Petóleo dispara 13% com crise no Oriente Médio e risco de bloqueio no Estreito de Ormuz

 


O preço do petróleo disparou nas primeiras negociações asiáticas nesta segunda-feira (2 de março de 2026), impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e em retaliações que comprometeram o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.De acordo com dados da Bloomberg e outras fontes de mercado, o barril do Brent (referência internacional) chegou a ser negociado a US$ 80,20 nas primeiras operações, representando uma alta de cerca de 13% em relação ao fechamento de sexta-feira (US$ 72,87). O pico intradiário alcançou até US$ 82,37 em alguns momentos, antes de recuar parcialmente para níveis em torno de US$ 78-79. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência americana, subiu aproximadamente 8-9%, atingindo US$ 72,55 a US$ 73 em picos, com ganhos que variaram entre 7% e 9% nas primeiras horas.A principal preocupação dos investidores é o Estreito de Ormuz, rota vital por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente (equivalente a 20 milhões de barris por dia). Após os ataques e contra-ataques iranianos — incluindo danos a navios-tanque e alertas da Guarda Revolucionária iraniana proibindo a passagem —, o tráfego foi severamente prejudicado ou efetivamente interrompido em grande parte. Embora alguns navios (especialmente chineses e iranianos) tenham conseguido atravessar, o corredor está complicado, com centenas de embarcações ancoradas aguardando segurança. Analistas alertam que uma interrupção prolongada poderia elevar os preços para além de US$ 100 por barril, alimentando inflação global e riscos de escassez para importadores como China e Índia.Países da OCDE mantêm reservas estratégicas para cerca de 90 dias de consumo, o que oferece alguma proteção inicial, mas o prêmio de risco geopolítico já vinha se acumulando: o Brent superou US$ 72 na sexta-feira, bem acima dos US$ 61 do início do ano.Em resposta à crise, a Opep+ (incluindo Arábia Saudita, Rússia e outros seis membros) anunciou neste domingo um aumento modesto na produção: 206 mil barris por dia adicionais a partir de abril de 2026. O ajuste, ligeiramente superior ao previsto antes do conflito (cerca de 137 mil barris), busca acalmar os mercados, mas é considerado insuficiente por analistas diante da magnitude da disrupção potencial no Golfo Pérsico.O evento ocorre em um contexto de tensão extrema no Oriente Médio, com trocas de ataques que danificaram embarcações e ameaçam infraestrutura energética mais ampla. Mercados globais reagem com volatilidade, com busca por ativos de refúgio como ouro e dólar, enquanto bolsas caem em meio ao temor de impactos em cadeia na economia mundial.

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