Aumento do ICMS: votação será amanhã na Assembleia

O aumento das alíquotas do ICMS será o assunto da semana. A votação será amanhã. O governo ainda busca votos para conseguir aprovar reajuste.


Fonte: Correio do Povo, capa da edição de 21 de setembro de 2015.


Alimentação é tema de debate na escola

Alunos se mobilizam para diminuir o desperdício na hora das refeições


Anália Köhler


Em 2015, o Brasil completa 60 anos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do governo federal. O assunto também foi destaque no XXVIII Prêmio Jovem Cientista, cujo tema foi “Segurança Alimentar e Nutricional”. Em Porto Alegre, foi o desperdício na hora das refeições que atraiu a atenção das nutricionistas Karoline Basquerote responsável pelo projeto “Prato limpo, desperdício zero”. Karoline conta que tudo começou quando ela passou a controlar a quantidade de alimentos jogados fora após o almoço. Para sua surpresa, na primeira semana de controle forma inutilizados 11,61 kg de alimentos, e o mês fechou com 37,471 kg desperdiçados. “Eu saquei a comida e fotografei para eles verem a quantidade. A partir daí, já começaram a cuidar”, conta.
O funcionamento do projeto é simples. As crianças almoçam por turmas e as sobras de cada uma são colocadas no “prato do desperdício” daquele grupo e levado, ao final, para a balança. O peso das sobras de cada turma é colocado diariamente em uma tabela acessível a todos, que no final de semana é somado. As crianças acompanham essa evolução e comemoram os resultados. Lucas Baroni, 9 anos, conta que quando viu a quantidade de comida que iria para o lixo, ficou triste, “poderia alimentar muita gente que passa fome”.


Fonte: Correio do Povo, página 10 de 21 de setembro de 2015.


AIEA vai ao Irã avaliar usinas

Teerã – O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya amano, chegou ontem a Teerã, capital do Irã, para “esclarecer questões passadas e atuais” sobre o programa nuclear do país, informou a televisão estatal iraniana. Esta é a segunda visita do chefe da agência nuclear da ONU ao país em três meses, após o histórico acordo assinado entre o Irã e as potências mundiais.




Fonte: Correio do Povo, página 8 de 21 de setembro de 2015. 

Como quebrar um estado em 8 passos: o que Tarso Genro e o RS podem ensinar ao Brasil

por Felippe HermesFelippe Hermes

 

Apesar de menos aparente que a crise nas contas públicas do governo federal, inúmeros estados têm enfrentado situação semelhante, do Caburaí ao Chuí. Estados como Pernambuco e Goiás sistematicamente têm atrasado o pagamento de salários, enquanto São Paulo, que apenas nos seis primeiros meses do ano teve uma queda de quase 4% no seu PIB, se vira como pode para equilibrar as contas com despesas maiores e uma queda nominal na receita. Nenhum estado, porém, se encontra em uma situação tão complicada quanto a do Rio Grande do Sul.

Estado mais meridional do Brasil, o Rio Grande do Sul é geralmente lembrado pela participação ativa na política nacional. Desde que Deodoro da Fonseca, ex-governador do estado, proclamou a República, foram nada menos do que 7 presidentes gaúchos em nossa história – além de nomes como Dilma Rousseff, que apesar de nascida em Minas, fez carreira política no estado.

A história do Rio Grande do Sul, como a de qualquer estado, possui suas peculiaridades. Na maior parte, os gaúchos possuem uma relação enraizada com a própria história, valorizam o passado e em muitos casos, agarram-se a ele para evitar mudanças. Essas características culturais geram forte impacto na economia local – não apenas pela valorização de marcas locais (de bancos ao varejo; as marcas líderes são em geral ilustres desconhecidas dos demais brasileiros), mas também pelo receio em permitir mudanças na sua própria economia.

