REUNIÃO RELÂMPAGO
Ontem, com enorme atraso, um grande número de empresários -industriais do nosso empobrecido País, sob a liderança do presidente da CNI, Ricardo Alvarez Alban, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para propor o adiamento da votação da PEC que estabelece o FIM DA ESCALA 6 X 1 -SEM REDUÇÃO SALARIAL- para DEPOIS DAS ELEIÇÕES. A REUNIÃO -RELÂMPAGO- foi providenciada logo após o ACORDO FIRMADO ENTRE -LULA e HUGO MOTTA-, quando o presidente da Câmara dos Deputados prometeu levar à votação -em plenário- até a próxima semana, com a CERTEZA DE APROVAÇÃO, a referida PEC.
CINCO POR DOIS... OU GATO POR LEBRE...
Pois, na mesma linha do que já afirmei em editorial anterior -ENQUANTO HOUVER BAMBU TEM FLECHA-, achei por bem, e necessário, compartilhar o seguinte conteúdo DIDÁTICO E PRA LÁ DE RACIONAL produzido pelo pensador e ex-empresário Silvo Sibemberg, com o título -CINCO POR DOIS...ou GATO POR LEBRE... Eis:
- Sempre entendi, enquanto empresário, o SALÁRIO COMO A CONTRAPARTIDA DO TRABALHO. Essa -LÓGICA UNIVERSAL- corre risco no Brasil caso o projeto de mudança na escala de trabalho passe para o modelo 5x2, com a diminuição da jornada de 44 para 40 horas semanais.
LEI DE GÉRSON
O empresário, que é quem paga o salário, receberá 10% menos trabalho de seu colaborador. Em termos objetivos, concederá um “desconto” ao empregado ao se contentar com menos produção pelo mesmo preço. Ao contrário de países desenvolvidos que mudaram a escala e não sofreram queda de resultados, nossa realidade é outra: somos um país com deficiências marcantes na educação e na produtividade. Aqui, a cultura do querer levar vantagem (“Lei do Gérson”) ainda se faz presente.
Se a produção não cair com a diminuição da jornada, é possível que parte das empresas simplesmente ENXUGUE EQUIPES. Nesse cenário, trabalhadores que já produziam menos tenderão a ser substituídos, em vez de premiados por maior dedicação numa carga horária reduzida. É como continuar pagando o mesmo valor por uma pasta de dentes cujo conteúdo do tubo diminuiu 10%. Se antes durava dez dias, agora acaba em nove. Ou se usa menos o produto, com provável perda de eficiência, ou o custo aumenta.
MAIS ÓCIO
Com a indústria, o comércio e o setor de serviços — que dependem intensamente de mão de obra —, não será diferente: haverá uma tendência de queda na produtividade ou a necessidade de compensação via aumento de preços ao consumidor. Por outro lado, se essa mão de obra passar a ser substituída por tecnologia ou pelas novas soluções oferecidas pela Inteligência Artificial (IA), o desemprego poderá aumentar. Teremos, no caso, mais ócio, sem a necessidade de mudar escala alguma. E a conta para sustentar essa parcela da população seguirá nas costas de poucos que produzem.
Na carona dessa mudança, virão aumentos inevitáveis dos chamados custos sociais, bancados pelos impostos arrecadados desses mesmos meios produtivos — ou seja, uma provável elevação da carga tributária. A sociedade terá mais horas de folga, mas a custos ainda difíceis de mensurar. Esse aumento do tempo livre também exigirá maior renda para manter o padrão de vida do empregado beneficiado pela redução da carga horária, gerando uma pressão invisível no orçamento das famílias.
Paralelamente, a informalidade, que não arrecada para os cofres públicos, tenderá a crescer. A demanda por segurança pública poderá aumentar e a qualidade de vida, que em tese deveria melhorar, corre o real risco de piorar.
SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA
É difícil entender a que se propõe essa mudança estrutural no país, além das óbvias motivações eleitorais de curto prazo. O preço a pagar no futuro poderá ser alto e sairá, outra vez, dos mesmos bolsos: de empregados e empregadores. Nossos políticos raramente olham um palmo além dos próprios umbigos. Temos que caprichar nas próximas escolhas nas urnas para diminuir essa sensação de impotência.
Pontocritico.com
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