JBS mantinha conta na Suíça com R$ 300 milhões em propina do PT

Dinheiro era gerado por vantagens ilegais obtidas pela JBS no BNDES, durante as administrações de Lula e Dilma; recursos serviram para bancar despesas do ex-presidente e pagar laranjas indicados pelo partido

DIEGO ESCOSTEGUY

 

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (Foto: Alan Marques/Folhapress)O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Alan Marques/Folhapress)

A JBS depositou cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao PT numa conta secreta controlada por Joesley Batista na Suíça, cuja empresa de fachada, titular oficial da conta, era sediada no Panamá. O saldo dessa conta de propina era gerado aos poucos, em razão de vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao BNDES, sempre na gestão do PT – especialmente nos anos em que Luciano Coutinho presidia o banco. Era uma conta-corrente de propina dividida, nas planilhas da JBS, entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As informações foram encaminhadas por Joesley à Procuradoria-Geral da República.

>> Lula diz que situação de Temer é insustentável e defende eleição direta

Joesley Batista, presidente da JBS (Foto: Claudio Belli / Valor / Agência O Globo)Joesley Batista, presidente da JBS (Foto: Claudio Belli / Valor / Agência O Globo)

Segundo disse Joesley, o dinheiro era sacado, no Brasil, em nome de Lula e por ordem de Lula, às vezes por meio de Guido Mantega – e também em campanhas do PT em 2010 e 2014. Os recursos eram entregues em espécie, depositados em contas de laranjas indicados pelo partido e pelo ex-presidente e, também, transferidos oficialmente para contas oficiais de campanhas. Parte expressiva desse bolo foi usada para comprar o apoio de partidos pequenos na campanha de Dilma em 2014.

>> Divulgação do áudio de conversa com Joesley pode ser o ponto final, dizem assessores de Temer

 

 

Época

Temer reúne base para retomar votações no Congresso

O presidente Michel Temer reuniu hoje (20) a base aliada do governo após o pronunciamento no qual rebateu as denúncias do empresário Joesley Batista, que fez acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Brasília - Deputado Beto Mansur fala à imprensa no Palácio da Alvorada (José Cruz/Agência Brasil)

Deputado Beto Mansur fala à imprensa no Palácio da AlvoradaJosé Cruz/Agência Brasil

De acordo com deputados que estiveram presentes à reunião, Temer reuniu no Palácio da Alvorada os líderes das legendas aliadas para tentar retomar, apesar da crise política, as atividades do Congresso e a tramitação das votações prioritárias para o governo, como a reforma da Previdência. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também esteve no Alvorada.

De acordo com o deputado federal Beto Mansur (PSB-SP), o governo espera remontar a base nesta semana para garantir cerca de 330 votos na Câmara para aprovar a reforma.

Em uma entrevista após deixar a reunião, Mansur também criticou a delação da JBS e o áudio no qual Temer foi citado.

"Lógico que nós tivemos um problema com a fita, essas declarações do presidente da JBS, mas a gente está demonstrando que a fita não tem validade jurídica, ela teve uma série de cortes em função das declarações dos peritos, e crise política que, eventualmente se instalou, ela está se dissipando em poucos dias, e a gente vai retomar os trabalhos segunda ou terça-feira dando tranquilidade à sociedade brasileira", disse.

Apesar do anúncio feito hoje pelo PSB, que deixou a base aliada e a crise política envolvendo o presidente Temer,  o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) garantiu que o governo vai manter os trabalhos no Congresso.

Brasília - Deputado Darcísio Perondi fala à imprensa no Palácio da Alvorada (José Cruz/Agência Brasil)

Deputado Darcísio Perondi fala à imprensa no Palácio da AlvoradaJosé Cruz/Agência Brasil

"É óbvio que essa crise dá alguns arranhões. O governo está trabalhando, mobilizado e o calendário está mantido. Devemos votar a reforma providenciária na última semana de maio ou na primeira de junho, a reforma trabalhista no Senado em junho. As reformas são fundamentais", afirmou.

Mais cedo, em novo pronunciamento à nação, Temer anunciou um recurso ao Supremo Tribunal Federal, questionou a legalidade da gravação e disse que há muitas contradições no depoimento de Joesley Batista, como a informação de que o presidente teria dado aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba.

 

Agência Brasil

JBS: R$ 300 MILHÕES PARA LULA E DILMA

 

A JBS depositou cerca de R$ 300 milhões em propina devida ao PT numa conta secreta controlada por Joesley Batista na Suíça, informa a Época.

