Elevação do nível do rio Gravataí aumenta drama de famílias em Alvorada e Cachoeirinha

 Ao menos 500 moradores já saíram de casa com a cheia do arroio Feijó. Em Cachoeirinha, famílias foram removidas no Parque da Matriz

No bairro Americana, em Alvorada, morador utiliza bote para sair de casa ajudar a distribuir marmitas para outras famílias atingidas pela cheia do arroio Feijó 

Assim como o Guaíba alcança níveis históricos em Porto Alegre, um de seus afluentes, o rio Gravataí, permanece em tendência de elevação na Região Metropolitana. Em Alvorada, o arroio Feijó, que deságua no rio, segue com uma enchente histórica, que resultou na retirada de cerca de 70 famílias de suas residências. Muitas outras ainda preferem seguir em suas casas, ainda que alagadas, com medo de serem alvo de furtos. Ao todo, a Defesa Civil Municipal estima em 500 pessoas atingidas nos bairros Americana e Nova Americana.

Desde o final de semana, a prefeitura tem auxiliado na retirada de famílias de suas casas. Até esta terça-feira, mais de 60 mudanças foram feitas com o suporte de caminhões, retroescavadeiras e barcos do Corpo de Bombeiros. Um galpão foi estruturado e está à disposição dos moradores que precisarem de abrigo. A partir desta quarta, a prefeitura passará a distribuir água potável para as famílias que seguem em suas casas. Uma equipe da Guarda Municipal está mobilizada na região para prevenir crimes e uma unidade móvel da Secretaria Municipal de Saúde realiza atendimentos e presta suporte para a população.

Além disso, mais 250 marmitas foram distribuídas nesta terça-feira. Para chegar até a casa das pessoas que ainda não deixaram suas residências, é necessário o apoio de barcos, muitos deles de civis que também moram na região. 

Este é o caso do morador Giovani Gomes da Silva, que reside na avenida Beira Rio e, desde o final de semana, consegue sair de casa apenas com um barco um remo. De sexta-feira para cá, faz parte da sua rotina sair para ajudar a distribuir alimentos aos que mais precisa. “Minha casa é um pouco mais alta, mas nos fundos já está alagado. Levantei o que consegui. O resto não tem o que fazer. É uma atrás da outra. Não deu tempo de se recuperar ainda. Ao menos com o barco a gente consegue ajudar também os outros né. Eu perdi alguns móveis, mas tem gente que perdeu tudo e precisa dessa ajuda”, contou o morador.

Defesa Civil de Cachoeirinha retira famílias e auxilia em Eldorado do Sul

O aumento do nível do rio Gravataí segue resultando na saída de moradores de suas casas em Cachoeirinha. Segundo a Defesa Civil Municipal, nesta terça-feira, o ponto de maior transtorno foi no final do bairro Parque da Matriz, principalmente nas ruas Pacaembu e Realengo. No local, ocorre o monitoramento da situação e a retirada de algumas famílias atingidas na localidade. Além disso, uma parte da equipe da Defesa Civil de Cachoeirinha está prestando suporte nos resgates realizados em Eldorado do Sul. Já em Gravataí, a prefeitura segue sem registrar moradores desabrigados ou desalojados com a cheia do rio.

Em Porto Alegre, famílias montam acampamento próximo ao CT do Grêmio

Um grupo de cerca de 50 famílias que residem em uma área chamada de Vila da Beira Rio, na Zona Norte da Capital, também foi duramente atingido pela cheia do Guaíba. As casas, localizadas na rua João Moreira Maciel, próximo ao CT Luiz Carvalho do Grêmio, foram em grande parte submersas pela água. Abel de Oliveira, um dos moradores da Vila da Beira Rio, conta que conseguiu montar um acampamento provisório em frente ao CT, onde está ficando com a família. “Temos que ficar aqui porque não podemos ficar dentro de casa. Tem mais de metro de água lá. Foi tudo fora. Nem deu tempo de tentar salvar. Não temos nada mais. O pouco que tínhamos foi perdido. Também não temos para onde ir, então a saída foi montar o acampamento aqui na frente do Grêmio”, completou.

