de grandeza. Ótimo. Vão jogar videogame. Não colocar recursos públicos tão caros, tão raros, em mais uma usina nuclear ineficaz. Não sabemos gastar bem recursos públicos. Ou reconhecemos isso, ou vamos repetir erros do passado.

Os juros estão no patamar histórico mais baixo da história. Isso pode ajudar?
Isso ajuda várias coisas. Em 1º lugar economistas e analistas que achavam que o problema do Brasil eram os juros altos agora vão procurar o divã, vão ter que achar 1 culpado, porque os juros estão baixos e o país está andando de lado. O problema do país está em toda essa infraestrutura e ambiente legal que desestimula e afugenta investimento privado. O sistema tributário disfuncional, as regras do funcionalismo, a burocracia que dificulta o comércio exterior, todas as distorções que protegem alguns setores, com exigência de conteúdo local. Todo esse quadro afugenta o empreendedorismo. Há uma burocracia pública em conluio com 1 setor privado ineficiente que acha que a sociedade tem que sustentá-los. Isso gera esse desastre que a gente vive.

Há perspectiva de abertura comercial?
Deveria ter. Na prática, não tem tido.

O governo diz o contrário.
O governo tem tido muito discurso e muito pouca prática. Tem uma agenda de abertura que está na caneta do secretário Especial de Comércio Exterior: simplificar exceções tarifárias, reduzir o número de alíquotas, as regras de conteúdo local. Se a gente for esperar por grandes acordos com blocos, o país vai ficar para trás. Mas tem resistência de grupos privados que dependem dessas regras. Associações de bens de capital, da indústria do aço. Eu entendo os setores que resistem. O ambiente é tão disfuncional que as empresas têm dificuldade de competir no exterior. Mas esse jogo acaba gerando 1 dilema de prisioneiros que o país todo perde.

Há perspectiva de isso mudar?
Não tem mudado. O país está parado. Sem discutir direitos adquiridos não tem saída para os Estados. Não tem como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás saírem da crise em que estão sem discutir estabilidade do servidor público e aposentadorias. Eu sei que isso gera 1 incômodo. Os servidores dizem que passaram em concurso e tal.

Como avalia os riscos de uma recessão global?
Há sinais há alguns anos de que a economia mundial está em 1 momento de diminuição da atividade. Estava andando de lado na produção e emprego, com preços de ativos no ápice. Isso é sinal de bolha. Era previsível. Não tem surpresa aí. A surpresa é para as economias que não se prepararam. As que estão com as contas públicas em ordem, integradas ao resto do mundo, enfrentam apenas mais 1 período de dificuldades, o que é normal. Todo ano chega o inverno. Se você não se preparou, fica muito pior. É o caso da Argentina. E do Brasil.

O Brasil está em situação semelhante à da Argentina?
O Brasil deve olhar para a Argentina como uma pré-estreia. Nós não estamos fazendo o ajuste fiscal. O governo Macri prometeu uma agenda liberal e não fez isso. Resolveu preços administrados, mas o deficit permaneceu o mesmo. Você não mantém o deficit de 4,5% do PIB intocado em 4 anos e acha que não vai dar em nada. Deu. O Brasil não está enfrentando os gastos obrigatórios.

O Brasil pode ir pelo caminho da Argentina?
Pode. Aliás, estamos fazendo muito esforço para isso. Não estamos enfrentando a questão dos Estados dizendo: façam 1 ajuste estrutural nas contas públicas. Estamos prometendo mais recursos do pré-sal. É roteiro para o desastre. O Brasil já é 1 dos países do mundo que mais distribui recursos para Estados e municípios. Que história é essa de ‘Mais Brasil e Menos Brasília’? Nós já fazemos isso. Tem que aumentar a idade mínima de professores e policiais. Por que 1 professor tem que se aposentar antes de 1 médico de UTI? A política educacional mais eficaz, que permite maior número de aulas sem aumentar o gasto público, é aumentar a idade mínima de aposentadoria de professores. Como os setores que defendem a melhora da educação não defendem que a idade mínima passe a 65 anos?

