Gente sem Eira nem Beira

Aliás só com muito boa vontade podia-se chamar de “exército” aquelas guarnições que o jovem general encontrou no sul da França quando assumiu-lhes o comando. Era um amontoado de gente trôpega, semi descalça, parcamente uniformizada e mal-armada, que fazia três anos que se esparramava, enregelada, pela fronteira totruosa do Piemonte. Um quarto deles estava fora de combate, vegetando em enfermarias e hospitais de campanha, os restantes viviam com o que seus soldos miseráveis permitissem, sendo que a sua disciplina era duvidosa. Massena, um dos seus mais destacados generais de divisão, envolvia-se em práticas de contrabando para esforçar os magros vencimentos, o que não impediu que, mais tarde, em seguida à tomada de la Favorita, Napoleão o chamasse de “o filho querido da vitória”.

O Contraste

Imagine-se o espanto dos seus comandados ao se depararem com ele... pequeno, franzino, com uma tez amarelecida, que se alterava para uma palidez esbranquiçada, e, ainda por cima, com apenas 26 anos! Napoleão gostava de vestir um casacão cinzento, sem nenhuma condecoração ou adorno, com a sobriedade e discrição de um capitão de uma falange espartana. Ao seu lado, de guarda, por apreciar o efeito do contraste, ele postava dois imensos granadeiros, cercando-se igualmente de generais amedalhados e com penachos, tais como os usados por Murat, o seu chefe da cavalaria.

O Pequeno Caporal

Apreciava o impacto que causava a sua simplicidade frente aos uniformes vistosos do seu Estado-maior. Os soldados também. Napoleão apesar da extrema mocidade tinha o dom do comando, conseguindo de imediato o respeito de todos que o seguiam, como bem testemunhou o pintor paisagista Biogi, que lhe frequentava o acampamento naquela época. Os soldados logo o apelidaram carinhosamente de Petit Caporal, o pequeno cabo, por demonstrar uma incansável energia em campo de batalha. Era um verdadeiro azougue.


Fosfato de rocha

Fosfato de rocha, substância estilizada no preparo de fertilizantes.

Evento lembra a invasão de 1865 em São Borja (RS)

A Semana do Sesquicentenário da Invasão Paraguaia no município de São Borja, em 1865, começa na próxima segunda-feira e se estende até o dia 14. A programação é coordenada pela Câmara de Vereadores, em parceria com instituições militares, comunitárias e educacionais. Haverá cavalgada, alvorada festiva, corrida, lançamento de obras literárias, jantar baile, espetáculo de som e luzes, shows e outros. No Legislativo, ocorrerá o seminário internacional “A Guerra do Paraguai, História, Historiografia e Ensino”, cujas inscrições podem ser feitas no site www.camarasaoborja.rs.gov.br.
São Borja foi invadida por 10 mil homens do ditador paraguaio Solano López em 10 de junho de 1865. Uma das motivações foram os limites territoriais entre os países da região e a utilização dos rios Uruguai e Paraguai. A resistência brasileira foi feita por pouco mais de 600 são-borjenses, “os Voluntários da Pátria”, comandados pelo brigadeiro João Manuel. A ocupação durou dez dias.


Fonte: Correio do Povo, edição de 5 de junho de 2015, página 10.

Energia elétrica a partir do lixo

A primeira usina de produção de energia elétrica a partir do gás gerado no aterro sanitário de Minas do Leão será apresentada hoje. A usina é pioneira no RS e a primeira no mundo certificada pela Organização das Nações Unidas (ONU).


Fonte: Correio do Povo, capa da edição de 2 de junho de 2015.

Demanda por melhores rodovias

O Brasil vem de boas safras, mas enfrenta um problema crônico no escoamento. Essa questão logística foi novamente aventada em mais um levantamento realizado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). De acordo com o relatório, as deficiências da malha rodoviária, a mais usada no país, acabam levando a um encarecimento do frete e a maiores gastos por parte das empresas, aumentando o chamado Custo Brasil. Isso retira a competitividade da economia brasileira, tanto no mercado externo como no interno, prejudicando a produtividade.
Atualmente, o país tem 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, segundo o Sistema Nacional de Viação, mas apenas 12,4% delas são asfaltadas. Isso representa um percentual médio 18 vezes menor que o norte-americano e 14 vezes menor que o chinês, conforme os técnicos que elaboraram o estudo. As perdas no transporte de grãos superam, na média, 30,5% o custo operacional ara o escoamento, sendo de 48,3% no Norte e Nordeste e 26% no Sul e Sudeste.
Diante desse quadro, vêm em boa hora as notícias de tratativas que visitam a atrair mais investimentos em infraestrutura. Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luís Alberto Moreno, debateram sobre meios de alavancar os projetos de infraestrutura no pais. É disso que o país precisa, de soluções estratégicas que envolvam as parcerias certas para remover os gargalos que impedem o crescimento.


