Para voos domésticos, a franquia passa a ser de uma mala de 23 quilos; já para voos internacionais será reduzida de duas malas de 32 Marcelo Camargo/Agência Brasil
A companhia aérea Latam começa a implementar amanhã (18) mudanças em sua política de bagagens para voos nacionais e internacionais. Para voos domésticos, a franquia passa a ser de uma mala de 23 quilos. Atualmente, esse já é o peso permitido, mas não há limite de volumes despachados.
A franquia para voos internacionais será reduzida de duas malas de 32 quilos para duas malas de 23 quilos. A cobrança pelo excesso de bagagem também terá mudanças, com tarifas fixas por peso e por tamanho das malas. As mudanças vão valer para bilhetes emitidos a partir de amanhã.
A partir do início de julho, a empresa vai começar a cobrar pelas bagagens em voos domésticos e oferecer preços diferenciados para passageiros que optarem por não despachar bagagens. Segundo a empresa, o preço da primeira mala será de R$ 30 para compras antecipadas.
Em março, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou mudanças nas regras para o transporte aéreo no país, permitindo que as empresas alterem suas políticas de bagagens, inclusive com a cobrança pelas malas despachadas. A medida chegou a ficar suspensa pela justiça, mas foi liberada no final de abril.
Com as novas regras, o limite de peso da bagagem de mão aumentou de cinco para 10 quilos, para todas as companhias aéreas.
Outras empresas
A partir do dia 1º de junho, a Azul vai disponibilizar tarifas mais baratas para clientes que não despacham bagagens. Ao optar por essa tarifa, o cliente poderá escolher pela compra ou não do serviço de bagagem despachada e, se mudar de ideia, poderá incluir os 23 quilos por R$ 30. Os clientes que comprarem a passagem pelo preço normal continuam com a franquia de bagagem de 23 quilos.
A Gol também vai oferecer, a partir de 20 de junho, uma tarifa mais barata para quem não precisar despachar bagagens. As tarifas com preço normal vão incluir uma franquia de 23 quilos. Se o cliente que comprou o bilhete da tarifa Light decidir posteriormente despachar a bagagem, poderá pagar à parte. Nos voos nacionais, será cobrado R$ 30 para despachar uma mala de até 23 quilos.
A Avianca disse que prefere estudar a questão nos próximos meses para criar produtos tarifários customizados para melhor atender às necessidades dos diferentes perfis de clientes.
O juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, suspendeu hoje (17) o prazo que terminaria à meia-noite para o empresário Eike Batista pagar a fiança de R$ 52 milhões, como medida cautelar para se manter em prisão domiciliar em sua casa no bairro do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro.
O empresário ainda não fez o pagamento completo da fiança. Na decisão, o magistrado informa que o processo está em sigilo absoluto, mas aponta que a suspensão vale “até a integralização do valor da fiança”.
A defesa de Eike Batista argumenta que os bens do empresário foram bloqueados, o que impede o pagamento da fiança. Os advogados entraram com um recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) contra o bloqueio e que a decisão seja fixada pela 7ª Vara, e não pela 3ª Vara Federal Criminal.
A juíza federal Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Federal, ampliou, na sexta-feira passada, o valor a ser bloqueado de R$ 162 milhões para R$ 900 milhões.
Eike Batista precisa pagar a fiança para que não volte para a Penitenciária Bandeira Stampa (Bangu 9), no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste, onde ficou preso de 30 de janeiro a 30 de abril.
Réu na Operação Eficiência, um desdobramento da Operação Lava Jato, Eike Batista é acusado de ter repassado US$ 16,5 milhões em propina ao ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, e ter firmado contratos com o escritório de advocacia da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, para obter facilidades em negociações com o governo do Rio.
Os restos do artefato datado de 87 a.C. foram resgatados em 1901, juntamente com várias estátuas e outros objetos, por mergulhadores, à profundidade de aproximadamente 43 metros na costa da ilhagrega de Anticítera, entre a ilha de Citera e a de Creta. Em 17 de maio de 1902, o arqueólogoSpyridon Stais notou que uma das peças de pedra possuía uma roda de engrenagem. Quando o aparelho foi resgatado estava muito corroído e incrustado. Depois de quase dois mil anos, parecia uma pedra esverdeada. Visto que de início as estátuas eram o motivo de todo o entusiasmo, o artefato misterioso não recebeu muita atenção.