A origem do dinheiro: vantagens ilegais obtidas pela JBS junto ao BNDES durante os governos de Lula e Dilma, especialmente durante a gestão de Luciano Coutinho no banco estatal.

O Antagonista confirmou com fontes ligadas à delação que se tratava de "uma conta corrente virtual", para Lula e Dilma, mas que o dinheiro foi todo consumido na campanha de 2014.

 

O Antagonista

VÍDEO: A PROPINA DO BNDES PARA LULA E DILMA, NAS PALAVRAS DE JOESLEY

O Antagonista revelou mais cedo, no anexo 1, o esquema de favorecimento da JBS no BNDES com o pagamento de propina a Lula e Dilma, por meio de Guido Mantega.

Se você ainda não assistiu, eis aqui o depoimento de Joesley Batista com os detalhes:

O Antagonista

Estudante desaparece em centro comercial no Humaitá

Isadora Grether Dias sumiu por volta das 20h30 da última sexta-feira

 

Últimas de Rio

RIO - Uma estudante de 12 anos desapareceu por volta das 20h30 da última sexta-feira, após comer uma pizza com a mãe, o irmão e o pai em um restaurante na Cobal do Humaitá, Zona Sul do Rio. A família de Isadora Grether Dias registrou o desaparecimento na Delegacia de Descoberta de Paradeiros. Um relato emocionado da mãe da menina, Ana Carolina, circula por um aplicativo de troca de mensagens:

"Eu sou Ana carolina, mãe da Isadora, a gente já fez tudo o que tinha que fazer. Fomos à delegacia de botafogo ontem, fomos hoje na delegacia de desaparecidos, na Cidade da Polícia. Tudo o que podíamos fazer já fizemos, espalhamos cartazes. Estava ontem com ela, eu, minha mãe e meu filho mais novo em uma pizzaria na Cobal do Humaitá (...) Dei dinheiro para ela ir no Farinha Pura. Passou uma meia hora, ela nada de chegar, eu comecei a ficar apavorada, saí correndo para procurá-la. O pai dela veio, procuramos por todo o quarteirão, em Botafogo, e não encontramos mais ela. Se vocês puderem compartilhar os dados dela, a foto, qualquer detalhe que vocês souberem, eu agradeço".

O post no Facebook do pai de Isadora, Aquiles Miranda Dias, com a descrição da roupa que a menina usava quando desapareceu - calça cinza legging, tênis All Star preto e mochila preta - já teve mai de dois mil compartilhamentos.

 

 

O Globo

Anexo 1: propina para Dilma Rousseff e Lula

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O PT já comentou o anexo 1 da JBS? Já mandou seus militantes para as ruas?

O anexo 1 da JBS é arrasador: propina para Dilma Rousseff e propina para Lula.

EXCLUSIVO: ANEXO 1 DETALHA ESQUEMA DA JBS NO BNDES COM PROPINA PARA LULA E DILMA

 

A JBS virou um gigante nacional com dinheiro do BNDES, cujas portas foram abertas por Guido Mantega. No mais contundente depoimento à PGR (o Anexo 1), Joesley Batista revela todos os detalhes do esquema que beneficiou diretamente Lula e Dilma.

Joesley contou que, no início, pagava apenas R$ 50 mil a Victor Sandri, íntimo de Mantega, para obter vantagens no BNDES. Foi assim que o empresário conseguiu ser recebido pelo então ministro do Planejamento e aprovar o primeiro plano de expansão da JBS, em 2005.

O financiamento era módico: apenas US$ 80 milhões. "Vic solicitou para si e para Guido Mantega, o pagamento de 4% do valor do financiamento. A operação foi aprovada com grande rapidez."

No anos seguintes, já na Fazenda, Mantega autorizou mais duas operações: Em 2007, a aquisição pelo BNDES de 12,94% do capital social da JBS por US$ 580 milhões; e, em 2008, outra aquisição de 12,99% por US$ 500 milhões.

Apesar do sucesso da intermediação de Vic, Joesley preferiu tratar diretamente com Guido Mantega a partir de 2009.

Em contrapartida a uma nova operação de compra pelo BNDES de debêntures do JBS no valor de US$ 2 bilhões, Joesley escriturou propina de US$ 50 milhões e depositou o dinheiro numa conta em nome de uma offshore.

Em 2010, Guido Mantega pediu ao empresário que abrisse uma nova conta, desta vez para Dilma. Foi então que Joesley "perguntou se a conta existente não seria suficiente para os depósitos dos valores a serem provisionados, ao que Guido respondeu que esta era de Lula".