Há chance de isso ser aprovado por uma PEC paralela no Senado?
Não sei. A sociedade não está se mobilizando para isso. Se for assim, haverá uma crise maior.

O Banco Central está atuando no mercado à vista de dólar, o que não fazia há muito tempo. Tem uma avaliação sobre isso?
Eu acho ruim. Até entendo o BC fazer intervenção para evitar grandes flutuações. O Brasil é um país atrapalhado por problemas fiscais e isso gera uma economia muito volátil. Começa a preocupar quando a intervenção sugere que há algum teto para o câmbio, tentando botar a cotação em algum lugar. Espero que não seja isso o que está acontecendo. O BC não consegue fazer política de juros e controle de câmbio ao mesmo tempo. Intervenções para induzir a taxa cambial costumam terminar em desastre. Aliás, essa era história desastrosa até o câmbio flutuante ser introduzido em 1999. Tem muita gente que é saudosista do desastre. As intervenções das últimas semanas, na melhor das hipóteses, não foram bem comunicadas e geraram suspeição de que talvez o BC  esteja atrás de 1 certo nível de câmbio. Isso não seria bom.

Criar algo parecido com a CPMF seria bom?
Não há nenhum país no mundo organizado que tenha 1 imposto desse tipo. Quem tem são alguns países latino americanos, como Argentina, com uma taxa módica. Hungria também. O único país que tem uma alíquota elevada, de 2%, é a Venezuela. Eu confesso que tenho uma certa surpresa quando vejo setores do empresariado brasileiro que defendem 1 imposto que, na alíquota proposta, só tem comparação com o que há na Venezuela. Tem uma imensa quantidade de estudos acadêmicos mostrando o desastre que é 1 imposto sobre movimentação financeira. Aumenta a informalidade, a demanda por papel moeda, reduz crédito e resulta em menor crescimento da indústria. Quero ver algum estudo sério na contramão disso. Parte do atraso do país vem de 1 setor privado muito pouco preparado para entrar no debate público. O setor privado apoiou as intervenções no setor de energia no governo Dilma, a expansão do BNDES, os subsídios generalizados.

Seria uma alternativa aos impostos sobre a folha de pagamento?
Não gera arrecadação para isso. O pessoal não fez a conta? A simulação com alíquota de 0,38% gera R$ 100 bilhões por ano. Tem outras maneiras de reduzir a alíquota sobre a folha. Por exemplo, revendo benefícios tributários para empresas que estão no Simples ou no lucro presumido. Confunde-se o tamanho da empresa e o do acionista. Se é microempresa, então é 1 microempreendedor. Se é grande empresa, é 1 grande empreendedor. Não é verdade. Tem grande empresas no Brasil cujos principais sócios são fundos de pensão, que pagam benefícios para associados de R$ 5 mil. E pode ter uma empresa no lucro presumido com faturamento de R$ 30 milhões cuja maior parte é resultado para os acionistas. Pode ter alguém no lucro presumido recebendo R$ 10 milhões por ano e pagando 15% de imposto e uma grande empresa, com pequenos acionistas, pagando 34%. Tem que tributar a renda da pessoa.

Acha que a reforma tributária vai tratar disso?
São várias reformas. Não dá para imaginar que uma vai resolver todos os problemas.

Autores

PAULO SILVA PINTO


Poder 360

Relator muda texto da Previdência e economia cai para R$ 870 bilhões em 10 anos

Antes, era de R$ 900 bilhões

Saiba o que foi tirado do texto

PODER360
04.set.2019 (quarta-feira) - 13h00
atualizado: 06.set.2019 (sexta-feira) - 22h18

O relator da reforma da Previdência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), mudou seu voto na 4ª feira (4.set.2019). Suprimiu mais pontos da proposta. Como são cortes no texto, isso não não obriga o projeto a retornar para a Câmara. O resultado principal é que a economia em 10 anos agora será de R$ 870 bilhões. Antes, na versão inicial de Tasso, era de R$ 900 bilhões. Leia a íntegra do parecer do tucano.

