A 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento de Crimes de Organização Criminosa de Porto Alegre proferiu, nesta quinta-feira (05/03), sentenças contra sete pessoas envolvidas em um esquema de desvios milionários, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça contra o Sport Club Internacional. O caso, que faz parte dos desdobramentos das investigações ocorridas entre 2015 e 2016, resultou em penas que variam de 6 a 14 anos de reclusão.
O "Modus Operandi" do Esquema
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o ex-vice-presidente jurídico do clube, Marcelo Freitas e Castro, utilizou sua posição estratégica para arquitetar fraudes em acordos trabalhistas e contratos de prestação de serviços.
Cláusulas Fraudulentas: O grupo inseria termos irregulares em acordos com atletas e contratos advocatícios para retirar valores dos cofres do clube.
Lavagem de Dinheiro: Os recursos eram ocultados por meio de transferências para contas de terceiros e empresas de fachada.
Obstrução: Houve produção de documentos falsos e orientação de depoimentos para confundir os investigadores da Promotoria de Justiça Especializada Criminal.
Principais Condenações
A Justiça aplicou punições rigorosas, levando em conta o grau de participação de cada envolvido:
| Condenado | Cargo/Papel | Pena (Regime) |
| Marcelo Freitas e Castro | Ex-VP Jurídico do Inter | 14 anos (Fechado) |
| Christian Correa Dionisio | Ex-jogador | 6 anos (Semiaberto) |
| Demais envolvidos | Advogados e operadores | 6 a 10 anos (Variável) |
Além das penas de reclusão, todos os condenados foram sentenciados a restituir ao Internacional os R$ 260 mil desviados, valor que deverá ser acrescido de correção monetária e juros legais.
Defesa e Desdobramentos
A defesa de Christian, liderada pelo advogado Diego Romero, afirmou em nota que respeita a decisão, mas discorda do teor e reafirmou a inocência do ex-atleta. O advogado informou que um recurso será apresentado para tentar reverter a sentença em instâncias superiores. Já a defesa de Marcelo Freitas e Castro ainda não foi localizada para comentar a decisão.
Este veredito representa um marco importante nas investigações conhecidas como "Caso Piffero", que expuseram um cenário de fragilidade na governança do clube durante o biênio 2015-2016, período marcado por grave crise institucional e financeira.

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