Após dias de frio, RS volta a ter calor de até 34ºC nesta semana
O sol aparece entre nuvens em todo o Rio Grande do Sul nesta quinta-feira, indicativo da retomada do aumento de temperatura nos próximos dias. Em algumas áreas, a manhã começa com cobertura de nuvens baixas, nevoeiro e neblina, que devem se dissipar ao longo do dia. Apesar do início frio, a presença do sol favorece uma elevação rápida das temperaturas.
Segundo a MetSul, a massa de ar frio que atua sobre o Estado desde terça-feira começa a perder força, permitindo um aquecimento maior à tarde. As máximas ficam entre 20ºC e 25ºC na maioria das cidades, com temperaturas mais elevadas na Fronteira Oeste, no Noroeste e no Norte gaúcho. Em Porto Alegre a mínima é de 9ºC e a máxima fica na casa dos 24ºC.
Calor ganha força na sexta-feira
A semana termina com uma mudança significativa no padrão de temperatura. O ingresso de ar quente pelo Nordeste da Argentina deve provocar o primeiro período de calor desta primavera.
Na sexta-feira, a maior parte do Estado terá máximas entre 27ºC e 30ºC. Na faixa central, no Oeste e no Noroeste, os termômetros podem superar os 30ºC, chegando a 32ºC ou 33ºC em alguns pontos.
No sábado, a temperatura começa a cair no Sul e em parte do Leste gaúcho. O calor, porém, persiste na Metade Norte. Cidades do Noroeste podem registrar entre 32ºC e 34ºC. O cenário deve provocar um forte contraste térmico entre as diferentes regiões do Estado.
Defesa Civil renova alerta de risco muito alto de inundação do Guaíba nas Ilhas de Porto Alegre
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul estendeu, na noite desta quarta-feira, o alerta "muito alto" de inundação para a região das Ilhas de Porto Alegre. Conforme comunicado, a cheia do Guaíba pode provocar alagamentos sérios e danos até as 19h40min desta quinta.
O nível do Guaíba, que havia atingido dois metros por volta das 22h50min da terça-feira, muito em parte devido à presença do vento sul, causando represamento da água, que termina por invadir as ruas, recuou para 1,94 metro pouco depois das 9h. Às 23h, o nível estava em 2,14 metros. A cota de inundação no final da Nossa Senhora da Boa Viagem é de 1,95 metro a dois metros, de acordo com o secretário executivo da Defesa Civil de Porto Alegre, Evaldo Rodrigues de Oliveira Júnior.
Dos cinco rios que desembocam no Guaíba, três deles, o rio Taquari, Jacuí e Caí, registraram inundações em cidades ao longo da margem. Em Triunfo, o Jacuí atingiu 4,93 m, superando o 4,67 m da cota de inundação. Às 19h45min, o Taquari extrapolou na cidade com o mesmo nome e atualmente está em 8,98 m. A altura máxima medida pelo SGB foi de 8,92 m, às 5h50min.
Em São Sebastião do Caí, o rio Caí ultrapassou a cota de inundação, de 10,50m, às 15h de terça-feira. Nesta quarta, às 5h50min, ele atingiu o pico máximo de 14,34 m e, desde então, vem caindo. Na medição das 7h50min, ele media 11,70 m. Em Montenegro, ele chegou a inundação às 20h30min, ao atingir 6,01 m. Às 21h15min, ele atingiu o pico de 7,94 m e, desde então, vem diminuindo e atualmente mede 7,69 m.
Já o rio dos Sinos ultrapassou a cota de alerta em São Leopoldo ao atingir às 3h30min desta terça-feira e atualmente está em 4,08, menos de 40 cm para extrapolar. Em Campo Bom, ele está em 6,46 m, a menos de 40 cm para sair da calha.
De acordo com a medição do SGB, o rio Gravataí, o quinto a desembocar no Guaíba, está em normalidade, mas no Passo das Canoas, ele mede 4,06, sendo que a cota de inundação é de 4,75. Com a chuva que atingiu todas as bacias, a tendência é de crescimento no Guaíba.
Moradores de Arroio do Sal bloqueiam ERS-389 em protesto por falta de luz após temporal
Moradores de Arroio do Sal realizaram, na manhã e no início da tarde desta quarta-feira, uma manifestação solicitando o restabelecimento de energia elétrica no Litoral Norte após o temporal que atingiu a região, na última segunda-feira. Os manifestantes bloquearam o quilômetro 68 da Estrada do Mar, a ERS 389. De acordo com o monitoramento de interrupções da CEEE Equatorial, são pelo menos 306 consumidores afetados e 35 interrupções no município.
