Apesar do endurecimento, os EUA enfrentam dificuldades para eliminar essas organizações
A lista de organizações consideradas terroristas pelos Estados Unidos ultrapassa atualmente 90 grupos espalhados pelo mundo. Nela aparecem movimentos islâmicos armados, facções separatistas, guerrilhas ideológicas, milícias radicais e, mais recentemente, organizações ligadas ao narcotráfico latino-americano. A ampliação dessa classificação demonstra como Washington passou a tratar diferentes ameaças sob uma mesma lógica de segurança nacional. Nos últimos anos, sobretudo após o fortalecimento dos cartéis mexicanos e o aumento da crise migratória na fronteira sul, os EUA endureceram o discurso e as operações contra grupos ligados ao tráfico de drogas. O tema ganhou novo impulso com propostas para enquadrar cartéis como organizações terroristas internacionais, aproximando o combate ao narcotráfico das estratégias usadas contra grupos políticos e religiosos armados do Oriente Médio.
HAMAS
Entre as organizações mais conhecidas classificadas pelos EUA como terroristas estão Hamas, Hezbollah, Estado Islâmico e Al-Qaeda. O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, é acusado pelos norte-americanos de realizar ataques contra civis israelenses e de manter uma estrutura militar financiada por aliados externos. A repressão inclui sanções financeiras, bloqueio de contas, congelamento de bens e perseguição internacional a financiadores.
O Hezbollah, movimento xiita libanês apoiado pelo Irã, recebe tratamento semelhante. Washington considera o grupo uma ameaça regional por sua atuação militar no Líbano, Síria e fronteiras israelenses. Apesar disso, há diferenças diplomáticas importantes: tanto Hamas quanto Hezbollah possuem dimensões políticas e representação social em seus territórios, algo que complica iniciativas militares diretas dos norte-americanos.
CARTÉIS
Os cartéis mexicanos passaram a ocupar espaço crescente na agenda de segurança norte-americana. O Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nueva Geración e remanescentes de grupos como Los Zetas são acusados de controlar rotas internacionais de drogas, armas e imigração ilegal. O tráfico de fentanil para os EUA transformou esses grupos em prioridade máxima das agências federais. A repressão envolve operações conjuntas com o México, prisões de líderes, infiltração de agentes, vigilância eletrônica e sanções econômicas. Os EUA também aumentaram a pressão diplomática sobre o governo mexicano para ampliar extradições e ações militares. Ainda assim, Washington não realiza intervenções armadas abertas em território mexicano, devido ao risco de crise diplomática.
DIFERENÇAS
Embora todos estejam enquadrados como ameaças graves, existe diferença no tratamento dado aos grupos políticos e aos cartéis do narcotráfico. Organizações como Hamas e Hezbollah são vistas pelos EUA dentro de uma lógica geopolítica e ideológica. O combate inclui ações militares indiretas, inteligência internacional e articulações diplomáticas envolvendo aliados estratégicos. Já os cartéis mexicanos são tratados sobretudo como redes criminosas transnacionais. O foco principal recai sobre tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando de armas. A atuação ocorre principalmente por meio da DEA, do FBI, do Departamento de Segurança Interna e de acordos policiais com governos latino-americanos, embora setores políticos estadunidenses defendam medidas militares mais agressivas.
LIMITES
Apesar do endurecimento, os EUA enfrentam dificuldades para eliminar essas organizações. No Oriente Médio, grupos como Hamas e Hezbollah mantêm apoio político e social em parcelas importantes da população local. Já no México, os cartéis se infiltraram profundamente em estruturas econômicas, policiais e políticas, tornando o combate extremamente complexo. Além disso, especialistas alertam que tratar cartéis exclusivamente como organizações terroristas pode produzir efeitos contraditórios. Uma militarização excessiva do combate ao narcotráfico poderia ampliar a violência regional sem atingir as causas econômicas e sociais do problema. Ainda assim, cresce em Washington a pressão por medidas mais duras, sobretudo diante do aumento das mortes por drogas sintéticas no país norte-americano.
Correio do Povo
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