Quem é Grace Mendonça

hqdefaultGrace Mendonça, a advogada da União citada no post anterior, assumiu o comando da Secretaria-Geral de Contencioso, da AGU, em junho de 2003... e de lá não saiu.

Ela serviu a todos os AGUs do PT: Álvaro Augusto Ribeiro Costa, Antonio Dias Toffoli, Luis Inácio Adams e José Eduardo Cardozo.

O petismo é uma doença contagiosa.

 

O Antagonista

Manifestação em São Paulo pede saída de Temer e eleições diretas

Manifestantes se reuniram hoje (7) na Praça da Sé, região central da capital paulista, desde as 14h, para protestar contra o governo do presidente Michel Temer. Entoando gritos de “Fora, Temer” e “Diretas Já”, eles carregavam cartazes com mensagens contra o governo federal. Convocado pelas redes sociais, o ato reuniu diferentes movimentos.

Membro do movimento Liberdade e Luta, Caio Dezorzi, disse que o grupo compareceu ao ato para manifestar repúdio contra o governo Temer e contra medidas recentemente anunciadas. “Entendemos que a única forma de barrar essas medidas é com mobilização popular, com organização, com resistência, por meio de greves”, disse. Segundo o movimento, Temer não tem legitimidade para governar.

Às 15h40, os manifestantes saíram da Praça da Sé em caminhada para a Avenida Paulista, após decisão em assembleia. Eles seguiram pela Rua Senador Feijó e pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, até chegarem à Avenida Paulista, onde pararam no Museu de Arte de São Paulo (Masp).

No Masp, eles decidiram que caminhariam até a frente do escritório da Presidência da República, próximo à Estação Consolação do metrô. Já no local, em nova assembleia, os manifestantes decidiram ir até a Praça da República, no centro da cidade, onde chegaram às 18h30 e encerraram o ato com gritos de “Fora,Temer” e aplausos. Em seguida, as pessoas começaram a se dispersar.

O trajeto não foi informado previamente à Polícia Militar. O policiamento ocorreu de longe, com menos efetivo do que as últimas manifestações na capital paulista. Durante o percurso, os ativistas gritaram “que coincidência, não tem polícia, não tem violência”, referindo-se a outros atos que tiveram policiamento ostensivo e terminaram com repressão policial.

Abordagem policial

Durante a concentração do ato, na Estação Sé do metrô, algumas pessoas que chegavam eram revistadas. Segundo o capitão Cassio César Galhardo, a polícia adotou como um dos critérios para a revista o porte de mochila.

Um jornalista freelancer de 41 anos, que não quis se identificar, disse que foi ameaçado de ser levado à delegacia durante a revista policial. Com máscara e capacete para se proteger durante a cobertura da manifestação, ele apresentou a carteira de filiação à Federação Nacional dos Jornalistas. No entanto, segundo ele, os policiais usaram o número do documento para verificar se ele tinha passagem pela polícia.

Outro rapaz que portava mochila foi abordado e teve os dados coletados pela PM, inclusive o endereço, porque estava com uma lata de spray de tinta. Segundo o capitão Galhardo, se houvesse incidentes de pichação durante a manifestação, o rapaz poderia ser localizado.

O jovem, que também preferiu não se identificar, considerou absurda a ação da polícia porque não considera ter cometido nenhum ato ilegal. “Se qualquer pessoa do mundo pichar, a culpa é minha?", perguntou ao capitão. “Você está criando uma prova contra uma pessoa sem qualquer indício, você está prevendo um crime, você não pode fazer isso”, disse a mulher que acompanhava o rapaz.

O capitão respondeu que estava “qualificando” o rapaz. “Se houver pichação aqui nas imediações, a gente sabe que ele estava portando isso aqui, provavelmente vai ser chamado na delegacia”, contestou o policial.

 

Agência Brasil

Flávio Bolsonaro defende recursos para mais remédios, não para Parada Gay

blog

É impressionante como a imprensa, quase toda de esquerda, tanta pautar o debate político. Flávio Bolsonaro, candidato à prefeitura do Rio pelo PSC, defendeu em entrevista a austeridade do governo, bandeira que qualquer pessoa sensata deveria aplaudir. Mas a questão já é colocada de forma a contrapor o candidato ao movimento LGBT, como se essa fosse a prioridade do momento e da fala dele. O que foi dito é algo que só mesmo uma pessoa muito desligada da realidade e das verdadeiras demandas populares poderia discordar. Vejam:

Parada Gay, de forma alguma, vai ser proibida. Agora, não vai ter um centavo de dinheiro público. Se todos nós candidatos, com exceção do Pedro Paulo (PMDB), entendemos que a prefeitura vai estar numa situação financeira muito difícil no ano que vem, a gente tem que enxugar a máquina pública. A minha prefeitura será marcada pela austeridade fiscal. Eu vou perguntar para a população do Rio: “Se a gente tiver um real, você prefere investir na Parada Gay ou na compra de remédio para o hospital?” Este evento se mantém sozinho, ele não precisa de dinheiro público.

