Energia e vibração de militares marcam desfile do 7 de Setembro em Porto Alegre

Chuva não intimidou participantes de cerimônia realizada na avenida Edvaldo Pereira Paiva

Por Franceli Stefani

Desfile de 7 Setembro em Porto Alegre ocorreu mesmo com chuva

Desfile de 7 Setembro em Porto Alegre ocorreu mesmo com chuva | Foto: Fabiano do Amaral

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O dia cinza, com chuva em diversos momentos, não atrapalhou o brilho dos festejos do Dia da Independência do Brasil em Porto Alegre. Na avenida Edvaldo Pereira Paiva mais de 4,5 mil pessoas desfilaram o amor ao país, entre militares e civis. Durante as cerca de duas horas de atividade, em torno de 200 viaturas, incluindo os blindados do Exército e as viaturas leves da Marinha, Exército, Aeronáutica, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Empresa Pública de Transporte e Circulação e da Guarda Municipal, passaram em frente à plateia e ao palanque oficial e de convidados.

O general Miotto enalteceu a importância do evento, mas lamentou a chuva que caiu durante praticamente toda a manhã de sábado.  “O desfile foi excelente, com a participação de todas as tropas: federal, estadual e municipal. O mau tempo prejudicou, mas a vibração dos nossos alunos nos faz nós sentirmos mais brasileiros”, destacou.


Entre os tantos participantes, quem foi assistir ao evento viu pela primeira vez na história a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) se integrar ao momento. O governador em exercício Ranolfo Vieira Júnior falou que o Estado estava presente com todas as suas forças. “Dentro desse espírito de civismo, estava muito bonito o desfile, embora o tempo tenha prejudicado um pouco”, avaliou.

O desfile

Eram 9h30min quando o governador em exercício Ranolfo Vieira Júnior, acompanhado do comandante Militar do Sul, general de exército Antonio Geraldo Miotto, passaram em revista pelo percurso do evento. Foram saudados e aplaudidos por parte do público. Depois das honras militares e hasteamento da bandeira, o Grupamento de Bandas e Fanfarras iniciou a programação verde e amarela, em um desfile marcado pelo amor à pátria e a esperança de um futuro melhor.

Foi esse espírito que levou o casal João Pedro, 35, e Cecília Pereira Lopes, 29 anos, a levantar cedo e escolher o melhor lugar à beira do Guaíba. “Estamos em uma época de mudança, de valorização da essência da família brasileira, é o momento de participar, tirar a bandeira do armário e aplaudir os feitos da nossa população”, enalteceu ele. Para Cecília a data serviu para reflexão. “Precisamos olhar para essas cores e analisarmos como está o nosso país, precisamos mudar para que possamos crescer.”


Com uma bandeira nas mãos e a cuia de chimarrão na outra, a analista de projetos Marianne Borges, 48, disse que o mau tempo não é desculpa para deixar de valorizar o Brasil. “É uma data histórica, esse ano mais do que nunca. Vale a pena ver o desfile lindo e muito bem organizado pelo Exército, em um momento de transformação que vivemos”, garantiu. Ao lado dela estava o empresário João Valer, 56, morador da Zona Sul de Porto Alegre. “O significado da bandeira brasileira deveria ser honrado por todos”, frisou ele, enquanto aplaudia a passagem do Colégio Tiradentes da Brigada Militar.

Pelo Estado, alguns desfiles que estavam programados foram cancelados em função da chuva, na região Metropolitana e nos vales dos Sinos, Paranhana e Taquari. Em algumas cidades o evento cívico foi transferido para outras datas. Em Esteio, por exemplo, a atividade será dia 29 de setembro. Conforme a prefeitura, a decisão foi tomada pensando nas crianças e jovens que ficariam expostos às condições do tempo.



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A bruxa do cacau

Há 30 anos, a Bahia era surpreendida pela vassoura-de-bruxa. Hoje, a praga ainda assombra a região – mas os produtores encontraram uma forma de lucrar produzindo menos: o chocolate artesanal.

Texto: Guilherme Eler, de Ilhéus (BA)* | Ilustração: Marcel Lisboa | Design: Yasmin Ayumi | Edição: Alexandre Versignassi


“A terra dá frutos de ouro”, diz Jorge Amado no início da obra São Jorge dos Ilhéus (1944). Não era apenas força de expressão do autor baiano. As cifras que o cacau gerava ao sul da Bahia na primeira metade do século 20 garantiram décadas de fartura aos coronéis de Ilhéus e arredores. A alta expressiva no preço das amêndoas de cacau no mercado internacional fazia a cidade fervilhar como nunca antes. E a chegada de trabalhadores de vários cantos do País não servia só para movimentar os bordéus e os cabarés; mexia também com a geografia de Ilhéus, acirrando as disputas por terra. Ter um pedaço de chão para plantar cacau era como ganhar uma impressora de dinheiro.

