Mudas de laboratório levam tecnologia ao campo no RS
Com micropropagação in vitro, centro universitário em Bagé produz 10 mil matrizes de morango por ano
Um laboratório universitário de Bagé produz cerca de 10 mil matrizes de morango por ano para abastecer produtores do Rio Grande do Sul e de diferentes regiões do Brasil, além da América Latina. A produção é feita com micropropagação in vitro, técnica que multiplica as plantas, a partir de pequenos fragmentos, em ambiente estéril e entrega ao agricultor mudas com alto controle sanitário e características genéticas uniformes. A tecnologia também começa a ser aplicada à produção de orquídeas e outras espécies.
“A micropropagação é uma técnica que permite a produção em larga escala de mudas saudáveis e geneticamente uniformes, o que é fundamental para aumentar a produtividade e a qualidade delas. É uma técnica laboratorial que consiste em cultivar células, tecidos ou órgãos em um ambiente artificial”, explica a engenheira agrônoma, professora do Curso de Agronomia do Centro Universitário da Região da Campanha (Urcamp), em Bagé, Ana Cláudia Kalil Huber, que atua no projeto junto com a professora Ana Carla Maruri.
A vantagem, segundo ela, é simular as condições ideais para o crescimento. Isso permite pesquisas científicas e clonagem de mudas com as mesmas características genéticas das plantas matrizes.
Exclusividade na produção
O laboratório é credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desde 2000 para a produção in vitro de morangueiro e também pela Rede Nacional de Laboratórios Agropecuários, com o Registro Nacional de Semente e Mudas. “A exclusividade na produção de matrizes de morango posiciona os laboratórios da Urcamp como líderes no mercado”, destaca Ana Cláudia, lembrando que produtores encontram neste trabalho inovação e qualidade.
“Essa singularidade também contribui para o fortalecimento da agricultura local, promovendo o desenvolvimento econômico da região”, avalia. Por uma demanda de mercado, novas espécies foram incorporadas, como as orquídeas. Além disso, são pesquisadas as minirrosas e as oliveiras.
O processo de multiplicação das mudas começa com a coleta da parte reprodutiva do morango. Depois vem a etapa de multiplicação no período de dezembro até início de junho. Concluído esse ciclo, as mudas são transplantadas para começar o enraizamento. Tudo isso ocorre em laboratório para evitar contaminação por bactérias e fungos. Nas bandejas com substrato comercial, as plantas ficam em estufas em agosto e setembro, quando são entregues aos produtores.
Formação acadêmica
As cultivares de morango (Aromas, Oso Grande, Festival, Camino Real e Camarosa) e as cerca de 1 mil mudas de orquídeas produzidas são destinadas a cidades da região da Campanha, Litoral Sul, Vale do Caí e Serra. Municípios de São Paulo e do Mato Grosso do Sul também recebem os produtos. Além de atender ao mercado, o trabalho feito na universidade serve de base para pesquisas de diferentes cursos e subsídio para publicações.
“O funcionamento do Laboratório de Biotecnologia da Urcamp é fundamental nas aulas práticas dos cursos de graduação em Agronomia e Biologia, assim como em outras instituições da Região da Campanha, é fundamental para a formação de profissionais capacitados e inovadores”, descreve Ana Cláudia.
Para os próximos anos, o laboratório planeja ampliar sua capacidade de atendimento. “Com base no estudo de mercado e no compromisso de melhor atender o produtor, nosso principal objetivo é realizar a incorporação de mais 2 cultivares de morango até 2027. Além disso, queremos concluir as pesquisas com culturas como orquídeas, minirrosas e oliveira para, já no próximo ano, entregar ainda mais inovação e qualidade aos clientes”, projeta a professora.

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