Manter ganhos sociais depende de retomada do crescimento, dizem economistas

A inflação alta e o aumento do desemprego podem trazer de volta para a pobreza milhões de brasileiros que acumularam ganhos sociais nos últimos anos. Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a retomada do crescimento pode reverter o quadro, mas tudo dependerá de quando a economia se recuperará da pior recessão em 25 anos.
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram os efeitos da crise. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua), o desemprego saltou para 9% em dezembro de 2015 depois de atingir o mínimo histórico de 6,5% em dezembro de 2014.
A inflação pesa mais para os pobres. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de até cinco salários mínimos, chegou a 11,08% nos aumulado dos últimos 12 meses até fevereiro. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) soma 10,36%.
As estatísticas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre o número de indivíduos em situação de pobreza e de extrema pobreza em 2015 só serão divulgadas no fim deste ano ou no início de 2017. Em 2014, o total de brasileiros nas duas situações tinha atingido o menor nível da história, com 25,9 milhões de pessoas em situação de pobreza e 8,2 milhões em extrema pobreza.
Em relação a 2013, os dois patamares tinham caído: 9,79% para os indivíduos pobres e 21,64% para os extremamente pobres. Por meio da assessoria de imprensa, o Ipea explicou que os dados do instituto se baseiam na PNAD realizada em setembro de 2014, quando ainda havia melhora nos indicadores, e que os dados de 2015 trarão outra perspectiva.
Ameaças
Diante desse quadro, economistas dizem que os ganhos sociais conquistados nos últimos anos estão ameaçados. O professor de pós-graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) Antônio Porto Gonçalves diz que tudo depende do desenrolar da crise econômica. “Pode ser que a crise demore ou não, mas as conquistas sociais estão há algum tempo ameaçadas. Não apenas quem é muito pobre. O país está perdendo 150 mil empregos por mês, o investimento está inibido, existe uma incerteza louca.”
O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, diz que, com o fim de repasses de preços a tarifas, a inflação em 2016 cairá, o que reduzirá a perda de poder aquisitivo. No entanto, a população corre o risco de continuar empobrecendo por causa do aumento do desemprego, que pode atingir 12%. “O problema maior dos índices de pobreza vem do mercado de trabalho, com o aumento do número de famílias com chefes desempregados e a queda do rendimento médio. Retomar o crescimento é a senha e manter políticas sociais”, explica.
Segundo Gonçalves, da FGV, o Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, ajuda a amenizar os efeitos da crise, mas apenas para as famílias em situação de extrema pobreza. Para o economista, o grande fator que ajudou a elevar o rendimento médio do trabalhador nos últimos anos foi a política de valorização do salário mínimo, mas isso poderá mudar com o aumento da informalidade.
“A legislação continua a garantir a reposição da inflação [pelo INPC] para o salário mínimo, mas só quem está dentro do sistema formal é beneficiado. A ascensão de quem está na informalidade é prejudicada. Quando o país estava crescendo, isso nem chegava a ser um problema, mas, agora que a informalidade está aumentando, a política de valorização do mínimo perde parte do poder”, avalia Gonçalves.
Para o presidente do Cofecon, a política de reajuste do salário mínimo não pode ser paralisada. Ele diz que a chave para que as conquistas sociais não sejam perdidas está na retomada do crescimento. “A questão é o país voltar a crescer e a gerar emprego. Aquecendo a economia, melhoram o poder de barganha dos trabalhadores e o rendimento médio. Retomar o crescimento é a senha para manter as políticas sociais.”

Queda de avião mata ex-presidente da Vale e mais seis pessoas em São Paulo

O ex-presidente da Vale, Roger Agnelli, estava entre as vítimas do monomotor que caiu na tarde de hoje (19) em São Paulo. Agnelli presidiu a empresa durante dez anos, de 2001 a 2011. A mulher do executivo também morreu no acidente.
O avião de pequeno porte caiu às 15h23 sobre uma casa na Rua Rua Frei Machado, 110, no Bairro da Casa Verde, zona Norte da capital paulista, após decolar do aeroporto Campo de Marte. Os seis passageiros e o piloto morreram. Uma pessoa que estava na casa foi levada para o pronto-socorro da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo.
A aeronave de prefixo PR-ZRA estava registrada em nome de Agnelli.
O executivo era formado em Economia pela Fundação Armando Álvares Penteado e desenvolveu sua carreira profissional no Grupo Bradesco, onde trabalhou de 1981 a 2001, antes de presidir a Vale.
Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), as operações no Aeroporto Campo de Marte ainda estão suspensas. De acordo com dados da Agência Nacional de Aviação (Anac), o avião é um turbo-hélice, com capacidade para sete passageiros, registrado em nome de Roger Agnelli.