Joesley "indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido confirmou que sim".

 

O Antagonista

Defesa de Temer diz ao STF que investigação depende de perícia em gravação

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A defesa do presidente Michel Temer argumentou hoje (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a perícia no áudio entregue pelo empresário Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República (PGR) é necessária para justificar a investigação contra o presidente. 

Na petição, o advogado Antonio Mariz de Oliveira pede ao ministro Edson Fachin a suspensão do inquérito aberto na quinta-feira (18) para apurar a conduta de Temer até que a realização de uma perícia que ateste a veracidade dos diálogos entre Temer e Joesley Batista, em março, no Palácio do Jaburu. Para Mariz, não existem indícios mínimos de que o presidente teria cometido crimes.

"Salta aos olhos não existir indícios mínimos, o mais frágil e inconsistente que seja, na narrativa ministerial, baseada na gravação da conversa, da prática do citado crime. Houve mera interpretação por parte do órgão acusador, sem nenhum apoio fático", argumenta a defesa.

Mais cedo, em pronunciamento à nação, o presidente Michel Temer anunciou o recurso ao Supremo, questionou a legalidade da gravação e disse que há muitas contradições no depoimento de Joesley Batista, como a informação de que o presidente teria dado aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso em Curitiba.

“Não existe isso na gravação, mesmo tendo sido ela adulterada. E não existe porque nunca comprei o silêncio de ninguém. Não obstruí a Justiça e não fiz nada contra a ação do Judiciário”, disse Temer. 

PGR

Ao enviar o pedido de abertura de investigação sobre o presidente ao STF, a PGR informou ao ministro Edson Fachin que o áudio foi analisado de forma preliminar "sob a perspectiva exclusiva da percepção humana". De acordo com o processo, "não houve auxílio de equipamentos especializados na avaliação dos áudios.

Na decisão em que autorizou a investigação contra Temer, Fachin não analisou a legalidade da gravação sob o ponto de vista de possíveis edições, no entanto, o ministro entendeu que Joesley Batista poderia gravar sua conversa com terceiros.

 

Agência Brasil

Delator diz ter repassado R$ 1,5 milhão de propina de Aécio para campanha de Sartori

Segundo executivo da JBS, repasse ocorreu durante a eleição de 2014, como "doação oficial dissimulada". Coordenador de campanha afirma que doação respeitou a legislação eleitoral vigente

Por: Guilherme Mazui / RBS Brasília e Fábio Schaffner / Brasília

 

Delator diz ter repassado R$ 1,5 milhão de propina de Aécio para campanha de Sartori Adriana Franciosi/Agencia RBS

Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República, o executivo da JBS Ricardo Saud diz ter repassado R$ 1,5 milhão em propina à campanha do governador José Ivo Sartori. O pagamento, feito a pedido de Aécio Neves (PSDB-MG), que concorria à Presidência,  teria ocorrido na campanha de 2014, como "doação oficial dissimulada".

Trata-se de um trecho de 26 segundos do interrogatório, gravado em vídeo, no qual o delator está detalhando uma série de pagamentos para candidatos de todo o país.

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— Uma coisa aqui que você vai achar engraçada: o Aécio pediu pra dar R$ 1,5 milhão para o PMDB do Rio Grande do Sul — diz Saud.

— Mas o PMDB já não estava com o PT? — pergunta o procurador.

— Só que lá o Ivo Sartori era dissidente, porque o PT tinha candidato lá. Aí, Aécio deu R$ 1,5 milhão desse dinheiro, dessa propina, pro Sartori.

— Entendi. Doação oficial?

— Doação oficial, dissimulada — responde o executivo.

O dinheiro para o comitê de Sartori chegou em 24 de outubro, durante a disputa do segundo turno, quando o peemedebista declarou apoio a Aécio no pleito nacional. No primeiro turno, Sartori havia feito campanha para Marina Silva, então no PSB.

Confira trecho do depoimento do executivo no vídeo abaixo

Em outro trecho do depoimento, Saud diz que Aécio também pediu o repasse de mais R$ 1,5 milhão para o PTB gaúcho. O executivo diz que o senador mineiro teria comprado por R$ 20 milhões o apoio do PTB nacional, dos quais uma parte caberia ao diretório do Rio Grande do Sul. Mais uma vez, seria dinheiro de propina dissimulada por meio de doação oficial. O pagamento foi feito no dia 3 de julho de 2014, em uma conta do Banrisul.