O ato foi acompanhado pelo Grupo Rodoviário de Torres, unidade operacional pertencente ao 3º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar (3º BPRv BM) do Rio Grande do Sul, que realizou o controle de trânsito. Os moradores trancavam a rodovia por 15 minutos, e liberavam pelo mesmo tempo. Por volta das 15h45min, a via já estava liberada.
Contatada, a CEEE Equatorial informou, em nota, que a extensão e a complexidade dos danos fazem com que o tempo necessário para a conclusão dos serviços varie conforme as condições encontradas em cada localidade, e não informou qual é a previsão de retorno da energia.
O que diz a CEEE Equatorial
Em nota completa, a distribuidora informou:
A CEEE Equatorial já restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 482 mil clientes afetados pelo evento climático severo que atingiu a área de concessão na segunda-feira (21). Às 10h15 desta quarta-feira (23), 106 mil clientes permaneciam sem energia, o que representa uma redução de aproximadamente 82% em relação ao pico de 588 mil unidades consumidoras afetadas.
A distribuidora segue operando em regime de contingência, com mais de 500 equipes em campo nas regiões afetadas. Os profissionais atuam na recuperação das estruturas danificadas e na normalização do sistema elétrico. A extensão e a complexidade dos danos fazem com que o tempo necessário para a conclusão dos serviços varie conforme as condições encontradas em cada localidade.
Nesta quarta-feira, a previsão indica predomínio de sol na área de concessão, com pouca nebulosidade e períodos de céu claro, sob influência de ar seco e frio. Não há previsão de risco meteorológico, cenário que favorece a continuidade dos trabalhos de recuperação da rede elétrica.
Cheia do Jacuí e do Guaíba deixa Ilha da Pintada em alerta e bloqueia avenida em Porto Alegre
Moradores das ilhas de Porto Alegre estão acostumados com a alta do Guaíba e do rio Jacuí, e no bairro Arquipélago em enchentes, e muitos observavam novamente a água subir e inundar vias na manhã desta quarta-feira, como a avenida Nossa Senhora da Boa Viagem, a principal da Ilha da Pintada. Parte dela estava intransitável, impedindo a passagem de veículos. Alguns habitantes circulavam a pé com cuidado, utilizando botas altas.
O nível do Guaíba, que havia atingido dois metros por volta das 22h50min da terça-feira, muito em parte devido à presença do vento sul, causando represamento da água, que termina por invadir as ruas, recuou para 1,94 metro pouco depois das 9 horas. A cota de inundação no final da Nossa Senhora da Boa Viagem é bem próximo disto, de 1,95 metro a dois metros, de acordo com o secretário executivo da Defesa Civil de Porto Alegre, Evaldo Rodrigues de Oliveira Júnior.
“Achamos por bem emitir um alerta de possibilidade de inundação aqui para o bairro Arquipélago, e também para as regiões ribeirinhas da zona Sul e extremo Sul da cidade. A partir dele, que começou às 8 horas, a instalar equipes nestas regiões para acompanhamento da população, com orientação, servindo como um ponto de referência, caso surjam demandas de apoio a estas pessoas que residem nestes locais”, disse ele.
“A boa notícia é que parou de chover, tanto em Porto Alegre, quanto nos outros municípios, e o Guaíba já apresenta um leve declínio. Não trabalhamos com a hipótese de remover famílias e pessoas do Arquipélago ou de outras regiões por conta das inundações. A situação está muito tranquila”, acrescentou Evaldo. O alerta da Defesa Civil Municipal segue vigente até esta sexta-feira, às 10 horas.
Entre os moradores, os vizinhos de Pintada Vanderlan Silva, eletricista, e Fernando dos Santos, pescador, comentavam a respeito de que esta enchente é relativamente comum, porém incômoda. Se nas ruas o sentimento era de resignação por mais um transtorno causado pela inundação, nas águas chamava a atenção novamente o excesso de lixo e entulhos orgânicos descendo velozmente o rio.
“Quando não há vazão, o rio acaba trancando e toda essa sujeira vem para cá. Tem que deixar o rio correr, permitir a retirada de areia, se não o rio vai vir com muito mais força. Essa é uma ‘água normal’, que desce todos os anos. O governo, por mais que faça ações, é bastante refém da força da natureza”, salientou Silva.
No Cais Mauá, no Centro Histórico, a medição das 13 horas desta quarta-feira indicava 2,12 metros, em trajetória de estabilidade, e com a cota de transbordamento em três metros, de acordo com as medições da MetSul Meteorologia.