Fonte: Correio do Povo, editorial da edição de 27 de maio de 2015, página 2.

Crescimento de 74% em 8 anos da população carcerária no Brasil

 A população carcerária no Brasil cresceu 74% entre 2005 e 2012. De acordo Jacqueline Sinhoretto, que elaborou o Mapa do Encarceramento, a superpopulação prisional é uma realidade em todo o país. “Todos os estados brasileiros já estão com superpopulação carcerária”, acentuou. “A média do Brasil é 1,7 preso para cada vaga, a um custo variando entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por detido”.. Em Alagoas, a média é de 3,7 presos por vaga. No entanto, segundo o estudo, há unidades prisionais com índice superior a cinco presos por vaga.
Os dados do Mapa mostram que, ao longo do período de análise, o número absoluto de presos saltou de 296.919 para 515.482. A maior parte dessas prisões (70%) foi motivada por crimes patrimoniais ou envolvendo drogas. Crimes contra a vida motivaram apenas 12% das prisões no país.
Segundo Jacqueline, o aumento do número de vagas no período e a construção de novos presídios não amenizaram os problemas de superpopulação. “Este é um problema de direitos humanos pelo qual as autoridades brasileiras têm sido interpeladas por órgãos internacionais”, comentou a pesquisadora.


Fonte: Correio do Povo, página 13 da edição de 4 de junho de 2015.

Cobiça e contrabando

Como aconteceria um século mais tarde na Califórnia e, em seguida, no Alasca e na África do Sul, a região das Minas Gerais, logo após a descoberta do ouro “constituía uma república onde o atrevimento imperava e o direito vivia inerme”. A lei e a ordem levaram seis anos para estabelecer no reino da cobiça. Nesse período – de 1694 a 1700 - , as fronteiras da civilização no Brasil eram percorridas “or homens de toda a costa e de todas as partes, gente de cabedais e aventureiros sem vintém, em número enorme: os primeiros, arrogantes e prepotentes, acompanhados por espingardeiros, violentos, vingativos, jogadores e devassos; os demais, em geral, vadios e ladrões inveterados, traidores e assassinos”. Quando o poder constituído enfim se estabeleceu nas “minas de Taubaté”, a figura escolhida para representá-lo não poderia ser pior. Artur de Sá e Meneses, ex-capitão-general do Maranhão, fora empossado como governador do Rio em abril de 1697. Em outubro do mesmo ano, foi a São Paulo (inflamada por uma guerra civil entre dois clãs rivais). Lá, além de perdoar Manuel Borba Gato do assassinato de Rodrigo Castelo Branco, nomeou o guarda-mor dos sertões mineiros (a nomeação só se tornou oficial três anos depois) e instigou os demais habitantes da cidade a “dar todo o calor à laboração das minas”. Entusiasmado pelo ouro que teria recebido de Borba Gato, Artur de Sá decidiu partir para Minas em agosto de 1700 e lá ficou até junho do ano seguinte. Em setembro de 1701, resolveu passar mais de 10 meses na região. Quando retornou ao Rio, em 12de julho de 1702, trazia consigo 40 arrobas de ouro (cerca de 580 kg) “oferecidas” pelos mineradores. Ao embarcar para Portugal, em 1705, “arqui satisfeito com o resultado das jornadas a que se abalançara”, o ex-capitão de infantaria tinha se tornado “um dos sujeitos mais opulentos da monarquia”. As duas jornadas às minas, porém, haviam lhe debilitado de tal modo a saúde que, quatro anos mais tarde, Artur de Sá – chorado publicamente como uma “indeslembrável figura” - morria em Lisboa, sem deixar herdeiros.
A herança de Artur de Sá e Meneses fora a primeira legislação mineira aplicada aos fabulosos achados auríferos das Minas Gerais. Antes da descoberta, a disposição legal sobre a tributação do ouro se resumia às Ordenações Manuelinas, de 1532, estipulando que um quinto do minério extraído pertenceria à Coroa. Com a riqueza aflorando da terra e a dívida externa de Portugal sendo duas vezes superior a sua renda, as Minas seriam vitimadas por uma das mais absurdas e rigorosas taxas de tributação criadas até então. Aos mineradores não eram cobrados apenas os quintos, mas também “direitos de entradas” (sobre todos os produtos vindos de fora, em alguns casos até 75% do valor da mesma mercadoria no porto do Rio), “direitos de passagens” (espécie de pedágio cobrado nos rios), dízimos para a Igreja e o “subsídio voluntário” (criado pelo Marquês do Pombal para ajudar na reconstrução de Lisboa depois do terremoto de 1755). Dos dízimos pagos pelos mineiros ao receberem suas datas provinham os ordenados dos superintendentes, guarda mores, guarda menores, oficiais e policiais que patrulhavam furiosamente a região das Minas. Todas as estradas, rios e passagens possuíam casas de registro e o ouro só podia circular em barras ou com uma guia. Ainda assim, calcula-se que pelo menos 35% do metal (cerca de 300 toneladas) extraído da terra foi contrabandeado. A legislação mudou inúmeras vezes (em 1701, 1713, 1715, 1718, 1719, 1725, 1730 e 1750). Em 1713, os mineradores ofereceram, em troca da suspensão do quinto, uma “finta” de 30 arrobas anuais à Coroa (baixada para 25 arrobas em 1718 e aumentada para 37 arrobas anuais em 1719). Mas em 1735, quando o governador Gomes de Freire quis estabelecer um imposto de 17 gramas por escravo, os mineradores ofereceram uma finta de cem arrobas anuais para a Coroa. Mais do que o esgotamento dos veios, foi a tributação abusiva que provocou a decadência das minas, não sem antes ter feito eclodir, em Vila Rica, a Inconfidência Mineira.