Quando a coisa é colocada dessa forma, fica claro que não é problema algum de “homofobia”, mas de bom senso na gestão da coisa pública, lembrando daquela premissa básica tão ignorada pela esquerda: recursos são escassos. Com tantas demandas prementes numa cidade “maravilhosa”, porém com muita pobreza e injustiças, fica claro que destinar recursos escassos do governo municipal para esses eventos é um desperdício, para dizer o mínimo.

Sobre “direitos humanos”, outra pauta forçada da esquerda, Flávio também se saiu muito bem, dizendo o óbvio: quem merece cuidados são as vítimas, não os marginais. Algo evidente para qualquer pessoa decente, mas espantoso para um esquerdista, que sempre toma o partido dos bandidos. Ele disse:

O foco dela será mudado dessa tradicional defesa de direitos humanos. No meu governo, nós vamos criar programas de atenção das pessoas vítimas dos criminosos. Soldado da PM que foi assassinado, a prefeitura vai dar assistência psicológica para aquela família, porque foi uma pessoa ordeira, morreu no exercício da sua função, vítima de um criminoso. A vida do crime é uma opção. Os defensores dos direitos humanos gostam de falar que eles não tiveram opção. Isso é uma falácia.

Ainda no que tange à segurança, Flávio Bolsonaro defendeu a tese da janela quebrada, da tolerância zero, usando a Guarda Municipal para combater os pequenos delitos, transmitir a sensação de punição ao crime, fundamental para reduzi-lo, para evitar a anomia:

O foco da Guarda Municipal hoje é arrecadação, combate ao camelô. Eu vou mudar isso. Ela vai fazer a segurança preventiva do cidadão. Eles vão ser treinados e qualificados para usar a arma de fogo na defesa do cidadão. Hoje, são 7.500 homens, e a legislação permite que a tropa chegue a 12.640. Vamos crescer este efetivo, obviamente dentro da realidade orçamentária que a gente vai aumentando. Há 1.200 que fizeram concurso público e já estão prontos, e eu me comprometi a chamá-los. A Guarda vai atuar no combate dos pequenos delitos, no que eu estou chamando de espaços urbanos seguros, os corredores comerciais, os pontos turísticos, locais de concentração de pessoas, como, por exemplo, a rodoviária e pontos de integração do BRT.

Por fim, sobre o projeto Escola Sem Partido, que busca combater a doutrinação nas escolas, Flávio foi enfático em sua defesa:

O senhor é um defensor da ideia de escola sem partido. Como a escola pública em sua gestão contará o que aconteceu no Brasil em 1964, quando os militares tomaram o poder de um presidente eleito?

Tem que contar de forma neutra. E mais: induzindo o aluno a pesquisar. O aluno vai para a internet, faz sua pesquisa, forma seu juízo de valor e vai apresentar para o professor, que não vai poder dar zero se o estudante achar que, naquela época, os militares impediram uma ditadura do proletariado no nosso país. É possível ter neutralidade. O que alguns professores fazem é formar militantes ao invés de estudantes. Não quero as escolas ocupadas com crianças sendo usadas como massa de manobra. Eu quero é que essas crianças ocupem o mercado de trabalho.

Aplausos! Flávio Bolsonaro tem se mostrado cada vez mais sensato e pronto para desesquerdizar nossa Prefeitura. Que ele dê um coro no socialista Marcelo Freixo e consiga disputar o segundo turno. Os cariocas de bem agradecem.

Rodrigo Constantino

Palocci ainda está solto

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A operação Greenfield, de acordo com a Época, "trouxe à tona a consultoria Upside, investigada por ter superestimado o valor do Estaleiro Rio Grande, da Engevix.

A Upside foi trazida à Eletrobrás por Adhemar Palocci, irmão de Antonio Palocci. Ela trambém trabalhou, sem licitação, em Angra 3 - outro vespeiro de corrupção que deu origem ao Eletrolão".

É inacreditável que Antonio Palocci e Adhemar Palocci ainda estejam soltos.

 

O Antagonista

ALEXANDRE GARCIA INSINUA QUE LEWANDOWSKI PRECISA REAPRENDER A INTERPRETAR TEXTOS

Publicado em 2 de set de 2016

ALEXANDRE GARCIA INSINUA QUE LEWANDOWSKI PRECISA REAPRENDER A INTERPRETAR TEXTOS.