Homo Sapiens

Foi o botânico sueco Lineu (Carolus Linnaeus), que viveu entre 1707 e 1778, o primeiro a utilizar a expressão homo sapiens para a espécie humana. Também foi de Lineu a ideia de usar Marte e Vênus como símbolos masculino e feminino. 

Estudantes mostram em Brasília soluções criativas para reciclagem do lixo


Brasília - Mais de 700 estudantes de todo o Brasil participam do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), organizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) no Distrito Federal (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Mais de 700 estudantes de todo o Brasil participam do Torneio de Robótica Antonio Cruz/ Agência Brasil
Imagine poder recarregar uma pilha alcalina comum 20 vezes. Ou quem sabe ter nas embalagens dos produtos um selo que identifique em qual cor de lata de lixo reciclável aquele material deve ser descartado. Já pensou em depositar latinhas ou caixinhas de suco em um coletor e ganhar pontos que podem ser trocados por ingressos no cinema ou por sanduíches em lanchonetes? As soluções estão sendo apresentadas até este domingo (20), em Taguatinga, cidade a 20km de Brasília, no Torneio de Robótica First Lego League, promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).
Brasília - Mais de 700 estudantes de todo o Brasil participam do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), organizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) no Distrito Federal (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Equipe de São Caetano do Sul desenvolveram equipamentos para recarregar pilhasAntonio Cruz/ Agência Brasil
Pilhas
A preocupação com o dado da Associação Brasileira de Indústria Eletro Eletrônica (Abinee), de que anualmente são utilizadas no Brasil cerca de 800 milhões de pilhas, e que só 1% delas são recicladas, fez com que a equipe Thunderstruck, de São Caetano do Sul (SP), desenvolvesse dois equipamentos capazes de recarregar pilhas. Os inventores dizem que o tempo de carregamento é de cerca de 1h30 minutos. O tutorial para a construção dos carregadores está disponível na internet para qualquer um que queira desenvolvê-lo em casa. O custo de produção da versão mais tecnológica é de R$ 70. Já a mais simples, porém mais difícil de montar, custa cerca de R$ 7.
Selo
A ideia de colocar nas embalagens de produtos de supermercados selos com cores da respectiva lata de lixo reciclável onde o material deve ser descartado veio da equipe Canaã Robots, da Escola Sesi Canaã, de Goiânia (GO). A equipe percebeu que as pessoas tinham dúvidas na hora de descartar corretamente as embalagens. O mesmo selo também traz um QR Code, que, quando lido, por meio de um aplicativo de celular desenvolvido pela equipe, traz informações sobre aquele produto.
“Nossa intenção é que esse selo passe a ser obrigatório nas embalagens por força de uma lei. A partir da nossa ideia, convencemos a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás a apresentar uma proposta com essa finalidade, e ela está tramitando”, disse, orgulhosa, à Agência Brasil, a aluna Giovana Correia, de 14 anos.
Brasília - Mais de 700 estudantes de todo o Brasil participam do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), organizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) no Distrito Federal (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Equipe de Goiânia sugere colocar selos nos produtos de supermercados com cores da respectiva lata de descarteAntonio Cruz/ Agência Brasil
Caixinhas e Latinhas
Da equipe Teslavince, de Manaus (AM), veio uma solução para incentivar a reciclagem de materiais. O grupo criou um coletor e um aplicativo que pontua o descarte de produtos. Originalmente criado para receber latinhas, o coletor já foi adaptado para o torneio, em Brasília, para receber caixinhas, já que sucos nesse tipo de embalagem fazem parte dos kits de lanche que são distribuídos pelos organizadores aos participantes. “Nossa ideia é adaptar o coletor para receber lixo eletrônico também”, ressaltou o grupo. Nesse caso a troca de material por pontos ainda não está sendo realizada na prática, mas já existem empresas interessadas na ideia.
Orgulho
Um dos grandes entusiastas do torneio é Armando Clemente ou “Tiuzão”, como gosta de ser chamado e é conhecido entre os competidores. Voluntário, gerente de uma empresa multinacional parceira do torneio, ele é juiz geral do evento. “Aqui os participantes aprendem que além de utilizar eles também podem produzir tecnologias. Nosso país tem muito potencial para tecnologia, precisamos inspirar e incentivar a galera”, destacou.
“ Estou no torneio desde 2004 e hoje me orgulho de ver que a gente tem vetores como Lucas Trambaiolli, da Universidade Federal do ABC, que trabalha com Neurociência e começou, em 2003 ,pequenininho e Vinuicius Milani, que está na General Motors, tralhando nos projetos das linhas montagem dos carros”, lembrou Tiuzão.
Brasília - Mais de 700 estudantes de todo o Brasil participam do Torneio de Robótica First Lego League (FLL), organizado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) no Distrito Federal (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Da equipe Teslavince, de Manaus (AM), veio a criação de coletor e aplicativo que pontua o descarte de produtos Antonio Cruz/ Agência Brasil
A última fase da competição, que é nacional tem 77 equipes finalistas, com aproximadamente 750 estudantes. A disputa neste sábado (19) e domingo (20), das 8h às 18h, na unidade do Sesi Taguatinga, no Distrito Federal, e é aberta ao público.
Do torneio sairão 15 projetos vencedores vão participar de torneios internacionais na Austrália, Espanha e Filipinas.