O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas denteadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde[1].
Análise detalhada
Em 1958 o mecanismo foi analisado por Derek J. de Solla Price, um físico que mudou de ramo e tornou-se professor de História na Universidade de Yale. Ele chegou a acreditar que o aparelho era capaz de indicar eventos astronômicos passados ou futuros, como a próxima lua cheia. Percebeu que as inscrições no mostrador se referiam a divisões do calendário - dias, meses e signos do zodíaco. Supôs que deveria haver ponteiros que girassem para indicar as posições dos corpos celestes em períodos diferentes. O professor Price deduziu que a roda denteada maior representava o movimento do Sol e que uma volta correspondia a um ano solar, equivalente a 19 anos terrestres. Se uma outra engrenagem, conectada à primeira, representava o movimento da Lua, daí a proporção entre o número de dentes nas duas rodas deveria refletir o conceito dos gregos antigos sobre as órbitas lunares[2].
Em junho de 1959, o professor Price publicou um artigo sobre o mecanismo na Scientific American enquanto o mecanismo estava apenas sendo inspecionado[3].
Em 1971, o professor Price submeteu o mecanismo a uma análise com o auxílio de raios gama. Os resultados confirmaram a sua teoria de que o aparelho era um calculador astronômico altamente complexo. Ele fez um desenho de como achava que o mecanismo funcionava e publicou suas descobertas em 1974. Escreveu "Não existe nenhum instrumento como este em lugar nenhum... De tudo que sabemos sobre a ciência e tecnologia na era helenística, deveríamos ter chegado à conclusão de que um instrumento assim não poderia existir."[4].
Na ocasião, Price afirmou que o aparelho teria sido construído por Gêmino de Rodes, um astrônomogrego, mas a sua conclusão não foi aceita pelos especialistas à época, que acreditavam que, embora os antigos gregos tivessem o conhecimento para tal máquina, não tinham a habilidade prática e científica necessária para construí-la. Os dados obtidos pela máquina são muito semelhantes aos descritos nos manuscritos de Galileu Galilei e as semelhanças vão além da coincidência, levando a crer que Galileu valeu-se de tal máquina em suas pesquisas.
A partir de setembro de 2005, a fabricante estadunidense de computadores Hewlett-Packard contribuiu para a pesquisa disponibilizando um sistema de reprodução de imagens, tomógrafo digital, que facilitou a leitura de textos, que haviam se tornado ininteligíveis devido à passagem do tempo.
Essas pesquisas permitiram uma visão melhor do funcionamento do mecanismo. Quando o usuário girava o botão, as engrenagens de pelo menos 30 rodas denteadas ativavam três mostradores nos dois lados do aparelho. Isso permitia que o usuário previsse ciclos astronômicos - incluindo eclipses - em relação ao ciclo de quatro anos dos Jogos Olímpicos e outros jogos pan-helênicos. Esses jogos eram comumente usados como base para a cronologia[6]
Essas informações eram importantes uma vez que para os povos da Antiguidade o Sol e a Lua eram a base para os calendários agrícolas, além do que os navegadores se orientavam pelas estrelas. Os fenômenos astronômicos influenciavam todas as instituições sociais gregas. Complementarmente, "Para os babilônios antigos, prever eclipses era muito importante, visto que esses fenômenos eram considerados presságios ruins", escreveu Martin Allen, do Projeto de Pesquisa do Mecanismo de Anticítera. "De fato, o mecanismo poderia ser encarado como uma ferramenta política, permitindo que governantes exercessem domínio sobre seus súditos. Foi sugerido[quem?] que um dos motivos de sabermos tão pouco sobre mecanismos desse tipo é que eles eram mantidos em sigilo por militares e políticos."
O artefato prova que a antiga astronomia e matemática gregas, originadas em grande parte na longa tradição babilônica, eram bem mais avançadas do que até então se imaginava. A revista Nature referiu-o assim: "O antigo mecanismo de Anticítera não apenas desafia nossas suposições sobre o progresso da tecnologia ao longo das eras - ele nos dá novos esclarecimentos sobre a própria História."[7].
