Disputa entre etnias Misak e Nasa por territórios em Cauca gera alerta de autoridades locais
Um confronto por terras entre duas etnias indígenas deixou quatro mortos e 62 feridos nesta quinta-feira em uma região conflituosa da Colômbia, informaram autoridades locais. A disputa entre os povos Misak e Nasa teve origem em "conflitos por terra e territórios" no departamento de Cauca (sudoeste), terra indígena ancestral infestada por plantações de coca, segundo a Defensoria do Povo, órgão estatal.
Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, a autoridade regional de saúde apresentou o balanço de mortos e feridos. "Nenhuma diferença pode justificar a dor, a morte e o risco ao qual a população está sendo exposta", disse no X o governador de Cauca, Octavio Guzmán.
Confrontos e tensões em Cauca
Outros vídeos que circulam nas redes mostram confrontos violentos com paus e escudos, além de pessoas ensanguentadas no chão. "Eles nos cercaram, tomaram nossos celulares e queimaram algumas motos", disse um integrante do povo Nasa em um vídeo compartilhado online.
Cauca é também um dos focos da onda de violência que atravessa a Colômbia, onde rebeldes da extinta guerrilha das Farc espalham terror com sequestros e atentados. No fim de abril, um atentado com bomba em uma estrada da região deixou 21 mortos, o ataque mais mortal contra civis das últimas décadas.
Apelo por intervenção governamental
Aida Quilcué, candidata a vice-presidente na chapa do esquerdista Iván Cepeda, favorito nas pesquisas para as eleições de 31 de maio, é líder indígena do povo Nasa em Cauca e foi vítima, nessa região, de um sequestro guerrilheiro por algumas horas em fevereiro. "É um conflito territorial histórico que existe há anos e não foi possível superar (...), dialoguei com as partes", disse em um vídeo no X, pedindo "presença" do governo em Cauca.
As Forças Militares anunciaram um deslocamento terrestre e aéreo para a região. As disputas territoriais entre indígenas são comuns na Colômbia, mas raramente terminam em confrontos fatais.
Na Colômbia, os povos originários representam 4,4% dos 50 milhões de habitantes.
AFP e Correio do Povo

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