Correio do Povo

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Posto à prova, sistema de contenção de cheias de Porto Alegre apresentou falhas

 Apesar de evitar o pior, houve vazamentos nas vedações e rompimento de comporta

Com colapso do sistema na região do 4º Distrito, alagamentos tomaram avenidas e suspenderam a operação dos trens em três estações de Porto Alegre 

Porto Alegre viveu mais um dia histórico. Nesta terça-feira, o nível do Guaíba atingiu o patamar de 3,46m no Cais do Porto às 8h e renovou a maior marca desde a grande enchente de 1941. Foi um dia para pôr à prova o sistema de contenção de cheias da cidade. E houve falhas.

Todo o complexo se estende da freeway à avenida Diário de Notícias e conta com mais de 68 quilômetros de diques, 14 comportas e 23 casas de bombas. O fechamento dos portões foi acionado na segunda-feira pela manhã, pela terceira vez no ano, e ocorreu em um momento em que a água do Guaíba já invadia pontos do 4º Distrito. Após enfrentar problemas para fechar a comporta de número 12, todo o sistema ficou vedado por menos de quatro horas. Ainda durante a tarde de segunda-feira, a comporta de número 13 não conteve o fluxo a passagem da água, cedeu e gerou o colapso do sistema na região.

• Veja também: Entenda como funciona o sistema de diques de Porto Alegre

Diante da força da água, o portão localizado na região do Parque Náutico, abriu parcialmente e sobrecarregou o conduto forçado, projetado para reduzir alagamentos e ocasionou a inundação no 4º Distrito. Sem a proteção atuando conforme projetada, a água também invadiu os trilhos da Trensurb.

De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), a vedação com sacos de areias não havia sido realizada na comporta que falhou, como procedido nas demais aberturas do Cais Mauá, ocasionando o extravasamento para as vias do entorno. Uma operação especial foi montada desde às 22h de segunda e avançou pela madrugada e manhã desta terça-feira. A intenção era diminuir o vazamento de água, que durante à noite chegava a criar correnteza na avenida Voluntários da Pátria e deixou um carro parcialmente submerso.


• Veja também: Conheça a história de oito grandes inundações em Porto Alegre antes de 1941

A contenção foi reforçada durante a tarde e, segundo expectativa do Demae, em não havendo uma elevação súbita do nível do Guaíba, o conduto forçado voltará a atuar em condições normais, reduzindo gradativamente o acúmulo de água nos trechos afetados. “Estamos montando uma estrutura, um ‘mini dique’ para represar a água o máximo possível. Os demais portões estão estáveis no momento e será realizado o reforço com sacos de areia para evitar um eventual aumento no nível do Guaíba”, explicou a diretora de operações do departamento, Isabel Costa. “As casas de bombas estão ativas e devolvendo a água para o Guaíba, reduzindo o impacto para a população”, reforçou o diretor-geral Maurício Loss.

 Operação ao longo desta terça-feira tentou isolar vazamento em comporta | Foto: Mauro Schaefer

Vedações vazaram

Mesmo com o auxílio da barreira formada com lonas e sacos de areia, a água começou a invadir a Avenida Mauá, no Centro Histórico, a partir de vazamento na comporta de número 3, próximo ao Tribunal de Contas do Estado. O portão não impediu um fluxo contínuo, mesmo que ainda pequeno, sobre a via. Como as galerias de drenagem pluviais do entorno estão dando conta, não havia acúmulo de água no local suficiente para causar transtornos ao trânsito de veículos.

O mesmo ocorreu em um dos maiores portões de todo o sistema de diques da cidade, o de número 12 na altura da avenida Cairú e que dá acesso da Voluntários da Pátria à Castelo Branco. Na segunda-feira a estrutura estava fora dos trilhos, escorada na parede. Após uma grande operação envolvendo guindastes e soldadores, o portão foi fechado. Na tarde desta terça-feira, o acúmulo de água que passava pela estrutura tomava por completo o túnel e avançava em direção à Voluntários da Pátria.