O mecanismo de Anticítera não poderia ser o único mecanismo desse tipo. "Não há nenhuma evidência de quaisquer erros", escreveu Martin Allen. "Todas as características mecânicas têm uma função. Não há nenhum furo extra ou vestígios de metal que sugiram modificações feitas pelo fabricante durante o processo de construção do mecanismo. Isso leva à conclusão de que ele deve ter fabricado vários modelos".[8]
Pesquisas mais recentes revelam que o mostrador que indicava os eclipses continha o nome dos meses. Esses nomes são de origem coríntia. A revista Nature declarou: "As colônias coríntias do noroeste da Grécia ou de Siracusa, na Sicília, são as mais prováveis - a segunda indicando um patrimônio que remonta aos dias de Arquimedes."
Aparelhos similares não foram encontrados porque "O bronze é um produto valioso e altamente reciclável", escreveu Allen. "Em resultado disso, antigos achados de bronze são muito raros. Na verdade, muitos deles foram descobertos debaixo da água, onde não eram acessíveis aos que talvez fossem reutilizá-los". "Nós só temos esse [exemplar]", diz um pesquisador, "porque estava fora do alcance de sucateiros".
Foi atribuido a Arquimedes a construção desse aparelho. Sua serventia vai além de guiar naus. Esse aparelho é precioso em calcular a orbita lunar, solar, mais as órbitas de cinco planetas ao redor da terra, além de ser capaz de prever eclipses lunares e solares por séculos a frente.
Outras informações
Em dezembro de 2006, o astrônomo grego Xenofondas Musas, diretor do departamento de Física e Astronomia da Universidade de Atenas, anunciou durante a sua apresentação, em Atenas, que cientistas gregos e estrangeiros haviam decifrado o enigma sobre o maquinismo de Anticítera. Chegou-se à conclusão de que o artefato é um tipo de computador e um aparelho para a astronomia[carece de fontes].
Entre as novas descobertas, está a de que os povos antigos faziam referências a locais como Alexandria e a Espanha.[carece de fontes] O artefato de Anticítera podia realizar cálculos de astronomia e determinar a posição dos planetas desde o século I a.C., data que se estima para a sua construção. Os cientistas[quem?] concordaram que se trata de uma evolução do planetário construído por Arquimedes e das construções megalíticas de Stonehenge, na Inglaterra.[carece de fontes]
Características
Intensamente estudado entre o final da década de 1950 e o início da década de 1970, o mecanismo é composto por vinte e sete(27) engrenagens de bronze, feitas a mão, e organizadas de modo a representar mecanicamente a órbita da Lua, de outros planetas do Sistema Solar e do próprio Sol. Primitivamente teria sido protegido por uma caixa ou moldura de madeira, constituindo-se no mais antigo computador analógico hoje conhecido.
O artefato é notável porque empregava, já no século I a.C., uma engrenagem diferencial, que se acreditava ter sido inventada apenas no século XVI, e pelo nível de miniaturização e complexidade de suas partes, comparável às de um relógio feito no século XVIII.
Posteriormente, John Gleeve, um fabricante de planetários britânico, construiu uma réplica funcional do mecanismo. De acordo com sua reconstrução, o mostrador frontal mostra a progressão anual do Sol e da Lua através das constelações, contrário ao Calendário Egípcio. A parte superior traseira mostra um período de quatro anos e possui mostradores associados que apresentam o Ciclo Metônico de 235 meses sinódicos, que igualam a 19 anos solares de aproximação e distanciamento da Terra. A parte inferior mostra esquemas do ciclo de um único mês sinódico, com um mostrador secundário mostrando o ano lunar de 12 meses sinódicos.
Wright
Outra reconstrução foi feita em 2002 por Michael Wright, engenheiro mecânico curador do Museu da Ciência de Londres, trabalhando com Allan Bromley. Ele analisou o mecanismo usando tomografia linear, a qual podia criar imagens de um plano focal mais direto e, então, visualizar as engrenagens em maiores detalhes. Na reconstrução de Wright, o aparelho não apenas modelava os movimentos do Sol e da Lua, mas de cada corpo celestial conhecido pelos gregos antigos: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.
