A presidenta se disse inconformada com a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor e indignada com
o vazamento do suposto acordo de delação premiado de Delcídio Amaral Valter Campanato/Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff fez, nesta tarde, um pronunciamento em que se disse inconformada e indignada com a notícia de um suposto acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e contestou as informações sobre o que teria dito o parlamentar nos depoimentos. Dilma afirmou que é "absolutamente subjetiva e insidiosa a fala do senador, se [é que] ela foi feita", e considerou descabidos alguns fatos relatados por Delcídio, segundo a revista IstoÉ.
Dilma convocou a imprensa para fazer uma forte defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dos alvos da 24ª etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira (4). No pronunciamento, a presidenta refirmou o teor de nota publicada na tarde de hoje, manifestando "absoluto inconformismo" com a condução coercitiva do ex-presidente e classificando de "desnecessária" a medida.
Pelo menos três citações da revista IstoÉ sobre o suposto depoimento de Delcídio no âmbito da Lava Jato foram contestadas pela presidenta. Dilma negou ter conversado com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, na tentativa de "mudar os rumos" da Lava Jato. Disse que os esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras, e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da investigação.
A presidenta considerou "lamentável" a ocorrência do vazamento ilegal de uma hipotética delação premiada, que, se foi feita, teve como motivo único a tentativa de atingir sua pessoa e seu governo. "Provavelmente, pelo imoral e mesquinho desejo de vingança e de retaliação de quem não defendeu quem não poderia ser defendido pelos atos que praticou", ressaltou.
Ela disse também que não pediu ao senador petista para conversar com juristas antes de indicá-los ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), com o objetivo de convencê-los a votar a favor do governo. Dilma declarou ter nomeado três ministros na turma do STJ a que teria se referido o senador, dos quais apenas um votou favoravelmente a seu governo.
Dilma enfatizou “jamais” ter falado com Delcídio sobre o assunto e negou ter tentado negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de conseguir a libertação de investigados da Lava Jato, que na época estavam presos preventivamente.
“O ministro Marcelo Navarro, o presidente do STJ, Francisco Falcão, os desembargadores Newton Trisotto e Nelson Schaefer negaram peremptoriamente a existência de quaisquer tratativas do governo a respeito. A afirmação atribuída ao senador, assim, restou claramente desmentida”, afirmou Dilma.
A presidente fez o pronunciamento ao lado de dez ministros de sua equipe. O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, também estava presente na hora do pronunciamento.
CPI dos Bingos
Dilma negou ainda que o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, no Congresso Nacional, tenha ocorrido para “beneficiar, de alguma forma”, a sua campanha presidencial de 2010. Sobre esse assunto, a presidenta disse que a afirmação “se desmente pela própria temporalidade”.
“A CPI dos Bingos teve início em 29 de junho de 2005 e foi encerrada em 20 de junho de 2006, ou seja, foi aberta praticamente a uma semana da minha posse como ministra-chefe da Casa Civil e distante quatro anos da minha indicação à Presidência da República. Sem dúvida, ninguém, em 2006, tinha a possibilidade de supor que eu seria candidata à Presidência da República, e antever essa situação. É, portanto, descabida, é, portanto, absurda qualquer associação entre o encerramento dessa CPI com a minha campanha eleitoral de 2010”, enfatizou Dilma.
Vídeo
Abaixo, veja trechos do pronunciamento da presidenta Dilma no Palácio do Planalto após o depoimento do ex-presidente Lula à Polícia Federal.
Em discurso para a militância petista, na quadra do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, o ex-presidente Lula disse na noite desta sexta-feira (4) que não irá se calar mesmo ameaçado por perseguição política e denúncias infundadas. E que para derrotá-lo, os opositores terão de enfrentá-lo nas ruas.
Lula falou em ato organizado pelo PT, sindicatos e movimentos sociais sobre a situação política após ter sido conduzido pela Polícia Federal ao Aeroporto de Congonhas para depor nas investigações da Operação Lava Jato.