O coronelismo do interior baiano começava a ganhar novos contornos. Aos poucos, os grandes vilões já não eram mais os barões do cacau, e sim a chegada do capital estrangeiro – representado pelas indústrias exportadoras das amêndoas. Essa presença fez o negócio do cacau mudar de patamar: a construção do porto de Ilhéus, na década de 1970, permitiu o envio de 300 mil toneladas de amêndoas ao exterior todos os anos ao longo do período. Os preços acompanharam o ritmo, e a tonelada do cacau chegou a valer US$ 3,6 mil em 1978, consolidando o Brasil como segundo maior produtor do mundo. A safra nacional ainda alcançaria seu ápice anos mais tarde, em 1986, quando a Bahia, sozinha, produziu quase 400 mil toneladas do fruto – 86% do total do País.

O problema é que os bons ventos, que desde o século 19 sopravam no setor, começariam a cessar. Uma praga iria interromper a estrada de prosperidade trilhada pelo cacau no sul da Bahia. Quem sentiu o golpe primeiro foi a cidade de Uruçuca, distante 40 km de Ilhéus. Sem mais nem menos, alguns dos cacaueiros plantados por lá começaram a ganhar um aspecto envelhecido – secos como uma vassoura velha. Suas folhas se tornavam retorcidas e amarronzadas, seus frutos não se desenvolviam direito ou apodreciam ainda no pé. As amêndoas, agora escurecidas, ficaram intragáveis. Era maio de 1989, e a vassoura-de-bruxa iniciava sua cruzada para varrer o cacau para fora da Bahia.

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(Marcel Lisboa/Superinteressante)

Não demorou até que lavouras de cidades vizinhas já estivessem tomadas pelo fungo. Espalhando-se rapidamente pelo ar, a vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) reduziu a produção baiana em 60% e provocou a falência de quase 30 mil fazendas. A baixa produtividade fez o preço despencar – e o desemprego da região chegar a níveis inéditos. Estima-se que 250 mil trabalhadores rurais ficaram sem ter de onde tirar seu sustento.

O fungo, natural da região do Vale do Rio Amazonas, já tinha demonstrado seu alto poder de devastação em 1920, quando acabou com lavouras de cacau do Equador. Mas no caso da Bahia, onde a produção era mais robusta, havia um agravante: se os frutos do cacau, naturais do bioma amazônico, se sentiam em casa com o clima quente e úmido do sul baiano, o mesmo valia para o seu mais cruel inimigo.

Produtores da época foram pegos de surpresa, já que não se tinha um conhecimento prévio sobre a maneira adequada de se lidar com a doença. Arrancar o mal à força, fazendo a poda dos pés de cacau, não surtia o efeito desejado. Pelo contrário: quando se corta uma árvore infectada, ela tende, por conta própria, a criar novos ramos e novas folhas na região que foi depenada – uma forma de se “proteger” do corte inesperado. E são justamente os tecidos mais jovens da planta que o fungo prefere atacar.

Foi o que os produtores afetados pelos primeiros focos da vassoura-de-bruxa no Estado, no começo dos anos 1990, aprenderam na prática. Cacauicultores que seguiam a orientação do governo de podar as plantas, em vez de riscar a vassoura do mapa, só fizeram contribuir para que o problema se espalhasse mais. E a produtividade das lavouras, ao mesmo tempo, continuava sendo arrasada pelo fungo.

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(Arte/Superinteressante)

Mas a pergunta que não queria calar era: o que um fungo típico da região amazônica fazia tão distante de seu habitat natural? O que teria feito a vassoura-de-bruxa ganhar os pés de cacau na Mata Atlântica?

Ninguém sabe ao certo como a doença foi capaz de cruzar 4 mil quilômetros e desembarcar no sul da Bahia. A hipótese mais aceita é que a introdução do fungo não aconteceu de forma natural – mas, sim, por ação de agroterrorismo, pensada de antemão para sabotar fazendas da região.

Foi para essa conclusão que apontou um inquérito conduzido pela Polícia Federal em 2006, que classificou a introdução do fungo como um ato humano intencional – mas não identificou suspeitos do crime. O processo ainda foi encaminhado ao Ministério Público Federal da Bahia, mas acabou arquivado em 2007. Também em 2006, o Ministério da Agricultura chegou a apurar as acusações de fraude e o suposto envolvimento de servidores públicos no caso. Em 2011, a Controladoria Geral da União (CGU) optou pelo mesmo desfecho: arquivamento do processo, dada a impossibilidade de investigar algo que havia ocorrido 20 anos antes.

Independente de qual seja a porta de entrada, o fato é que a chegada da bruxa do cacau impediu que a produção regional se recuperasse por completo. No ano de 2018, a Bahia produziu 122,5 mil toneladas de amêndoas – e segue liderando a produção nacional, com 48% do total, acompanhada de perto pelo Pará (responsável por 45%). Da mesma maneira, a tarefa de conviver com a vassoura-de-bruxa, mesmo 30 anos após seu surgimento, também segue sendo uma pedra no sapato de quem produz.

