Senadores de oposição criticam adiamento de análise sobre Moraes no STF
Senadores de oposição criticaram nesta terça-feira o adiamento da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
"O Brasil parou esperando resposta, e eles encerram a sessão sem resposta. Pelo contrário, houve deboche, insultos, até mesmo baixaria", declarou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), durante uma audiência da Comissão de Direitos Humanos do Senado para falar sobre a crise da Corte.
O líder do PL na Casa, Carlos Portinho (RJ), também criticou o adiamento e defendeu uma reforma no Poder Judiciário. "Lamentável o ponto a que a nossa democracia chegou. Há necessidade do restabelecimento das instituições do País e a necessidade urgente de uma reforma do STF", disse.
Os senadores também tentaram diferenciar as condutas de Moraes e do ministro André Mendonça. "As condutas de Moraes são infinitamente diferentes das de André Mendonça. Não há contrato no nome da esposa de André Mendonça com um corrupto que está preso. André Mendonça não orientou nenhum bandido no dia que foi preso", disse Damares.
O STF formou placar de 4 a 3 para negar a questão de ordem apresentada pelo decano, Gilmar Mendes. O ministro propôs que a abertura de investigação de Alexandre de Moraes seja analisada em conjunto com a ação que aponta irregularidades na atuação de André Mendonça - caso que está pautado para a próxima semana. Na questão de ordem, Gilmar também propôs que a relatoria do caso seja redistribuída para outro ministro.
Ele considerou que o presidente da Corte, Edson Fachin, não poderia ter avocado para si o processo, que estava sob responsabilidade de Mendonça. Como houve pedido de vista do ministro Flávio Dino, o julgamento foi suspenso. Na sessão desta terça-feira, os ministros se concentraram na análise preliminar da questão de ordem e não chegaram a analisar o mérito. Dino tem até 90 dias para devolver o processo para julgamento.
De Nasa a Fábio Porchat: as citações e metáforas usadas por ministros no julgamento sobre Moraes no STF
Máfia italiana, Nasa e até o comediante Fábio Porchat foram citados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento desta terça-feira, 15, que pode tornar o ministro Alexandre de Moraes investigado.
O presidente da Corte, Edson Fachin, abriu a sessão mostrando o peso da decisão a ser tomada. "O País olha para esta Corte. A história também olhará para este momento", afirmou.
Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli decidiram não votar. Nunes Marques deixou o plenário, mas Toffoli afirmou que permaneceria para acompanhar a sessão. Gilmar Mendes e Flávio Dino pediram apartes para questionar o julgamento e a relatoria de Fachin, que defendeu a postura da Corte.
Presidente da Nasa
O ministro Gilmar Mendes iniciou uma de suas manifestações criticando a decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ele comparou a medida ao afastamento do "presidente da Nasa" ou à retirada do comandante do Exército.
"Qualquer cidadão que tenha um mínimo de noção do que significa a Polícia Federal, que é um órgão armado submetido à hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral da Polícia. É como afastar o diretor, o presidente da Nasa, ou tirar o comandante do Exército. Não se faz", afirmou.
Corar frade de pedra
Em outro trecho de sua fala, o ministro recorreu à mesma expressão que usou durante o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá.
Ao apresentar seu voto no julgamento sobre a suspeição de Moro na condução da ação penal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro reforçou críticas aos métodos da Lava Jato, atingindo não só a base da operação, em Curitiba, mas também o juízo que é responsável pelas investigações no Rio de Janeiro.
"A tal 7ª Vara do Rio de Janeiro, não sei porque o escândalo ainda não veio à tona, mas o que se fala em torno dessa Vara também é de corar frade de pedra", disse à época.
O ministro voltou a usar a expressão no julgamento desta terça-feira:
"É de uma desfaçatez de corar frade de pedra. De corar frade de pedra! Em nome de Deus. Como em nome de Deus já se fez muita patifaria", disse.
Máfia italiana
Gilmar Mendes criticou a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e o "vazamento seletivo" de informações dos gabinetes de colegas da Corte.
"Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade", afirmou o decano do Supremo.
Segundo o ministro, uma "apuração parcial é apuração viciada".