 

Vídeos do Facebook - 7.9.2016

Ô Maceió você roubou meu coração ♪♫




Fonte: https://www.facebook.com/MaceioDeBoaOficial/videos/652843204882299/


Só Observando a Zuera
Viva a nostalgia da era rede manchete com




Fonte: https://www.facebook.com/humorengracadooficial/videos/1252630308150170/

TV Brasil e El País iniciam amanhã sabatinas com candidatos à prefeitura de SP

A partir de amanhã (8), a TV Brasil em parceria com o jornal El País iniciará sabatinas com os candidatos à prefeitura de São Paulo.

As entrevistas serão ao vivo, em edição especial do Repórter SP, telejornal local da TV Brasil, às 12h30 (de 8 a 16 de setembro) e ao meio-dia (de 19 a 22 de setembro), com transmissão peloPortal EBC  e pelo site do El País.

A primeira entrevista será com a candidata do PSOL, Luiza Erundina, amanhã (8). Em seguida, serão sabatinados João Bico (PSDC), no dia 9; Ricardo Young (Rede), no dia 13; João Dória (PSDB), no dia14; Major Olimpío (Solidariedade), no dia 15; Levy Fidelix (PRTB), no dia 16; Altino (PSTU), no dia 19; Fernando Haddad (PT), no dia 21; e Henrique Áreas (PCO), marcado para dia 23.

Todos os 11 candidatos foram convidados. Até o momento, não confirmaram presença os candidatos Celso Russomano (PRB) e Marta Suplicy (PMDB).

As sabatinas ocorrerão nos estúdios da emissora em São Paulo com mediação da jornalista Márcia Dutra, apresentadora do Repórter SP. Entre os entrevistadores estarão dois jornalistas doEl País e um jornalista da TV Brasil.

Pela TV Brasil, os entrevistadores escolhidos são Sarah Quines, Aline Scarso, Eduardo Goulart de Andrade, Nelson Lin e Florestan Fernandes Jr.

 

Agência Brasil

Calçadistas reagem a sapato chinês de Temer

Depois do episódio na China, fabricantes devem mandar exemplar nacional ao presidente

 

Rene Moreira, especial para O Estado,
O Estado de S.Paulo

 

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Foto: REPRODUCAO 

Pivô de reclamações dos calçadistas brasileiros, devido à concorrência considerada desleal, o sapato chinês foi parar nos pés de Michel Temer. Em visita à China, o presidente comprou um par do produto chinês e fez sucesso naquele país com fotos publicadas nas redes sociais, mas indignou os fabricantes brasileiros.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) pretende presentear o presidente com uma sapato nacional, sem lhe cobrar nada, “para que ele possa verificar a qualidade”, disse seu presidente Heitor Klein.

Michel Temer foi a um shopping chinês no sábado à tarde para comprar dois produtos que simbolizam a crise da indústria brasileira: sapatos e brinquedos. Em sua primeira viagem internacional, o peemedebista gastou o equivalente a R$ 389 em um par de calçados e R$ 195 em um cachorro eletrônico que fala chinês.

Na loja de sapatos Satchi, a vendedora se surpreendeu ao saber que havia atendido o presidente do Brasil e pediu para tirar uma foto ao lado dele. A marca é sediada em Guangdong, província do sul do país que foi o destino de várias fábricas de calçados que deixaram o Rio Grande do Sul nos 1990, em um dos principais exemplos de transferência de tecnologia e de empregos do Brasil para a China. Até então, o país asiático não tinha know-how de produção de sapatos de couro.

O site do jornal oficial chinês publicou uma foto do presidente brasileiro experimentando um par de sapatos de couro.

A visita de Temer ao território chinês tinha, entre os objetivos, o de justamente ampliar o mercado nacional e aumentar a visibilidade do produto “made in Brazil”. Por isso mesmo, a compra do sapato acabou não pegando bem.

Ainda assim, o presidente da Abicalçados tentou minimizar a situação. “Não há nenhum constrangimento, nenhuma sensação de tristeza nem mal-estar.”

 

Estadão Economia e Negócios

A ponta do iceberg

POR MÍRIAM LEITÃO

 

Há muitas formas de se desviar dinheiro de um fundo de pensão, por isso a lista dos suspeitos é grande. A operação Greenfield conseguiu mapear dez casos em que houve o mesmo padrão de irregularidade. Há outros casos sendo investigados. Esse pode ser o começo de um longo processo de limpeza dos fundos de pensão, que precisavam, há muito tempo, de um esforço para estancar a sangria.

