Terrorista Cesare Battisti é entregue a autoridades italianas e deixa a Bolívia em avião | Clic Noticias

Ex-ativista havia sido preso em Santa Cruz de La Sierra no sábado
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Avião foi da Itália à Bolívia buscar Cesare Battisti | Foto: Polizia di Stato / AFP / CP
O ex-ativista italiano de extrema esquerda Cesare Battisti foi entregue neste domingo por autoridades bolivianas a agentes italianos em Santa Cruz de la Sierra. Da cidade, partiu rumo à Itália em um avião especial, que chegou de Roma mais cedo.
Segundo jornalistas da agência de notícias AFP no local, Battisti, detido na noite de sábado em Santa Cruz, foi trasladado por policiais ao aeroporto boliviano de Viru-Viru. No local estava pessoal diplomático da Itália e da Defensoria do Povo da Bolívia.
De Roma, o ministério italiano do Interior confirmou o traslado, sem passar pelo Brasil. O ministro do Interior, Matteo Salvini disse em sua página no Facebook estar “orgulhoso e emocionado” com a prisão de Battisti.


Uma vida de fugas
Battisti passou cerca de 40 anos de sua vida em fuga quase permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça do seu país. Condenado à revelia à prisão perpétua na Itália, o ex-ativista, de 64 anos, passou por México, França e Brasil, onde a Justiça rejeitou em um primeiro momento sua extradição para a Itália para depois autorizá-la. Com a detenção, a Itália quer punir um dos últimos protagonistas dos “anos de chumbo” de violência dos anos 1970.
Poliglota de voz suave e conhecido por suas polêmicas, Battisti nasceu no sul de Roma em 18 de dezembro de 1954 em uma família comunista, mas também católica, como ele. Após passar várias vezes pela prisão por crimes comuns, no final dos anos 1970 entrou para a luta armada dentro do grupo Proletários Armados Pelo Comunismo (PAC).
“Tentar mudar a sociedade com as armas é uma estupidez, mas bom, naquela época todo mundo tinha pistolas”, declarou em 2011. “Havia guerrilheiros no mundo inteiro, a Itália vivia uma situação pré-revolucionária”, acrescentou.
Após ser detido em Milão, Battisti foi preso em 1979 e fugiu em 1981. Em 1993, foi condenado à revelia à prisão perpétua por dois homicídios e por cumplicidade em outros dois, cometidos em 1978 e 1979, crimes pelos quais diz ser inocente.
França
Passou pelo México, mas encontrou refúgio na França entre 1990 e 2004, graças à proteção do ex-presidente socialista François Mitterrand, que se comprometeu a não extraditar nenhum militante de extrema esquerda que tivesse renunciado à luta armada.
Assim como uma centena de militantes italianos dos anos 1970, Battisti refez sua vida em Paris. Trabalhou como vigia em um prédio e começou a escrever e publicar uma dezena de romances policiais com muitos elementos autobiográficos, que abordam temas como a redenção ou o exílio de ex-militantes extremistas.
Em 2004, o governo de Jacques Chirac decidiu pôr fim à "jurisprudência Mitterrand" e extraditá-lo. Apesar do apoio de várias personalidades, como o romancista Fred Vargas ou o filósofo Bernard-Henri Levy, a Justiça francesa recusou o recurso contra a extradição. Battisti, então, fugiu para o Brasil com uma identidade falsa, segundo ele, com ajuda dos serviços secretos franceses.
Depois de três anos vivendo na clandestinidade, em 2007 foi detido no Rio e ficou quatro anos na prisão, onde fez uma greve de fome porque dizia preferir morrer no Brasil a voltar para a Itália.
Brasil
Em 2004, o governo de Jacques Chirac decidiu pôr fim à “jurisprudência Mitterrand” e extraditá-lo. Apesar do apoio de várias personalidades, como o romancista Fred Vargas ou o filósofo Bernard-Henri Levy, a Justiça francesa recusou o recurso contra a extradição. Battisti, então, fugiu para o Brasil com uma identidade falsa, segundo ele, com ajuda dos serviços secretos franceses.
Depois de três anos vivendo na clandestinidade, em 2007 foi detido no Rio e ficou quatro anos na prisão, onde fez uma greve de fome porque dizia preferir morrer no Brasil a voltar para a Itália. “Escrever para não me perder na névoa dos dias intermináveis, repetindo-me que não é verdade. Que não sou eu esse homem que os meios transformaram em monstro e reduziram ao silêncio das sombras”, diz em “Minha fuga sem fim”, livro escrito no cárcere.
Em 2009, o Supremo Tribunal Federal autorizou sua extradição, mas deixou a decisão final nas mãos do então presidente Lula, que acabou rejeitando extraditá-lo. Em represália, a Itália chama a consultas seu embaixador em Brasília. Em junho de 2011, Battisti é libertado e consegue obter a residência permanente no Brasil. Instala-se em Cananeia, litoral Sul de São Paulo, onde continua escrevendo e tem um filho.
Mas a Justiça brasileira toma decisões contraditórias. Em 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti. No mesmo ano, ele se casa com a companheira brasileira Joice Lima em um camping de Cananeia. Dois anos depois, é detido em Corumbá (MS), na fronteira da Bolívia, acusado de querer fugir, e foi mantido monitorado com tornozeleira eletrônica por quatro meses.
Após a eleição, em outubro passado, do presidente de direita Jair Bolsonaro, que prometeu extraditá-lo, Battisti voltou à clandestinidade após 40 anos de fuga até este sábado, quando sua prisão foi anunciada em Santa Cruz de la Sierra, a 900 quilômetros de La Paz.