Essa nova reconstrução deu crédito a antigas menções de tais aparelhos. Cícero, no século I a.C., menciona um instrumento "recém-construído por Posidónio, que, a cada revolução reproduz os mesmos movimentos do Sol, da Lua e dos cinco planetas". Tais aparelhos são mencionados em outros lugares também. Também dá crédito à idéia de que havia uma antiga tradição grega na tecnologia de mecânica complexa que foi transmitida pelo mundo árabe, onde aparelhos similares, porém mais simples, foram encontrados posteriormente, e poderiam ter sido entregues ou incorporados aos fabricantes de relógio e guindastes europeus. Alguns cientistas[quem?] acreditam que os aparelhos não apenas foram utilizados para visualizar corpos celestiais, mas para calcular sua posição para eventos ou nascimentos.[carece de fontes]
Carol
Em 2010 foi executada uma reconstrução do mecanismo - plenamente funcional - com o recurso a peças LEGO Technic, por Andrew Carol, um engenheiro de programação da Apple[9], confirmando a extrema precisão das duas órbitas solares de aproximação e distanciamento da Terra em intervalos regulares de 11 e 19 anos.
Lienhard, John H., Antikythera Mechanism. "The Engines of Our Ingenuity". KUHF-FM, Houston.
Wright, M T. "A Planetarium Display for the Antikythera mechanism". Horological Journal, 144 No. 5, 169–173, May 2002.
Derek De Solla Price. Gears from the Greeks: The Antikythera Mechanism—A Calendar Computer from ca. 80 B.C.. Science History Publications, New York, 1975, ISBN 0-87169-647-9; originally published in Transaction of The American Philosophical Society, New Series, Volume 64, Part 7, 1974.
Russo, Lucio, "The Forgotten Revolution : How Science Was Born in 300 BC and Why it Had to Be Reborn". Springer, 2004, ISBN 3-540-20396-6.
MAIS EM: http://veja.abril.com.br/tveja/ O embaixador e coordenador do Núcleo de Estudos Asiáticos da ESPM, Fausto Godoy, analisa o novo teste balístico da Coreia do Norte, realizado no último sábado, com a editora de Mundo de VEJA.com, Nathalia Watkins e repórter Daniela Flor.
A legislação brasileira sobre transparência pública, embora possua muitos méritos, ainda pode ser aprimorada. Principal regramento do país na área, a Lei de Acesso à Informação (LAI), que completa agora cinco anos de vigência, faz uma injustificável distinção entre moradores de cidades pequenas e aqueles de centros maiores. Os primeiros, caso queiram pesquisar alguns dados públicos no site de sua prefeitura, talvez não encontrem. Isso porque a lei não exige dos municípios com menos de 10 mil habitantes a publicação de um conjunto mínimo de informações que é cobrado daqueles com população superior. É o caso dos registros de repasses ou transferências de recursos financeiros, informações sobre licitações, contratos e dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos e obras de órgãos e entidades.
A LAI trouxe diversos avanços, entre os quais a possibilidade de melhorar a qualidade de vida das pessoas. A divulgação de dados simples — como o horário de atendimento nos postos de saúde, o currículo e a jornada de trabalho dos professores das escolas públicas e a tabela de horário dos ônibus da localidade — são de enorme utilidade para o cidadão e deveriam ser disponibilizadas sem necessidade de requerimentos. Entretanto, hoje, a legislação permite que muitos informes sejam ou não disponibilizados conforme a decisão dos gestores.
A Lei de Acesso possibilitou o fortalecimento do exercício da cidadania, mas é preciso refletir sobre a possibilidade de aperfeiçoá-la, para que todos os munícipes sejam tratados com igualdade. É bem verdade que no RS, conforme dados do Tribunal de Contas, grande número de municípios adota boas práticas de transparência, sendo que muitos de menor porte divulgam mais informações que o mínimo exigido legalmente. Essa, aliás, é uma demonstração de que já não existem motivações de ordem financeira ou tecnológica que justifiquem essa distinção, sobretudo porque o local de residência não pode ser o critério de definição do acesso à informação. Como qualquer brasileiro, os moradores dos 3.123 municípios do país com até 10 mil habitantes (56% do total) têm o direito de conhecer dados públicos em poucos cliques.
