Caso "Dark Horse": entenda em 10 pontos como filme sobre Bolsonaro entrou na mira do STF
Produção com Jim Caviezel no papel de ex-presidente é investigada em duas frentes: recursos privados de Daniel Vorcaro e verba de emendas parlamentares
O filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tornou-se ponto de contato entre duas investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. A produção é apurada por dois caminhos financeiros distintos: um ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e outro relacionado a recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produtora.
A nova frente ganhou força nesta quinta-feira, 10, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, com 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Ferreira da Gama, ligada ao Instituto Conhecer Brasil e à produtora do filme.
Entenda o caso em 10 pontos:
1. O filme
"Dark Horse" foi concebido como cinebiografia de Bolsonaro e tem o ator americano Jim Caviezel no papel principal. A produção brasileira é da Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Ferreira da Gama. Mário Frias participa do projeto e também aparece no elenco. As filmagens ocorreram entre outubro e dezembro de 2025.
2. Ligação com Daniel Vorcaro
A conexão com o Banco Master começa no financiamento. Vorcaro destinou recursos para "Dark Horse", parte via Havengate Development Fund, fundo sediado nos EUA. As movimentações passaram a ser examinadas pela PF.
3. A crise do Banco Master
Em novembro de 2025, Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero por suspeitas de fraudes bilionárias, lavagem de dinheiro e coação. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A partir daí, todos os negócios do banqueiro entraram em investigação ampliada.
4. O pedido de Flávio Bolsonaro
Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar o filme. Mensagens e gravações mostram o senador em contato com o banqueiro para tratar de pagamentos. Flávio nega irregularidades e diz que buscava financiamento privado.
5. A trilha do dinheiro público
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up, recebeu recursos públicos para projetos específicos. O deputado Mário Frias destinou emendas ao ICB e, segundo a PF, também fez transferências diretamente para a Go Up. O valor identificado é de aproximadamente R$ 645,4 mil.
6. Os R$ 750 mil
A NTT Brasil, administrada por Heric Dias e ligada a fornecedores do ICB, repassou R$ 750 mil para a Go Up. Antes desse pagamento, cerca de R$ 700 mil haviam sido recebidos por empresas ligadas ao grupo do Instituto, recursos com relação com emendas parlamentares. A PF ainda precisa provar que os R$ 750 mil eram verba pública.
7. Datas de transferências
Segundo a PF, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, intervalo que coincide com a produção do filme. A produtora também registrou despesas de hospedagem e alimentação das filmagens.
8. Por que o STF está envolvido
As investigações chegaram ao Supremo por envolverem autoridades com foro privilegiado, mas não estão reunidas. A apuração sobre o Banco Master e Vorcaro está com o ministro André Mendonça. A apuração sobre emendas está com Flávio Dino.
9. Operação Make Up
A operação desta quinta cumpriu 49 mandados em quatro Estados e no Distrito Federal, mirando Mário Frias e Karina Gama, para recolher documentos, registros contábeis e aparelhos eletrônicos. Flávio Dino retirou o sigilo da decisão, tornando públicos detalhes da cadeia financeira.
10. O que une as duas investigações
Em uma frente, a Go Up aparece como destino de recursos ligados a Vorcaro. Na outra, aparece no final de uma sequência de transferências que começa em entidades beneficiadas por recursos públicos. São duas investigações, com origens diferentes, que encontram a mesma produtora.

Comentários
Postar um comentário