AFP e Correio do Povo


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                                  LITERATURA

                                  Feira do Livro movimenta Centro de Tramandaí

                                    Cantor e compositor gaúcho é um dos ícones da cena cultural do RS - Crédito: Ricardo Giusti
                                    MÚSICA

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                                            Cesare Battisti deixa a Bolívia em direção à Itália | Clic Noticias






                                            Ele era procurado pela Interpol e pela Polícia Federal desde dezembro do ano passado, quando teve a prisão decretada pelo ministro Luiz Fux, do STF.

                                            “O ex-presidente Lula tinha certeza de que eu não era o monstro que o governo italiano tentava construir”, diz Battisti

                                            Em um pedido formal de asilo enviado ao governo de Evo Morales no final de 2018, o terrorista Cesare Battisti chamou de ”nefasta coincidência” a chegada ao poder de governos de ”extrema-direita” no Brasil e na Itália.

                                            Preso neste sábado, 12, na Bolívia, o terrorista ainda comentou no pedido sua relação com o Brasil e com o ex-presidente Lula.

                                            “Em 2004, me vi obrigado a abandonar minha família e fugir ao Brasil, onde continuei continuei minha profissão, publicando cinco livros, constituindo uma família, da qual tenho um filho de nome Raul, que atualmente tem cinco anos”, escreveu.

                                            “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (depois de ter a certeza de que minha pessoa não era aquele monstro que o governo italiano tentava construir, com um pedido de extradição absurdo) me concedeu residência permanente no ano de 2010”, completou.

                                            Após anúncio feito pelas autoridades italianas, Battisti deve chegar à Itália nesta segunda-feira num vôo sem escalas no Brasil.



                                            MBL News

                                            Internet resgata Tweets de Marcelo Freixo apoiando o assassino Cesare Battisti


                                            A prisão de Cesare Battisti pode colocar um fim a um dos capítulos mais vergonhosos da Justiça e diplomacia brasileira: o acobertamento de um assassino terrorista feito pelo governo brasileiro.

                                            Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de 4 pessoas, além de ter deixado uma quinta paraplégica para o resto da vida. Mas o terrorista conseguiu fugir. Para se ter uma idéia: esses crimes aconteceram no final dos anos 70. Ele vive fugindo de país para país desde então.

                                            Battisti já ficou refugiado na França, México, mas foi no Brasil onde pôde desfrutar a vida. Com ajuda do então ministro da Justiça Tarso Genro, pai de Luciana Genro, e bênção do então presidente Lula, Battisti ficou livre, leve e solto no país desde 2011.

                                            A ordem de prisão e de extradição só veio no final de 2018 no governo Temer, mas o assassino já havia fugido para a Bolívia, onde durou poucos meses até finalmente ser capturado pela Interpol.