Anotações apresentadas pelo delator mostram os destinatários de repasses feitos a pedido de Aécio Neves Foto: Reprodução / Reprodução

STF já abriu precedente para punir propina paga via doação legal

Ao tornar o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) réu por corrupção e lavagem de dinheiro, em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou clara a diferenciação entre as doações eleitorais legais das doações que são feitas para disfarçar o pagamento de propina.

Investigações do Ministério Público apontam que o financiamento de campanhas por meio de empresas, prática proibida pelo STF desde 2015, era utilizado como "método de corrupção" por políticos e empresários. De acordo com o procurador regional da República Douglas Fischer, ex-integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato, ao mesmo tempo em que doavam os recursos, declarando os valores à Justiça, empreiteiros descontavam o montante de propina destinado a determinado político na doação. Assim, em alguns casos, o dinheiro ilícito era repassado por meio do próprio caixa 1 da empresa, com doações legais que contabilizavam recursos ilegais.

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CONTRAPONTOS

O que diz o governador José Ivo Sartori:
Em nota, divulgada na noite desta sexta-feira, o governador José Ivo Sartori afirmou que a doação da JBS para sua campanha "foi declarada e com recibo". O chefe do executivo gaúcho disse que nunca "participou desse mar de lama".

Leia o comunicado na íntegra:

"A doação da JBS para minha campanha foi declarada e com recibo, dentro da legalidade. Repudio qualquer tentativa de me envolver nesse caso.Nunca participei desse mar de lama. E o povo gaúcho pode ter certeza de que não haverá nada que prove em contrário. Minha honra é meu maior patrimônio. Faz parte da minha criação fazer a coisa certa. Não aceito a generalização. Não me misturem com essa gente. Pratico e sempre pratiquei a política da seriedade, da integridade e da transparência. A coordenação da campanha já se pronunciou e está à disposição para prestar qualquer esclarecimento. Espero que haja responsabilidade na abordagem do assunto, com investigação e punição rigorosa para os culpados.
José Ivo Sartori"

Também por meio de nota, o coordenador financeiro da campanha de Sartori, João Carlos Bona Garcia, reconhece o recebimento do dinheiro, declarado à Justiça Eleitoral. "As doações recebidas da empresa JBS pela campanha José Ivo Sartori foram realizadas dentro da legislação vigente, sendo efetivadas através de transferência eletrônica, saindo da conta da empresa diretamente para a conta da candidatura, bem como emitidos os respectivos recibos eleitorais, conforme informações contidas na prestação de contas do candidato e constantes no site do TRE. A origem dos valores foi dada como legal pela empresa", diz o texto.

O que diz o PTB do Rio Grande do Sul:
A assessoria de comunicação do PTB do Rio Grande do Sul informou, por meio de nota, que o partido "desconhece as denúncias" e que o dinheiro foi repassado pelo diretório nacional do PTB e aprovado pela Justiça Eleitoral.

No comunicado, a assessoria também afirma que os diretórios da sigla no Rio Grande do Sul e em Pernambuco "foram os únicos que apoiaram Dilma, embora (com) algumas dissidências, fazendo (com) que o partido mantivesse a posição independente nas eleições presidenciais de 2014, não seguindo orientação do diretório nacional, que apoiou Aécio Neves".

Confira a nota:

"PTB Rio Grande do Sul diz desconhecer as denúncias e lembra que, inclusive, os diretórios de Pernambuco e Rio Grande do Sul foram os únicos que apoiaram Dilma, embora algumas dissidências, fazendo que o partido mantivesse a posição independente nas eleições presidenciais de 2014, não seguindo orientação do diretório nacional que apoiou Aécio Neves. Conforme o PTB RS, a doação foi legal, transparente e aprovada pelo Tribunal Eleitoral. O recurso veio do Diretório Nacional do partido, através da conta do PTB Estadual, e foi distribuído para os candidatos do PTB a deputado federal e estadual, de acordo com a orientação da direção nacional".

Leia as últimas notícias sobre a delação da JBS

 

Zero Hora

Vídeo da PF mostra Rodrigo Loures saindo de pizzaria com R$ 500 mil em mala

 

Trecho mostra momento em que Rodrigo Loures carrega a mala com o dinheiro entregue por Ricardo Saud, da JBS.

Lula e Dilma tinham US$ 150 milhões em ‘conta-corrente’ de propina da JBS, diz Joesley

Empresário declarou à Procuradoria-Geral da República que 'os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo, Jamil Chade, Fabio Serapião, Fabio Fabrini e Beatriz Bulla

 

Lula e Dilma em março do ano passado, na cerimônia de posse de novos ministros da petista. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

O termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas.

