O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), apresentou sua defesa prévia à Corte, negando veementemente as acusações de assédio sexual e importunação feitas por duas mulheres. O documento visa evitar a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode resultar em sua demissão. O julgamento que definirá o futuro do magistrado está marcado para o dia 14 de abril.
📂 Os dois eixos da acusação
A sindicância investiga episódios distintos envolvendo o ministro, que atualmente encontra-se afastado de suas funções:
Episódio em Santa Catarina: A filha de um casal de amigos relatou ter sido agarrada à força pelo ministro dentro do mar, durante um final de semana na casa de praia de Buzzi.
Episódio no Gabinete: Uma funcionária terceirizada relatou cinco episódios de assédio sexual e um de assédio moral nas dependências do STJ. Ela entregou gravações de áudio e relatou ter sofrido danos graves à saúde, incluindo a perda parcial da visão devido ao estresse.
🛡️ Os argumentos da defesa
A estratégia dos advogados de Buzzi baseia-se na incapacidade física e em contradições de agenda:
Condição Clínica: A defesa sustenta que o ministro, prestes a completar 70 anos, possui próteses na perna e no braço e utiliza bengala devido a um acidente de moto há 25 anos. Segundo os advogados, seria "inverossímil" que alguém com tais limitações de equilíbrio pudesse coagir fisicamente uma jovem de 19 anos em uma "praia de tombo" com ondas fortes.
Álibi de Agenda: Sobre o caso da servidora, a defesa contesta as datas. Afirma que, em um dos dias mencionados, o ministro participou de um evento externo no Conselho de Justiça Federal. A vítima, por outro lado, mantém que o abuso ocorreu no fim do dia, após o retorno dele ao tribunal.
Falta de Provas: Os advogados alegam que as denúncias se sustentam apenas em depoimentos de pessoas ligadas às vítimas, sem provas periciais ou testemunhas oculares diretas dos atos.
⏳ Próximos passos e gravidade
O caso da funcionária do STJ é visto com especial gravidade pelos pares de Buzzi, por ter ocorrido supostamente dentro do ambiente de trabalho. Servidores do gabinete confirmaram ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que ouviram os desabafos da colega na época dos fatos.
No dia 14 de abril, o plenário do STJ decidirá se as provas colhidas na sindicância são suficientes para transformar a investigação em um processo disciplinar formal. Caso o PAD seja aberto e resulte em condenação, o ministro poderá enfrentar a pena máxima administrativa de demissão.

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