A escalada bélica no Oriente Médio, que empurrou o preço do petróleo Brent para a casa dos US$ 100 a US$ 120 o barril, instalou um cenário de incerteza crítica no setor de energia brasileiro. Com a paralisia das importações e uma defasagem de preços histórica, especialistas alertam para o risco real de desabastecimento de diesel nas próximas duas semanas.
⚠️ O "Nó" da Importação e o Risco de Escassez
Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende de importação. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), as compras externas foram suspensas porque o preço internacional subiu drasticamente, enquanto o preço de venda interno, ditado pela Petrobras, permanece congelado.
Paralisia: Não há registro de novas cargas chegando ao país desde o agravamento do conflito.
Prazo Crítico: Os estoques atuais garantem o abastecimento por apenas mais 15 dias.
Pressão nas Refinarias: Com os importadores fora do jogo, filas de caminhões têm se formado nas refinarias da Petrobras, que agora precisa suprir sozinha uma demanda que não consegue atender integralmente.
💸 Defasagem Recorde e Inflação
A diferença entre o preço praticado no Brasil e o valor no mercado internacional atingiu níveis alarmantes, pressionando a estatal e o governo federal:
| Combustível | Defasagem Atual | Reajuste Necessário (por litro) |
| Diesel | 85% | R$ 2,74 |
| Gasolina | 49% | R$ 1,22 |
Enquanto a Petrobras mantém os preços inalterados há quase um ano, refinarias privadas, como a de Mataripe (Bahia), já elevaram o diesel em 26% apenas em março. Mesmo com essa alta, as empresas privadas ainda operam com 42% de defasagem, evidenciando o tamanho do choque de oferta global.
🌍 O Contexto Global: O Fator Ormuz
A alta do petróleo não é fruto de um evento único, mas da consolidação de que o conflito no Oriente Médio será prolongado. Ataques à infraestrutura energética e o bloqueio do Estreito de Ormuz interromperam fluxos vitais.
Para conter a crise, o G7 estuda liberar reservas de emergência, similar ao que ocorreu em 2022. No entanto, analistas como Isabela Garcia, da Stonex, alertam que essas medidas são paliativas. Sem uma articulação diplomática para repor o volume de óleo retirado do mercado nos últimos dez dias, a pressão sobre os preços deve continuar subindo.
A situação é especialmente delicada para o setor de transportes e para o agronegócio, que dependem diretamente do diesel.

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