Chefe da OMS supervisiona evacuação em Tenerife; navio traz hantavírus, mas risco à população é baixo, afirma organização
As Ilhas Canárias se preparam para a chegada no domingo do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A delicada evacuação de passageiros e parte da tripulação será iniciada, pessoas que a OMS considera "contatos de alto risco". A ministra espanhola da Saúde, Mónica García, anunciou que o navio deve chegar às Canárias "entre 04h00 e 06h00 locais (00h00 e 02h00 de Brasília)".
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife para supervisionar o desembarque do cruzeiro, informou a organização em um comunicado. No local, no pequeno porto industrial de Granadilla de Abona, as pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias expressam sua "preocupação", seis anos após a pandemia mundial de covid que abalou o planeta.
Risco baixo para a população
Ghebreyesus publicou mais cedo uma carta aberta aos habitantes das Canárias, na qual afirmou que os riscos representados pela chegada do navio são "baixos". "Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo", escreveu o chefe da OMS. Ele também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro "é grave".
"Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo", afirmou. "Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente", indicou. No início da tarde e antes de viajar às Canárias, Ghebreyesus reuniu-se com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez.
Após esse encontro, Sánchez afirmou no X que aceitar o pedido da OMS e oferecer ao cruzeiro "um porto seguro é um dever moral e legal para com nossos cidadãos, a Europa e o direito internacional". As autoridades das Canárias se opuseram firmemente à atracação do MV Hondius, que finalmente ficará ancorado diante da costa antes das evacuações.
Em Genebra, a diretora da OMS para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, detalhou que "classificamos todas as pessoas a bordo como o que chamamos de contato de alto risco".
Expectativa no porto
Granadilla observava com certa incredulidade seu protagonismo nas notícias, enquanto mantinha o olhar voltado para o porto. Embora a imprensa local destaque a "máxima expectativa mundial" com a chegada do cruzeiro a Granadilla, a alguns quilômetros do porto viam-se cenas habituais de um sábado: banhistas madrugadores, a feira ambulante e cafés da manhã no calçadão.
"Acompanhamos as notícias porque temos o navio aqui a três quilômetros. Trabalho em várias áreas de Granadilla e preocupa que haja algum perigo, mais do que tudo para algum trabalhador, mas também não vejo as pessoas muito preocupadas, sinceramente", explicou à AFP David Parada, vendedor de loteria na rua, impressionado com a quantidade de jornalistas na região. O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo um casal de passageiros holandeses e uma alemã mortos por esse vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento. Essa doença pode provocar, em particular, uma síndrome respiratória aguda. Três pessoas já haviam desembarcado em Cabo Verde na quarta-feira.
Operação "inédita" para repatriação
O MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina. "A possibilidade de contágio em Ushuaia é praticamente nula", garantiu na sexta-feira Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província da Terra do Fogo. O navio seguirá para os Países Baixos, onde o governo daquele país e o armador serão responsáveis por todo o processo de desinfecção, confirmou por sua vez o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
As autoridades espanholas explicaram que os passageiros serão examinados primeiro a bordo do cruzeiro, que lançará âncora diante da costa. Depois, o Exército os transferirá para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus "isolados da população" local até o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez minutos, para depois serem repatriados de avião a seus países de origem.
O ministro do Interior especificou que primeiro desembarcarão os espanhóis e, depois, seguirão grupos por nacionalidade, desde que o avião esteja pronto para repatriá-los em voos previstos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos. Para os passageiros de países "que não fazem parte da UE e não dispõem de meios aéreos para garantir a repatriação de seus cidadãos", as autoridades espanholas "estão preparando um plano" em coordenação com os Países Baixos, o armador e a seguradora do navio, detalhou Fernando Grande-Marlaska em uma coletiva de imprensa.
O mecanismo elaborado "impede qualquer contato com a população civil", "não haverá nenhum contato com pessoal civil", ressaltou o ministro. Enquanto isso, o sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, anunciou que cerca de vinte britânicos que estão no cruzeiro serão colocados em quarentena em um hospital perto de Liverpool, na Inglaterra.
AFP e Correio do Povo

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