O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou nesta quinta-feira (12) uma nota oficial em que reconhece ser sócio da empresa Maridt, responsável por investimentos em resorts da rede Tayayá, mas nega qualquer relação de amizade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Negócios da Maridt
A Maridt, dirigida pelos irmãos de Toffoli, vendeu sua participação em empreendimentos de hospedagem no Paraná para fundos de investimento ligados a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
As operações ocorreram em duas etapas:
Setembro de 2021: venda de cotas ao Fundo Arllen, gerido pela Reag Investimentos.
Fevereiro de 2025: alienação do saldo remanescente à PHD Holding.
Segundo Toffoli, todas as transações foram realizadas dentro dos valores de mercado e devidamente declaradas à Receita Federal.
Nota do ministro
Toffoli afirmou que, pela Lei Orgânica da Magistratura, não há impedimento para que juízes sejam sócios de empresas, desde que não exerçam funções administrativas.
Ressaltou que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel e que não mantém amizade com o banqueiro.
Declarou ainda que assumiu a relatoria do inquérito sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB apenas quando a Maridt já não integrava o grupo Tayayá Ribeirão Claro.
Contexto da investigação
A Polícia Federal entregou ao STF relatório com menções ao nome de Toffoli encontradas em celulares de Vorcaro, incluindo diálogos entre ambos.
Em 2021, o Fundo Arllen investiu cerca de R$ 20 milhões em empresas ligadas ao resort Tayayá, empreendimento de 58 mil m².
Atualmente, nem o fundo nem os familiares de Toffoli permanecem na sociedade, que passou a ser controlada por Paulo Humberto Barbosa.
Apesar de não ter participação formal, Toffoli continua frequentando o resort.
Esse episódio reforça a complexidade das investigações em torno do Banco Master, que já resultaram em suspeitas de fraudes financeiras e conexões com figuras do Judiciário.

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