Velha conhecida

O agricultor Rigoberto dos Santos, que há oito anos trabalha como gerente da Fazenda Provisão, em Ilhéus, já sabe de antemão que não colherá todo o cacau plantado na safra atual – que se estende de setembro a abril. Segundo seus cálculos, a produção anual da propriedade, algo em torno de 4 mil arrobas (1 arroba = 15 quilos) será desfalcada em mais de 10%: pelo menos 500 arrobas de amêndoas devem ser, irreversivelmente, perdidas para a vassoura-de-bruxa. “Antes da vassoura [chegar à Bahia], a produção era de 14 mil arrobas”, conta.

Um relatório elaborado pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) sobre a safra 2016/2017 apontou um total de 9,8% de perdas na produção baiana por conta do fungo. Na safra anterior, 2015/2016, esse número havia sido de 12,6%. E o cenário poderia ser muito pior, não fossem os avanços em genética que permitem aos produtores driblar o problema.

A principal maneira de minimizar as perdas foi apostar no cultivo de variedades mais resistentes à vassoura-de-bruxa, selecionadas de outras regiões produtoras, nacionais ou estrangeiras, mas que se adaptam bem ao clima baiano. São os chamados clones. “Já temos soluções tecnológicas para o controle efetivo da vassoura. Principalmente via genética, por meio do plantio de clones resistentes”, explica José Marques, coordenador de pesquisa da Ceplac. “O problema é que nem todos os produtores tiveram condições econômicas ou o domínio adequado do manejo para implementá-los.”

A Ceplac, órgão vinculado ao governo federal, reúne hoje uma lista de 18 variedades de cacau clonadas recomendadas a produtores. Pés de cacau clonados começam a produzir em um período entre quatro e cinco anos após plantados – e continuam dando frutos por pelo menos duas décadas.

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(Ana Lee/Superinteressante)

Graças à ciência, também, foi possível descobrir um aspecto desconhecido do comportamento da vassoura de bruxa quase três décadas depois de ela ter surgido na região. Quando o fungo infecta um pé de cacau, a forma como a planta tenta se livrar do visitante indesejado é inibindo sua respiração – matando o intruso sufocado. O que pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) descobriram em 2018 é que a praga utiliza uma via alternativa para respirar, uma espécie de “pescoço auxiliar”, que não é identificado pelas defesas do pé de cacau ou por fungicidas.

“É como se a planta fosse um lutador de MMA muito forte e o fungo, um lutador fraquinho”, explica Gonçalo Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Expressão da Unicamp. Quando a planta tenta estrangulá-lo, acaba gastando muita energia em vão, já que o fungo permanece respirando com seu pescocinho alternativo. Exausta por conta da tarefa, a planta acaba se tornando um alvo fácil para o lutador mais fraco. “Nesse momento, a doença muda de fase. Aí acontece a necrose do ramo infectado, que fica parecendo uma vassoura.”

O grupo de pesquisadores hoje trabalha no desenvolvimento de novas moléculas de agrotóxicos que consigam coibir com sucesso esse mecanismo. A ideia é que, no futuro, os testes resultem em opções de fungicidas mais eficientes para o mercado.

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(Arte/Superinteressante)

Hoje, a produção atual de cacau no Brasil não é suficiente sequer para satisfazer o consumo interno. Isso acontece desde 1996/1997, quando as 180 mil toneladas produzidas naquela safra não deram conta de atender às processadoras nacionais. O Brasil se tornava importador de cacau – condição que ocupa até hoje – e só voltaria a exportar o fruto quase 20 anos depois, em 2015.

A produção mundial hoje é comandada por Costa do Marfim e Gana: juntos, os países africanos garantem dois terços do cacau do planeta – o Brasil está em sétimo no ranking, com 4% do total. O mercado internacional, no entanto, vive um clima de apreensão. Em julho de 2019, a dupla ameaçou suspender a venda da próxima safra, 2020-2021, caso a tonelada do produto não chegue ao valor mínimo de € 2,3 mil. Se confirmado, o hiato nas exportações africanas seria suficiente para provocar uma crise de falta de cacau no mundo.

A aposta no cacau fino

A maior parte dos 25 mil produtores do sul da Bahia ainda enxerga o cacau à maneira dos produtores africanos: como commodity. Segundo dados de um estudo realizado pelo Sebrae da Bahia em parceria com o Instituto Arapyaú, divulgado em fevereiro de 2019, 97% do cacau produzido serve para abastecer multinacionais. O mercado brasileiro no setor é dominado por três empresas: a franco-belga Barry Callebaut, a americana Cargill e a Olam, com sede em Singapura – todas contam com usinas em Ilhéus. Depois de processado, o cacau sai dali para abastecer grandes fábricas de chocolate, como a Nestlé.