“Eu vim aqui para dizer o seguinte: eu não sei se vou ser candidato, mas eu queria dizer a todos que me ofenderam hoje pela manhã que foi uma ofensa; um ex-presidente que fez por esse país o que eu fiz, não merecia receber o que eu recebi hoje de manhã. Mas sem mágoa. Quero dizer para você aqui, se eles tiverem que me derrotar, eles vão ter que me enfrentar nas ruas deste país”, disse o ex-presidente.
O discurso de Lula, o último do evento, foi acompanhado por militantes e lideranças políticas que lotaram a quadra dos bancários. Muitas pessoas, no entanto, não conseguiram entrar no local, e acompanharam a fala do ex-presidente do lado de fora, na rua Tabatinguera, na região da Sé.
Lula disse que não pretendia se candidatar nas próximas eleições presidenciais, mas diante da atual conjuntura, colocou-se à disposição da militância para a candidatura de 2018. “Eu estava quieto no meu canto. Estava na expectativa que vocês escolhessem alguém para disputar 2018. Cutucaram o vulcão com vara curta. Portanto quero me oferecer a vocês, esse jovem de 70 anos de idade com tesão de um jovem de 30, com corpo de atleta de 20. Não tenho preguiça de acordar as 6 horas. E não tenho problema de dormir às dez”.
“A partir de hoje, a única resposta que eu posso dar a insolência que fizeram a mim, a ofensa que fizeram a mim, é ir para rua dizer: estou vivo e sou mais honesto do que vocês. De coração eu quero agradecer a cada um de vocês”, acrescentou.
Lula voltou a dizer, como havia feito no pronunciamento à tarde, que voltará a viajar pelo país e que não se calará diante do que diz ser perseguição política e denúncias infundadas. “Estou disposto a viajar esse país do Oiapoque ao Chuí, estou disposto. Se alguém pensa que vai me calar com perseguição e denúncia, não sabe que eu sobrevivi à fome, e quem sobrevive à fome não desiste nunca”, disse.
“Eu não sou vingativo, não carrego ódio na minha alma, mas eu quero dizer para vocês uma coisa: eu tenho consciência do que eu posso fazer por esse povo, e tenho consciência do que eles querem comigo. Portanto, queridas e queridos companheiros, se vocês estão precisando de alguém para animar a nossa tropa, o animador está aqui”, destacou.
O ex-presidente ainda disse que a operação da Polícia Federal confiscou um celular de sua esposa, Marisa Letícia, e papéis da casa de seu filho, Luís Cládio, que já haviam sido levados há quatro meses.
“Na casa de meu filho, Luís Cláudio, levaram a mesma papelada que já levaram há quatro meses atrás. As perguntas que fizeram hoje já fizeram cinco meses atrás. Então é pura provocação. Estão dizendo: nós existimos e vamos criminalizar o PT. Eu quero dizer, vocês existem mas eu existo. E eu vou resistir à criminalização”.
No ato, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que a ação da Polícia Federal foi um “golpe no Estado de direito” e classificou o ocorrido como muito grave.
“É muito sério o que aconteceu hoje. É muito grave o que aconteceu hoje. Foi um golpe no Estado democrático de Direito. Não foi outra coisa. Não se faz isso, não é necessário nada disso”, disse em discurso na quadra do Sindicato dos Bancários do Estado de São Paulo, na região da Sé.
“A nossa lei assegura que ninguém nesse país pode ser coagido se estiver à disposição da Justiça, se estiver colaborando com a Justiça. Se estiver disponível para enfrentar qualquer debate, público ou privado, se estiver disponível para prestar qualquer esclarecimento, se tem endereço certo, se trabalha em lugar certo. E se está há 50 anos defendendo a democracia no Brasil, e esse é o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva”, disse.
