França avança para revogação de lei sobre escravidão colonial

 Deputados franceses apoiam por unanimidade a anulação de normas obsoletas que definiam pessoas escravizadas como "bens móveis"


Os deputados franceses apoiaram por unanimidade, nesta quinta-feira (28), a revogação de uma legislação obsoleta que definia as pessoas escravizadas em suas colônias como "bens móveis", um gesto simbólico no momento em que o país confronta seu passado colonial. Os franceses foram os terceiros maiores traficantes de escravizados da Europa, atrás dos britânicos e dos portugueses.


Segundo estimativas de especialistas, navios que partiam de portos franceses entre os séculos XVII e XIX transportaram à força mais de 1 milhão de homens, mulheres e crianças da África para a escravidão, muitos deles destinados a plantações em suas colônias no Caribe.


A França aboliu a escravidão em 1794, durante a Revolução, e novamente em 1848, após Napoleão tê-la restabelecido.

Em 2001, o país reconheceu a escravidão e o tráfico de escravizados como "crimes contra a humanidade". No entanto, uma série de decretos reais dos séculos XVII e XVIII que estabeleciam o estatuto jurídico das pessoas escravizadas em suas colônias nunca havia sido explicitamente revogada.


Nesta quinta-feira, todos os grupos parlamentares votaram por unanimidade a favor da revogação. Para sua abolição definitiva, o Senado deverá agora votar este projeto de lei em data ainda a ser determinada.


AFP e Correio do Povo

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