É desta relação excessiva com o passado que decorre uma boa parte dos problemas estruturais da economia do estado, que desde os anos 90 encontra dificuldades em aderir a uma renovação econômica – como fizeram Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais, onde a indústria ganha peso e se diversifica. Enfraquecido, o estado ainda enfrenta inúmeros problemas políticos, sem continuidade de qualquer projeto. O Rio Grande do Sul carrega há pelos menos 20 anos um peso grande do seu endividamento, fruto de déficits fiscais em 37 dos últimos 43 anos.

Neste cenário, ganham peso políticos que prometem soluções milagrosas e que garantam um retorno ao tempo em que os gaúchos dominavam índices de educação e desenvolvimento humano. Nenhum político, porém, fez tanto este jogo quanto o petista Tarso Genro. Eleito em 2010, após um governo tucano marcado por um ajuste fiscal rigoroso, Tarso elegeu-se com a promessa de “fazer o Rio Grande do Sul” voltar a crescer. A realidade, porém, foi bastante distinta. Tarso utilizou-se de recursos de terceiros e empréstimos para pagar a folha de pessoal e conceder aumentos sem haver receita prévia. Apesar disso, sequer chegou a pagar o piso dos professores, instituído por ele mesmo quando Ministro da Educação.

Com políticos que prometem o impossível, um estado inchado e uma população disposta a acreditar em qualquer tentativa de terceirizar responsabilidades, o Rio Grande do Sul pode parecer um retrato fiel do Brasil, mas há alguns outros fatores que mostram como ele pode ser também um alerta para o futuro do país. Abaixo listamos alguns deles.

1. Gaste sempre além do que você possui, deixe o problema para o governador seguinte.
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A situação atual, como se sabe, não surgiu do dia para a noite. São apenas 6 anos de receitas maiores que despesas nos últimos 43 anos. Como todos os estados, o Rio Grande do Sul ampliou sua dívida durante o período da ditadura militar e no início do Plano Real. Os déficits eram recorrentes no Brasil naquela época, pois era plenamente possível financiar-se criando moeda (no caso da União) ou contraindo empréstimos junto a bancos estaduais.

Os governos estaduais, a União e os bancos lucravam enquanto a população perdia com a inflação. Tal fato nos levou a uma concentração de renda jamais vista. Não por acaso, o fim da inflação com o Plano Real significou uma enorme perda de receita. Os déficits passaram a ser cobertos por meio de aumento de impostos e de dívidas. Para sanar este endividamento nos estados, a União criou o PROES, que refinanciou todas as dívidas com juros menores do que os pagos no mercado. Apesar da onda de privatizações, os governos estaduais tiveram um elevado aumento de endividamento, em boa parte graças aos juros de mais de 40% ao ano em 1995 – tudo para conter a inflação e atrair os dólares que manteriam a paridade do real.

O sucesso desta política é questionável. O do plano não. Em apenas 2 anos, o Plano Real tirou mais de 8 milhões de brasileiros da miséria, nos levando a vivenciar um momento de estabilidade que permitiu um crescimento no consumo nunca antes visto por parte da população. Na parte fiscal dos governos, porém, pagamos por isso até hoje.

Para controlar a situação, os estados optaram por elevar a arrecadação – ainda que criando mecanismos para se apropriar do dinheiro alheio, a opção escolhida pelo Rio Grande do Sul. Em 2004, o governador Germano Rigotto, do PDMB, enviou um projeto que permitia ao estado sacar até 75% dos depósitos judiciais (aquele dinheiro que fica retido na justiça enquanto você tem uma causa sendo julgada). Para se apropriar destes recursos (algo que Dilma já cogitou), o governo paga juros iguais à taxa SELIC. Tarso Genro, em 4 anos, sacou o equivalente a 75% dos depósitos judiciais, ampliando a dívida em mais de R$ 7 bilhões, algo que, quando somado aos saques no Caixa Único (onde o governo se apropria do dinheiro de outros órgãos independentes), chega a R$ 11 bilhões. O custo desta política alcança R$ 1 bilhão a cada ano.

A história do Rio Grande do Sul neste caso não se distancia muito da brasileira – mas como vemos abaixo, o Rio Grande do Sul tomou um caminho não muito correto e transformou o que era ruim em algo ainda pior.