A operação que cumpriu ontem ordens de prisão, condução coercitiva, busca e apreensão contra 40 alvos começou a ser montada há dois anos diante de denúncias recebidas. No começo, eram genéricas. Depois, chegaram denúncias mais concretas, feitas por participantes dos fundos, que explicavam a complexidade de certas operações.

Na CPI dos Fundos de Pensão, houve um grande avanço porque conseguiu-se montar um grupo de profissionais de várias áreas — Previc, Polícia Federal, CVM, Banco Central, TCU — que passou a assessorar as investigações. A PF agora está trabalhando num grupo multi-institucional, como foi na CPI. Um padrão de desvio foi identificado nos Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), criados para um específico investimento. Eles é que estão nos casos investigados na operação de ontem.

O deputado Efraim Moraes Filho (DEM-PB), que foi presidente da CPI, considera que esses escândalos têm uma face ainda mais cruel, porque criam rombos que depois são cobertos pelos trabalhadores e, pior, pelos aposentados.

— A Postalis já está descontando 17% dos aposentados; a Funcef já desconta 4%; e a Petros começará no ano que vem a descontar para cobrir o rombo — disse o deputado.

A regra é que os fundos de pensão não podem deter mais do que 25% desses FIPs, mas o truque das empresas era superavaliar os ativos que aportavam nos FIPs, de tal forma que o fundo de pensão aplicava mais do que deveria, corria mais risco do que podia, e o tempo de retorno do investimento passava a ser muito maior. Ou seja, os 25% valiam mais do que o percentual indicava, porque os 75% eram de ativos cujo valor era exagerado. Em vários casos, essas operações foram feitas com uma rapidez que desrespeitava as regras dos fundos.

Os FIPs são uma forma de desviar dinheiro de fundos de pensão. Há várias outras. Como se justifica a compra de títulos da dívida da Argentina, no meio do calote, e da dívida da Venezuela, pela Postalis?

Nos últimos anos, o governo se comportou como se os fundos de pensão fossem departamentos das estatais. Eles foram convocados para aportar dinheiro em cada projeto duvidoso que aparecia — como a Sete Brasil —, sustentavam projetos de empresas amigas, eram usados como cabides de emprego para indicados políticos. Por isso não é de se estranhar que sejam alvos alguns velhos conhecidos, como Leo Pinheiro e João Vaccari Neto.

— A Sete Brasil tinha um mês de vida, era apenas uma ideia, e recebeu aportes de R$ 3,3 bilhões de três fundos: Funcef e Petros deram R$ 1,5 bi cada um, e a Previ deu outros R$ 300 milhões. Não eram investimentos do interesse dos aposentados, mas sim uma agenda do PT. Em Belo Monte, foi a mesma coisa — diz o deputado Efraim Moraes Filho.

O caso do J&F tem a ver com o FIP Floresta, que iniciou os investimentos da celulose Eldorado, depois beneficiada com dinheiro do FI-FGTS, em caso denunciado pelo ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, afilhado do deputado Eduardo Cunha. No caso do FIP Enseada, encontra-se Eugênio Staub, que já quebrou a Gradiente, e tentava por em pé outra empresa com a ajuda dos fundos. A Engevix também está presente nesse escândalo através do FIP Cevix, que recebeu R$ 237 milhões da Funcef.

— Isso é só a ponta do iceberg, só o começo, porque os valores dos fundos são gigantescos. Eles pegavam um papel sem valor, levavam ao fundo e, com tráfico de influência, conseguiam aprovar. Uma agência de classificação pequena dava um bom rating, e aí tirava-se dinheiro do fundo de pensão — disse o deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), relator da CPI dos Fundos de Pensão.

O rombo que terá que ser coberto é de R$ 50 bilhões, e os desvios são de R$ 8 bilhões. Pelo que a CPI levantou, e pelo que a PF já está investigando, este é apenas o começo de uma limpeza que pode ser histórica.

(Com Alvaro Gribel, de São Paulo)

 

Blog da Miriam Leitão

 

Renato Dornelles: "São os presos que mandam no presídio. E a sociedade paga caro por isso".

Episódio em que uma facção criminosa não permitiu a retirada de um réu para ser levado ao Tribunal do Júri é o maior exemplo do descontrole.

Por: Renato Dornelles

 

Renato Dornelles: "São os presos que mandam no presídio. E a sociedade paga caro por isso".  Daniel Marenco/Agencia RBS

Domínio das galerias pertence aos líderes de facçõesFoto: Daniel Marenco / Agencia RBS

Se havia alguma dúvida, esta não existe mais: as grandes galerias do Presídio Central, que concentram centenas de presos (em pelo menos uma delas há cerca de 500), são totalmente controladas pelas facções criminosas. 

