Inter banca Eduardo Baptista e busca apoio da torcida em luta contra o rebaixamento

 


A direção do Inter decidiu sair em defesa de Eduardo Baptista antes mesmo de o novo técnico começar sua primeira entrevista coletiva. Anunciado na quarta-feira como substituto de Paulo Pezzolano, o treinador recebeu forte rejeição de parte da torcida nas redes sociais e chegou ao Beira-Rio sob desconfiança. Na tarde desta quinta, porém, o presidente Alessandro Barcellos e o diretor técnico Abel Braga fizeram questão de reforçar publicamente a confiança no profissional e justificar a escolha.

A manifestação dos dirigentes ocorreu na sala de imprensa do Beira-Rio, antes da fala do técnico. Mais do que apresentar o novo comandante, a direção procurou dar respaldo a Eduardo Baptista para iniciar o trabalho em um momento em que o Inter luta contra o rebaixamento e tem apenas dez rodadas pela frente no Campeonato Brasileiro.

“Manter o Inter na primeira divisão. Esse é o nosso objetivo. E é por isso que o Eduardo Baptista está aqui. Esses dez jogos serão o nosso campeonato. Vamos trabalhar nesses três meses para sair desse lugar na tabela e ficar na Série A”, afirmou Barcellos.

O presidente também explicou que outros treinadores foram analisados, sem citar nomes.

“Analisamos alternativas, mas analisar não é contatar. O Eduardo apresentou características necessárias para enfrentar a situação que estamos vivendo. E essa não é uma avaliação de A, B ou C. Foi de todo o departamento de futebol e da direção”, declarou. “Só fizemos uma única proposta para um único treinador. Ele aceitou e está aqui. Ele chega com a nossa confiança”, afirmou.

Abel reforça respaldo

Na sequência, Abel Braga também se manifestou para dar apoio ao novo comandante. A presença do diretor técnico ao lado de Barcellos reforçou a tentativa da direção de apresentar Eduardo como uma escolha respaldada internamente, e não como uma aposta isolada diante das dificuldades para encontrar um substituto para Pezzolano.

“O torcedor é soberano, mas aqui dentro você é unanimidade pelo trabalho que você fez”, afirmou Abel, dirigindo-se ao treinador.



Abel convoca torcida e Inter prepara promoção de ingressos para reta final no Beira-Rio



O Inter terá no Beira-Rio uma parte importante da missão de escapar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Das dez rodadas que restam, cinco serão disputadas em Porto Alegre, e o diretor técnico Abel Braga quer transformar o estádio em um aliado na reta final da competição. Antes da apresentação de Eduardo Baptista, nesta quinta-feira, ele convocou a torcida e anunciou uma promoção de ingressos para os próximos compromissos como mandante.

Os detalhes da ação ainda serão divulgados pelo clube, mas a iniciativa partiu do próprio Abel. "Espero que nos próximos cinco jogos em casa tenhamos casa cheia, com pelo menos 40 mil torcedores", afirmou.

O primeiro desafio será diante do Corinthians, no dia 7 de outubro. Depois, o Inter receberá Botafogo, Coritiba, Vitória e Bragantino. As datas e os horários desses confrontos ainda dependem da confirmação da CBF.

A convocação ocorre em um momento no qual o fator local não tem representado uma vantagem significativa para o Inter. Pelo contrário. O time apresenta a terceira pior campanha como mandante no Brasileirão, à frente apenas de Remo e Chapecoense.

Em 14 partidas no Beira-Rio, são apenas três vitórias, cinco empates e seis derrotas, com 14 pontos conquistados. O desempenho ajuda a explicar a posição delicada da equipe na tabela e aumenta a importância de uma mudança de comportamento diante da própria torcida.



Família denuncia demora em socorro a torcedor que morreu na Arena; Grêmio e Unimed dizem que atendimento foi imediato



O que era para ser um domingo de alegria virou um dia triste para a família de Euclides Maciel dos Santos. O torcedor gremista de 74 anos sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu na arquibancada Superior Leste da Arena, durante o empate do Grêmio com o Palmeiras por 0 a 0, no último dia 20 de setembro. A família da vítima afirma que houve demora dos profissionais para prestar os socorros necessários. O Grêmio nega que tenha havido negligência.

