Rio Taquari começa a baixar em Lajeado, mas 93 famílias seguem em abrigo no Parque do Imigrante
O Rio Taquari começou a baixar em Lajeado na tarde desta terça-feira, mas as famílias retiradas de áreas atingidas pela inundação ainda permanecem no abrigo montado no Parque do Imigrante. Às 15h, o nível estava em 24,32 metros, com redução de cinco centímetros na última hora, segundo a Prefeitura. O pico foi de 24,46 metros. A orientação é para que a população mantenha atenção aos bloqueios e não acesse ruas que continuam interditadas.
Até a atualização mais recente, 93 famílias, totalizando 255 pessoas, estavam acolhidas no Parque do Imigrante. Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Eliana Ahlert Heberle, a retirada preventiva começou às 17h de segunda-feira, em uma operação coordenada pela Defesa Civil. As famílias foram encaminhadas aos pavilhões do parque, onde passaram por um pré-cadastro e recebem atendimento de assistentes sociais e psicólogas.
"O primeiro objetivo é sempre salvar as vidas das pessoas. Esse é o nosso propósito. Depois, aqui dentro do parque, a secretaria já está organizada para receber as famílias e fazer o seu trabalho", afirmou Eliana.
A estrutura conta ainda com alimentação e atendimento do Centro Vestir e Ser, que disponibiliza roupas e outros itens conforme a necessidade. A secretária afirma que, por enquanto, o município tem condições de suprir as demandas das pessoas acolhidas. A desmobilização do abrigo ainda não tem data definida.
Entre as famílias que deixaram suas casas está a de Jean Ribeiro Delgado, 38 anos, auxiliar de depósito. Ele, a mulher, Helena Barcelos Pereira, 32, e os quatro filhos chegaram ao imóvel por volta das 13h30min de segunda-feira. Poucas horas depois, receberam o alerta de que a água poderia atingir a residência e decidiram sair.
O momento foi ainda mais delicado porque o quarto filho do casal, Erick Sebastian Pereira Delgado, nasceu na quarta-feira da semana passada. Helena recebeu alta hospitalar somente na segunda-feira e passou poucas horas em casa antes de precisar deixar o local novamente. "Foi tempo de chegar, disseram que daria enchente. Nossa casa fica em um ponto com a cota 25 e a água quase chegou. Eu não quis pagar para ver. Já perdemos tudo várias vezes", contou Delgado.
A família é de Bagé e vive há cerca de nove anos em Lajeado. Depois de morar no bairro Praia, mudou-se para o Hidráulica, onde sabia que havia risco de enchente, mas acreditava que a água demoraria mais tempo para chegar. Agora, os quatro filhos permanecem com os pais no abrigo enquanto aguardam a possibilidade de retornar. Delgado afirma que a família espera há cerca de dois anos por uma nova moradia. Segundo ele, a previsão recebida é de que a casa fique disponível somente em janeiro.
"Se nós tivéssemos nossa casinha, poderia ser do tamanho que fosse, não precisaríamos estar aqui", disse.
A situação da família ocorre enquanto o município mantém programas habitacionais voltados a moradores de áreas atingidas por enchentes. De acordo com a secretária Eliana, 30 casas estão em construção por meio de uma iniciativa do Estado. Na enchente anterior, outras moradias foram entregues em uma parceria envolvendo Ministério Público e Prefeitura de Lajeado.
A secretária explica que as famílias são avaliadas de acordo com diversos critérios. "Cada programa tem seu critério. Essas famílias que estavam em locais que pegaram água e são proprietários de imóveis, têm conversado conosco e a gente vê qual o critério, se ainda se adequam em algum programa", explicou.
Segundo Eliana, o município também não prevê, neste momento, um aumento significativo no número de famílias no abrigo. A expectativa é acompanhar o comportamento do rio nos próximos dias e, conforme a redução da água, iniciar o trabalho de limpeza e retomada das áreas atingidas.
Situação da cidade continua dramática
Apesar do recuo do Rio Taquari, a situação ainda é dramática em Lajeado. No Parque dos Dick, a dimensão da enchente pode ser percebida com o local completamente submerso. Em diferentes pontos da cidade, moradores param para acompanhar a situação. Na margem do rio, nos locais onde ainda é possível chegar, também há movimentação de curiosos e moradores apreensivos, que observam o nível da água na expectativa de confirmar o início do recuo.
Com a redução das águas, equipes das secretarias de Obras e de Serviços Urbanos iniciaram a limpeza das áreas atingidas. A estratégia é aproveitar a água ainda presente para remover a camada mais espessa de lama das vias antes que o material seque. Retroescavadeiras são utilizadas conforme o nível do rio permite o avanço dos trabalhos.
Enquanto isso, o Departamento de Trânsito mantém equipes mobilizadas e sinaliza as vias atingidas pela inundação. Entre os locais interditados estão a Avenida Beira Rio, a Avenida Bernardino Pinto, trechos das avenidas Décio Martins Costa e Senador Alberto Pasqualini, além de diversas ruas dos bairros atingidos.
No abrigo do Parque do Imigrante, a Secretaria da Saúde mantém um técnico de enfermagem durante 24 horas. Os abrigados também recebem avaliação de uma enfermeira diariamente e, quando necessário, são encaminhados para unidades de saúde. A Prefeitura também resgatou 46 cães e sete gatos, que foram levados ao Canil Municipal, onde recebem alimentação e atendimento veterinário.
Duas escolas municipais de educação infantil tiveram as aulas suspensas nesta terça-feira devido ao risco de serem atingidas pela inundação. As atividades das escolas Risque & Rabisque e Mundo Mágico têm previsão de retomada nesta quarta-feira.

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