Saiba quais trechos foram tirados e o que deve ter na PEC paralela que inclui Estados e municípios na reforma:

A proposta principal deve ser votada nas próximas semanas pelo plenário do Senado.

Para a PEC ser aprovada é preciso, ao menos, 49 votos em 2 turnos. Se o texto for chancelado sem acréscimos (supressões são permitidas) ao que foi aprovado pela Câmara, será promulgado. Se houver modificações introduzindo dispositivos, o projeto será enviado para nova análise dos deputados.


Poder 360



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Reforma do Teatro Glênio Peres, na Câmara de Porto Alegre, custará R$ 580 mil

Anúncio foi feito nesta sexta-feira, no aniversário de 246 da Casa legislativa

Apresentação do projeto de reforma do Teatro Glênio Peres

Apresentação do projeto de reforma do Teatro Glênio Peres | Foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA/CP

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Para marcar a data em que a Câmara Municipal de Porto Alegre completa 246 anos de existência, foi anunciado, nessa sexta-feira, o lançamento das obras de reforma do Teatro Glênio Peres. Durante o ato, a presidente da Casa, Mônica Leal (PP), anunciou que a Câmara destinará R$ 580 mil do seu orçamento para a reforma do Teatro. A cerimônia contou com a presença de representantes da classe artística, técnicos, integrantes da comissão organizadora da Mostra de Artes Cênicas e Música do Teatro Glênio Peres e servidores da Câmara.

Ela ressaltou que a sua gestão tem procurado priorizar recursos para a melhoria da infraestrutura e qualificação dos setores da Casa, especialmente os espaços culturais. A presidente disse fazer questão de ouvir a classe artística durante o processo de reforma para que também as questões técnicas que envolvam a obra sejam atendidas. "Os recursos a serem aplicados pertencem ao orçamento do Legislativo. É o momento da Câmara investir mais na parte estrutural da Casa, e o Teatro Glênio Peres é um espaço cultural privilegiado da cidade."

Ao apresentar a proposta, o engenheiro Rogério Baú explicou ser fundamental que a classe cultural seja ouvida para garantir o êxito na execução do projeto. "A obra civil é objetiva, mas, em se tratando de teatro, há questões muito específicas que precisam ser observadas, tais como a acústica e a iluminação."

A licitação do projeto da reforma deve ser concluída até o final de dezembro deste ano, mas ressaltou que a fase de planejamento é importante para que a execução seja realizada em obediência às normas técnicas exigíveis para espetáculos teatrais, bem como atenda questões de acessibilidade e de situações de emergência. "Queremos tornar o Teatro Glênio Peres mais moderno. Com a defasagem tecnológica e de desempenho do nosso equipamento cultural, urge definir ações de melhoramento dos principais quesitos funcionais do teatro relativos à operacionalização de espetáculos, tais como sonorização, iluminação, acústica, infraestrutura cênica e conforto dos espectadores."

Já o diretor-geral da Casa, Sílvio Zago, destacou que a reforma constitui uma importante medida da Câmara no sentido de promover uma aproximação entre o Legislativo e os cidadãos por meio de ações culturais.


Correio do Povo


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Irã põe em funcionamento centrífugas modernas de enriquecimento de urânio

República Islâmica disse que continuará autorizando o acesso dado até agora aos inspetores da ONU

Irã anunciou neste sábado que colocou em funcionamento centrífugas mais modernas para aumentar o estoque de urânio enriquecido no país

Irã anunciou neste sábado que colocou em funcionamento centrífugas mais modernas para aumentar o estoque de urânio enriquecido no país | Foto: Atomic Energy Organization of Iran / AFP / CP

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O Irã anunciou neste sábado que colocou em funcionamento centrífugas mais modernas para aumentar o estoque de urânio enriquecido no país, em uma nova fase de redução de seus compromissos nucleares, o que preocupa a comunidade internacional. No entanto, a República Islâmica disse que continuará autorizando o acesso dado até agora aos inspetores da ONU responsáveis pela supervisão de seu programa nuclear, antes de uma visita a Teerã pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Cornel Feruta.

O porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behruz Kamalvandi, detalhou neste sábado as medidas da nova etapa do plano para reduzir os compromissos assumidos por Teerã no acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, assinado em Viena em 2015. Essa nova fase é a terceira da estratégia adotada pelo Irã desde maio, em represália à decisão dos Estados Unidos de abandonar unilateralmente esse acordo em 2018.

O presidente iraniano Hasan Rohani lançou esta fase na quarta-feira, ordenando expandir os limites para pesquisa e desenvolvimento nuclear. Kamalvandi disse a repórteres que 20 centrífugas IR-4 e 20 IR-6 foram ativadas na sexta-feira, enquanto o acordo de Viena apenas autoriza Teerã a produzir urânio enriquecido com centrífugas de primeira geração (IR-1). Essas centrífugas de quarta e sexta geração, "usadas para fins de pesquisa e desenvolvimento, ajudarão a aumentar a reserva" de urânio enriquecido, disse Kamalvandi.

O secretário da Defesa americano, Mark Esper, por sua vez, comentou, em Paris, que seu país não está surpreso com o fato de o Irã ter decidido usar as novas centrífugas. "Não estou surpreso que o Irã tenha anunciado que violaria o JCPOA (acordo nuclear iraniano de em 2015)", disse Esper em uma entrevista coletiva com sua colega francesa, Florence Parly. "Eles já violam o Tratado de Não Proliferação há anos, portanto não é uma surpresa", afirmou ainda.

"Transparência"

O funcionário iraniano insistiu que seu país pretende manter o mesmo grau de transparência sobre suas atividades. De acordo com a AIEA, com o acordo de Viena, o Irã concordou em se submeter ao mais rigoroso regime de inspeção concebido por esta agência e é um dos elementos principais deste pacto assinado entre Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha. "Com relação à vigilância e acesso da AIEA, os [...] compromissos do [Irã] em termos de transparência serão cumpridos como antes", acrescentou Kamalvandi.

As novas centrífugas devem acelerar a produção de urânio enriquecido e aumentar as reservas do país, que desde julho excedem o limite (300 quilos) estabelecido pelo acordo de Viena. Esse pacto ficou ameaçado depois que o presidente americano Donald Trump retirou-se unilateralmente em maio de 2018 e restabeleceu as sanções econômicas contra Teerã, que continuam se intensificando, em nome de uma política de "pressão máxima" para forçar Teerã a negociar um novo acordo. A restauração das sanções americanas priva o Irã dos benefícios econômicos que esperava do acordo de Viena.

O texto previa o levantamento de parte das sanções internacionais em troca de Teerã limitar drasticamente seu programa nuclear para impedir que ele desenvolvesse a arma atômica. Ao reduzir seus compromissos, Teerã - que sempre negou querer a bomba nuclear - pretende pressionar os outros Estados participantse no acordo para ajudá-lo a evitar sanções dos Estados Unidos e exportar seu petróleo.

Os três países europeus que são membros do acordo multiplicam os esforços diplomáticos para salvar o texto. A linha de crédito de 13,5 bilhões de euros (cerca de 15 bilhões de dólares) discutida nos últimos dias, que seria acordada com o Irã para reaplicar o acordo, topa com a rejeição de Washington de facilitar as sanções. O diretor interino da AIEA deve se reunir no domingo em Teerã com o presidente da Organização iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif.


AFP e Correio do Povo


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Publicado em 29 de ago de 2019

Em entrevista exclusiva à BBC News Brasil na Superintendência da PF em Curitiba, onde está preso, o ex-presidente também falou à repórter Mariana Schreiber sobre o governo Bolsonaro, meio ambiente, fake news, economia e Venezuela.