Resultados parciais da guerra

 Ao completar-se uma semana da guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, Israel está conseguindo parte do que queria

Por Jurandir Soares

Ao completar-se uma semana da guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã já dá para se tirar algumas conclusões. Israel está conseguindo parte do que queria. O principal era acabar com a possibilidade de o Irã vir a ter a bomba atômica. Esta possibilidade para Teerã se arrefeceu com os ataques de junho de 2025 e foi praticamente eliminada com os presentes ataques.


Da mesma forma, Israel conseguiu outro objetivo que é enfraquecer o sistema de defesa iraniano. Principalmente, os seus lançadores de mísseis. Não conseguiu, pelo menos até agora, o terceiro objetivo, que é a mudança de regime. A execução do aiatolá Ali Khamenei representa apenas a mudança de um ocupante de posto. Israel prometeu matar um a um os que forem indicados para a sucessão. Também não resolverá se não cair o regime.


REVIDE


Ao se ver massacrado, o Irã revida procurando espalhar o caos, envolvendo o maior número possível de países. Assim, atacou cinco das seis monarquias do Golfo, Kuwait, Catar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes. Só sobrou Omã. Na sequência, atacou no Chipre, na Turquia e no Azerbaijão. Além de ter tido um combate, com o afundamento de uma de suas fragatas, na costa do Sri Lanka. E tem ainda o envolvimento do Líbano no conflito, não por iniciativa de Israel, mas do Hezbollah, o movimento terrorista apoiado pelo Irã, que resolveu atacar o território israelense.


As monarquias do Golfo, pelo fato de abrigarem bases dos EUA, foram alvo de ataques diversos, que afetaram um dos setores que mais cresce na região, o turismo. Só em Dubai foram atingidos o moderníssimo aeroporto e dois hotéis de arquitetura marcante. O Al Arab, em formato de barco, e o Palm Jumeirah, na área de aterro em forma de palmeira. Bahrein e Arábia Saudita tiveram refinarias incendiadas.


ORMUZ


Todavia, um grande trunfo do Irã se dá com o bloqueio do Estreito de Ormuz. Com isto fica sem sair o petróleo que abastece a Ásia e boa parte do Ocidente. E petróleo, todo mundo sabe, quando cai a oferta sobe o preço e ocorre convulsão no mercado internacional. Com reflexos em todos os setores da economia e a consequente alta da inflação. Fatores que já estão se refletindo no país que atacou o Irã: Estados Unidos. Nunca o preço da gasolina esteve tão alto no mercado americano.


Os reflexos do fechamento de Ormuz chegam até aqui ao Brasil, pois deixam de vir os fertilizantes e adubos que importamos, além de outros produtos menos importantes, e ficamos impossibilitados de mandar as carnes de gado e de frango que exportamos para a região.


CONFIANÇA


Outro abalo que a guerra está dando – e, em consequência favorece o Irã – é na confiança dos aliados dos EUA. Vide o caso das monarquias do Golfo. Por darem suporte às ações americanas, foram atingidas e não tiveram a devida proteção por parte dos Estados Unidos. Não foi sem razão que Reino Unido e Espanha provocaram a ira de Trump ao se negarem a dar apoio às ações dos EUA. Esses dois países levaram em conta as advertências do Irã.


Com suas ações, Teerã está apostando também no desgaste do governo Trump. O que se dá pelos reflexos na economia dos EUA e pelo fato de os próprios americanos estarem cansados dos envolvimentos de seu país em guerra. E o que menos querem é envolvimento como os ocorridos no Vietnã, Iraque e Afeganistão, com os soldados americanos voltando para casa envoltos em sacos plásticos.


MUDANÇA


Porém, o que está sendo constatado é que sem a presença de tropas por terra não se mudará o regime. A advertência já foi feita pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de que não se muda um regime apenas com ações aéreas. Assim, entramos na segunda semana de um conflito que se mostra indefinido. Trump fala em mais quatro a cinco semanas e Israel em mais uma a duas semanas.


Outra constatação é de que o custo já está alto, tanto em vidas quanto em materiais. Mais de 1.200 iranianos mortos, dez israelenses e quatro americanos. E, em 100 horas de guerra, foram queimados 3,7 milhões de dólares. O custo diário é de 890 milhões de dólares. Enfim, por enquanto só resultados parciais desta estupidez humana que se chama guerra.

Correio do Povo



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