                                            Apesar de seu horrível passado cheio de sangue inocente, a esquerda brasileira não poupou apoio. A internet resgatou hoje alguns tweets de Marcelo Freixo, do PSOL do Rio de Janeiro, que revivam a postura do partido. Veja abaixo:

                                            Caso ele apague, os tweets ficarão salvos aqui https://web.archive.org/web/20190113211538/https:/twitter.com/search?q=battisti%20from%3AMarceloFreixo&src=typd

                                            O caso levanta a hipocrisia dessa turma. Na hora de perguntar quem matou Marielle, perguntam todo dia. E no caso do Battisti? Quem matou Antonio Santoro? Quem matou Pierluigi Torregiani? Quem matou Lino Sabadin? Quem matou Andrea Campagna? O mundo inteiro sabe quem matou, mas o PSOL o apoia.

                                            Esse partido é uma vergonha, assim como é o PT.

                                            MBL News

                                            Moro quer trazer Battisti para o Brasil e extraditá-lo para a Itália | Clic Noticias



                                            O ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro quer trazer o terrorista italiano Cesare Battisti para o Brasil para ‘entrega imediata’ para a Itália. Cabe à Bolívia a decisão de mandar para o Brasil ou diretamente para o país europeu.
                                            Battisti foi preso neste sábado, 13, na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Ele foi condenado por 4 assassinatos na década de 70 na Itália, mas conseguiu asilo político no Brasil graças ao PT.
                                            Ele era considerado foragido desde o dia 14 de dezembro, por ordem de prisão do Ministro do STF Luiz Fux. Na decisão, o mandado de prisão era para ser cumprido pela Interpol, no Brasil representada pela Polícia Federal.
                                            Os Ministérios da Justiça e o Itamaraty já estão trabalhando em conjunto com os governos da Bolívia e da Itália para agilizar a extradição de Battisti. No twitter, o Ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo declarou:
                                            “Diante da detenção de Cesare Battisti pela Interpol na Bolívia, o Ministério da Justiça e o Itamaraty estão tomando todas as providências necessárias, em cooperação com os governos da Bolívia e da Itália, para cumprir a extradição de Battisti e entregá-lo às autoridades italianas”.
                                            Os Ministros da Justiça (Sergio Moro), Relações Exteriores (Ernesto Araújo), e Segurança Institucional (General Augusto Heleno) estão reunidos agora no Palácio da Alvorada com o presidente Jair Bolsonaro para acertar os detalhes da extradição.
                                            “O ministério da Justiça e Segurança Pública e o ministério das Relações Exteriores estão tomando todas as providências necessárias, em cooperação com o Governo da Bolívia e com o Governo da Itália, para cumprir a extradição de Battisti e entregá-lo às autoridades italianas”, informaram os ministérios em nota conjunta.
                                            Informações da Folha e do Estadão.

                                            MBL News

                                            Soja: Estiagem na safra passada acelera investimentos em sistemas de irrigação | Clic Noticias

