Hans Holbein, o Jovem: o mestre do retrato do Renascimento nórdico

 


Hans Holbein, o Jovem (em alemão: Hans Holbein der Jüngere) foi um dos maiores retratistas do Renascimento, além de desenhista de xilogravuras, vidrarias e joias. Nascido em Augsburgo, em 1497 ou 1498, no Sacro Império Romano-Germânico, e morto em 29 de novembro de 1543 em Londres, vítima da peste, o pintor atuou nas regiões que hoje correspondem à Alemanha, Suíça e Inglaterra.

Filho de Hans Holbein, o Velho, reconhecido artista da tradição flamenga, e irmão de Ambrosius Holbein, aprendeu pintura desde muito pequeno. Em 1515 instalou-se em Basileia, na Suíça, onde trabalhou como ilustrador de livros, realizando xilogravuras para portadas e uma série de esboços a tinta para a obra Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdão.

Estava a caminho de se tornar o mais eminente mestre dos países de fala alemã quando o turbilhão da Reforma pôs fim a todas as esperanças. As regiões onde atuou foram marcadas pelos embates entre a Igreja Católica e os grupos que condenavam práticas da época, contexto que foi mais explícito no norte da Europa, principalmente nas atuais Alemanha e Holanda.

Influência do Renascimento italiano

Em 1518, em viagem à Itália, descobriu as obras de Andrea Mantegna e Leonardo da Vinci. O impacto desses mestres aparece no modelado e na composição renascentista de um de seus primeiros retratos, Erasmo de Roterdão (1523, Museu do Louvre), em seu famoso Cristo morto e em A Virgem do burgomestre Meyer (Palácio Ducal de Darmstadt), todos realizados entre 1519 e 1526. Nelas, observa-se a soltura no desenho e a riqueza cromática dos mestres do norte da Itália, unidas à dignidade e à severidade próprias dos temas religiosos.

A Inglaterra e a corte de Henrique VIII

Em 1532 foi para a Inglaterra, onde começou sua carreira como pintor de retratos. O retrato do estadista Thomas Cromwell o tornou famoso e, em 1536, foi designado pintor da corte do rei Henrique VIII. Tornou-se o principal pintor da Casa Real Inglesa, onde viveu e trabalhou.

Retratou as esposas de Henrique VIII, entre elas Jane Seymour, e seu filho Eduardo VI. Presenciou o novo casamento do monarca com Ana Bolena — detalhe curioso: o ano de produção de sua obra-prima Os Embaixadores (1533) é o mesmo do segundo casamento do rei.

Entre suas obras mais destacadas estão Os Embaixadores, Madonna entronizada com o menino e duas figuras, A Madona do burgomestre Meyer e O Corpo do Cristo Morto no Túmulo. Esta última pintura, Cristo Morto, exerceu forte influência sobre Fiódor Dostoiévski e o inspirou a escrever o romance O Idiota.

Hans Holbein morreu em Londres em 1543, durante uma epidemia de peste. Presume-se que tenha sido sepultado na Church of St Katharine Cree, em Londres.

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