O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou nesta terça-feira (17) que Teerã e Washington chegaram a um entendimento sobre as “linhas gerais” de um pacto nuclear, após a segunda rodada de conversas mediadas por Omã. O objetivo é alcançar um acordo que permita ao Irã manter seu programa nuclear civil em troca do levantamento das sanções americanas, em meio à grave crise econômica que atinge o país.
Avanços diplomáticos
Araghchi classificou a última rodada como “construtiva”, embora não haja data definida para a continuidade do diálogo.
O chanceler de Omã, Badr al Busaidi, celebrou os progressos, destacando a identificação de objetivos comuns e questões técnicas.
Os EUA ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os resultados das negociações.
Pressões militares
Paralelamente às conversas, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, lançou advertências aos EUA após o envio de porta-aviões ao Oriente Médio.
O USS Abraham Lincoln, acompanhado de outros 11 navios de guerra, foi mobilizado e se encontrava a cerca de 700 km da costa iraniana.
O presidente americano Donald Trump também ordenou o deslocamento do USS Gerald R. Ford, inicialmente posicionado no Caribe.
Em resposta, o Irã realizou exercícios militares no estreito de Ormuz, testando drones e mísseis, e anunciou fechamento parcial da área estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Posição iraniana
O presidente Masoud Pezeshkian declarou que o país está disposto a permitir verificações internacionais para provar que não busca desenvolver armas nucleares.
Teerã insiste em seu direito de enriquecer urânio para fins energéticos, conforme o Tratado de Não Proliferação (TNP).
O Irã estaria disposto a negociar sobre suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilos, caso Washington suspenda as sanções.
Divergências
Enquanto o Irã quer limitar as conversas ao programa nuclear, os EUA exigem também restrições ao programa de mísseis balísticos e ao apoio iraniano a grupos armados regionais.
Analistas apontam que o país enfrenta um dilema: ceder às exigências americanas poderia aliviar a crise econômica, mas comprometeria sua posição ideológica e militar.
Esse avanço sinaliza uma possível retomada do diálogo nuclear, mas as tensões militares e as divergências sobre temas além do programa atômico mostram que o caminho para um acordo definitivo ainda será complexo.

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