                                            Várzea irrigada
                                            Estiagem na safra passada acelera investimentos em sistemas de irrigação | Foto: Richard Pereira / Divulgação / CP
                                            Estiagem na safra passada acelera investimentos em sistemas de irrigação | Foto: Richard Pereira / Divulgação / CP
                                            Um ano depois da estiagem que provocou prejuízos milionários na Metade Sul e levou 40 municípios à situação de emergência, produtores de soja daquela região lançaram mão ou ampliaram medidas para minimizar os riscos e alcançar melhores resultados na atual safra. Ainda que neste ano os prognósticos climáticos indiquem condições bem mais favoráveis que as do ciclo passado, nos últimos meses observou-se um aumento de projetos de irrigação por pivô central em áreas de várzea, prática até então incomum em muitos municípios sulistas.
                                            Além disso, há mais investimentos em drenagem, atenção redobrada à época de semeadura e até o uso intensivo de agroquímicos como o 2,4-D para controle de ervas daninhas. O coordenador do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) na Zona Sul do Estado, André Matos, disse notar a adoção de irrigação em solos de várzea, com foco na produção de soja, em lugares que não têm tradição de usar pivôs centrais, como Jaguarão, Piratini, Pedras Altas e Santa Vitória do Palmar (foto). “É algo inovador para esta região arrozeira”, afirma Matos.
                                            Diretor de uma das empresas que vendem equipamentos de irrigação, a InfoSafras, Henrique Levien percebeu aumento de 100% na procura e na instalação de pivôs centrais nas áreas baixas, em 2018. Também foi expressivo, segundo ele, o crescimento da irrigação por sulcos. Para Levien, as perdas provocadas pela estiagem, que durou mais de 40 dias entre janeiro e fevereiro do ano passado, acenderam o alerta para a necessidade de precauções. “Fomos para a Expodireto em março com baixa expectativa e acabamos fechando muitos negócios”, recorda, revelando esperar boas vendas também nas feiras deste ano. Os números explicam.
                                            Em áreas da Metade Sul que não contavam com irrigação e que foram castigadas pela falta de chuva no último ciclo, a colheita variou de 12 a 40 sacos por hectare. Já as lavouras que contavam com algum sistema de irrigação obtiveram mais de 60 sacos por hectare. 
                                            Em zonas de várzea também houve ampliação do interesse por projetos de drenagem que cumprem o papel de retirar o excesso de água do campo no tempo adequado. A técnica é defendida pelo professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), Enio Marchesan, como um dos primeiros pontos a serem observados por quem produz em tais terrenos.
                                            Se o déficit de umidade no solo comprometeu o rendimento na safra passada, no atual ciclo houve excesso de chuva na fase do plantio, problema minimizado por uma boa drenagem. “Para ter uma produção sustentável, duradoura e com alto potencial, o produtor precisa pensar em irrigação e drenagem”, recomenda Marchesan.
                                            Da safra passada para a atual, o número de projetos de drenagem executados pela WR Assessoria Agrícola cresceu 50%. “Há a preocupação de melhorar a produtividade, até porque a soja se tornou uma parceira muito importante para o arroz nas terras baixas”, diz o diretor da empresa, engenheiro agrícola Antoniony Severo Winkler.
                                            Embora a produção de soja esteja consolidada na Metade Sul, o desafio é conseguir tornar a oleaginosa estável na região, que ora padece com a seca, ora sofre com drenagem deficiente em função das características topográficas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram crescimento expressivo da área plantada, de 378 mil hectares em 2007 para 1,04 milhão de hectares em 2017, mas dificuldade para manter a produtividade sem grandes oscilações, tendo registrado altos e baixos na última década. 