Até aqui, havíamos assistido a várias demonstrações de força, mas nenhuma delas como a desta terça-feira, quando os autointitulados "Bala na Cara"bateram de frente com o Judiciário, ao não permitir a saída de um preso provisório para uma sessão no Tribunal do Júri.

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E situações como essa tendem a se repetir e se agravar enquanto o Estado, com o aval de boa parte da sociedade, mantiver como única preocupação em relação ao sistema penitenciário a segregação dos presos, como se o simples afastamento dos criminosos desse garantias de segurança à sociedade livre.

Sobre isso, pergunto: existem muros e grades suficientemente altos a ponto de isolar por completo os presidiários? Não! 

O próprio funcionamento do Presídio Central comprova isso. A começar pela distribuição dos presos. Não é o Estado que define em qual galeria cada um deles vai ficar. Para evitar que sejam misturados com grupos rivais, o que os colocaria em risco, eles são distribuídos conforme a facção à qual pertencem. 

Tem galerias com até 500 presosFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Ou seja: se tiver ligação com os "Bala na Cara", será colocado na terceira ou na segunda galerias do pavilhão F, dominada por esse grupo. Se for dos "Manos", irá para a segunda ou terceira do pavilhão B, e assim sucessivamente. E isso, com a anuência da direção do presídio, do Ministério Público e do próprio Judiciário. 

Em outras palavras, as galerias do presídio são forma de organização das facções criminosas. Cada galeria tem um plantão (ou prefeito, na linguagem dos presos), que faz os contatos com a guarda, a direção do presídio, a Susepe e a Justiça. 

Em nome da galeria, ele faz as reivindicações, encaminhamentos para assistência médica, transferências, entre outros. Já houve várias denúncias de cobranças, por parte dessas prefeituras, de pedágios para que as demandas fossem encaminhadas. 

Um exemplo ocorreu há uns três anos, com a cobrança de taxa para que presos tivessem acesso à Defensoria Pública. Isso comprova que quem controla a galeria é o plantão, ou prefeito, na figura do líder da facção ou de alguém nomeado por ele. Para este, quando mais lotada a galeria, melhor, pois maior será a arrecadação.

O descontrole pelo Estado no interior das galerias, eventuais ocorrências de corrupção, falhas na segurança (seja na entrada de visitantes, seja junto aos muros do presídio), permitem que armamento seja utilizado pelos líderes para a manutenção do controle, e que o tráfico de drogas seja atividade corriqueira na prisão.

É importante salientar também que o Estado não fornece roupas, material de higiene e de limpeza aos apenados. Esses itens, somados a gêneros alimentícios (uma vez que a alimentação fornecida pela casa é considerada precária), são supridos pelas facções, que cobram por isso. 

O pagamento, pelos presos, é feito através de dinheiro levado por familiares em dias de visitas. Caso isso não ocorra, fica uma dívida, que é cobrada após a progressão de regime ou libertação do preso. A quitação da dívida, então, é feita através de crimes, como homicídios encomendados, roubos de veículos, assaltos a banco, a residências, entre outros.

É importante frisar, também, que as facções que atuam nos presídios têm correspondência com os mesmos grupos com atuação do lado de fora, em determinadas regiões da cidade. Apesar disso, a guerra não se desenvolve na prisão, onde os líderes das facções, numa espécie de pacto, convivem pacificamente. 

A ordem é "bronca da rua deve ser resolvida na rua". Com isso, todo e qualquer homicídio pensado no interior do presídio deve ser consumado do lado de fora. Isso explica, em parte, o alto índice de assassinatos na Região Metropolitana.

No episódio desta terça-feira, a reivindicação, aparentemente, foi justa: abertura de vagas para presos que estavam nos chamados bretes, sem hora do pátio, sem receber visitas. Além disso, a prática, na atualidade, é o protesto sem violência (como as queima de colchões, quebradeiras e agressões que ocorriam antigamente). Contudo, a não liberação de um preso para o julgamento foi um grave desafio à ordem institucional.  

Em suma, em grandes presídios superlotados, como o Central, as facções se fortalecem, arrecadam e comandam crimes praticados do lado de fora. De outra parte, o Estado mantém sua meta de apenas segregar os presos (não investindo na ressocialização, por exemplo), exigindo apenas que eles não matem, não fujam e não realizem rebeliões, mantendo um falso aspecto de calmaria e controle do sistema. 

Enquanto isso, a sociedade livre paga um alto preço.

 

Zero Hora