No Rio, crianças participam da Horinha do Planeta no Parque Lage


Horinha do Planeta faz trabalho para conscientizar crianças
O urso panda panda é o animal símbolo da organização ambientalista WWF, organizadora do evento mundialAkemi Nitahara/agência Brasil
Pela primeira vez, um evento associado à Hora do Planeta envolve as crianças na conscientização sobre o aquecimento global e a sustentabilidade. A primeira Horinha do Planeta ocorreu na manhã de hoje (19), no Parque Lage, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro.
As crianças participaram de conversas sobre o tema, fizeram desenhos, tiveram o rosto pintado de panda – animal símbolo da organização ambientalista WWF, organizadora do evento mundial - e fizeram a Caminhada do Panda pelas trilhas do parque, acompanhadas de um animador fantasiado do bicho.
O superintendente do WWF Brasil, Henrique Lian, disse que é primeira vez no mundo que a instituição promove um evento voltado para as crianças dentro das atividades da Hora do Planeta, que ocorre há 10 anos internacionalmente e há 8 anos com adesão do Brasil. Também é a primeira vez que uma ação presencial é feita no Rio de Janeiro.
Hora do Planeta pedirá menos energia produzida com carvão, gás e diesel
Hora do Planeta pedirá menos energia produzida com carvão, gás e dieselAkemi Nitahara
“O evento foi pensado como conscientização para as mudanças climáticas. Essa estratégia de pedir para as pessoas que apaguem a luz de 20h30 a 21h30, é porque, no mundo, mudança climática está muito associada à geração de energia elétrica, que não é o nosso caso no Brasil. Então, a gente desliga a luz também, mas nós precisamos de outras ações de conscientização, como essa que é a primeira Horinha do Planeta do mundo, ou seja, uma ação de conscientização de mudanças climáticas para crianças."
O diretor-presidente da companhia de navegação Norsul – parceria do WWF no evento – Ângelo Barontine, ressaltou que a empresa participa do Clube Corporativo do WWF há 20 anos e tem a sustentabilidade como uma preocupação constante e redobrada, por todas as atividades serem feitas no mar. “Quando ele se aproximou com essa ideia aderimos de imediato. A gente é muito exigente conosco, temos essa preocupação. Ali dentro tem muito desenho que eles fizeram, uma mãe falou que a criança começa desenhando casa e o segundo desenho é de barco, então a gente acha que fechou com a nossa atividade, além da preocupação natural que todos nós temos que ter para os nossos descendentes, se não cuidar do mundo vai vir a sujeira, poluição e falta de energia."
Moradora de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a professora Luciana Lima foi ao Parque Lage pela primeira vez, com um grupo de sua cidade. Sem saber do evento específico, resolveu levar a filha para participar das atividades. “Eu também oriento ela quanto à sustentabilidade, eu não jogo óleo na pia, eu junto para trocar por detergente, falo para ela não deixar a bica aberta, economizar água."
A filha de Luciana, Larisse, 4 anos, tirou foto com o panda e disse que gostou da movimentação. Moradora de Realengo, na zona oeste, Ana Clara Lima, de 8 anos, também estava pela primeira vez no Parque Lage. “Achou muito bom, participei de uma parte das atividades e aprendi que tem que cuidar do meio ambiente. Andamos por várias trilhas no parque, no meio da floresta”.
A irmã de Ana Clara, Gabriele Lima, estudante de 20 anos, contou que soube do evento pelo Facebook e resolveu participar do apagar das luzes de noite. “Achei legal, porque faz as crianças criarem uma consciência do porquê de cuidar do meio ambiente, para que futuramente a gente consega ter um ambiente minimamente habitável. A caminhada foi legal, apesar da gente ter se perdido. Já conhecia a iniciativa da Hora do Planeta, e pretendo participar hoje pela primeira vez."
Segundo o superintendente da WWF Brasil, Henrique Lian, este ano 25 capitais brasileiras se engajaram e vão apagar seus monumentos, além de 180 cidades organizando atividades. “A conscientização cresceu e ganhou importância, antes eram os secretários ou auxiliares que assinavam o termo da Hora do Planeta, agora cada prefeito assina e posta."
No Rio de Janeiro, estão previstas a adesão do Museu do Amanhã, Bondinho do Pão de Açúcar e Cristo Redentor, além do setor privado, com hotéis e restaurantes, promovendo ações de conscientização com os clientes e jantares a luz de vela. Este ano está sendo proposto o movimento nas redes sociais, com o lema Faça por você, faça pelo planeta. “Faça uma foto de uma coisa que você vez nessa hora sem luz e poste com as hashtags #horadoplaneta e #tamojunto, vai ter muitas coisas legais”, convida Lian.