Porto Alegre em emergência

No início da tarde, o prefeito Sebastião Melo, acompanhado de integrantes da Defesa Civil e da Brigada Militar sobrevoaram a região das ilhas, área da Capital mais afetada pela cheia do Guaíba. O reconhecimento aéreo, que durou aproximadamente uma hora e meia, contribui para a definição de medidas que serão adotadas pelo município no apoio às famílias atingidas e a posterior recuperação dos estragos causados pela inundação. “É uma situação muito dolorosa. Todas as cinco ilhas em grande dificuldade, não tem uma casa que não tenha sido atingida, e a projeção é que não vai melhorar nos próximos quatro ou cinco dias”, projeta Melo.

Outras regiões monitoradas são Guarujá e Serraria e o limite com Cachoeirinha, na zona Norte, onde os pontos de atenção são o bairro Sarandi e o dique do Arroio Feijó, próximo da Fiergs. Melo também comentou sobre os alagamentos no 4º Distrito e reforçou confiança no sistema de prevenção de cheias e alagamentos. “O conduto Álvaro Chaves é uma dos sistemas mais importantes, atende a 14 bairros e conduz a água com grande velocidade, mas como o Guaíba está muito cheio, ocorrem problemas. E as bombas de drenagem estão trabalhando conforme previsto, o que minimiza os alagamentos”, completa Sebastião Melo.

Durante reunião no Centro Integrado de Coordenação de Serviços (Ceic-POA),  Melo anunciou a edição de um decreto colocando a Capital em situação de emergência. A medida foi publicada no Diário Oficial de Porto Alegre (Dopa) e pretende simplificar as contratações necessárias para minimizar o impacto da cheia à população.

Correio do Povo

PEC que limita poderes do STF será votada hoje

 


#OsPingosNosIs | PEC que limita poderes do STF será votada hoje
Trindade: “O governo quer se manter distante desta disputa de votos, mas nos bastidores está trabalhando contra”

Campos Neto: Juros "estão tão restritivos no Brasil que podemos continuar a cortar"

 Presidente do Banco Central fez análise positiva da economia para o futuro próximo

Presidente do BC, Campos Neto 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que embora as expectativas de longo prazo para inflação estejam baixando, estão um pouco acima da meta. "Mas pensamos que as taxas (de juros) são tão restritivas no Brasil que podemos continuar com o processo de baixar, pois com a inflação baixando, as taxas reais de juros sobem e há espaço para reduzir os juros e continuar no campo restritivo."

Neste contexto, Campos Neto ressaltou que é apropriado o BC continuar o ritmo de corte de juros de 50 pontos-base nos próximos dois encontros do Copom. "Depois disso vai depender de muitas coisas. Muitas incertezas serão dissipadas até lá. Temos um cenário internacional que aponta muita preocupação, há problemas geopolíticos, há incertezas relativas a preços de petróleo. Mas quando observamos como os mercados emergentes reagiram e o Brasil tem reagido, isso nos coloca em um sentimento positivo."

Em áudio divulgado pelo Banco Central da entrevista concedida à TV Bloomberg, o presidente da autoridade monetária explicou porque o real está com um bom desempenho perante o dólar, apesar do cenário internacional desafiador. "Primeiro, o Brasil melhorou em termos de ganhar credibilidade com o ciclo adotado mais cedo para conter a inflação", disse.

Ele apontou também que o País conta com ingresso de capitais forte e bom desempenho das exportações do setor agrícola. "Em relação às contas externas, o Brasil está indo relativamente bem. Ao mesmo tempo, há uma percepção de que economias avançadas têm dívidas bem mais elevadas e, como resultado, tem risco muito maior, como é possível ver no mercado de CDS", disse o presidente do BC. "Ao observar a diferença entre o Brasil e algumas economias avançadas, o Brasil está indo bem, e é por isso que a moeda está bem comportada", concluiu.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que o Brasil está se saindo bem em relação a economias avançadas, onde haveria uma percepção de dívidas maiores e, portanto, de maior risco. Isso ajudaria a explicar o "bom comportamento" do real frente ao dólar, segundo Campos Neto. O dirigente argumentou que o Brasil melhorou em termos de credibilidade e também está indo bem quanto a suas contas externas.