“O que está por trás desse tratamento, o que está por trás desse tipo de ação e iniciativa totalmente desnecessária em se tratando de uma pessoa, que mais fortaleceu a Polícia Federal, que mais autonomia deu ao Ministério Público Federal?”, acrescentou.
Haddad ainda sugeriu que, se a condução coercitiva foi tomada para garantir a segurança do investigado - como argumentaram procuradores e o juiz do caso – que a militância passe a escoltar o presidente Lula.“Ninguém pode se furtar a qualquer investigação, todos nós estamos sujeitos, sobretudo homens públicos. Mas nós temos que nos dar o respeito, e exigir o cumprimento da lei. O que aconteceu hoje foi um ato desnecessário. Mobilizar centenas de profissionais para escoltar um homem? Nós escoltaremos o Lula da próxima vez”.
A
taxa de inadimplência de famílias e de empresas aumentou em julho.
Os motivos são a crise econômica e a alta do desemprego. De acordo
com os dados do Banco Central de ontem, a taxa de calote das famílias
aumentou 0,2 pontos percentual e chegou a 3,8% em todos os tipos de
crédito. A inadimplência dos financiamentos imobiliários subiu de
1,8% para 1,9%. Se considerado apenas o segmento de recursos livres,
o calote subiu a 4,8% em julho. O patamar mais alto em dois anos.
Fonte: Correio do Povo, página 6 de
27 de agosto de 2015.
Mais gestão, menos impostos, por
Claudio Lamachia
Um
dona de casa e um pai de família sabe que a administração das
finanças começa por uma regra simples: gastar menos do que se
arrecada. Essa lógica parece passar longe dos manuais dos
administradores públicos. Para governos, a regra para equilibrar o
caixa é onerar cada vez mais o contribuinte e os empresários.
O pobre cidadão brasileiro paga uma
das mais altas cargas tributárias do mundo. Em um ano, trabalhamos
cinco meses apenas para pagar impostos. É como se, numa empresa, o
sócio aparecesse apenas para receber o holerite, sem contribuir com
uma gota de suor para o sucesso do negócio.
Enquanto isso os cidadãos estão
morrendo nos corredores dos hospitais, ou encarcerados dentro de
casa, sitiados em razão do medo de sair às ruas. Empresas fecham as
portas ou demitem para conseguir um mínimo de fôlego para enfrentar
a crise.
O Rio Grande do Sul, que hoje não
consegue sequer pagar o funcionalismo em dia, tem proporcionalmente
uma das maiores dívidas públicas. Da dívida original de R$ 10
bilhões, já pagamos mais do que o dobro. E, acreditem, ainda
devemos outros 50 bilhões!
Em 2012, a OAB/RS ingressou com uma
ação no Supremo Tribunal Federal para discutir os altos juros dessa
dívida. Para se ter uma ideia do abalo que o repasse causa ao caixa
do Estado, são 13% que saem todos os meses para a União. Enquanto
isso, nem os 12% obrigatórios de investimento em saúde são feitos.
Por motivos que não consigo
compreender, nem o governo atual nem o anterior buscaram apoiar a
ação. Em momento algum manifestaram qualquer apoio à medida tomada
pela Ordem. Parecem não considerar a hipótese de que a via judicial
seja uma opção capaz de amenizar a crise.
Outra atitude que também não foi
tomada pelos governo é a implementação de uma política de gestão
profissional, com cortes racionais nas despesas na busca de cessar a
sangria dos cofres e buscar o equilíbrio financeiro. Novamente a
solução mágica encontrada pelo governo passa pelo absurdo aumento
de tributos.
Nenhum cidadão aguenta qualquer
aumento de impostos, seja no âmbito estadual ou federal,
especialmente quando vê cotidianamente seu dinheiro esvaindo no raio
da corrupção. Nos últimos dias, a OAB Nacional, juntamente com
federações, apresentou uma Carta à Nação, com propostas e
sugestões para a superação da crise ética, política e econômica
que o país enfrenta.