Só 2% da produção total pode ser considerada cacau fino, e 1%, cacau “premium”. Tentar satisfazer os exigentes padrões de qualidade no cultivo dá resultado. Os lotes costumam ser pequenos, mas empresas como a Dengo, marca de chocolates criada pelo fundador da Natura, oferecem prêmios de 70% a 160% em relação ao preço do cacau na bolsa de mercadorias. Em 2018, foram compradas 160 toneladas de amêndoas, todas de fazendas do sul da Bahia.

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(Ana Lee/Superinteressante)

A ideia de tornar o cacau um produto com alto valor agregado e apostar em seu valor artesanal vem ganhando força. Os movimentos “bean-to-bar”, (da amêndoa à barra), e “tree-to-bar”, (da árvore à barra’), que apostam no uso de matéria-prima selecionada, reúnem ao menos 40 marcas no sul da Bahia. E contribuíram para que grupos de novos empreendedores – vários deles, descendentes de antigos coronéis da região – voltassem a fazendas, antes inativas, para produzir cacau. Só que o foco principal, agora, não são apenas as sacas de 60 quilos de amêndoas de cacau. São também barras com 70 (80 ou 90) gramas de chocolate fino, artesanal.

É o exemplo da empresária Juliana Aquino. Foram 15 anos afastada dos negócios da Fazenda Santa Rita, na cidade baiana de Arataca, que hoje ela administra com o marido. “A gente não tinha como assumir a produção. Ninguém conseguia mais se sustentar”, conta. Na propriedade de 400 hectares, 70 são dedicados a plantações de cacau. A maior parte da produção ainda é exportada, mas uma parcela serve para alimentar a produção da marca de chocolates Baianí, que hoje é de 50 kg por mês. A meta é chegar aos 600 kg mensais de chocolate. “Mais do que isso, fica difícil de administrar, perde o caráter artesanal.”

Receitas com alto teor de cacau, porém, ainda esbarram em uma mudança de mentalidade de consumo. Acostumada a produtos mais doces, é normal que a clientela por vezes estranhe o gosto mais amargo de chocolates com 70%, 80% de cacau. E tem o preço. Chocolates bean-to-bar podem custar mais de R$ 200 o quilo. Por outro lado, há cada vez mais consumidores. Segundo um estudo do Sebrae feito em 2017, o mercado interno de chocolate gourmet tem uma taxa de crescimento anual de 20% – três vezes mais que o do chocolate comum. O sul da Bahia, quem diria, continua a dar frutos de ouro. A diferença é que, hoje, eles vêm em uma embalagem mais estilizada.

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(Arte/Superinteressante)

*O repórter viajou a convite do 11° Chocolat Bahia Festival – Festival Internacional do Chocolate e Cacau

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Posso colocar panela quente na geladeira?

Por Oráculo


Não só pode como deve. “Esperar a comida esfriar totalmente em cima do fogão pode ser um risco enorme para a saúde, principalmente em países tropicais como o nosso, onde as temperaturas ficam na faixa em que os micro-organismos se multiplicam com mais facilidade”, alerta a nutricionista Patricia Davidson.

Mas e a geladeira? Não sofre? Não. De acordo com a nutricionista Kesia Quintaes, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a única diferença é que em aparelhos mais antigos o gasto de energia elétrica aumenta sensivelmente. De acordo com a fabricante Cônsul, em refrigeradores mais novos, nem isso é um problema: “Os modelos atuais são mais econômicos e esse “esforço a mais” é tão mínimo que dificilmente vai impactar a sua conta de luz.”

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Além disso, o vapor exalado pela panela altera a circulação do ar lá dentro. Como as moléculas mais quentes tendem a subir, o ar frio momentaneamente se concentra na parte mais baixa do aparelho. Mas isso é momentâneo – nem de longe representa uma ameaça para o resto dos alimentos que estão lá dentro.

Quando falamos do tipo de panela que você usa para guardar o resto do almoço, ferro e o alumínio são contraindicados, seja dentro ou fora da geladeira. O motivo é que esses materiais transferem elementos da sua composição para a comida ao longo do tempo de estocagem, o que pode gerar uma contaminação. “Panelas ou recipientes de vidro ou titânio são os mais indicados para essa função”, afirma Kesia.


Superinteressante

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Todos os idiomas transmitem 39,15 bits de informação por segundo

Estudo mostrou que as línguas mais rápidas só são rápidas porque são menos eficientes: precisam de mais sílabas para transmitir a mesma ideia.

Por Guilherme Eler

(Malte Mueller/Getty Images)

Sonoridade, velocidade da pronúncia, entonação, vocabulário. Cada uma das milhares de línguas que existem – estima-se que sejam quase 7 mil no mundo todo, sem contar os dialetos – tem sua própria forma de usar esses recursos.