Agência Eestado e Correio do Povo

Hamas deve libertar os primeiros reféns nesta quarta-feira

 


#OsPingosNosIs | Hamas deve libertar os primeiros reféns nesta quarta-feira, 22 de novembro
Beraldo: “Israel tem que fazer a negociação para liberação dos reféns e continuar, porque não é mais viável a convivência com os terroristas”

Fotos: veja imagens aéreas dos alagamentos nas ilhas de Porto Alegre

 Região é uma das mais afetadas na Capital pela cheia histórica do Guaíba

Número de afetados na região continua a crescer 

Imagens divulgadas na tarde desta terça-feira pela Prefeitura de Porto Alegre a partir de um sobrevoo pelas regiões das ilhas da Capital mostram a dimensão dos alagamentos. 

Confira:














Correio do Povo

Fernando Diniz vê Brasil "mais perto da vitória" e lamenta resultado injusto

 Técnico avaliou jogo com a Argentina como melhor partida da Seleção sob seu comando

Treinador viu resultado injusto 

Fernando Diniz buscou mostrar tranquilidade após a derrota para a Argentina por 1 a 0, nesta terça-feira no Maracanã. O treinador saiu em defesa de seus jogadores após a terceira derrota seguida nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Lamentou o resultado, viu o Brasil bem melhor e o definiu como "injusto. "Se não foi a melhor (partida da Seleção sob seu comando), foi uma das melhores. Estivemos mais perto da vitória o jogo todo diante da Argentina. Foi um resultado bastante injusto", afirmou.

"Tivemos bastante oportunidades, teve bola na trave, escanteios perigosos. A jogada do Jesus com o Martinelli, mas a bola não entrou. A construção hoje, você vê muito trabalho coletivo", disse. "Foi um jogo de dois times tradicionais, muito fortes, e embora o número de finalizações tenha sido parecido, a gente levou mais perigo, tivemos chances e eles só de bola de escanteio que erramos na marcação. Ainda desperdiçamos contra-ataques claros para marcar ao errar o último passe."

Ele frisou seu orgulho com a garra apresentada pela equipe. "Os jogadores foram impecáveis na entrega. Em cinco dias, a gente fez uma correção grande e no futebol o resultado às vezes não explica o que ocorreu, como hoje. Vamos procurar nas novas ocasiões vencer para confirmar o desempenho."

Diniz em momento algum falou em deixar o comando do Brasil - há amistosos no começo de 2024 - antes da possível chegada de Carlo Ancelotti. Disse que gosta de ter tempo para trabalhar, e que o resultado ainda virá. "Vamos colher coisas boas ali na frente no trabalho", cravou. "O processo para o futuro é extremamente válido. Perder três seguidos é ruim, e já vinha de empate com Venezuela. Em termos de desempenho, vi um time oscilante, o jogo mais estável foi hoje. Com a Bolívia também, mas outro cenário. Na entrega, em termos de conteúdo tático, esse foi o melhor jogo."

Agência Estado e Correio do Povo

Ações argentinas disparam em mais de 20%

 


#OsPingosNosIs | Ações argentinas disparam em mais de 20%
Trindade: “Existe um componente na economia que se chama credibilidade […] Ninguém entra em um restaurante se não acreditar que estão fazendo a comida direito”

Fazenda reduz previsão oficial de crescimento do PIB para 3%

 Estimativa para inflação em 2023 caiu para 4,66%

Estimativa para inflação em 2023 caiu para 4,66% 

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda reduziu de 3,2% para 3% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos) para 2023. A estimativa para a inflação diminuiu. As previsões estão no Boletim Macrofiscal divulgado nesta terça-feira (21).

