Projeto Vivências de Galpão transforma tradicionalismo gaúcho em turismo de experiência
Iniciativa piloto do MTG e Governo do Estado já percorreu 31 municípios, envolveu 32 entidades e mobilizou 761 participantes
A cultura gaúcha pode ser muito mais do que patrimônio e tradição: pode se transformar em experiências capazes de gerar conexão, pertencimento, desenvolvimento e novas oportunidades para os territórios. É essa a principal descoberta do Projeto Vivências de Galpão, iniciativa piloto que vem trabalhando diretamente com entidades tradicionalistas do Rio Grande do Sul para identificar, valorizar e transformar elementos autênticos da cultura gaúcha em produtos turísticos.
O projeto, desenvolvido e executado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado do Turismo, envolve 32 entidades, 31 cidades e 30 regiões tradicionalistas – de Caçapava do Sul a Uruguaiana, de Porto Alegre a Erechim. Já foram realizadas 120 atividades presenciais e on-line, mobilizando 761 participantes, número que representa um crescimento de 88,75% em relação à meta inicial de 320.
Mais do que oferecer capacitações, o Vivências de Galpão foi estruturado como um projeto piloto, criado para testar uma metodologia, identificar aprendizados, avaliar resultados e aperfeiçoar um modelo que possa ser replicado em outras entidades tradicionalistas, transformando assim suas potencialidades culturais em novas oportunidades de atuação, geração de valor e sustentabilidade.
Esse propósito orienta a atuação do projeto e faz com que, ao longo de suas atividades, já tenham sido envolvidos 45 participantes, entre palestrantes e especialistas, capazes de trazer novos conhecimentos, perspectivas e reflexões.
Da tradição à experiência turística
A proposta parte de uma premissa: não é necessário criar uma identidade turística para o Rio Grande do Sul; é preciso reconhecer, organizar e transformar em experiência aquilo que já faz parte da identidade gaúcha.
Para o projeto, a resposta está na memória construída a partir de experiências únicas, autênticas e difíceis de reproduzir em outros destinos. Por isso, o trabalho busca descobrir o que cada entidade possui de singular e transformar esse patrimônio cultural em experiências que possam ser vividas e valorizadas por moradores e visitantes.
A metodologia foi organizada em quatro fases: Descobrir, Transformar, Formatar e Sustentar. Na primeira etapa, são identificadas as potencialidades culturais de cada entidade. Na sequência, entram aspectos como empreendedorismo, plano de negócio, marketing e gastronomia. Depois, as experiências são estruturadas, validadas e testadas. Por fim, a metodologia trabalha a elaboração de projetos, captação de recursos e qualificação estrutural, incluindo o repasse de R$ 50 mil para infraestrutura previsto para a etapa de sustentação.
Cada galpão, uma história diferente
Um dos principais resultados foi perceber que não existe uma única fórmula para transformar a cultura gaúcha em experiência turística.
Em Rolante, por exemplo, o destaque está na herança gastronômica relacionada ao tropeirismo. Em Piratini, uma das possibilidades está ligada à rica história da cidade e do CTG. Já em Sananduva, o trabalho encontrou na própria essência do CTG um potencial para uma experiência diferenciada. A diversidade reforça a premissa: a experiência precisa nascer da identidade de cada lugar, e não de um roteiro padronizado.
Um produto turístico com identidade própria
Durante as imersões, surgiu a percepção estratégica: o Estado possui um patrimônio cultural com potencial para ocupar um espaço próprio no mercado. Como foi dito em uma das atividades: "Temos o turismo religioso, o de vinhos, e falta o do gaúcho."
A proposta é avançar nessa direção, aproximando turismo e tradicionalismo e criando experiências relacionadas à gastronomia, dança, música, história, hospitalidade, usos, costumes e à essência do SER gaúcho.
Para Ricardo Bertolucci, secretário de Turismo de Gramado, a iniciativa se conecta ao novo posicionamento do município, "Gramado - Feita de Histórias". "O Vivências de Galpão reforça o turismo de experiência e chega para agregar ao destino, mostrando que a nossa identidade cultural e a nossa tradição também têm um papel fundamental em inspirar nossos visitantes", afirma.
Para Veridiana Abrão, secretária de Turismo de Rolante, o projeto representa um marco: inovação ao transformar a tradição tropeira em experiência real; profissionalização, ao capacitar a comunidade; e geração de oportunidades para comércio, gastronomia e agroindústrias.
Em Encantado, a secretária Karina Mezzomo destaca o potencial para fortalecer a identidade cultural e movimentar a economia.
Uma metodologia que pode ser ampliada
Os resultados indicam que o tradicionalismo pode desempenhar papel ainda maior na cadeia turística. Para Rui Rodrigues, do CTG Presilha do Pago, a iniciativa amplia conhecimentos e cria possibilidades de sustentabilidade. Para Fernando Gusen, patrão do CTG Manotaço, de Gramado, a busca é por uma experiência verdadeira e autêntica, capaz de apresentar ao visitante a cultura vivida nos galpões.
O Projeto Vivências de Galpão mostra, assim, que a tradição não precisa permanecer apenas como memória do passado. Quando identificada, organizada e transformada em experiência, ela pode se tornar também um caminho para o futuro.
Mais informações: @vivenciasdegalpao
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