Rogério Rosso deixa liderança do PSD para se dedicar ao impeachment

Eleito presidente da comissão especial do impeachment na última semana, o deputado federal Rogério Rosso (PSD-DF), anunciou hoje (19) que vai se afastar temporariamente do cargo de líder do partido na Câmara. Em nota, Rosso informou que a função será exercida pelo primeiro vice-líder do PSD, Paulo Magalhães (BA), até a conclusão dos trabalhos da comissão.
Rosso, que tem declarado ter um posicionamento de isenção sobre o processo deimpeachment, explicou que a decisão foi tomada “a fim de preservar sua imparcialidade e foco absoluto nos trabalhos da comissão".
O parlamentar tem declarado que pretende marcar reuniões do colegiado especial em todos os dias das próximas semanas, incluindo segundas e sextas que, geralmente, não têm atividades legislativas. A intenção dele é acelerar os trabalhos e tentar concluir um relatório em 30 dias para que o documento possa ser analisado em plenário.
Rogério Rosso conta com o apoio do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem é aliado. Cunha anunciou e está imprimindo ritmo forte ao processo. Para ele, “quanto mais rápido, melhor para todos”. Na última sexta-feira, Cunha, inclusive, abriu uma sessão plenária na Casa – atípica em sextas-feiras – dando início ao prazo de 10 sessões para que Dilma apresente sua defesa. A estratégia é reforçada pelos partidos de oposição que firmaram uma espécie de aliança para garantir quórum em todas estas reuniões.
Neste final de semana, Rosso estará concluindo detalhes sobre o cronograma de atividades da comissão para que os 65 titulares do colegiado aprovem já na primeira reunião, marcada para 17h da próxima segunda-feira (21). No mesmo embalo, o relator do processo, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), aproveita o final de semana debruçado sobre as peças do caso.
Assessores de Arantes, também aliado de Cunha, garantem que o parlamentar não têm um posicionamento definido e explicaram que os trabalhos estão começando, e que o relator acabou de receber os documentos relativos ao processo. Arantes disse que não fará declarações até o final da reunião do dia 21.