O palavrão Nah­rungs­mit­tel­un­ver­träg­lich­keit, por exemplo, é o jeitinho delicado de dizer “intolerância alimentar” em alemão. Em mandarim, a palavra “felicidade” (幸福) tem só duas sílabas – ao contrário das cinco utilizadas em português – e é pronunciada “xingfú”.

Além do tamanho das palavras, a velocidade em que são pronunciadas também varia. Falantes de japonês produzem 50% mais sílabas por segundo do que quem fala vietnamita ou tailandês, por exemplo.

Tudo porque a língua nipônica foi concebida de forma mais concisa: o inglês tem 11 vezes mais tipos de sílabas (6949) do que o japonês (643). Ou seja: quando um japonês fala uma sílaba, ela é mais previsível do que uma sílaba em inglês, o que torna a palavra como um todo menos previsível (pois muitas outras palavras contém essa sílaba). O jeito é falar mais sílabas, mais rápido.

Todo esse papo fonético é, sem dúvidas, pra lá de interessante e renderia assunto para vários parágrafos. Mas a pergunta que fica é: sabe o que tudo isso significa para a forma com que a informação é transmitida em uma conversa? Bem… nada. Apesar de tantas diferenças entre si, todas as línguas transmitem a mesma quantidade de informação por unidade de tempo.

Foi o que descobriu um estudo desenvolvido na Universidade de Lyon, na França, que contou com a participação de um grupo internacional de pesquisadores e foi publicado na revista científica Science Advances.

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Primeiro, os pesquisadores usaram um algoritmo para calcular a quantidade de informação que uma única sílaba pode reunir. Foram testados, ao todo, 17 idiomas diferentes: vietnamita, basco, catalão, alemão, inglês, francês, italiano, espanhol, sérvio, japonês, coreano, mandarim, cantonês, tailandês, turco, finlandês e húngaro.

O passo seguinte foi encontrar 170 falantes nativos (10 de cada língua) para ler 15 textos – semelhantes entre si, semanticamente falando, e com cerca de 240 mil sílabas cada.

Ao calcular a quantidade de informação que cada sílaba de uma linguagem possui, é possível comparar o quão “eficiente” elas são. Como eficiência, você pode entender aqui a quantidade de informação que um falante consegue transmitir com uma sílaba (ou um som). Usar mais sílabas para dizer uma mesma coisa torna o idioma menos eficiente – e vice-versa.

Como destaca a revista The Atlantic, o conceito de bits de informação, muito comum quando falamos de arquivos de computador, é também bastante usado na linguística. O que não torna a coisa menos complexa de se entender, é claro.

Em resumo, dá para dizer que 1 bit de informação reduz a incerteza do papo pela metade. Calma, a gente explica. Se eu falo uma sílaba, e esse determinado som é capaz de eliminar metade do número de coisas do mundo sobre as quais eu poderia estar falando, essa sílaba carrega 1 bit de informação. Tudo porque faz o ouvinte saber que a coisa em questão tem a ver com a metade que sobrou, tornando a conversa menos estranha – e o fazendo entender que, literalmente, está falando a mesma língua de quem ouve.

Foi neste ponto que apareceu um resultado interessante: enquanto línguas como o basco possuem 4,8 bits de informação por sílaba, vietnamitas usam 8 bits a cada sílaba quando usam sua língua materna. Ainda que o ritmo de leitura dependa da pessoa que lê, os falantes de idiomas “mais eficientes” falavam, no geral, mais lentamente. E o inverso também era observado. Línguas que geram uma quantidade menor de informação por sílaba precisavam compensar falando de forma mais ligeira.

“Surpreendentemente, encontramos evidências sólidas de que algumas linguagens são [naturalmente] faladas de forma mais rápida do que outras”, disse Dan Dediu, co-autor da pesquisa, em comunicado.

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O fato de línguas menos complexas compensarem a diferença falando mais rápido equilibrou as coisas. A taxa com que a informação era repassada, assim, era mais ou menos a mesma. Não importava ou quão rápida ou lenta, simples ou complexa era a linguagem: a quantidade de informação era sempre próxima a 39,15 bits por segundo em todos os casos analisados.

Os achados mostram que uma linguagem não pode ser muito densa (ou carregando muita informação em cada sílaba) e, ao mesmo tempo, falada muito rapidamente. Essa combinação poderia tornar as ideias complexas demais para se articular – e muito difíceis de serem compreendidas por quem escuta.

Da mesma maneira, não dá para que, além de dizer menos coisas por segundo, uma língua tenha palavras pronunciadas muito lentamente. Isso obrigaria quem ouve memorizar uma grande fala para captar pouca coisa. Além de tornar seus falantes extremamente enfadonhos de se ouvir durante uma conversa de bar.