Na zona Sul de Porto Alegre, onde não há o sistema de proteção contra cheias, a situação do Guaíba era mais tranquila na manhã desta quarta, sem a presença de água nas vias. No entanto, a preocupação maior era com a falta de energia elétrica, com postes caídos nas ruas Jorge Mello Guimarães e Eustáquio Inácio da Silveira, no bairro Belém Novo, frustrando os moradores desde o término do temporal, na última segunda-feira.
Capão da Canoa ainda tem 50 casas destelhadas e moradores esperam por telhas após temporal
Após mais de dois dias do temporal que deixou um rastro de danos em Capão da Canoa, no Litoral Norte, moradores ainda aguardam a chegada de telhas para recuperar suas casas, que foram danificadas com a força do vento. De acordo com a Defesa Civil Municipal, foram pelo menos 50 destelhamentos. Além disso, foi feita uma compra de mil telhas pela prefeitura e a previsão é de que até o final da semana cheguem novos materiais.
"Sigo recebendo mensagens de pessoas que ainda precisam de telhas. Mas como não temos, estamos disponibilizando lona. E estamos com uma equipe só, não conseguimos atender o bairro todo. Então estamos pedindo para que as pessoas venham até aqui, na sede da Defesa Civil, para fazer uma ficha e liberar lona para as pessoas", explica o coordenador da Defesa Civil, Zeca Quadros.
Ele relata que, por conta do temporal que ocorreu recentemente, há duas semanas, as telhas que ainda restavam foram doadas. A chegada do temporal que ocorreu na segunda-feira não era esperado pelo órgão.
Morador da rua Ubatuba de Freitas, Leo Laerte Rodrigues, de 48 anos, lembra como foi ver as telhas voarem da casa onde mora.
"Estava dormindo, e ouvi um barulho. Achei que fosse a gurizada atirando pedra na rua. Não tinha começado a chuva e não estava ventando tanto. Sai para os fundos da casa e levantou o teto", conta. A garagem, uma parte da cozinha e do quarto ficaram destelhados. No último cômodo, as telhas quebraram.
"Está chovendo tudo lá dentro. Consegui tirar algumas coisas pequenas, mas os móveis mesmo, mesa, cadeira, roupeiro e cama molhou tudo. Vai tudo para o lixo, porque como aqui tem maresia, qualquer chuva, o que pegou vai ter que ir para o lixo", lamenta. Ele está refugiado em uma casa à frente, junto com sua esposa e seu filho, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele tem expectativa de que consiga retornar à casa em até 15 dias.
Escola foi alagada e destelhada
O Instituto Estadual Riachuelo foi um dos prejudicados pelo temporal. Prédios foram destelhados, três árvores caíram e diversas salas foram alagadas. "A gente chegou aqui na segunda-feira pela manhã, e era um cenário apocalíptico. Tinha levantado telhas de diversos pavilhões. Nossos três laboratórios ficaram embaixo d'água", conta o diretor da escola, Humberto Orcy da Silva. A escola está tentando um recurso emergencial com o governo do Estado para o conserto dos equipamentos que foram afetados.
As aulas estão suspensas até esta quarta-feira, e, para a quinta-feira, serão retomadas de maneira escalonada, já que ainda há muitos espaços danificados. Será feito um levantamento para verificarem os prejuízos, e tentarem recuperar computadores, projetores e impressoras. A luz também está funcionando parcialmente, e alguns prédios estão interditados por segurança. A escola deverá ficar, pelo menos, mais duas semanas sem internet. A escola Ursinho Pimpão também teve destelhamento.
Sapos morrem eletrocutados e postes seguem caídos
Em Capão da Canoa, diversos sapos morreram eletrocutados na rua Parque Jardim Botânico, bairro Parque Antártica, após um poste cair e os fios ficarem energizados na rua. A energia foi desligada pela CEEE Equatorial apenas na terça-feira, e os moradores permanecem sem luz no local.
A previsão é de que as equipes retirem o poste ainda nesta quarta-feira. Morador da rua, Valmir Silva de Souza, de 61 anos, está sem luz há mais de dois dias. Os alimentos que conservava sob refrigeração foram estragados. "Agora, tem que comer as coisas rápido antes que estrague. Estamos à luz de velas de noite, para não ficar no escuro", conta.
Ao percorrer as ruas do município, ainda é possível ver muitos postes inclinados. É o caso da avenida Central, em que dois postes estão suspensos sobre os fios, quase ocupando a rua. A via está bloqueada.

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