É preciso que as forças políticas,
de diversos matizes, trabalhem para a correção de rumos de coisa
pública. É uma tarefa que se inicia pelo Executivo, a quem cabe o
maior papel nessa ação, mas exige o forte envolvimento do
Legislativo, do Judiicário e de toda a sociedade.
Vice-presidente nacional da OAB
Fonte: Correio do Povo, edição de 26
de agosto de 2015, página 2.
Equipe olímpica feminina do Brasil participa de evento-teste de rugby no Rio
O evento-teste de rugby para os Jogos Olímpicos Rio 2016, em agosto, começa hoje (5) no Estádio de Deodoro, zona norte do Rio de Janeiro, com o Campeonato Sul-Americano de rugby sevens, do qual participará a seleção feminina olímpica do Brasil rugby 7, ou rugby de 7, integrada por sete jogadoras. Doze atletas foram convocadas das quais sete jogarão e cinco ficarão no banco de reservas. O campeonato se estenderá até amanhã (6), quando ocorrerão os jogos finais e serão conhecidos os vencedores.
No total, serão 96 atletas de oito países (Brasil, Colômbia, Argentina, Venezuela, Uruguai, Chile, Paraguai e Peru). As atletas brasileiras convocadas são Amanda Ricci, Beatriz Muhlbauer, Bruna Lotufo, Edna Santini, Franciny Amaral, Haline Scatrut, Julia Sardá, Juliana Santos, Luiza Campos, Paula Ishibashi, Patricia Campos e Raquel Kochhann.
Segundo o diretor da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Agustin Danza, o evento será fechado, inclusive para transmissão por emissoras de televisão, “porque o espaço ainda não está pronto para receber o público”. O Comitê Organizador Local (COL) da Rio 2016 confirmou que as arquibancadas do estádio são temporárias e serão montadas mais adiante, como ocorrerá também com a arena de vôlei, em Copacabana, zona sul da cidade, e no Parque Olímpico, zona oeste.
De acordo com o COL, o evento-teste vai avaliar as condições do estádio para receber as seleções, incluindo gramado, vestiários, cronometragem do tempo de jogo, apresentação do esporte, voluntários e operações internas. O objetivo é corrigir eventuais falhas para que na Olimpíada tudo esteja acertado. A avaliação atende a determinações do próprio COL.
Agustin Danza explica que na modalidade sevens, cada jogo dura 14 minutos, sendo dois tempos de sete minutos cada. Como o evento total se estende, em geral, das 10h às 18h, com cada equipe podendo jogar três vezes ao longo do dia, os torcedores costumam assistir às partidas vestindo fantasias. “É um clima festivo”, explica Danza, pois “o rugby não é só um jogo que o torcedor vê e vai embora”.
De acordo com o diretor, o objetivo não é ganhar medalha de ouro na Olimpíada, que será aberta no dia 5 de agosto. “Não estamos prontos para medalha de ouro”, explica. O objetivo é fazer bons jogos iniciais, para entrar no grupo Top 6, o grupo dos seis melhores do mundo, e “aí, então, teremos jogo para lutar por uma medalha”, diz ele.
Atletas de rúgbi treinam na inauguração da Arena da Juventude e Estádio Deodoro, do Complexo Esportivo de Deodoro que serão palco dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 Tânia Rêgo/Agência Brasil
Desempenho
Nos últimos dois anos, a seleção masculina de rugby 7 conseguiu jogar de igual para igual com times que estão no topo mundial, como Portugal, Escócia, França, Quênia, vencendo as equipes B da África do Sul e dos Estados Unidos e classificando-se pela segunda vez para o Torneio Internacional de Hong Kong. A seleção olímpica masculina, segundo Danza, tem evoluído muito tecnicamente e melhorado o desempenho. Mas, como não existe um ranking, o jeito de avalizar esse crescimento é citando desempenhos contra times melhores que os do Brasil.