2. Oponha estabilidade e crescimento.

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Como o professor e economista Marcelo de Paiva Abreu descreve em seu livro “A ordem do progresso”, a historia político-econômica do Brasil pode ser descrita por meio de uma eterna luta entre estabilidade e crescimento. Tal noção decorre de uma outra ideia, que encontra no Brasil um celeiro fértil: a de que o Estado deve ser um propulsor do crescimento. Poucos presidentes descrevem tão bem esta ideia quanto os gaúchos João Goulart e Getúlio Vargas.

Ambos comumente associados ao populismo e ao nacionalismo, iniciaram seus governos por meio de um ajuste fiscal. Ambos entendiam que o Estado deveria ter um papel crucial em desenvolver a economia e que isto só seria possível com um Estado relativamente estável do ponto de vista fiscal. Jango, que terminou seu governo deposto pelos militares e associado a políticos como Brizola, iniciou seu governo com um banqueiro no Ministério da Fazenda, enquanto Getúlio, que terminou por conceder aumentos de 100% no salário mínimo e criar estatais como o BNDES e a Petrobras, defendeu de início que o salário deveria ser contido e acompanhar sempre a produtividade.

No Rio Grande do Sul, porém, tais ideias apresentam o ponto crucial de cada eleição. Nenhum governador se elege com um discurso que não faça menção a algum deles: ajustar as contas ou “fazer o estado voltar a crescer”. Simplesmente nenhum político – ou mesmo o grosso dos eleitores – consegue compatibilizar a ideia de que um Estado fiscalmente responsável e que gaste apenas o que tem, cria um ambiente mais favorável do que um Estado que está constantemente gastando acima do que arrecada e criando incertezas sobre arrecadação e impostos futuros.

3. Ao trocar de governo, abandone tudo feito até então.

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Provavelmente você deve associar esta ideia à clara mudança de nome promovida por Lula ao criar o Bolsa Família unindo programas pré-existentes e expandindo-os para então chamá-lo de seu, mas a questão no Rio Grande do Sul vai um pouco além. Não apenas os políticos, mas em maior parte o próprio eleitorado, não vê qualquer correlação entre votar em projetos antagônicos e aprofundar a crise.

Vivendo uma crise causada por quatro décadas de déficits públicos, o Rio Grande do Sul é o único estado do país a não reeleger um único governador desde o início da redemocratização em 1985. Mesmo no auge do crescimento de arrecadação, em 2010, quando o PIB cresceu acima de 7%, o estado não reelegeu um chefe de governo.

As razões são bastantes simples. Impossibilitados de governar e tendo de passar 4 anos resolvendo problemas de gestões passadas, nenhum governador de fato governa. Todos os projetos anteriores são abandonados e reescritos com a benção do povo, que acredita ainda hoje em soluções mágicas, como se o novo governador trouxesse uma nova chance de resolver problemas.

Evidente que isto não significa defender uma perpetuação de poder. O governo federal mesmo é capaz de provar isso – quando em 2003 Lula manteve inúmeras políticas iniciadas no governo Fernando Henrique, aprofundou um ajuste fiscal baseado em reformas menores como no crédito e na própria gestão pública. Lula, que pode ser lembrado por querer virar a página com a mudança de nome no Bolsa Família, manteve o tripé econômico (superávit primário, cambio flutuante e controle da inflação) intacto. O resultado foram 8 anos de progressão na nota do Brasil junto a agências de risco internacional. Tais políticas foram abandonadas em 2011 – e a consequência estamos vivendo agora.

4. Terceirize responsabilidades.

Inauguração da IFRS e formatura do Pronatec

Assim como seus eleitores – e a maioria das pessoas – o eleitorado gaúcho compra sem grandes dificuldades a ideia de que os problemas decorrem da forma como a União age em relação ao estado. Tal ideia ignora o fato de que todos os estados enfrentam problemas semelhantes. Não obstante, nenhum deles se encontra em situação tão complicada quanto o Rio Grande do Sul.