Hormônio do crescimento X envelhecimento

É sabido que há decréscimo da produção de certos hormônios com a idade. A produção do hormônio do crescimento (HGH) decai progressivamente após os 30 anos em torno de 14% em cada década.
Após os 60 anos, essa taxa chega a ser um terço menor do que a dos indivíduos jovens. O HGH tem atividade importante durante toda a vida, e sua reposição nos casos de deficiência comprovada e muito importante.
Com a indicação precisa e manuseio pelo endocrinologista especializado, estudos recentes mostram que a terapia com HGH em doses adequadas traz diminuição da massa gordurosa e melhora dos níveis de colesterol total, da textura da pele e da musculatura, promovendo bem-estar físico e psicológico.

(26/11/2001)

ONU alerta Brasil sobre retrocessos na proteção dos direitos indígenas


Lançamento nacional da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Para a relatora da ONU, a situação tende a se agravar caso não sejam tomadas medidas decisivas por parte do governo para revertê-lasArquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre direitos dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, afirmou que o Brasil teve “retrocessos extremamente preocupantes na proteção dos direitos dos povos indígenas” nos últimos oito anos. “Uma tendência que continuará a se agravar caso não sejam tomadas medidas decisivas por parte do governo para revertê-la”, informou Victoria no relato que fez ao fim de sua missão ao Brasil.
Entre as recomendações preliminares estão a proteção de lideranças indígenas e investigações sobre todos os assassinatos de indígenas, esforços para superar impasses e concluir as demarcações de terras, revisão dos cortes no Orçamento e fortalecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai), além da garantia do direito dos indígenas de serem consultados previamente em relação a políticas, legislação e projetos que tenham impacto sobre seus direitos.
Victoria encerrou na quinta-feira (17) uma visita de dez dias ao Brasil, quando conversou, entre outras autoridades, com representantes de governos e de mais de 50 povos indígenas no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Bahia e Pará.
O objetivo foi identificar os principais problemas enfrentados pelos povos indígenas no país e acompanhar o cumprimento das recomendações feitas em 2008, em missão semelhante de seu predecessor James Anaya. O relatório da visita será apresentado em setembro deste ano ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
“Em termos gerais, minha primeira impressão após essa visita é de que o Brasil tem uma série de disposições constitucionais exemplares em relação aos direitos dos povos indígenas”, acrescentou. Entretanto, segundo ela, os riscos enfrentados pelos povos indígenas “estão mais presentes do que nunca” desde a adoção da Constituição de 1988.

Brasília - Índios kayapós protestam em frente a entrada principal da Câmara dos Deputados, contra a aprovação da PEC 215, que muda regras para demarcação de terras indígenas (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Protesto de índios kayapós contra a aprovação da PEC 215, que muda regras para demarcação de terras indígenas Arquivo/Antonio Cruz/Agência Brasil
Desafios
Para a relatora da ONU, entre os desafios enfrentados pelos indígenas está a proposta de emenda à Constituição (PEC) 215, que transfere ao Congresso Nacional a decisão final sobre a demarcação de terras, e outras legislações que “solapam os direitos dos povos indígenas a terras, territórios e recursos”.
Ela ainda criticou a interrupção dos processos de demarcação, incluindo 20 terras indígenas pendentes de homologação pela Presidência da República, a incapacidade de proteger as terras indígenas contra atividades ilegais, os despejos em curso e os efeitos negativos dos megaprojetos de infraestrutura em territórios indígenas ou perto deles, como a Hidrelétrica de Belo Monte.
Outros pontos citados foram a violência, assassinatos, ameaças e intimidações contra os povos indígenas perpetuados pela impunidade e a prestação inadequada de cuidados à saúde, educação e serviços sociais, “tal como assinalam os indicadores relacionados ao suicídio de jovens, casos de adoção ilegal de crianças indígenas, mortalidade infantil e alcoolismo”.
A relatora ressaltou sua preocupação com a apresentação distorcida da mídia que retrata os povos indígenas como detentores de grandes extensões de terra em comparação com suas populações, “quando, na verdade, é o setor do agronegócio que detém um percentual desproporcional do território brasileiro”.
Iniciativas
“Mesmo onde os povos indígenas têm terras demarcadas na Região Amazônica. Ees não desfrutam do efetivo controle sobre seus recursos devido às crescentes invasões e atividades ilegais, tais como mineração e extração de madeira”, afirmou.
Em seu balanço inicial, Victoria elogiou algumas medidas e iniciativas do governo brasileiro, como o papel construtivo e proativo da Funai e do Ministério Público Federal, “apesar de terem de atuar em circunstâncias difíceis”, a oposição do governo à PEC 215 e os esforços no sentido de implementar serviços diferenciados para os povos indígenas em saúde, educação e assistência social.
A relatora também destacou a atuação das organizações da sociedade civil e a proatividade dos povos indígenas para efetivação de seus direitos, como a autoproteção e autodemarcação de terras e o estabelecimento de alianças com comunidades quilombolas e ribeirinhas.
A declaração completa da relatora está disponível na página da ONU Brasil na internet.

