O aiatolá Ali Khamenei, cuja morte foi anunciada neste sábado (28 de fevereiro de 2026) pelo presidente americano Donald Trump e confirmada pela mídia estatal iraniana, foi o principal arquiteto e guardião da República Islâmica do Irã desde que assumiu o cargo de Líder Supremo em 1989, sucedendo o fundador do regime, o aiatolá Ruhollah Khomeini.Nascido em 1939 em Mashhad, em uma família pobre de clérigos, Khamenei envolveu-se desde jovem na oposição ao xá Mohammad Reza Pahlavi, aliado dos Estados Unidos. Nas décadas de 1960 e 1970, passou longos períodos preso por seu ativismo político-religioso, influenciado diretamente por Khomeini.Após a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia, Khamenei ocupou cargos de destaque: dirigiu as orações de sexta-feira em Teerã em 1980 e foi eleito presidente em 1981, após o assassinato de Mohammad Ali Rajai — crime atribuído ao grupo Mujahedin do Povo, então aliado da revolução e hoje proibido no país.Em 1989, pouco antes da morte de Khomeini, o fundador destituiu seu sucessor designado, Hossein Montazeri, por críticas às execuções em massa de dissidentes. Khamenei, inicialmente relutante, foi escolhido pela Assembleia dos Peritos como novo Líder Supremo — cargo que exerce há 37 anos com autoridade absoluta sobre as Forças Armadas, o Judiciário, a mídia estatal e decisões estratégicas.Repressão interna e confronto externo
Durante seu governo, Khamenei reprimiu duramente sucessivos movimentos de contestação:
Conhecido por levar uma vida simples e sem ostentação, Khamenei sofreu um atentado em 1981 que deixou seu braço direito paralisado. Sua saúde foi frequentemente questionada devido à idade avançada, mas ele manteve aparições públicas (raras e nunca anunciadas com antecedência) e nunca deixou o país desde que assumiu o poder — a última viagem internacional conhecida foi em 1989, ainda como presidente, à Coreia do Norte.Tem seis filhos, mas apenas Mojtaba Khamenei ganhou relevância pública. Mojtaba foi sancionado pelos EUA em 2019 e é considerado uma das figuras mais influentes nos bastidores do regime.Legado e contexto da morte
Khamenei trabalhou com seis presidentes eleitos, permitindo em alguns momentos tentativas cautelosas de abertura ao Ocidente — sempre limitadas e revertidas quando contrariavam a linha ideológica. Sob sua liderança, o Irã consolidou influência regional por meio de aliados como Hezbollah (Líbano), Houthis (Iêmen) e milícias xiitas no Iraque e na Síria.Sua morte, confirmada após ataques coordenados de EUA e Israel que atingiram o complexo residencial oficial em Teerã, representa o golpe mais grave já sofrido pela Revolução Islâmica em 47 anos. O vácuo de poder pode acelerar a crise interna já agravada por protestos, inflação acima de 40% e desvalorização do rial, em um momento de confronto militar direto com potências ocidentais e Israel.
Durante seu governo, Khamenei reprimiu duramente sucessivos movimentos de contestação:
- Mobilização estudantil de 1999
- Protestos em massa após as eleições presidenciais contestadas de 2009
- Revoltas de 2019
- Movimento “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022-2023, desencadeado pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial por suposta infração ao código de vestimenta
Conhecido por levar uma vida simples e sem ostentação, Khamenei sofreu um atentado em 1981 que deixou seu braço direito paralisado. Sua saúde foi frequentemente questionada devido à idade avançada, mas ele manteve aparições públicas (raras e nunca anunciadas com antecedência) e nunca deixou o país desde que assumiu o poder — a última viagem internacional conhecida foi em 1989, ainda como presidente, à Coreia do Norte.Tem seis filhos, mas apenas Mojtaba Khamenei ganhou relevância pública. Mojtaba foi sancionado pelos EUA em 2019 e é considerado uma das figuras mais influentes nos bastidores do regime.Legado e contexto da morte
Khamenei trabalhou com seis presidentes eleitos, permitindo em alguns momentos tentativas cautelosas de abertura ao Ocidente — sempre limitadas e revertidas quando contrariavam a linha ideológica. Sob sua liderança, o Irã consolidou influência regional por meio de aliados como Hezbollah (Líbano), Houthis (Iêmen) e milícias xiitas no Iraque e na Síria.Sua morte, confirmada após ataques coordenados de EUA e Israel que atingiram o complexo residencial oficial em Teerã, representa o golpe mais grave já sofrido pela Revolução Islâmica em 47 anos. O vácuo de poder pode acelerar a crise interna já agravada por protestos, inflação acima de 40% e desvalorização do rial, em um momento de confronto militar direto com potências ocidentais e Israel.

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