Em uma entrevista ao jornal Zero Hora desta semana, o ex-governador Tarso Genro elenca uma série de medidas que supostamente tomaria se tivesse sido reeleito, para combater o déficit de R$ 5,4 bilhões (para efeito de comparação, os gastos em saúde somam R$ 3,8 bilhões). Para Tarso, a solução é simples: cobrar o governo federal. O governador elenca medidas como entrar com ações na Justiça para reaver gastos do estado em obrigações da União, ou demandar maiores repasses. Ignora totalmente, com a complacência de boa parte do eleitorado, que o governo federal também está sem recursos.

A maior parte da população do estado acredita que seus problemas se devam unicamente à dívida do Rio Grande do Sul com a União – que na visão de muitos, age como a Alemanha à Grécia: um suposto “carrasco” que impõem sacrifícios. A dívida com a União, entretanto, está longe de ser o maior ou o único dos problemas. Inúmeros estados gastam o mesmo que o Rio Grande do Sul com a dívida (cujos gastos são limitados a 13% da receita). Nenhum deles está em situação tão ruim.

A dívida é para o Rio Grande do Sul o que a suposta crise internacional é para Dilma. No estado nada se faz em função da dívida, que limita o governo – supostamente frágil e inocente diante da situação. Esta situação, porém, esconde outras questões. O Rio Grande do Sul possui um déficit previdenciário de fazer inveja a qualquer outro estado. Nada menos que 54% de sua folha de pagamentos é destinada a pagar aposentados, contra 27% do que São Paulo, o segundo estado que mais gasta do país, possui de custo. A dívida com os saques no caixa único e depósitos judiciais, que é 5 vezes menor que a dívida com a União, possui juros semelhantes (R$ 1 bilhão contra R$ 1,3 bilhões). Tarso é responsável por mais de 2/3 desta dívida.    

5. Inverta a lógica de uso dos recursos públicos.

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Como mencionado anteriormente, o Rio Grande do Sul é o estado que mais gasta em previdência no país. Um déficit que sozinho é superior aos gastos de saúde, educação e segurança somados. Ao todo, 29% da receita líquida do estado (aquela que fica realmente com o estado e não é transferida aos municípios) é destinada ao pagamento de aposentadorias. Há hoje 1,1 aposentado ou pensionista para cada funcionário na ativa.

Entre 1971 e 1974 o estado do Rio Grande do Sul aplicava 1,9% do PIB em educação e 1,1% em previdência – e agora despende 1% em educação e 2,9% em previdência. A inversão de lógica para os gaúchos é um caso raro em todo o Brasil. Enquanto isso, o funcionalismo segue sendo mal pago (e agora com salários atrasados), por conta da incapacidade do governo de resolver os problemas orçamentários.

Nesta situação, o mais razoável seria mudar a lógica da previdência e criar um fundo que garantisse as aposentadorias no futuro. Não para os funcionários, que acreditam que receber salários integrais em um modelo onde os funcionários sequer pagam 20% do total necessário das aposentadorias é viável para o futuro. Neste ponto, felizmente a União parece já estar mais adiantada – o fundo de pensão dos funcionários federais já existe, apesar da baixa adesão.

6. Faça com que as estatais sirvam a si mesmas.

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Dono de 16 empresas estatais, o estado do Rio Grande do Sul opera de saneamento básico, geração, transmissão e distribuição de energia à mineração, passando por bancos, armazéns, distribuidoras de gás, operadoras de cartão de crédito, transporte ferroviário de passageiros, etc. Assim como descreveu o presidente da Vale e ex-presidente do conselho de administração da Petrobras, as empresas estatais vivem para servir a si mesmas. Um exemplo é a Companhia de Silos e Armazenagens, cujos gastos com processos trabalhistas superam a receita, fazendo com que a empresa deva inúmeras vezes mais do que é capaz de arrecadar.

