O Congresso do Peru aprovou nesta terça-feira (17) a destituição do presidente interino José Jerí, acusado de má conduta funcional e falta de idoneidade para exercer o cargo. Jerí, que havia assumido a presidência em outubro de 2025 após a saída de Dina Boluarte, torna-se o sétimo chefe de Estado peruano removido em dez anos.
A decisão
A votação exigia 58 votos e foi conduzida pelo presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi, que declarou a vacância da Presidência da República.
O Parlamento deve eleger nesta quarta-feira (18), às 18h locais (20h em Brasília), um novo chefe do Legislativo, que assumirá automaticamente a presidência interina até 28 de julho.
O país ficará sem chefe de Estado por mais de 24 horas, situação inédita na história recente.
Contexto político
O Peru enfrenta uma crise institucional desde 2016, marcada por conflitos entre Parlamento e Executivo, fragmentação partidária e ausência de consenso político.
Jerí, de 39 anos, foi alvo de sete pedidos de censura impulsionados por partidos de oposição de esquerda e direita.
Críticas apontam falhas na condução da segurança pública e aumento dos homicídios por encomenda.
Investigações
O Ministério Público investiga Jerí por tráfico de influência e patrocínio ilegal de interesses, após encontro encoberto com um empresário chinês.
Outra investigação apura sua suposta participação na contratação irregular de nove mulheres em seu governo.
Apesar das acusações, Jerí declarou em entrevista que não cometeu crimes e que possui “plena suficiência moral” para exercer a presidência.
Repercussão
Manifestantes em frente ao Congresso celebraram a destituição, acusando Jerí de transformar o palácio presidencial “em um bordel”.
Analistas políticos avaliam que a troca de presidente não resolverá a crise institucional, agravada pela proximidade das eleições de 12 de abril, que contam com mais de 30 candidatos.
O candidato Rafael López Aliaga, líder nas pesquisas, foi um dos mais enfáticos ao exigir a saída de Jerí.
A destituição de José Jerí reforça o ciclo de instabilidade política no Peru, onde apenas um presidente conseguiu concluir o mandato na última década.

Nenhum comentário:
Postar um comentário