Safra de grãos no RS deve chegar a 36,4 milhões de toneladas, com leve recuo de 0,2%

 


A previsão é que a safra gaúcha de grãos chegue a 36,4 milhões de toneladas, segundo o 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos da Conab, publicado nesta terça-feira (15). O recuo é de 0,2% (57,6 mil toneladas) em relação à estimativa de agosto, de 36,5 milhões de toneladas.

Condições de mercado e a cautela dos produtores diante do risco climático fizeram a Conab reduzir a previsão do cultivo de trigo no Rio Grande do Sul novamente. Parte das áreas tradicionalmente destinadas à cultura está sendo direcionada para canola, aveia e plantas de cobertura.

A nova estimativa é de 774 mil hectares para o trigo, queda de 2,62% em relação à previsão de agosto e de 33,1% em comparação com a safra passada. A expectativa para a produção é de 2,3 milhões de toneladas, um recuo de 36,8% frente a 2025, segundo a Conab.

"O excesso de umidade constitui o principal fator de preocupação, dificultando o trânsito de máquinas, a aplicação de nitrogênio em cobertura e o manejo fitossanitário, além de favorecer processos de lixiviação de nutrientes, erosão e encharcamento. A baixa luminosidade também tem limitado o crescimento e o acúmulo de biomassa em algumas regiões", informou a entidade.

O preço do trigo em grãos apresentou alta de 0,46% no último mês, passando de R$ 69,55 para R$ 69,87 no mesmo período.

As geadas registradas no final de agosto também foram fator de atenção. "Como as lavouras apresentam grande heterogeneidade fenológica entre as regiões, os impactos deverão ser variáveis, sendo as áreas em florescimento e em enchimento de grãos as mais suscetíveis aos danos."

Enquanto isso, a área da canola passou para 366,3 mil hectares, avanço de 74,5% em relação à safra passada. O espaço destinado à aveia deve ser de 401,8 mil hectares. Para a cevada, a Conab estima 20,3 mil hectares. Já para o triticale, a estimativa é de 3,6 mil hectares. A soma da área de todas as culturas de inverno fica em 1,566 milhão de hectares.



Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro durante sessão no STF



O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não teve proximidade com o dono do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, e que só esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024. As declarações ocorreram durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Antes de tratar sobre o mérito, os ministros analisam uma questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes. O magistrado aponta que o presidente do STF, Edson Fachin, não deveria ter tomado a relatoria do ministro André Mendonça sobre o caso. Além disso, questiona que o processo sobre Mendonça deve ser associado ao de Moraes.

Gonet disse que só pode ser investigado com autorização de órgão próprio do Ministério Público Federal (MPF). Além disso, disse ficar "feliz" por, segundo ele, haver reconhecimento do ministro André Mendonça, do STF, de que "não havia nada que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do procurador-geral da República".

Gonet pontuou: "Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades, em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogada, foi brevíssima e banal".

O procurador disse ainda que a atuação do MPF "sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal". Ele salientou: "Quem analisa os fatos, sem viés, verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto".




Lula comenta crise no STF em entrevista à Record: “É preciso investigar todos, sem distinção”



Em entrevista exclusiva ao Jornal da Record nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, falou sobre a crise no STF. Ao ser questionado sobre a abertura de investigação envolvendo ministros da Suprema Corte em processos relacionados ao caso Banco Master, Lula apontou o momento como "determinante" para a história do Brasil: "O Fachin tem a faca e o queijo para saber quem fez o quê. É preciso investigar todos, sem distinção", frisou.

Lula lembrou ser o responsável pela primeira reforma no Judiciário e defendeu a discussão sobre tempo de mandato e critérios de escolha dos integrantes da Corte. Lula enfatizou ainda que os ministros não devem aspirar a "ficar ricos" ao assumirem o cargo: "Na Suprema Corte, ninguém pode ficar sob suspeita".

O presidente comentou ainda sobre o endividamento das famílias brasileiras. São quase 80% das famílias nessa situação, além de metade da população adulta com algum tipo de dívida. "Durante a crise financeira de 2008, houve um apelo para que a população não temesse o endividamento, desde que fosse responsável com suas finanças. O problema não é ter dívidas, mas a incapacidade de pagá-las. Dos brasileiros atualmente endividados, cerca de 29% enfrentam dificuldades sérias. Para mitigar esses desafios, é necessário promover crescimento econômico sustentável e uma distribuição equitativa de renda. A criação de empregos qualificados e o controle da inflação são prioridades essenciais para a estabilidade econômica das famílias brasileiras", disse o candidato.

Também foram mencionados os esforços para estabilizar os preços de bens básicos e combater a fome. Segundo Lula, resultado dos cortes orçamentários herdados do governo anterior em áreas críticas como saúde e educação.

O candidato à reeleição anunciou um plano conjunto entre o governo federal, estadual e municipal para enfrentar o crime organizado no Rio de Janeiro. A iniciativa será lançada na sexta-feira (18) e visa libertar as comunidades periféricas do domínio dos traficantes. Embora a responsabilidade primária pela segurança seja dos estados, o candidato destacou a necessidade de uma atuação mais definida da União.

Durante seu discurso, ele mencionou que enviou ao Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional (PEC) para clarificar os papéis das diferentes esferas governamentais na segurança pública. O objetivo é estabelecer um Ministério da Segurança Pública assim que a PEC for aprovada.

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