Presidência diz que declarações de Delcídio são “estratégia de vingança"

A Presidência da República divulgou hoje (19) nota afirmando que o senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) segue “sua estratégia de vingança contra todos os que não agiram para evitar que fosse mantido preso pela revelação de que tentava obstruir investigações que poderiam prejudicá-lo”. A nota foi uma reação à entrevista do ex-líder do governo no Senado à revista Veja, publicada na edição deste fim de semana.
Segundo a revista, Delcídio disse que “tanto Lula quanto Dilma tinham pleno conhecimento da corrupção na Petrobras e, juntos, tramaram para sabotar as investigações [da Operação Lava Jato], inclusive vazando informações sigilosas para os investigados”.
Para a Presidência, o senador repete as “inverdades e absurdos declarados na sua delação premiada” e “volta a fazer ataques mentirosos e sem qualquer base de realidade contra o governo da presidenta Dilma Rousseff”. “Inventa estórias mirabolantes, busca vitimizar-se e atribui a outros condutas ilícitas e imorais de sua exclusiva autoria”, diz a nota.
Judiciário
Dilma determinou que sejam tomadas todas as medidas judiciais cabíveis contra Delcídio, “por todas as suas declarações caluniosas e difamatórias”.
Na mesma nota, o governo reafirma que nunca interferiu nas decisões do Judiciário e nas investigações da Operação Lava Jato, nem criou obstáculos a seu desenvolvimento.
“As afirmações do sr. Delcídio do Amaral pretendem lançar uma suspeita indevida sobre nossas cortes de Justiça - STF e STJ -, que merece pronto e vigoroso repúdio. Aliás, o próprio senador, no áudio que ensejou sua prisão, já tinha mentido sobre conversas que teria mantido com ministros da nossa Suprema Corte, como mais tarde ele próprio depois veio a reconhecer. Mente outra vez, como parece ser a sua prática reiterada”, conlui a nota.

Especialistas temem pelo crescimento da intolerância em manifestações


Rio de Janeiro - Movimentos sociais fazem ato na Praça XV, centro da capital fluminense, contra processo de impeachment (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Movimentos sociais participaram de atos contra processo de impeachment em todos os estados brasileirosArquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil
Além da incerteza sobre o futuro cenário político do país, o acirramento das manifestações nas ruas têm elevado o nível de apreensão de especialistas que acompanham manifestações políticas e populares. Presidente do Instituto de Pesquisa Social DataPopular, criado em 2001, o pesquisador Renato Meirelles alertou que todo movimento fascista registrado no mundo foi iniciado com o aumento da intolerância.