Na modalidade rugby 15, formada por 15 jogadores em campo, a CBRu considera mais importante como um indicador não o ranking em si, mas a estratégia de crescimento no longo prazo. A ideia é colocar em campo muitos jogadores jovens, com o objetivo de classificar o Brasil para a Copa do Mundo de 2023. Para isso, as classificatórias ocorrerão em 2021.
Danza afirma que a seleção olímpica feminina (rugby 7) está entre as dez melhores do mundo: “São dez vezes campeãs da América do Sul, (estão) invictas, nunca perderam um jogo”. O objetivo do time é figurar no grupo das seis melhores seleções olímpicas do mundo “e ter chance de disputar uma medalha”, segundo o dirigente. Entre as principais concorrentes da equipe rugby 7 feminina brasileira estão as seleções da Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra.
O rugby está voltando aos Jogos Olímpicos este ano, após 92 anos de ausência. Sua última participação foi em Paris, em 1924, como rugby de quinze, e agora será rugby de 7.
Esporte coletivo de origem inglesa do século 19, marcado por intenso contato físico, o rugby está crescendo no Brasil há muitos anos, reunindo hoje cerca de 60 mil praticantes em quase todos os estados da Federação, conforme o diretor da CBRu, Agustin Danza.
“Já se evidenciava nos últimos anos o crescimento do rugby 7, que é a modalidade olímpica”, acrescenta Danza. Também houve expansão na modalidade de 15 jogadores (rugby 15), em que a seleção brasileira masculina venceu os Estados Unidos, no último sábado (27/2). “Quebramos o recorde da história do rugby. Nunca um time tinha ganhado de outro que estivesse 26 posições acima dele no ranking e fizemos isso no sábado”, diz ele.
Em
19 de novembro de 1966, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o
governador da Guanabara, Carlos Lacerda, lançaram em Lisboa um
manifesto de oposição ao regime militar brasileiro.
De acordo com a assessoria de imprensa da Presidência da República, Dilma deve chegar a São Paulo no final da manhã e se encontrará com Lula no apartamento do ex-presidente em São Bernardo do Campo.
Ontem (4), a presidenta telefonou para Lula e disse estar solidária com o ex-presidente, que foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal no âmbito da 24ª fase da Operação Lava Jato. Em nota divulgada, Dilma disse estar inconformada com a condução coercitiva do ex-presidente.
“Manifesto meu integral inconformismo com o fato de um ex-presidente da República que, por várias vezes, compareceu voluntariamente para prestar esclarecimentos perante as autoridades competentes, seja agora submetido a uma desnecessária condução coercitiva para prestar um depoimento”, diz a nota. Mais tarde, a presidenta fez um pronunciamento em que reafirmou o teor da nota.
Segundo a assessoria, após o encontro, Dilma embarca para Porto Alegre onde deve descansar no final de semana.
O primeiro caso autóctone (contraído na própria cidade) do vírus Zika foi identificado na cidade de São Paulo. A informação foi confirmada na noite de ontem (4) pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.
O vírus foi detectado em uma mulher, 28 anos, com 30 semanas de gestação. Ela é moradora do bairro Freguesia do Ó, na zona norte da capital. O caso foi notificado no dia 3 de fevereiro. Segundo a secretaria, o exame ultrassom morfológico apresentou normalidade no feto. Mesmo assim, a paciente foi encaminhada para fazer o pré-natal no Hospital Escola e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, por ser referência para gestação de alto risco.
A paciente, cujo nome não foi informado, apresentou os primeiros sintomas no dia 30 de janeiro e disse não ter viajado para fora do estado. No dia 3 de fevereiro, foram coletados urina e sangue da paciente e, no dia 25 de fevereiro, o resultado foi confirmado como positivo para o vírus. No dia seguinte, foi feita uma nova coleta de sangue e novamente o resultado foi positivo.
O local onde vive a gestante e todo o entorno foi visitado para exterminar criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus, informou a secretaria.
