Prédio de seis andares desaba na Cidade de Gaza e mata 21 pessoas, sendo 12 crianças
Pelo menos 21 pessoas morreram, entre elas 12 crianças e cinco mulheres, após o desabamento de um prédio de seis andares na Cidade de Gaza na madrugada desta quarta-feira. A informação foi divulgada pela Defesa Civil do território e confirmada pelos Ministérios do Interior e da Saúde de Gaza.
O edifício, localizado no bairro de Tal al Hawa, tinha quatro apartamentos por andar e já havia sido atingido por bombardeios em 2024 e em março de 2025. Segundo a Defesa Civil, o prédio desabou sobre casas e barracas próximas e abrigava mais de 100 deslocados que buscavam abrigo improvisado no local.
O porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal, afirmou que havia alertas para que a população não ocupasse o imóvel devido ao risco estrutural, mas que muitas famílias não têm alternativa de moradia. "Sem barracas, nem casas disponíveis, vivem em prédios com rachaduras e danificados, apesar do risco de desabamento", disse.
As equipes de resgate trabalharam por horas com "equipamentos limitados e ferramentas rudimentares" e retiraram 21 corpos dos escombros, além de 45 feridos encaminhados ao Hospital Al Shifa. No local, jornalistas da AFP registraram familiares se despedindo das vítimas.
Moradores relataram a situação precária dos imóveis na região. "Esses prédios são bombas-relógio. A guerra não acabou porque ainda há bombas-relógio na forma de casas à beira do colapso", afirmou Ahmed Al Ajla, que perdeu parentes no desabamento.
A Defesa Civil informou que há quase 2.000 prédios em risco de colapso na Faixa de Gaza e acusou Israel de impedir a entrada de máquinas pesadas. Já a assessoria de imprensa do governo de Gaza, controlado pelo Hamas, atribuiu o ocorrido aos atrasos na reconstrução e responsabilizou "a ocupação israelense e a comunidade internacional" pela deterioração humanitária que afeta mais de 2,4 milhões de pessoas.
O governo israelense ampliou a entrada de ajuda humanitária após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025, mas mantém restrições a equipamentos com potencial uso militar e segue com operações militares pontuais.

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