Fonte: História do Brasil (1996), página 69.

Cão é o preferido nas casas do Rio Grande do Sul

 Pesquisa Nacional de Saúde revela que os gaúchos adoram animais de estimação. De acordo com o estudo, o RS é o segundo estado com maior proporção de domicílios com cachorros, ficando atrás apenas do Paraná. A pesquisa do IBGE mostrou que 59,2%, ou 2,1 milhões de residências têm pelo menos um cão.


Fonte: Capa do Correio do Povo, edição de 3 de junho de 2015.

Cálculo renal e o limão

O limão é excelente para a prevenção do cálculo renal.

Breno e Pasqualini, por Christopher Goulart

Há alguns dias, procurando obras do doutrinador mais autorizado do trabalhismo brasileiro, sr. Alberto Pasqualini, ocorreu um fato inusitado, o qual gostaria de compartilhar com os leitores do Correio do Povo. Procurando nas livrarias - sebos do centro de Porto Alegre – , solicitei uma obra de Pasqualini. A resposta, num primeiro momento foi negativa e, quando já estava saindo, fui avisado que sim, havia uma única obra na livraria, encontrada no fundo do depósito do estabelecimento.
O vendedor estão trouxe-me o Clássico “Bases e Sugestões para uma Política Social”. No mesmo instante percebi que o livro era um exemplar bastante antigo. Páginas amareladas pelo tempo, porém, muito bem conservado. Feito o negócio, ao chegar em casa, naturalmente dediquei detalhadamente maior atenção ao livro, fonte obrigatória de leitura do trabalhismo, ontem, hoje e sempre. Qual foi a minha surpresa quando percebi que nele tinha uma dedicatória. Lá estava escrito: “ao caro amigo Breno, com o meu afetuoso abraço”. Data de 16/10/1948. E o mais incrível: a assinatura é do próprio Alberto Pasqualini, e “Breno”, ao que tudo indica, é o sr. Breno Caldas, jornalista que dirigiu por 49 anos o Correio do Povo.
Impossível não ser tomado por um sentimento de privilégio, considerando principalmente minha ligação direta com a história do trabalhismo. Pasqualini, um pensador muito além do seu tempo, por isso recomendado sempre, escreveu artigos de altíssimo nível durante muitos anos nas páginas do CP, de Breno Caldas, do Rio Grande do Sul. Razão pela qual ter a honra de narrar agora este encontro de tempos de histórias e de gerações aumenta minha noção de compromisso, sempre de acordo com a minha capacidade.
São acontecimentos como este que reforçam minha convicção que vem do positivismo de Alberto Comte, que ensina que “os vivos são sempre cada vez mais, necessariamente, governado pelos mortos”. Nunca acreditei em meras “coincidências”. Acredito sim em sinais, pois não é compreensível viver uma vida, imaginando não existir nada além do simples ato de vivermos sem nenhuma razão especial no mundo. Firmar referências de valores nos legados de nossos ancestrais, cientes de que a experiência pretérita fundamentada a caminhada que segue para frente.
Concluo prestando minhas homenagens a Breno Caldas e Alberto Pasqualini, com um trecho do pensamento de Pasqualini no discurso de sua campanha ao governo gaúcho em 1954: “A história dos povos se escreve com a biografia e às vezes com sangue dos seus grandes homens, daqueles que conduzem os acontecimentos, daqueles que contribuem com o seu pensamento e ação, para aperfeiçoar as instituições humanas, para aliviar os sofrimentos e as aflições do povo, para quebrar-lhes os grilhões da servidão social e econômica”. Obrigado Breno Caldas, obrigado Alberto Pasqualini.


Fonte: Correio do Povo, página 2 de 2 de junho de 2015.