Segundo Jonas Rodrigues dos Santos, um dos netos que estava com o avô no jogo, Euclides desmaiou no início do primeiro tempo. A primeira assistência, dos bombeiros civis, e depois, a dos médicos, alega ele, demorou muito tempo.

“Foram de 15 a 20 minutos ali para chegar pelo menos os bombeiros. E uma meia hora, 40 minutos para chegar o pessoal qualificado, com o desfibrilador”, relata Jonas em contato com o CP.

Mesmo com a chegada dos bombeiros, foi a torcedora Elvia Calixto, técnica em enfermagem, que prestou os primeiros socorros. De acordo com ela, o despreparo da equipe de bombeiros civis era “flagrante”, a ponto de a RCP (Reanimação Cardiopulmonar) ser feita de forma errada.

“Os bombeiros não iniciaram atendimento. Já estava em parada cardíaca. Eu iniciei a massagem. Ele estava em parada cardíaca e em gasping (respiração anormal, lenta e profunda). Depois, uma bombeira estava fazendo a RCP de forma errada. Não era eficaz para a reanimação. Um despreparo surreal”, diz Elvia.

A profissional acrescentou que os bombeiros civis falaram ter apenas um DEA (Desfibrilador Externo Automático) na Arena, que estava do outro lado do campo. Quando o aparelho chegou, Euclides já tinha falecido.

“Com acima de 1,5 mil pessoas já tem de haver um DEA. Tinha 50 mil torcedores e um DEA, segundo os bombeiros do local. Houve negligência no atendimento. O suporte avançado demorou demais. Talvez a vida não tivesse sido perdida. O jogo teria que ter sido parado. Houve muita negligência nisso. Foi desumano o que aconteceu”, ressalta.

“O desfibrilador chegou e então tentaram os choques. Antes de levar para dentro também já haviam tentado, mas não deu muito sinal. Ficaram tentando injetar adrenalina também, pelo que a enfermeira torcedora me sinalizou. Mas eu, sem conhecimento médico prévio, estava olhando os batimentos e não havia. Na minha visão, ele já tinha ido. Mas enfim, ficaram tentando ali”, completa Jonas.

Os posicionamentos

Em nota enviada à reportagem, a Unimed disse ter prestado apoio imediatamente após a vítima ter sofrido parada cardiorrespiratória. A empresa garantiu ter os recursos necessários para eventos como partidas de futebol.

“A estrutura assistencial disponibilizada para a partida estava acima das exigências previstas na legislação. O estádio contava com seis equipes de suporte avançado (UTIs Móveis), compostas por seis médicos, seis enfermeiros e seis técnicos de enfermagem condutores, um médico regulador no Centro de Comando Operacional, além de ambulâncias e equipamentos adequados para o atendimento de emergências, incluindo desfibriladores e cardioversores”, diz parte do comunicado.

Já o Grêmio, também em nota, reforçou que o torcedor recebeu os primeiros socorros dos Bombeiros Civis e, na sequência, foi atendido pela Unimed:

“A equipe da Unimed, empresa contratada para prestar cobertura médica no estádio, deu prosseguimento ao atendimento na arquibancada; na sequência, removeu o torcedor ao saguão do respectivo nível, seguindo com as tentativas de reanimação. Apesar dos esforços empregados, não foi possível reverter o quadro clínico do paciente, que evoluiu a óbito”.

Euclides completaria 75 anos na última quarta-feira.

“Eu estava ao lado da minha prima, tive que acudi-la, que é menor também. Foi um desespero de não saber o que fazer, e os torcedores tentando fazer alguma coisa até chegar o atendimento. Vi o posicionamento do Grêmio e da Unimed dizendo que fizeram tudo o que podiam, mas nós sabemos que não. Eles escreveram que havia desfibriladores e aparelhos à disposição, mas nós sabemos que demorou para chegar. Foi um descaso”, diz o neto Jonas.

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