                                            Apesar do aumento de projetos na Metade Sul, Winkler observa que há inovações que ainda não estão disseminadas na região, muito em função do mau momento econômico que atravessa a cultura do arroz. “Apesar de terem vontade de investir e conhecer bem os problemas das terras baixas, muitos produtores vão adiando algumas ações por conta até da própria descapitalização provocada pelo arroz”, avalia Winkler.
                                            O assistente técnico estadual de sistemas de produção vegetal da Emater, Alencar Rugeri, também diz não perceber investimentos de forma generalizada no Sul, justamente a metade do Estado que mais necessita de estratégias para diminuir os riscos. “Os desafios não são intransponíveis, mas exigem muito investimento”, comenta. Rugeri observa ainda que há muito arrendamento de terras na região, o que dificulta a disponibilização de recursos para a melhoria de solos. 
                                            Enquanto práticas como a rotação de culturas e melhor manejo das áreas não são efetivados, Marchesan observa que os agrotóxicos acabam tendo uso intensivo e, com o tempo, perdem eficiência. Em 2018, aumentaram as queixas de produtores de uva e oliveiras em relação à deriva do herbicida 2,4-D em diversas regiões. “Os problemas da soja não se resolvem só com herbicida”, afirma. “Há que se trabalhar visando a sustentabilidade das lavouras e vida longa às tecnologias, com manejos corretos.”
                                            Medidas necessárias
                                            Para o professor do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (Ufsm), Enio Marchesan, especialista em manejo de áreas de arroz, há uma série de medidas que precisam ser tomadas para melhorar o desempenho da soja na Metade Sul. Além de pontos básicos, como drenagem e irrigação, ele recomenda uma menor mobilização e descompactação do solo. 
                                            Marchesan também aconselha os produtores a não abandonarem a rotação de culturas. Lembra que a soja começou a ser plantada nos municípios sulistas para ajudar a enfrentar as plantas daninhas na área arrozeira. “A rotação de cultura com a soja é o principal parceiro de uma lavoura de arroz sustentável. Este casamento está acontecendo e tem que acontecer cada vez mais”, incentiva.
                                            O professor observa que um sistema bem executado ajuda os produtores a evitarem o uso intensivo de agrotóxicos, gerando mais economia. “Estamos enfrentando um problemão, porque muitos herbicidas, por exemplo, não funcionam mais. É preciso fazer rotação de herbicida e disciplinar o uso para que estas tecnologias durem mais”, afirma.
                                            O consultor agronômico Gerson Herter diz que uma maior estabilidade da cultura de soja depende também da correção da fertilidade dos solos. Segundo ele, muitas áreas de arroz têm perda de até 75% de matéria orgânica original. Esta deficiência faz diferença na implantação da soja, que precisa de um solo mais nutrido. Em contrapartida, Herter diz que a várzea gaúcha é favorecida por uma boa disponibilidade de água, muito mais do que a coxilha. O consultor acredita que, se aplicado um bom manejo, a soja terá alto potencial produtivo na Metade Sul, mesmo em condições adversas. 
                                            Marchesan, da Ufsm, defende também o aperfeiçoamento dos prognósticos climáticos. “Os acertos estão muito longe do razoável”, aponta. “Na época do plantio desta safra houve excesso de chuva, que não estava previsto e prejudicou a tomada de decisão”, lembra.
                                            Oleaginosa cultivada nas terras baixas do Estado consolida integração com pecuária e tem a vantagem competitiva de estar próxima do porto de Rio Grande
                                            Oleaginosa cultivada nas terras baixas do Estado consolida integração com pecuária e tem a vantagem competitiva de estar próxima do porto de Rio Grande
                                            Mais informação

