PM retira estudantes que invadiram reitoria da USP; alunos relatam uso de gás e cassetetes

 Área segue sob ocupação policial na manhã deste domingo e estudantes detidos já foram liberados



A Polícia Militar retirou neste domingo, 10, os estudantes da Universidade de São Paulo (USP) que ocupavam o prédio da reitoria desde que o invadiram no último dia 7, em uma greve iniciada ainda em abril. De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), quatro universitários foram detidos.


Segundo registros dos estudantes no local, a atuação policial teria acontecido por volta das 4h15 e deixado pessoas feridas após a utilização de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Ainda, mais de 30 policiais teriam usado escudos e cassetetes contra os universitários na madrugada do domingo para desocupar o prédio, além da formação de um "corredor polonês", prática em que os detidos precisam passar entre duas fileiras de policiais, que os atingem com cassetetes.


Procurada, a corporação afirmou que em breve deve enviar uma nota sobre a ação. A reportagem tentou entrar em contato também com a Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo, mas ainda não obteve resposta.


Quatro estudantes foram detidos e levados para o 7º DP, segundo universitários que estavam no local. Ainda não há a informação de quem seriam os alunos e quais os cursos. Até o momento, 104 cursos aderiram à greve.

Em comunicado, o DCE afirmou que a ação "violentamente expulsou os estudantes que lutavam por melhores condições. Com escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, a polícia deixou dezenas de estudantes feridos".


A entidade responsabilizou o reitor Aluísio Segurado e seu chefe de gabinete, Edmilson Dias de Freitas, pela operação. "Aluísio, Edmilson e o conjunto da Reitoria escolheram ignorar as reivindicações por melhores políticas de permanência de dezenas de milhares de estudantes e reprimir alunos e alunas que sustentam cotidianamente o ensino, a pesquisa e a extensão dentro da universidade, tudo isso em pleno Dia das Mães", diz a nota.


Em entrevista a jornalistas na sexta-feira, 8, Segurado já não havia descartado acionar a Justiça para retomar o prédio. Ele lembrou que, em 2023, durante uma greve estudantil que também resultou na ocupação de um prédio da antiga reitoria, foi necessário recorrer a "soluções jurídicas" para recuperar o espaço. A Reitoria divulgou nota lamentando a invasão e classificando o ato como uma "escalada de violência com danos ao patrimônio público".

Greve

Os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo DCE, o movimento começou inicialmente em apoio a uma mobilização de servidores, que cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.


Após pressão, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.


A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece benefícios entre R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil e R$ 885 para auxílio integral. A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE, que elevaria o auxílio integral para R$ 912 mensais e o parcial para R$ 340. A proposta foi considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.


"Faz mais de um ano que os estudantes já estabeleceram que uma de suas pautas principais em relação às bolsas estudantis está ligada ao aumento para um salário mínimo", afirmou Dany Oliveira, estudante de Artes Cênicas.


A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta, decidiu encerrar unilateralmente as conversas. Entre outros pontos, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

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