ANS suspende a venda de 46 planos de saúde por reclamações de cobertura
Estão suspensas a partir de hoje (4) as venda de 46 planos de saúde. A medida é uma punição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) devido a reclamações de beneficiários destes planos relativas à cobertura. As principais queixas são negativa de cobertura e demora no atendimento.
Os planos suspensos têm juntos 314,3 mil beneficiários, que não serão afetados pela punição. Oito operadoras são responsáveis por esses planos, que serão impedidos de receber novos clientes por pelo menos três meses, até que melhorem a assistência aos atuais beneficiários.
Para tomar a medida, a ANS considerou 13.365 reclamações sobre cobertura assistencial recebidas de outubro a dezembro de 2015.
Das oito operadoras com planos suspensos neste novo ciclo de monitoramento, quatro já tinham planos em suspensão no período anterior e quatro não constavam da última lista de suspensões. Além da comercialização suspensa, as operadoras que negaram indevidamente cobertura podem receber multa que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil.
Paralelamente à suspensão, 33 planos de 16 operadoras poderão voltar a comercializar os produtos que estavam impedidos vender. Isso acontece quanto há comprovada melhoria no atendimento aos beneficiários. A avaliação é feita a cada três meses.
The Dark Side Of The Moon (1973) David Gilmour : Guitar, Vocals Roger Waters : Vocals Nick Mason : Drums, Percussion Richard Wright : Keyboards
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Mapa
reconhece soja louca II
A
soja louca II, pesquisada pela Embrapa há dez anos, foi identificada
e reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura (Mapa)
como uma doença causada pelo nematoide Aphelenchoides
sp. Entre
os principais sintomas estão plantas com haste verde, retenção
foliar e abortamento de vagens antes do fim do ciclo. A doença
ocasiona perda de até 60% na produtividade, principalmente em
regiões quentes e chuvosas como Maranhão, Tocantins, Pará e Mato
Grosso. No Rio Grande do Sul, há apenas suspeitas de incidência.
O agrônomo Nedio Argenton Giordani,
da Aprosoja, relata que na safra 2014/2015 algumas lavouras tiveram
episódios com sintomas semelhantes. “Mas não é possível afirmar
se era soja louca II”, destaca. Segundo o pesquisador Maurício
Meyer, da Embrapa Soja, a identificação da causa da doença
possibilitará direcionar a pesquisa para definição de estratégias
de manejo. Enquanto isso, a recomendação de Meyer é a dessecação
antecipada à semeadura de soja e um efetivo controle de plantas
invasoras imediatamente após a emergência da planta.
Fonte: Correio do Povo, 9 de setembro
de 2015, página 9.
Maldita
corrupção, por Jarbas Lima
A
corrupção não distingue regimes e sistemas de governo. A gravidade
está em ser patrocinada, encoberta pelos governantes, que a praticam
ou com ela se acumpliciam. Mas, o que a torna frequente e encorajada
é a impunidade, que é a fonte da ousadia e a maior desgraça. O
antídoto da moral e da ética deve prevenir estes males. São
remédios que cuidam das raízes e não dos ramos da doença maldita.
Os gregos exilaram Aristides, político austero e íntegro, enquanto
Cleon, populista e mestre da demagogia, foi feliz até o fim, entre
os seus contemporâneos. Não adianta culpar a vassoura pela
existência do lixo... A corrupção fragiliza o Congresso Nacional,
pela compostura dos parlamentares, a cada de pau, e a solidariedade
suicida.
É bem conhecida a fragilidade dos
partidos políticos no Brasil (saudades do Partido Libertador). Do
ponto de vista político constitucional, é este um dos maiores
desafios brasileiros, de vez que partidos com diferentes orientações
ideológicas são essenciais à existência da democracia. Esta
dificuldade histórica contém grande parte da explicação dos não
poucos percalços da democracia no Brasil. A maior parte tem se
revelado como agregador ou facções organizadas em razão das
eleições, sem conteúdo ideológico definido, sem filosofia
política consistente mal disfarçado, quando não, com máscaras
grotescas e debochadas.