Toda esta enormidade de empresas se soma às inúmeras fundações estaduais, que cuidam de zoológicos a centros de esporte. Costuma-se dizer que o Rio Grande do Sul possui 2 zoológicos: um deles é o melhor da América Latina, o outro é estatal. O zoológico de Sapucaia, o que pertence ao estado, está hoje na mira para ser privatizado. Sozinho, gera custos de alguns milhões por ano – nada que seja relevante diante do orçamento – mas a lógica à resistência em privatizá-lo é o que mais interessa. No estado há leis que determinam a realização de um plebiscito para privatizar as estatais (ironicamente o deputado estadual Marcel Van Hattem apresentou um projeto que determina a realização de plebiscitos para criar estatais – nunca é demais lembrar que Tarso criou uma estatal para gerir rodovias que hoje gera prejuízo).

Transformar órgãos estatais em prestadores de serviço para o estado que concorrem na iniciativa privada é uma marca comum entre governos de todo o mundo (como Nova Zelândia ou Inglaterra). No Brasil essa ideia resiste em boa parte porque os governantes se apropriam das receitas destes órgãos de forma indevida. Assim, quando você paga por um serviço da Anvisa ou de uma fundação estadual, está na realidade colocando dinheiro no caixa do governo e não no da agência. Isto impede investimentos maiores no próprio setor e torna as agências dependentes e meramente arrecadatórias.

Essa ideia, que hoje é testada em outros estados, como São Paulo, é a pretendida pelo governador gaúcho. No âmbito federal, segue ainda longe de ser implementada. O governo se apropria do Fistel (um fundo de telecomunicações pago com seu dinheiro e que é usado para gastos correntes do governo, não para investir em telecomunicações), com a mesma facilidade com que abocanha novos impostos.

7. Oponha-se a reformas e culpe o remédio pelo mal estar.

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Assumindo o governo em janeiro, o governador José Ivo Sartori (PMDB) completa 9 meses no cargo com salários pagos em atraso, um déficit projetado para o ano superior a R$ 4 bilhões, greves, um surto de violência e uma economia em recessão.

Seu remédio foi reduzir em 21% as despesas do estado que podem ser alteradas. Sartorireduziu ou zerou gastos em materiais de distribuição gratuita, diárias, aluguel de carros, telefones oficiais e diminuiu o número de cargos comissionados pela metade.

Depois disso funcionou então? Não exatamente. Todo o governo que se elege no estado possui gastos já pré-compromissados equivalentes ao todo do orçamento. Por exemplo? Apenas com o déficit na previdência e com os juros da dívida, o estado gasta mais de 43%. A cada R$ 100 que entram nos cofres do estado, R$ 43 bancam questões do passado – o restante banca os funcionários, investimentos e custeio. É apenas no custeio que Sartori pode cortar, um valor que fica em torno de R$ 7 bilhões anuais, de onde o governador espera reduzir R$ 1,5 bilhões.

No âmbito federal, a situação é praticamente a mesma. Senadores e deputados agem de modo a criar gastos pré-programados que reduzem a capacidade do governo de definir o orçamento. A medida tem o intuito de garantir que os governos não deixem desamparados setores importantes, mas acaba por impedir o governo de reduzir seus gastos em momentos de crise.

8. Distribua direitos e quando não houver dinheiro pra bancá-los, culpe a falta de vontade política.

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Após perder a eleição em outubro, Tarso deu uma amostra do que Dilma poderia ter feito: enviou em novembro pacotes concedendo aumentos salariais até 2018, mesmo sem deixar recursos em caixa para pagá-los. Hoje, com salários parcelados, não é raro encontrar quem diga que “ao menos Tarso pagava os salários em dia”. Esta é a essência do Rio Grande do Sul atual. O funcionalismo acredita que, ainda que o estado se afunde em dívidas e comprometa todo o futuro da população que arcará com elas, esse cenário é menos pior do que cortar gastos.