O motivo pelo qual essa relação acontece e por que há um padrão fixo de 39,15 bits por segundo, de acordo com os pesquisadores, segue sendo um mistério. A hipótese mais consistente é que o esforço de falar ou entender uma conversa está ligado às frequências das ondas cerebrais – que costumam ser parecidas independentemente do local de nascimento da pessoa. Essa capacidade cerebral impõe um padrão “de fábrica” para o ritmo em que a linguagem pode ser gerada e entendida.

Em entrevista à revista Discover, François Pellegrino, pesquisador que participou da pesquisa, disse acreditar que os resultados sde fato captaram uma tendência universal – que vale não apenas para os 17 idiomas que serviram de base para o estudo. “Nós não pretendemos representar todas as línguas do mundo”, disse. “Mas a diversidades que reunimos nas línguas e famílias linguísticas analisadas é suficiente para ser bastante confiável”.

Moral da história? Nada de reclamar da velocidade do exercício de listening das aulinhas de inglês – ou de qualquer outro idioma. Embora pareça sabotagem com quem ouve, a informação não está sendo passada mais rápida do que deveria. É tudo questão de prática.


Superinteressante

A breve história do “Parabéns pra você” – a canção mais famosa do mundo


Ela rendeu US$ 2 milhões por ano para a Warner – e chegou ao Brasil em um concurso da rádio Tupi com a Academia Brasileira de Letras.

Por Bruno Vaiano

(Shanina/Getty Images)

Algumas canções dão a impressão de sempre terem existido. E “Parabéns pra você” dá a impressão de ser uma delas. Não é: foi composta em 1893 por Patty Hill, diretora de uma escola de educação infantil na cidade de Louisville, nos EUA, e sua irmã, Mildred Hill, que além de pianista experiente foi pioneira da área de etnomusicologia (isto é, o estudo da música no contexto do grupo étnico que a produz).

A canção era parte de uma coletânea de partituras intitulada Song stories for the kindergarten (em português, “histórias cantadas para o jardim de infância”), composta para uso em aula e publicada em 1894. Originalmente, a letra de happy birthday to you dizia good morning to all (“bom dia a todos”). A versão de aniversário só surgiu em 1912, e é anônima.

Ninguém sabe se as irmãs bolaram a quadrinha do zero ou se ela foi inspirada em uma melodia folclórica pré-existente. Mas a maior parte da documentação disponível aponta para o segundo caso. Mildred, graças a sua experiência com antropologia e etnografia, conhecia bem a música popular da época. E canções parecidas estavam na ponta da língua das crianças do século 19.

“Havia numerosas canções populares do século 19 que eram substancialmente similares, incluindo “Happy Greetings to All” de Horace Waters, publicada em 1858”, escreve o professor de música Kembrew McLeod, da Universidade do Iowa. “Isso sugere uma melodia, um título e uma letra emprestados livremente, que foram usados e retrabalhados ao longo do século.” Outros acadêmicos afirmam que McLeod exagerou, e que os exemplos mais antigos que ele cita no máximo inspiraram Mildred.

A herança do blues

Mildred tinha muito repertório, e possível encontrar as raízes do “Parabéns” em seu trabalho acadêmico. Em um artigo publicado no periódico especializado Music em dezembro de 1892, ela analisa a tradição musical afro-americana – e já identifica, nas canções dos escravos do sul dos EUA e seus descendentes, os elementos essenciais do que se tornaria o blues (para se esquivar do machismo da época, ela assinava com um pseudônimo masculino – Johann Tonsor).

Um deles é a escala pentatônica. Ela consiste em cinco notas, em vez das sete da escala diatônica maior – que é a escala em que se baseia a música europeia erudita. Outro é a blue note – uma nota que não pertence à pentatônica, mas é adicionada estrategicamente para transmitir melancolia e incerteza. Por fim, há a síncope – o ritmo quebrado que no Brasil é uma característica essencial do samba.

Mildred previu corretamente que esses três elementos se tornariam alicerces da música popular dos EUA. De fato, a pentatônica se infiltrou em todos os descendentes do blues: é a sequência de notas mais importante do funk, do soul e do rock n’roll. Solos como os de “Comfortably Numb” (Pink Floyd) ou “Stairway to Heaven” (Led Zeppelin) giram em torno desse jogo de cinco notas.

A melodia e a letra do “Parabéns pra você”, de acordo com o crítico de música Stephen Burton, ecoa a estrutura de versos dos spirituals – os lamentos entoados em coro pelos negros nas plantações, que foram a semente do blues.

“Ela consiste em uma melodia de seis notas”, escreve Burton. “Aí as palavras se repetem, e o motivo melódico também, mas um degrau mais alto. Ele se repete ainda uma terceira vez, ainda mais alto, e então emenda uma quarta repetição, voltando para baixo. É um arco perfeito, ou o que Leonard Bernstein [um famoso maestro] chamava de método de composição preparar (verso 1), apontar (verso 2), fogo (versos 3 e 4). O estudo dos spirituals negros certamente influenciou nesse construção repetitiva.”