"Um jogo de omertá [código de silêncio da máfia italiana], de máfia. Como se a gravidade da notícia variasse conforme o nome do magistrado a que se refere, ou conforme o tribunal que ele integra", disse Gilmar Mendes.
Fábio Porchat
Em um de seus apartes, o ministro Flávio Dino citou uma publicação do comediante Fabio Porchat que ironiza a quantidade de ofícios remetidos à Presidência do Tribunal em meio à escalada da crise no Tribunal. Segundo levantamento do Estadão, 30 mensagens foram encaminhadas a Fachin nas últimas duas semanas. De acordo com Dino, um dos ofícios tratava das questões debatidas até aqui na sessão.
"Vossa Excelência viu o vídeo do Fábio Porchat? É um vídeo muito bom porque nós estamos parecidos. Eu cheguei atrasado porque eu estava decretando prisão de gente, porque é tanta petição, presidente", disse. "É um vídeo sobre os jornalistas que se aplica ao juízo do tribunal".
Aprendiz de feiticeiro
Gilmar Mendes fez referência às repercussões do caso em análise nas eleições deste ano. Segundo o ministro, é preciso afastar o Supremo do contexto eleitoral. O ministro classificou como "aprendizes de feiticeiro" aqueles que, em sua avaliação, "tentaram arrastar" a Corte para a disputa política.
"E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes? É de uma desfaçatez de corar frade de pedra, ministro Fux. De corar frade de pedra! Em nome de Deus! Como em nome de Deus já se fez muita patifaria", disse.
Pixuleco
Para o ministro, houve uma "evidente condução político-eleitoral", em uma crítica indireta a Mendonça.
"Evidente condução político-eleitoral. Escolha do 7 de setembro, até pixulecos... Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso", afirmou.
Carney afirma que Canadá sairá mais forte de guerra comercial com EUA e diz que não vai se apressar por acordo
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira, 15, que o país pretende sair da guerra comercial com os Estados Unidos como uma economia mais resiliente e independente, sinalizando que Ottawa está disposta a esperar pelas "condições certas" em vez de fechar rapidamente um acordo com Washington.
Falando a centenas de investidores globais reunidos em Toronto no Canada Investment Summit, Carney disse que Canadá e EUA "sempre serão vizinhos", mas que a relação funciona quando ambos atuam como "verdadeiros parceiros" que respeitam tradições e soberania. "Quando essas oportunidades voltarem, o Canadá será um parceiro ainda melhor - mais forte, mais resiliente, mais independente", afirmou.
Carney também anunciou que o governo buscará investimento privado por meio de concessões de longo prazo para operar os quatro maiores aeroportos do país, mantendo a propriedade pública da terra e dos ativos. Segundo ele, a iniciativa pode levantar dezenas de bilhões de dólares para reinvestimento em transporte e outras obras de infraestrutura.
Sem citar diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, Carney criticou a visão mais transacional e de "soma zero" nas relações econômicas internacionais, marca das políticas tarifárias americanas. Disse que a reputação do Canadá como parceiro "confiável e previsível" se torna ainda mais valiosa em um ambiente em que "transações substituem relações" e o "soma zero" prevalece sobre acordos de ganho mútuo.
Ele argumentou ainda que integração econômica e soberania nacional estão cada vez mais em tensão e que países que querem preservar sua independência precisam cooperar com parceiros alinhados. Carney viaja para a Europa ainda nesta terça e deve discursar no Parlamento Europeu.
Trump tem usado tarifas para pressionar parceiros e incentivar empresas a transferirem produção e investimentos para os EUA, além de ter mencionado repetidamente a ideia de tornar o Canadá o 51º estado americano, o que elevou a tensão bilateral. Carney observou, porém, que cerca de 80% do comércio com os EUA segue livre de tarifas e disse que "há um arranjo mutuamente benéfico possível" - e que o Canadá estará pronto quando chegar o momento certo.
Carney ainda ironizou o clima entre os países ao relatar uma conversa sobre chaves cerimoniais, encerrando: "No Canadá, você ganha a chave. Nos EUA, talvez atirem em você".
SP confirma mais quatro casos de sarampo e total vai a 36 em 2026
A Secretaria de Saúde do estado de São Paulo confirmou, nesta terça-feira, quatro novos casos de sarampo, elevando o total de registros da doença para 36 ao longo de 2026.