Tarso conseguiu bancar os salários graças aos empréstimos que fez junto ao BID e ao BNDES. Deixou de investir para gastar com algo que não poderia arcar no futuro. Por isso, apesar da dívida ter seus 40 anos e a ingovernabilidade ser tão antiga quanto, o petista é um agente central nesta crise. Tarso cortou todas as saídas, zerou a possibilidade de investir e apenas deixou uma opção ao governo: deixar de atuar em setores que não lhe dizem respeito e garantir que a iniciativa privada faça o seu papel.

Constantemente utilizamos dados do TCU como fonte. O modelo de auditoria pública no Brasil é razoavelmente eficiente, em boa parte pois não faltam irregularidades para serem encontradas. No caso dos tribunais estaduais, a situação não é tão positiva. Em 23 anos nenhuma conta de governo foi reprovada. Em suma, o tribunal que consome mais de R$ 600 milhões em recursos, acredita que nenhum político possui responsabilidade pela tragédia. Resta torcer para que o TCU não siga pelo mesmo caminho na análise das contas de Dilma. Neste ponto, o Rio Grande do Sul não deve ser um “modelo a toda a terra”.

 

Spotniks

Venda de pilchas tem queda de 20%

A crise atinge o comércio na Capital foi sentida em 2015 pelo setor de produtos campeiros, que inclui pilchas, botas, chapéis, bombachas e acessórios. O proprietário da Casa do Peão, Arnaldo César Gomes, calcula que as vendas baixaram 20% em setembro ante o mesmo período de 2014. Gomes salientou que o preço do couro subiu 20%. “Não perdemos clientes, mas em vez de uma bota, ele leva uma alpargata, assim como trocou o chapéu pelo boné”.

Fonte: Correio do Povo, página 6 de 21 de setembro de 2015.

Novos objetivos para lutas antigas, por Jorge Amaro de Souza Borges

Hoje é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. As datas são símbolos os quais utilizamos para construir conceitos e estabelecer normas morais na sociedade. Servem para educar, informar e, sobretudo, reforçar utopias necessárias. Esta, especialmente, nos ajuda a lembrar as possibilidades das pessoas e as deficiências da sociedade, assim como os impedimentos que as barreiras acarretam em suas vidas.
O cenário atual em que se encontra este grupo social nos apresenta questões altamente complexas e, fundamentalmente, necessárias. Após o sexto ano da ratificação da Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, recebemos do Comitê da ONU que monitora o documento um conjunto de 65 recomendações que nos indicam medidas para que avancemos na direção de uma sociedade inclusiva na perspectiva dos direitos humanos. O que faremos com esses apontamentos? Minha sugestão seria olhar com humildade e serenidade, fortalecer os acertos, aceitar os equívocos e construir novos caminhos.
Já realizamos três conferências nacionais com mais de 700 propostas de milhares de militantes da causa de todo o país, tendo como uma de suas grandes conquistas a recém-aprovada Lei Brasileira da Inclusão, cujo principal elemento foi o protagonismo e a participação, garantindo assim novos direitos, além do fortalecimento dos já existentes.
Ao mesmo tempo, globalmente, este ano encerram-se os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio que serão substituídos por um novo conjunto de desafios orientadores ao planeta. E já neste debate valiosas conquistas expressadas na proposta inicial que colocam o tema deficiência como central na agenda de desenvolvimento pós-2015.
Por tudo isso, dentre as demandas, aquela que seria mais evidente é a construção de uma arquitetura, na qual a política da pessoa com deficiência tenha uma organização capaz de estar universalizada em todo o território nacional e compreendida plenamente por aqueles que mais precisam. E essa questão passa pela ampliação e fortalecimento de conselhos de direitos da pessoa com deficiência nos municípios como instrumentos de emancipação e promoção da cidadania. Vamos ajudar a criar esses conselhos? Que seja este o principal objetivo de gestores, sociedade civil e demais setores da sociedade. Vamos fazer juntos?


Servidor da Faders


Fonte: Correio do Povo, página 2 da edição de 21 de setembro de 2015.