Realmente: até hoje o blues segue um padrão muito parecido. O primeiro verso é repetido duas vezes, na segunda, a melodia é mais aguda que na primeira. O terceiro verso é diferente, mais longo, e cantado em cima do trecho em que a música completa um ciclo e volta para o começo. Veja a estrofe abaixo, de “Everyday I have the blues”.

Nobody loves me, nobody seems to care.
(“Ninguém me ama, ninguém liga pra mim.”)

Yes, nobody loves me, nobody seems to care.
(“Pois é, ninguém me ama, ninguém liga pra mim.”)

Speaking of worries and trouble darling, you know I’ve had my share.
(“Falando em dúvidas e angústias, meu amor, você sabe que tive muitas.”)

Compare com o “Parabéns” em inglês:

Happy birthday to you
Happy birthday to you
Happy birthday, dear John, happy birthday to you.

Essa repetição hipnótica, somada à facilidade de cantar a melodia, formam a música infantil perfeita. É muito difícil compor algo tão simples e ao mesmo tempo capaz de sobreviver a um século sem alterações.

Esse breve histórico aí em cima é um resumo do trabalho de Robert Brauneis, professor de Direito na Universidade George Washington que dedicou anos a pesquisar as origens da música – um de seus PDFs está aqui. O que deve ter feito você se perguntar: o que um professor de direito tem a ver com isso?

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O processo

É que esse foi só o começo da saga do “Parabéns”. Entre 1915 e 1935, conforme a ideia de celebrar o aniversário com uma festa virou moda entre famílias de classe média, a canção se espalhou pelos EUA. Foi um meme do entreguerras – um meme no sentido que Richard Dawkins, o biólogo que criou o termo, o utiliza: uma pequena unidade de informação cultural que, por ser mais “chiclete” que outras parecidas, se replica de boca em boca, feito um vírus.

Hoje, há versões do “Parabéns” em no mínimo 18 línguas. Ela é uma das únicas canções de domínio público que praticamente todo habitante do Ocidente aprendeu por transmissão oral em um contexto familiar – algo extremamente raro, que remete à maneira como a música é ensinada em povos caçadores-coletores.

Com um porém: ela não é exatamente de domínio público. O livro de músicas infantis das irmãs Patty e Mildred foi editado por Clayton F. Summy, e a Summy Co. se tornou detentora dos direitos autorais. A empresa, que fazia gravações, publicava partituras e chegou até a construir pianos, foi vendida em 1932, dois anos antes da morte do patrão Summy, para um certo John F. Sengstack. Ele, por sua vez, comandou a companhia até 1958, quando morreu e legou o negócio para seu filho, que vendeu tudo para a Warner em 1988. Nessa altura, a empresa já detinha 50 mil títulos e valia US$ 25 milhões.

Enquanto isso, Jessica Hill, herdeira das irmãs Patty e Mildred, ficou responsável pelo copyright do “Parabéns”. Na época, os direitos sobre uma composição valiam por 28 anos e podiam ser renovados para um segundo período de igual duração. O original, referente à publicação em 1893, valeu até 1921, e foi estendido até 1949. E a história deveria ter acabado por aí. Mas não acabou.

Quando a Warner adquiriu os direitos sobre a música, em 1988, ela fez uma manobrinha semântica para afirmar que a primeira publicação datava de 1935 – ano em que uma partitura com um arranjo de piano e a letra já na versão de aniversário foi lançada. Colou. E pela lei de copyright, isso garantiria os direitos sobre a melodia até 2030.

Assim, a Warner conseguiu fazer em média US$ 2 milhões por ano processando filmes, programas de rádio e outros produtos audiovisuais que contivessem a filmagem de uma festa de aniversário. Era uma mina de ouro. Os magnatas só perderam a briga na justiça em fevereiro 2016, quando uma documentarista chamada Jennifer Nelson, que teria que pagar US$ 1,5 mil para reproduzir a canção, entrou com um processo – e o juiz George H. King, após avaliar o histórico do caso, declarou que ela já era de domínio público.

Versão brasileira, Herbert Richers

A tradução brasileira da música – bem mais sofisticada que a original em inglês, sem versos repetidos – nasceu em 1942. É obra da farmacêutica Bertha Celeste Homem de Mello, que morou em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, até sua morte aos 97 anos em 1999. Em 1942, um locutor da Rádio Tupi fez um concurso para escolher a melhor versão brasileira do coro. Sob o pseudônimo Léa Magalhães, Bertha levou a melhor dentre 5 mil participantes.