“A intolerância está crescendo em uma velocidade muito maior do que qualquer democrata pode querer. Quando você fala e não ouve, quando agride, começamos a nos questionar se é possível sair deste momento politico que estamos. Não dá para agredir alguém pela cor da camisa, pela cor da bicicleta que usa”, afirmou.
De acordo com Meirelles, o ambiente hostil pode se intensificar ainda mais se não houver um “freio de bom senso”. “É preciso ter claro quais regras do jogo, ter claro quais os ambientes do debate politico, ter claro que só é possível sair dessa crise através do saudável debate democrático onde se respeite a voz das ruas e se respeite a voz das urnas”, disse.
Sérgio Moro

Ao fazer uma analogia com um campeonato, o pesquisador destacou que, dos dois lados manifestado nas ruas, é unânime que a única ligação entre direita e esquerda são as reivindicações pelo combate à corrupção. Meirelles lembrou, no entanto, que, para que a população acredite no jogo democrático, é preciso a “certeza da isenção do juiz.”
Na opinião de Meirelles, parte da população começou a questionar se a Operação Lava Jato está sendo conduzida de forma isenta. “Todo mundo só acredita numa boa final de campeonato quando o juiz é isento. Sob nenhum aspecto se pode imaginar que o juiz Moro não saberia das consequências politicas [do vazamento do grampo]. Não estou dizendo se é bom ou ruim, mas ele corre o risco de colocar em xeque todos os avanços da Lava Jato”, afirmou.

Doutor em ciências politicas e professor da PUC-MG, Malco Camargos compartilha da mesma preocupação. “Não tenho nenhuma dúvida de que os excessos dele [juiz Sergio Moro] nos últimos dias podem colocar por terra todo o ganho de capital que ele conseguiu ao longo dos anos com a Lava Jato.” Segundo Camargos, as últimas medidas adotadas por Moro foram parcialmente responsáveis por reforçar o movimento a favor do governo da presidente Dilma.
Manifestação contra Dilma e Lula na Avenida Paulista
Manifestação contra o governo da presidenta Dilma e contra o ex-presidente Lula na Avenida PaulistaArquivo/Daniel Mello/Repórter da Agência Brasil
Democracia

“Esses fatos têm gerado um acirramento da disputa que talvez não aconteceria se não fossem os excessos. São excessos sempre relacionados ao ex-presidente, que é colocado como chefe de quadrilha. Mas um chefe de quadrilha com tão poucas posses? Supostas evidências de sítio e de apartamento não ocupado são tão frágeis que fica difícil entender”, questionou.
Camargos acrescentou que há uma ameaça real à democracia, mas atribui isso a “deteriorização de todos os partidos e todos os políticos de nosso ordenamento como todo”. O professor disse não acreditar que esta seja a motivação de parte da população nas ruas. “Quando dizem que estão nas ruas em defesa desse ordenamento e não em defesa de Lula ou de Dilma, acho que é mais um constrangimento em defender o governo neste momento, uma vez que, mesmo aqueles que votaram na presidenta, não estão satisfeitos com o governo dela”, destacou Camargos.

Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, cientista político e professor da Uerj, pensa de outra forma. Para Monteiro, há um movimento dos dois lados políticos de instigar temores que podem impactar o perfil dos manifestantes. “Vimos grupos que não apoiam a presidenta Dilma e foram para a rua um pouco pelo medo do [abre aspas] “fascismo” [fecha aspas]. Se de um lado, a direita instiga o medo do comunismo, de outro a esquerda trata do fascismo”, disse.
Monteiro citou como exemplo boatos que correram pela internet alertando sobre uma possível movimentação do Exército brasileiro. “Depois viram que era apenas exercício para as Olimpíadas. Chegamos a este nível de pânico e incerteza”, alertou.
Legalidade
"Temos hoje uma situação em que a esquerda brasileira se tornou refém da legalidade. A esquerda perdeu a rua para as manifestações de classe média, que tem um certo conteúdo de direita extrema”, avaliou ao citar faixas que pediam o fim do comunismo durante manifestações no Rio de Janeiro.
“É um fantasma que a direita utiliza para mobilizar seu grupo e isso acabou empurrando a esquerda para a legalidade. A defesa da legalidade, das instituições e do Estado Democrático de Direito passou a ser uma necessidade de esquerda pela própria polarização politica", acrescentou Monteiro.
Segundo ele, a inversão política ocorreu quando os setores de esquerda alinhados com o governo passaram a defender a legalidade. “A esquerda, na oposição, esteve à frente de campanhas que exigiam o fora FHC e que apostavam mais no aspecto substantivo da democracia do que nos aspectos formais, por exemplo com ocupações de fazendas pelo MST”, concluiu o cientista político.