Dos novos pacientes diagnosticados, três são moradores da capital paulista. Foram infectadas duas crianças menores de dois anos, que estavam com o esquema de imunização incompleto, e uma mulher de 24 anos com histórico de vacinação. O quarto caso ocorreu no ABC Paulista. O paciente é um homem de 36 anos residente em Santo André, que também tinha registro da vacinação.
A capital paulista concentra 88% das infecções registradas no estado. O balanço atualizado aponta 32 casos na capital, dois casos em São Bernardo do Campo e um caso em Guarulhos e Santo André. A baixa adesão à vacinação traz preocupação às autoridades sanitárias. Dos 36 casos identificados, 26 envolvem pessoas sem histórico vacinal ou com o esquema contra o sarampo incompleto.
Monitoramento e transmissão
De acordo com a secretaria, foram registrados dois casos importados de sarampo nos meses de março e abril. Após 12 semanas sem nenhum registro de contágio, esse tipo de ocorrência foi declarada encerrada.
Em relação às demais notificações entre junho e agosto, já foram mapeados os locais de transmissão, que estão sob monitoramento do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP) em parceria com as vigilâncias dos municípios. As equipes de saúde realizam investigações epidemiológicas, identificam e monitoram as pessoas que tiveram contato com os pacientes e aplicam a vacina de bloqueio sempre que necessário.
Prevenção gratuita
A vacinação é a principal e mais segura forma de prevenção contra a doença. A vacina tríplice viral protege, além do sarampo, contra a caxumba e a rubéola. É oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser encontrada nos postos de saúde dos 645 municípios paulistas.
Veja quem deve tomar a vacina
- Crianças: até 12 meses (primeira dose) e até 15 meses (segunda dose);
- Pessoas de 15 meses a 29 anos: devem ter duas doses da vacina contra o sarampo registradas, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas;
- Pessoas de 30 a 59 anos: devem ter pelo menos uma dose da vacina contra o sarampo registrada na caderneta;
- Trabalhadores da saúde: devem ter duas doses da vacina, independentemente da idade.
- Dose zero para bebês: aplicada em crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A dose zero pode ser indicada para crianças dessa faixa etária que tiveram contato com pessoas com suspeita ou confirmação de sarampo, conforme avaliação das equipes de vigilância.
A dose zero não substitui as previstas no calendário. Mesmo que seja vacinada antes de completar 1 ano, a criança deverá receber normalmente a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Guerra com Irã já custou US$ 38 bilhões aos EUA, aponta Escritório de Orçamento do Congresso
A guerra com o Irã custa aos Estados Unidos cerca de 38 bilhões de dólares (R$ 195 bilhões) até 1º de agosto, informa, nesta terça-feira, o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), um organismo apartidário. O conflito começou com os ataques americanos e israelenses contra o Irã no fim de fevereiro.
"Até 1º de agosto de 2026, o conflito armado com o Irã custou ao Departamento de Defesa aproximadamente 38 bilhões de dólares", informa o CBO em um relatório.
A entidade acrescenta que, dependendo da intensidade das hostilidades, os custos mensais poderiam se situar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões) ou mais se a guerra continuar. Os números refletem o custo de substituir as munições gastas e o equipamento perdido em combate, assim como o aumento do preço dos combustíveis para as forças armadas, entre outros fatores, destaca o informe.
Análise e projeções do CBO
A análise foi elaborada após um pedido de informações feito por vários legisladores democratas. Em julho, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, estimou que a guerra com o Irã tenha custado 37,5 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 190 bilhões, na cotação da época).
Impacto econômico e inflação
Nesta terça-feira, o CBO estima que o principal efeito econômico do conflito com o Irã tem a ver com as pressões inflacionárias devido às interrupções no abastecimento de petróleo e gás natural. O Irã responde à ofensiva com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o trânsito de hidrocarbonetos, o que faz disparar seus preços.
O CBO agora estima que a inflação no primeiro trimestre do próximo ano será 0,5 ponto percentual maior que o que tinha projetado em fevereiro, em referência ao índice de preços dos gastos de consumo pessoal.

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