Por Jurandir Soares
Donald Trump e Vladimir Putin estão deixando a Europa temerosa, em dúvida e até dividida
Donald Trump e Vladimir Putin estão deixando a Europa temerosa, em dúvida e até dividida. Curioso que essa divisão se manifestou logo após a Conferência sobre Segurança que os europeus realizaram em Munique no último dia 12. Naquela ocasião, a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, conseguiu arrancar uma posição conjunta quanto às ameaças do estadunidense. Porém, em conversas posteriores, França e Itália abriram um racha ao propor conversas diretas com Vladimir Putin.
POSIÇÃO
Ursula von der Leyen foi direta na Conferência de Segurança. “A Europa deve tornar-se mais independente, não há outra opção.” A presidente da Comissão falou de ameaças que vão desde territórios a tarifas, passando por regulamentações tecnológicas. Uma referência pouco velada aos Estados Unidos, mas também à agressão russa na Ucrânia. Acenou, inclusive, com a participação do Reino Unido, que, com o Brexit, deixou a UE.
Porém, ao mesmo tempo em que se une e busca se preparar para enfrentamentos maiores, as despesas seguem aumentando. Desde o início da guerra na Ucrânia, o investimento europeu na área da segurança cresceu quase 80%. As projeções indicam que, em 2028, as despesas do continente em equipamento militar ultrapassarão o que os Estados Unidos destinaram no ano passado. “Um verdadeiro despertar europeu”, como Leyen chamou.
RUMOS
Os maiores gastos que a Europa está tendo são com a guerra na Ucrânia, a qual completará quatro anos na próxima terça-feira. Uma despesa da qual os EUA caíram fora. E mais, deixaram Kiev à mercê de Vladimir Putin. Sabendo que Moscou não vai parar a intervenção, a italiana Giorgia Meloni e o francês Emmanuel Macron resolveram sair a campo, em busca de um acordo com os russos.
O problema é que a proposta gerou um racha na organização continental, pois teve a contestação do britânico Keir Starmer e do alemão Friedrich Merz. Entendem que Putin não deu sinais de que negociará. Pelo contrário, incrementou os ataques à Ucrânia nos últimos tempos.
FRONTEIRA
A situação atual do conflito foi definida pelo presidente da Letônia, o conservador Edgars Rinkēvičs. Em entrevista ao jornal espanhol El País, ele disse que a Rússia nem ganhou nem perdeu a guerra. Não ganhou porque sua intenção era invadir a Ucrânia e tirar Zelensky do poder em duas semanas, colocar em seu lugar um títere e, dali, partir para novas tomadas, dentro do objetivo de Putin de resgatar a antiga União Soviética. Mas não perdeu porque está com o domínio de uma parte da Ucrânia, da qual, seguramente, se apoderará.
A Letônia, junto com Estônia e Lituânia, compõe as três pequenas nações do Báltico que, durante muitos anos, estiveram sob o jugo de Moscou. E, quando ruiu a União Soviética, em 1991, a primeira providência que tomaram foi passar a integrar a OTAN, para ter proteção. Agora, porém, seus dirigentes estão preocupados com o que pode ser uma falta de resistência da Aliança Atlântica frente à Rússia sem a participação dos norte-americanos.
RUBIO
Porém, a contar pelo pronunciamento do secretário de Estado Marco Rubio na Conferência de Munique, os EUA não vão abandonar a Europa. Rubio tentou tranquilizar os aliados do Velho Continente. A Casa Branca não quer “separar-se”, mas sim “revitalizar” uma antiga amizade, afirmou. “A nossa casa é no hemisfério ocidental, mas seremos sempre filhos da Europa”. Insistiu que Washington não quer aliados fracos, mas sim capazes de se defender por si próprios, orgulhosos da sua cultura e herança, e dispostos a proteger, em conjunto, a civilização que partilham.
O recado dado à Europa – Washington não quer aliados fracos, mas sim capazes de se defender por si próprios – corrobora o que defende Ursula von der Leyen, justificando a posição de que o continente tem que investir em defesa para não ficar na dependência dos EUA. Sem esquecer uma questão que ainda não está resolvida: a intenção de Trump de tomar posse da Groenlândia.
Correio do Povo
Nenhum comentário:
Postar um comentário