                                            Os especialistas sustentam ainda que o sucesso da lavoura depende do acesso a boa informação. Recomendam que os produtores busquem assistência técnica e pesquisem todas as ferramentas tecnológicas antes de tomar decisões. “O produtor tem que ser profissional, seja no Sul, seja no Norte do Estado. Amadorismo cobra muito caro”, alerta o assistente técnico estadual da Emater, Alencar Rugeri.
                                            Para o professor Marchesan, os órgãos públicos, as universidades, as empresas de máquinas e equipamentos também têm que aprender a melhorar a transferência de conhecimento para o campo. “Sinto que muitos produtores, principalmente os pequenos, os que mais precisam, ainda não conseguem adotar técnicas porque o aprendizado não está chegando”, revela.
                                            Já o chefe-geral da Embrapa Trigo, Osvaldo Vasconcellos Vieira, diz ter notado uma maior busca de informações pelos produtores do Sul, até pelo fato de estarem em áreas de maior risco. “As pesquisas, às vezes, demoram um pouco para dar respostas às demandas, mas estamos trabalhando nisso”, ressalta. Vieira lembra que a revisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a soja feita pela Embrapa Trigo em parceria com a Federação da Agricultura (Farsul), tem gerado “bons resultados”.
                                            Com base nos apontamentos feitos pelos produtores da Metade Sul, Vieira diz que a Embrapa tem aperfeiçoado cada vez mais o zoneamento em busca da minimização das perdas. “Hoje os produtores estão mais conscientes dos fatores de risco e tentam fazer todo o planejamento da lavoura em cima do zoneamento. É um grande avanço”, avalia. 
                                            O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, diz que os conhecimentos gerados são importantes, uma vez que a soja tornou-se alternativa para o Sul, que enfrenta crise no arroz. “A proximidade com o Porto de Rio Grande traz competitividade para a soja plantada no Sul do Estado”, destaca, ao apontar que a oleaginosa vem se apresentando como uma boa parceira na consolidação da integração lavoura-pecuária na região.
                                            Comparações favoráveis
                                            Buscando enfrentar a resistência de plantas daninhas na lavoura de arroz, o produtor Jerônimo Meireles Neto passou a fazer rotação com soja nas terras baixas de Santa Vitória do Palmar, Extremo Sul do Estado, em 2010. De lá para cá, a propriedade, que também é tocada pelo filhos Marlon e Marcelo e o genro Eduardo Bluhm de Oliveira, vem dando atenção especial à nova cultura. Nos últimos anos, a colheita da oleaginosa foi de 46 sacos por hectare, em média. Só que no ciclo passado, a escassez de chuva que persistiu por 45 dias provocou queda drástica na produtividade, para 29 sacos por hectare.
                                            Foi aí que a família resolveu fazer um investimento até então nunca utilizado na propriedade e algo inovador para o município. Instalou quatro pivôs centrais de irrigação na várzea com foco na produção da soja. Os equipamentos cobrem uma área de 280 hectares. “Optamos por este investimento para ter uma colheita garantida. A expectativa é aumentar 20 sacos por hectare irrigado em cima da média que vínhamos tendo”, comenta Marlon que pretende quitar todo o investimento em oito anos.
                                            Em Pedras Altas, os produtores de soja e pecuaristas Sérgio Fernandes e os filhos e sócios Gabriel, André e Júnior Fernandes investem em irrigação por pivô central desde 2009. Na época, o objetivo era a produção de pastagens de verão para o gado. Atualmente, a propriedade conta com seis pivôs e 700 hectares irrigados. Os dois últimos equipamentos foram instalados no ano passado. A maior parte desta área irrigada – 570 hectares – é destinada hoje ao plantio de soja, que há cinco anos virou alternativa de diversificação na propriedade.
                                            A ideia é seguir investindo em irrigação, ressalta Gabriel, que se diz convencido pelos resultados. Na safra passada, na área em que não havia pivô, foram colhidos 34 sacos por hectare. Já na lavoura irrigada, o rendimento foi de 78 sacos por hectare, uma média bem acima da estadual, de 50 sacos, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “A irrigação foi fundamental para este desempenho, sem falar que o investimento em pivô agrega valor ao patrimônio no campo”, afirma Gabriel. O desempenho gera inclusive curiosidade dos produtores das redondezas. “Muitos perguntam, querem saber qual o investimento, qual o custo da irrigação”, conta. 
                                            Em São Gabriel, o produtor Sérgio Giuliani conta com irrigação por pivô na coxilha e há três anos começou a investir também em projetos de drenagem para melhorar a estabilidade da soja na várzea. Atualmente, já tem 1 mil hectares drenados. A meta é, na safra 2019/2020, estender o projeto para mais 600 hectares. O retorno foi imediato.
                                            Segundo seus próprios cálculos, Giuliani desembolsou o equivalente a 1 mil sacos de soja para trabalhar a drenagem a cada 400 hectares e colheu 6,8 mil sacos a mais em cada uma destas áreas. “Isto significa um lucro líquido de cerca de R$ 500 mil”, compara. Só que ele faz uma observação: “Antes de investir, o produtor tem que buscar informação, tem que contatar empresas especializadas”, aconselha. “É incalculável o valor de uma informação correta.”
                                            Gabriel e Sérgio Fernandes na lavoura cultivada pela família em Pedras Altas, onde a colheita na área irrigada foi de 78 sacos por hectare na safra passada
                                            Gabriel e Sérgio Fernandes na lavoura cultivada pela família em Pedras Altas, onde a colheita na área irrigada foi de 78 sacos por hectare na safra passada
                                            Prognóstico indica chuvas adequadas neste verão
                                            Os prognósticos climáticos indicam para a safra em andamento um cenário bem diferente do que a Região Sul atravessou no início do ano passado. Segundo a meteorologista da Metsul, Estael Sias, existe a tendência de chuvas acima da média neste verão, o que contribui para condições muito mais favoráveis para as plantações e afasta o risco de estiagem. Tanto no Norte quanto no Sul do Estado não faltará chuva. Por outro lado, como as temperaturas também ficarão acima da média, aumentam as chances de temporais, alerta Estael.
                                            O meteorologista da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Flávio Varone, diz que a situação regular de chuvas deve seguir até o final do verão, proporcionando a reserva hídrica necessária para o desenvolvimento das culturas. A preocupação com o clima poderá ser maior no período da colheita. Segundo os meteorologistas, o El Niño encontra-se em processo de formação e poderá provocar chuvas com mais intensidade no início do outono. “Mas os dados de hoje indicam que será um El Niño de fraco a moderado”, informa Varone.

                                            Correio do Povo

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