Segundo o Ministério da Fazenda, a revisão no crescimento foi motivada pela expectativa de crescimento zero no PIB no terceiro trimestre, ante previsão anterior de expansão de 0,1%. A pasta também atribui a projeções menos otimistas para o setor de serviços no restante do ano. Para 2024, a estimativa de crescimento econômico caiu de 2,3% para 2,2%.

Apesar dessas revisões para baixo, a perspectiva ainda é de aceleração na atividade econômica no quarto trimestre, motivada pelo crescimento de alguns subsetores menos sensíveis ao ciclo econômico e pela manutenção do consumo das famílias, provocada pelo aumento da massa de renda real do trabalho e das melhores condições de acesso ao crédito.

As projeções de crescimento para este ano divergem entre os setores. Para o setor agropecuário, a projeção foi mantida em 14%. Para a indústria, a estimativa avançou de 1,5% para 1,9%. No entanto, a projeção para os serviços caiu de 2,5% para 2,2%.

Segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, o governo percebeu melhora significativa no mercado de crédito após o início da queda dos juros. “Tanto a concessão de crédito para pessoa física quanto para pessoa jurídica mostra uma recuperação. Do ponto de vista do mercado de capitais, a emissão de debêntures [títulos de empresa privadas] acelera a tendência de crescimento, aproximando-se das curvas de 2021 e 2022”, declarou.

Inflação

A projeção de inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,85% para 4,66%. A estimativa está levemente abaixo da meta de inflação para o ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3,25%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior é 4,75%. Para 2024, a estimativa avançou de 3,4% para 3,55%.

Segundo a SPE, o processo de desinflação ocorreu mais rápido do que o inicialmente projetado, principalmente para os componentes subjacentes (que desconsideram energia e alimentos), levando a inflação para dentro do intervalo proposto pelo regime de metas já em 2023.

Em relação a 2024, a estimativa para a inflação oficial subiu por causa do reajuste do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pelos estados do Sul e do Sudeste, além de mudanças pequenas no cenário para o dólar e o preço das commodities (bens primários com cotação internacional). Segundo a Secretaria de Política Econômica, a previsão considera os efeitos do fenômeno climático El Niño nos preços de alimentos, energia e etanol.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para estabelecer o valor do salário mínimo e corrigir aposentadorias, deverá encerrar este ano com variação de 4,04%, segundo a previsão da SPE, contra 4,36% previstos no boletim anterior, divulgado em setembro. A projeção para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que inclui o setor atacadista, o custo da construção civil e o consumidor final, caiu de deflação de 3% para deflação de 3,3% em 2023, levando em conta a forte queda no preço de alguns alimentos.

Médio prazo

A SPE atribui a desaceleração econômica para 2024, de 2,3% para 2,2% de crescimento do PIB, principalmente ao cenário externo. “A mudança [para o médio prazo] reflete o aumento das incertezas no ambiente externo em função da eclosão de conflitos geopolíticos; dos riscos relacionados à desaceleração do crescimento chinês; e da perspectiva de manutenção dos juros americanos em alto patamar por mais tempo”, ressaltou o documento.

Em relação ao cenário interno, a equipe econômica admite a desaceleração da agropecuária após o desempenho recorde deste ano. “Também repercute a perspectiva menos favorável para a safra do próximo ano após a divulgação de prognósticos para a safra de 2024”, destacou o Boletim Macrofiscal. No entanto, a SPE afirma que o aumento da produção e do consumo provocado pela queda dos juros contribuirá para o crescimento econômico brasileiro em 2024, com a absorção doméstica (gastos internos) tendo maior peso no PIB que em 2023.

Os números do Boletim Macrofiscal são usados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado nesta quarta-feira (22). Publicado a cada dois meses, o relatório traz previsões para a execução do Orçamento com base no desempenho das receitas e da previsão de gastos do governo, com o PIB e a inflação entrando em alguns cálculos. Com base no cumprimento da meta de déficit primário e do limite de gastos do novo arcabouço fiscal, o governo contingencia (bloqueia) alguns gastos não obrigatórios.

Agência Brasil e Correio do Povo