Carta aberta de Tito Costa a Lula

Não é de hoje que Lula só olha o seu umbigo (Foto: Divulgação)

Transcrito da Folha de S. Paulo de 20/9/2015

Meu caro Lula, permito-me escrever-lhe publicamente diante da impossibilidade de nos falarmos em pessoa, com a franqueza dos tempos de nossos seguidos contatos –você na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos e eu prefeito de São Bernardo do Campo.

Não vou falar das greves que ocorreram de 1979 a 1981, que projetaram seu nome no Brasil e no exterior. Não quero lembrar os dias angustiantes da intervenção no sindicato pelo ministro do Trabalho, em março de 1979, e da violência que se seguiu com prisões, processos e a sua detenção pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social).

Todos esses fatos sempre foram acompanhados por mim juntamente ao senador Teotônio Vilela, a Ulysses Guimarães e a numerosos políticos do então MDB.

Na véspera da intervenção no sindicato, você ligou ao meu gabinete me pedindo ajuda para retirar estoques de alimentos ali guardados. Enviei caminhões da prefeitura para retirá-los, e o material foi depositado na igreja matriz da cidade.

Não falo das reuniões, madrugadas adentro, em meu apartamento em São Bernardo, com figuras expressivas do mundo político e também de outras esferas, como dom Cláudio Hummes, nosso amigo, então bispo de Santo André, hoje pessoa de confiança do papa Francisco, em Roma. Éramos todos preocupados com a sua sorte, a do sindicato e também a das nossas instituições em pleno regime militar.

Prefiro não falar dos dias em que o acolhi em minha chácara na pequena cidade de Torrinha, no interior de São Paulo, acobertando-o de perseguições do poder militar da época: você, Marisa, os filhos pequenos, vivendo horas de aflição e preocupantes expectativas.

Nem quero me lembrar das assembleias do sindicato, depois da intervenção no estádio de Vila Euclides, cedido pela Prefeitura de São Bernardo, fornecendo os aparatos possíveis de segurança.

Eram os primórdios de uma carreira vitoriosa como líder operário que chegou à Presidência da República por um partido político que prometia seriedade no manejo da coisa pública e logo decepcionou a todos pelos desvios de comportamento e por abusos na condução da máquina administrativa do Estado.

E aqui começa o seu desvio de uma carreira política que poderia tê-lo consagrado como autêntico líder para um país ainda em busca de desenvolvimento. Você deixou escapar das mãos a oportunidade histórica de liderar a implantação de urgentes mudanças estruturais na máquina do poder público.

Como bem lembrou Frei Betto, seu amigo e colaborador, você, liderando o Partido dos Trabalhadores, abandonou um projeto de Brasil para dedicar-se tão somente a um ambicioso e impatriótico projeto de poder, acomodando-se aos vícios da política tradicional.

Assim, seu partido –em seus alargados anos de governo, com indissimulada arrogância– optou por embrenhar-se na busca incessante, impatriótica e irresponsável do aparelhamento do Estado em favor de sua causa, que não é a do país.

Enganou-se você com a pretensão equivocada de implantar uma era de bonança artificial pela via perversa do paternalismo e do consumismo em favor das classes menos favorecidas, levando-as ao engano do qual agora se apercebem com natural desapontamento.

Por isso, meu caro Lula, segundo penso, você perdeu a oportunidade histórica de se tornar o verdadeiro líder de um país que ainda busca um caminho de prosperidade, igualdade e solidariedade para todos. Alguma coisa que poderia beirar a utopia, mas perfeitamente factível pelo poder político que você e seu partido detiveram por largo tempo.

Agora, perdido o ensejo de sua consagração como grande liderança de nossa história republicana recente, o operário-estadista, resta à população brasileira o desconsolo de esperar por uma era de dificuldades e incertezas.

Seu amigo, Tito Costa.

