O poderio chinês desafia a antiga supremacia ocidental

 Gigante asiático deixou de ser apenas uma projeção econômica para se transformar em uma realidade política, tecnológica e estratégica

Por Jurandir Soares

A ascensão da China deixou de ser apenas uma projeção econômica para se transformar em uma realidade política, tecnológica e estratégica que desafia a antiga supremacia ocidental. Em poucas décadas, o país saiu da condição de fábrica de produtos baratos para ocupar posição central nas decisões globais, impondo sua presença em setores que vão da inteligência artificial à corrida espacial. Sob o comando de Xi Jinping, Pequim ampliou sua influência diplomática e passou a negociar de igual para igual com líderes como Donald Trump e Vladimir Putin.


Os encontros recentes entre Xi, Trump e Putin demonstram que a China já não é apenas uma potência regional. Ela se tornou peça essencial do tabuleiro internacional. Em meio às tensões comerciais, guerras e disputas geopolíticas, Pequim consolidou uma estratégia baseada em crescimento industrial, domínio tecnológico e ampliação de mercados.


DIPLOMACIA


A habilidade diplomática chinesa tornou-se um dos principais instrumentos de fortalecimento do país. Xi Jinping consolidou uma política externa pragmática, baseada em investimentos e acordos bilaterais.


Os diálogos mantidos por Xi com Trump revelam uma relação simultaneamente competitiva e necessária. Apesar da disputa comercial entre as duas maiores economias do planeta, Washington depende de produtos, minerais e componentes fabricados na China. Ao mesmo tempo, a aproximação com Vladimir Putin fortaleceu um eixo político e econômico capaz de desafiar o domínio norte-americano. Rússia e China ampliaram acordos energéticos, comerciais e militares, formando uma parceria estratégica em meio às sanções impostas pelo Ocidente contra Moscou.


TECNOLOGIA


O avanço tecnológico talvez seja a demonstração mais impressionante do crescimento chinês. Empresas do país passaram a disputar liderança mundial em setores antes monopolizados pelos EUA, Japão e Europa. Os automóveis elétricos chineses conquistaram mercados internacionais com preços competitivos e tecnologia avançada.


No setor de comunicação, a Huawei tornou-se símbolo da capacidade chinesa de inovação. Mesmo alvo de restrições e sanções norte-americanas, a empresa consolidou sua liderança em sistemas 5G e em equipamentos de telecomunicações.


MINERAIS


Outro ponto decisivo para o fortalecimento chinês está no controle das chamadas terras raras, minerais estratégicos utilizados na fabricação de chips, baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos sofisticados. A China domina grande parte da extração e do processamento desses materiais, o que lhe garante enorme vantagem industrial em um momento em que os semicondutores se tornaram essenciais para a economia mundial.


ESPAÇO


A demonstração mais simbólica do poderio chinês talvez esteja na corrida espacial. O programa espacial do país avançou em velocidade surpreendente e passou a rivalizar diretamente com a NASA. Antes mesmo dos norte-americanos, uma sonda chinesa conseguiu fotografar o lado oculto da Lua, feito considerado histórico pela comunidade científica internacional e que consolidou a capacidade tecnológica do país asiático.


Neste domingo, a China deu mais um passo decisivo ao enviar três astronautas para a Estação Espacial Tiangong, cujo nome significa “Palácio Celestial”. Um dos tripulantes deverá permanecer durante um ano na estação, experiência que amplia o conhecimento chinês sobre permanência humana prolongada no espaço. A missão reforça a ambição de Pequim de se tornar protagonista também fora da Terra, disputando liderança científica e tecnológica em um setor que simboliza prestígio e poder internacional.


TRANSFORMAÇÃO


O avanço espacial chinês representa mais do que uma conquista científica. Ele simboliza a transformação de um país que, há poucas décadas, ainda enfrentava pobreza generalizada e dependência tecnológica externa. Hoje, a China combina crescimento econômico, inovação industrial, influência diplomática e ambição estratégica em uma escala capaz de alterar profundamente o equilíbrio mundial. O que, evidentemente, requer muito cuidado por parte do Ocidente.


Correio do Povo

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