A reportagem do Estadão confirmou com procuradores próximos ao caso que a conta estava em nome de empresas offshores em banco na Suíça. A utilização de offshores caracteriza, para os investigadores, tentativa de camuflagem dos reais beneficiários da conta.

Procurado, o Ministério Público da Suíça se recusou a comentar e afirmou que não daria informações sobre ‘pessoas investigadas ou não’ pela Procuradoria.

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As duas contas foram ‘zeradas’ em 2014. Segundo Joesley Batista, o dinheiro foi utilizado para financiar campanhas políticas de partidos e candidatos elencados pelo ex-ministro Guido Mantega. Segundo o empresário, ele foi ‘explícito’ em uma reunião com Dilma sobre a existência desse dinheiro. De acordo com sua delação premiada, os gastos eram tratados em reuniões entre Guido Mantega e Batista.

“Foi até zerar, até acabar. Acabou a da Dilma e acabou a do Lula. Eu avisei quando acabou.”

O empresário não soube dizer se os partidos que se beneficiavam dos recursos usavam o dinheiro ‘em caixa 1, em caixa 2, por dentro ou por fora’. Segundo ele, quem cuidava dessa relação de pagamentos era Edinho Silva na época, o tesoureiro da campanha.

Documento

O delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula e no ano seguinte, outra para Dilma.

Joesley revelou que em dezembro de 2009, o BNDES adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, ‘para apoio do plano de expansão’ naquele ano.

“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.

Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele ‘que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma.

“O depoente perguntou se a conta já existente não seria suficiente para os depósitos dos valores a serem provisionados, ao que Guido respondeu que esta era de Lula, fato que só então passou a ser do conhecimento do depoente”, contou o empresário.

“O depoente indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido confirmou que sim.”

Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega ‘interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse’.

“A operação foi realizada após cumpridas as exigências legais”, afirmou Joesley. “Sempre percebeu que os pagamentos de propina não se destinavam a garantir a realização de operações ilegais, mas sim de evitar que se criassem dificuldades injustificadas para a realização de operações legais.”

O empresário declarou que depositou, ‘a pedido de Mantega’, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior,

“O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”

Segundo Joesley, a partir de julho de 2014, Mantega ‘passou a chamar o depoente quase semanalmente ao Ministério da Fazenda, em Brasília, ou na sede do Banco do Brasil em São Paulo, para reuniões a que só estavam presentes os dois, nas quais lhe apresentou múltiplas listas de políticos e partidos políticos que deveriam receber doações de campanha a partir dos saldos das contas’.

Neste trecho de seu depoimento, Joesley cita o partido do Governo Michel Temer. O empresário destacou que o executivo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F (controladora da JBS), fazia o contato com partidos e políticos.

“A primeira lista foi apresentada em 4 de julho de 2014 por Guido ao depoente, no gabinete do Ministro da Fazenda no 15º andar da sede do Banco do Brasil em São Paulo, e se destinava a pagamentos para políticos do PMDB; que a interlocução com políticos e partidos políticos para organizar a distribuição de dinheiro coube a Ricardo Saud, Diretor de Relações Institucionais da J&F, exceção feita a duas ocasiões”, relatou.

Joesley disse que em outubro de 2014 no Instituto Lula, encontrou-se com Lula e relatou ao petista que as doações oficiais da JBS já tinham ultrapassado R$ 300 milhões.

“Indagou se ele (Lula) percebia o risco de exposição que isso atraía, com base na premissa implícita de que não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante; que o ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”, contou.

Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que ‘depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que “isso é com ela”, solicitou audiência com Dilma’.

“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.

Joesley afirma que, no mesmo dia, encontrou-se com Pimentel no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e disse ao petista ‘que havia conversado com Dilma e que ela havia indicado que os 30 milhões deveriam ser pagos’.

“Pimentel orientou o depoente a fazer o pagamento por meio da compra de participação de 3% na empresa que detém a concessão do Estádio Mineirão; que afora essas duas ocasiões, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha do PT, encontrava-se, no período da campanha de 2014, semanalmente com Ricardo Saud e apresentava as demandas de distribuição de dinheiro; que Ricardo Saud submetia essas demandas ao depoente, que, depois de verificá-las com Guido Mantega, autorizava o que efetivamente estivesse ajustado com o então ministro da Fazenda.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LULA

Nota

Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.

A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi – ilegalmente – devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos – bancário, fiscal e contábil – foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas – com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.

A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premiadas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência – ainda que frivolamente – ao nome do ex-Presidente.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

 

Blog do Fausto Macedo