*Cezar Miola é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul
A auxiliar de creche Liliam Famada, 31, mostra cicatriz de tiro que levou dentro de sala de aula no Rio
LUIZA FRANCO DE DO RIO
Evangelista Cordeiro da Silva, 71, lia o jornal na porta de casa quando levou um tiro na cabeça. Sofia Braga, 2, brincava numa lanchonete quando foi baleada no rosto. Liliam Famada, 31, auxiliar de creche, levou um tiro de raspão no ombro direito dentro da sala de aula.
Esses são três exemplos de ao menos 66 casos de pessoas mortas ou feridas somente neste ano por projéteis na região metropolitana do Rio sem que tivessem participação ou influência sobre o evento no qual houve o disparo. Todas são vítimas de bala perdida.
A média até agora neste ano é de um atingido dessa forma a cada dois dias, segundo levantamento da Folha. Destes, 23 morreram.
Há de tudo entre essas vítimas. Algumas trabalhavam no momento em que foram atingidas. Um funcionário terceirizado da Light, distribuidora de energia, foi baleado na perna enquanto fazia um serviço no Complexo do Chapadão, conjunto de favelas na zona norte. Uma enfermeira da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da favela Vila Kennedy foi atingida dentro da clínica.
Outros estavam à toa: assim como Evangelista Cordeiro, outro idoso, Hermes da Silva, 70, morreu no portão de casa durante uma operação policial na Cidade de Deus.
Além de Sofia Braga, outras crianças foram atingidas. Maria Eduarda da Conceição, 13, foi baleada dentro da escola; Fernanda Caparica, 7, estava no terraço de casa, no Complexo da Maré, quando levou o tiro que a matou.
Em comum, essas histórias têm em comum o tipo de lugar em que acontecem.
Dos atingidos, 95% neste ano estavam ou são moradores de favelas ou de outras localidade pobres. Os complexos do Alemão –cenário de confrontos diários entre polícia e traficantes desde o início de fevereiro– e do Chapadão –outra área tensa da cidade– concentram esses registros.
"Essa é a realidade histórica, crônica. Esse tipo de estatística não se sustentaria no Leblon, em Ipanema, Copacabana. Quem tem poder de decidir, reagiria. Não deixariam seus filhos expostos à barbárie, como ocorre no mundo invisível [das favelas]", diz o presidente da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa.
Outra ONG, a Anistia Internacional, criou uma plataforma digital para registrar as ocorrências de troca de tiros nas regiões mais violentas da capital e de seu entorno. O nome: Fogo Cruzado. No primeiro trimestre deste ano, registrou 1.771 tiroteios.
O Estado vive grave crise financeira, com atraso no salário de servidores –policiais, por exemplo, ainda estão sem receber 13º e bônus. Enfrenta também uma escalada de violência, que levou ao pedido de reforço da Força Nacional, que enviou novas tropas para atuar no Rio a partir desta segunda (15).
No primeiro trimestre de 2017, o número de homicídios dolosos cresceu 26% em relação ao mesmo período de 2016 e o de mortes decorrentes de operações policiais, 85%.
Um conjunto de fatores contribui para a situação. De um lado, as forças de segurança estão fragilizadas pela crise econômica. A política de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) ruiu –estudo da PM diz que houve 13 confrontos em lugares com UPP em 2011 contra 1.555 em 2016.
Do outro, confrontos entre grupos criminosos também têm sido mais frequentes. "Com a economia despencando, há menos dinheiro pra todos, inclusive para o crime. Quando há desequilíbrio, há mais violência", diz Ignacio Cano, do Laboratório da Análise de Violência, da Uerj.
Diante de tantos confrontos, o número de atingidos por balas perdidas registrado pela Folha, com base em casos noticiados na imprensa, pode representar só parte da realidade. No entanto, especialistas reconhecem que não há, hoje, outra maneira de contabilizar esse dado.
O Instituto de Segurança Pública, autarquia responsável pela divulgação dos dados de criminalidade do Rio, não faz o registro. Diz que "bala perdida" não é uma tipificação adotada no Código Penal e que todos os casos são registrados como homicídio ou lesão corporal.
A autarquia entende que a melhor forma de combater o problema é conhecer a dinâmica da violência armada em cada região, o que ela afirma fazer em diversos estudos.