Em um texto escrito para a SUPER em 2001, o escritor Max Gehringer conta: “O júri encarregado da escolha era composto por membros da Academia Brasileira de Letras: Olegário Mariano, Cassiano Ricardo e Múcio Leão, e os três se encantaram com o versinho de Bertha Celeste, por dois motivos: era um dos poucos que tinha quatro linhas diferentes (a maioria preferiu repetir a mesma frase quatro vezes). Dava de goleada até na letra original…”

“Bertha Celeste tinha 40 anos quando escreveu a quadrinha de “Parabéns a Você”. Depois de se tornar conhecida em todo o Brasil, doutorou-se em Letras e dedicou-se à poesia (a coletânea de sua obra está no livro Devaneios). Aos 54 anos de idade mudou-se para a cidade vizinha de Jacareí, onde lecionou por mais dez anos e onde viria a falecer em agosto de 1999, aos 97 anos, de pneumonia.”

Quando comecei a escrever este texto, hoje cedo, não fazia ideia de que até uma reportagem antiga da SUPER estaria nele. E nem entrei no bordão “é pique, é pique…” – que, por si só, vai render outro textão. Até lá!


Superinteressante

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Centro Comercial João Pessoa–O primeiro shopping de Porto Alegre

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Conexão Varejo: confira entrevista exclusiva com Dominique Oliver, proprietário da Amaro

Após estudar diferentes mercados, o suíço Dominique Oliver foi atraído pelo potencial do mercado brasileiro para empreender. Aqui, ele abriu a AMARO no modelo Directto-Consumer, inovando no setor ao lançar mão da tecnologia para transformar o varejo. Embasada nos dados adquiridos nas vendas pelo e-commerce, a AMARO também aposta no varejo físico, com suas guide shops, lojas que funcionam como showrooms onde a cliente pode provar as peças e retirar o que foi comprado pela internet. Confira abaixo uma entrevista exclusiva do empresário para a revista do Sindilojas Porto Alegre, Conexão Varejo:

> Como surgiu a ideia da AMARO e por que o Brasil?
Trabalhei por quatro anos no mercado financeiro em Nova Iorque, onde participei de várias transações e reestruturações de empresas de varejo e de moda. Foi então que percebi as falhas do modelo tradicional de varejo físico e que o mercado de moda precisava de inovação. Estudei diferentes mercados, e vi que o Brasil tinha um grande potencial. Cheguei aqui em 2011 e fui estudar, ao mesmo tempo que comecei a implementar o plano de negócios da AMARO.

> Qual o propósito para além da venda?
A AMARO nasceu com o desejo de oferecer a melhor experiência de compra para a mulher brasileira. Experiência excelente, para nós, significa ser sem barreiras, ter navegação fácil e muita conveniência. Para isso, apostamos na tecnologia e na inteligência de dados em toda a cadeia produtiva, da criação dos produtos até a logística.
> Quais os principais desafios de vender moda pela internet?
Atualmente apenas 5% de todas as transações de varejo acontecem online no Brasil. Nos EUA, são 11%, e na Inglaterra, mais de 14%. O maior desafio ainda é a mudança de comportamento para adoção desse modelo pelo consumidor. Por mais que esse movimento seja inevitável, o varejo precisa facilitar essa migração para o ambiente online. É aí que entram estratégias como as guide shops, a entrega superexpressa e foco na experiência do consumidor no site, por exemplo.
> Como a AMARO lida com a crescente preocupação com o meio ambiente?
Por ser uma marca nativamente digital, os nossos processos são mais modernos, mais enxutos e com menos desperdícios. A modelagem 3D, por exemplo, permite criar apenas uma peça-piloto, em vez de quatro, como no modelo tradicional. Em escala produtiva, o impacto é grande. Além disso, temos bike delivery, embalagem econômica, peças sustentáveis, e os eco-products, produzidos 100% com materiais reciclados.
> Como funcionam as guide shops e como o consumidor reage ao fato de não poder sair com as compras na hora?
Sabemos que nosso maior concorrente, como marca digital, ainda é a compra tradicional na loja de rua, perto da casa da cliente. Por isso, prezamos por encantar com boas imagens, velocidade do aplicativo, navegação intuitiva, facilidade no pagamento, SAC humanizado, entrega superexpressa e pós-venda eficiente, que incentiva a cliente a comprar novamente. Atualmente, temos 15 guide shops, e o mais recente é em Porto Alegre!

> Como os negócios tradicionais do setor ainda podem inovar?
O varejo é um setor em constante evolução, e as marcas precisam acompanhar, mantendo o consumidor no centro. Uma discussão recente é sobre o modelo Direct-to-Consumer, impulsionado pela internet, que remove intermediários e vende diretamente ao cliente final. As pessoas falam sobre personalização e tecnologia, mas uma melhor experiência ao consumidor vem por meio da integração e de conveniência, que estão moldando o que chamamos de futuro do varejo.

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    Sindilojas Porto Alegre