Antonio Tito Costa, 92, advogado, foi prefeito de São Bernardo do Campo (1977-1983) pelo MDB/PMDB, quando teve atuação destacada nas greves de metalúrgicos no ABC paulista, durante os movimentos de oposição à ditadura militar. Foi também deputado federal constituinte (1987-1988)

 

Blog do Noblat

Histórico: Francisco encontra Fidel

Túmulo de Tutankamon fechado

Cairo – O túmulo do lendário faraó Tutankamon, no Vale dos Reis em Luxor, Sul do Egito, fechará a partir de outubro para ser restaurado, anunciou neste domingo o Ministério egípcio das Antiguidades. O faraó, morto com apenas 19 anos em 1324 a.C., é conhecido do grande público pelo tesouro excepcional encontrado em sua câmara mortuária, descoberta em 1922.

Fonte: Correio do Povo, página 8 de 21 de setembro de 2015.

Sonegação e inadimplência, por Rogério Mendelski

Os cofres públicos estão raspados, mas o RS tem “por aí” em torno de R$ 30 bilhões que estão nas mãos de sonegadores e contribuintes inadimplentes. Se a Fazenda Estadual botasse a mão em apenas 20% dessa dívida, nosso Estado poderia respirar por algum tempo, sairia da UTI, mas, acima de tudo, estaria dando um recado aos que não gostam de pagar impostos: “acabou a moleza”.
Um bom exemplo vem das operações realizadas pela fiscalização na busca dos motoristas que não recolheram o IPVA deste ano. A inadimplência do tributo caiu 25,4% depois que 12 mil motoristas foram abordados e 950 veículos guinchados em barreiras da Receita Estadual desde o início de agosto. Talvez seja mais fácil cobrar IPVA, mas bastou uma ação mais enérgica para que os inadimplentes sentissem que estava acabando um “impunidade”, e os autuados correram para pagar sua dívida.
A receita do IPVA tornou-se uma importante fonte tributária pela quantidade de veículos que circulam no nosso Estado com placas do RS. Mesmo assim, de uma frota de 3.851.396 veículos sujeitos à tributação, 536 mil (13,93%) seguem transitando com o licenciamento vencido.
O contribuinte com o IPVA atrasado precisa estar condicionado de transitar sem o documento de licenciamento expedido todos os anos após a quitação do tributo é um risco que pode lhe trazer multa, pontos perdidos na carteira de habilitação e apreensão do veículo. Há casos em que tal penalidade financeira pode ser bem mais alta do que o próprio tributo em atraso.
Os bons pagadores de tributos agradecem a ação da receita Estadual e esperam que as ações sejam permanentes e constantes. A cobrança do IPVA realinhou os inadimplentes. A meta agora é pegar os sonegadores.

Os valores (1)

A maioria dos contribuintes do IPVA pagou dentro dos prazos estipulados pela dezena final das placas, mas faltam ainda valores que chegam a R$ 200 milhões de uma previsão de RS 2,67 bilhões.

Os valores (2)

Se todos os contribuintes quitassem o IPVA de 2105 nos prazos, o RS (por exemplo, em valores) poderia pagar dez prestações da dívida com o governo federal.

Os valores (3)

O atraso do IPVA estava em R$ 268 milhões, mas a ação da Receita Estadual cobrou tão somente nas barreiras montadas em diversos municípios, em agosto, R$ 69 milhões.

Onde estão

A Receita Estadual divulgou a relação dos dez municípios com maior incidência de inadimplência do IPVA: São José dos Ausentes (15,85%), Capão da Canoa (13,77%), Rio Grande (13,02%), Alvorada (13,01%), Imbé (12,95%), São José do Norte (12,87%), Quaraí (12,14%), Xangri-Lá (11,99%) e Santa Vitória do Palmar (11,58%).

Blitze neles

Nesta quarta-feira a Receita Estadual – 58 auditores fiscais, seis técnicos tributários, com apoio da Brigada Militar – foi atrás de 44 empresas que devem R$ 163,7 milhões de ICMS declarado e não recolhido. É exatamente assim que os contribuintes em dia com o Fisco querem ver a fiscalização agindo.



Fonte: Correio do Povo, página 6 de 20 de setembro de 2015.