As velhas receitas são apresentadas
como novas. Seu perigo já não reside tanto no conteúdo ideológico
que caducou com a queda do Muro de Berlim, mas no inconsciente
populismo de seus porta-bandeiras e suas propostas salvacionistas.
Nem é a força geradora do mito, também desacreditada. Nem o
fascínio especial das horas de crise. O enigma de ilusão está
decifrado pelos fatos criminosos praticados pelos que governam o
país. A realidade é indesmentível. Os corruptos tomaram o Brasil
de assalto e viciaram o processo eleitoral. Faliram o Brasil. Traíram
a confiança do povo. Os culpados querem provas? Olhem para as
escolas, os hospitais, as fábricas, as estradas, os desempregados...
Se tiverem coragem e um pingo de vergonha na cara, assumam seus
crimes!
Professor de Direito
Fonte: Correio do Povo, página 2 da
edição de 4 de outubro de 2015.
Manifestações
e badernas, por Rogério Mendelski
Não
pode haver definição mais simples entre baderna e manifestação.
Manifestação é quando um grupo social sai às ruas levando suas
reivindicações sem interferir na liberdade alheia. Baderna é
quando pessoas de uma mesma linha de pensamento se juntam para
agredir o direito de ir e vir dos cidadãos.
Uma manifestação, às vezes, se
transforma em baderna quando os limites da lei e do bom senso são
agredidos. Foi o que aconteceu na última terça-feira quando os
gradis que separavam manifestantes contra um pacote de leis que seria
votado na Assembleia Legislativa foram derrubados à força.
Até o momento de os gradis
garantirem um espaço de segurança entre servidores públicos,
militantes partidários e a Brigada Militar havia uma manifestação
com todas as garantias de nossa Constituição federal. A baderna
começou no momento em que houve a derrubada da cerca e a tentativa
de invasão do Palácio Farroupilha.
A BM só poderia agir como agiu,
valendo-se dos equipamentos de controle de tumulto. Há um momento em
qualquer manifestação que a imposição da ordem deve se valer da
força. Foi a força da lei contra os que tentavam tomar “na marra”
as galerias do plenário.
Vale lembrar que havia um acordo da
presidência da Assembleia com os manifestantes. Assim como havia
grupos contra a votação do pacote, havia grupos que apoiavam o
governo e, se não fosse a ação da BM, talvez não ocorresse a
realização da sessão, como ocorreu na segunda-feira.
Povo,
que povo? (1)
Muito
se ouviu durante as manifestações que começaram na segunda-feira
de que o povo não podia ficar de fora do plenário da Assembleia. O
povo estaria sendo alijado de presenciar as votações.
Povo,
que povo? (2)
Jamais
o povo esteve do lado de fora da Assembleia Legislativa em qualquer
sessão na história do Palácio Farroupilha, salvo alguma sessão
secreta, conforme estabelece o Regimento Interno da Casa.
Povo,
que povo? (3)
Não
há representação popular mais legítima e democrática do que os
55 parlamentares eleitos no ano passado. Os deputados que formam o
plenário da AL representam todas as correntes políticas dos milhões
de eleitores gaúchos.
Povo,
que povo? (4)
As
galerias lotadas são tão somente de espectadores que querem ver a
atuação dos deputados. Não há qualquer possibilidade de se
legitimar gritos, vaias, aplausos e ofensas. Quem decide é o
deputado e não quem grita mais alto.
O
funcionamento da Assembleia
Uma
frase de efeito, mas vazia de conteúdo: “A Assembleia não pode
funcionar com o povo do lado de fora”. A resposta pode vir desta
maneira: “A Assembleia não pode funcionar com baderneiros do lado
de dentro”.
Fonte: Correio do Povo, página 8 de
24 de setembro de 2015.