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Morro do Bumba: cinco anos depois da tragédia, famílias vivem em áreas de risco
Cinco anos depois de a cidade de Niterói, na região metropolitana
do Rio, sofrer uma tempestade que causou deslizamentos e deixou dezenas
de mortos, parte das pessoas atingidas pelo desastre ainda não
conseguiu uma nova moradia definitiva, muitas continuam a receber
aluguel social e algumas ainda moram em áreas de risco, incluindo o
próprio Morro do Bumba.
Segundo a Associação de Vítimas do Morro
do Bumba, milhares de famílias foram afetadas pela tragédia, mas, após
promessas de novas moradias, 30 famílias continuam a viver em área de
risco no morro que desabou no bairro do Cubango, mesmo com as casas
interditadas. As casas haviam sido construídas em uma área de risco que
abrigava um lixão e, com a chuva forte, muitas foram destruídas ou
soterradas pelo deslizamento no dia 7 de abril de 2010.
Os
moradores que permanecem nas moradias que não caíram alegam que o motivo
de continuarem no local é a dificuldade de encontrar um lugar para
morar na região, com os R$ 400 de aluguel social que são pagos pela
Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. A família
do porteiro Vinicius Silva é uma das que voltaram para as áreas de
risco. Sua casa não desabou no deslizamento, mas foi condenada pela
Defesa Civil do município.
"A gente mora na mesma casa, porque
não tem como sair daqui com R$ 400. Para conseguir um lugar de um quarto
para morar com a minha mulher e um casal de filhos em São Gonçalo
[cidade vizinha e de menor renda
per capita], é no mínimo R$ 700, fora água, luz, gás. Só eu trabalho, e não temos possibilidade de pagar isso", reclamou Vinicius.
A
costureira Dima Cabral, de 66 anos, recebe o aluguel social, mas também
não conseguiu sair do Morro do Bumba com a filha e a neta, que se
mudaram para a casa dela depois da tragédia. A casa das duas ficava ao
lado, e mais perto de um barranco com risco de deslizar.
"Se você
me disser onde tem uma casa por R$ 400 de aluguel, eu fico feliz. Minha
filha não recebe o aluguel social e veio morar comigo, e não temos
condições de ir para outro lugar", disse ela, que não conseguiu alugar
nada há cinco anos e tem ainda menos esperança de encontrar agora: "Os
preços sobem todo ano, e o aluguel social, não", alegou Dilma.
Depois
de ver a casa ser tomada por lama, Maria José dos Santos, de 62 anos,
não conseguiu voltar a morar lá, apesar de pedir para os filhos sempre
conferirem se o imóvel não foi invadido. Com a filha e o neto, ela já
trocou de endereço quatro vezes, porque os locais que conseguiu alugar
sempre apresentavam problemas: "O último deu tanto mofo que tivemos que
sair. Sempre é assim, aparecem esses problemas", reclamou. "Tive câncer
no ano passado, estou debilitada e cada vez isso piora mais a minha
saúde."
Antes, Maria José trabalhava como costureira de capas e
estofados para embarcações, mas agora depende dos filhos e lamenta ter
abandonado a casa que deixou para trás no Bumba. "Se eu tenho uma casa
de três quartos, moro de aluguel e para tudo dependo dos filhos, não
deixa de ser um desamparo."Vinicius, Dima e Maria José estão entre as
pessoas afetadas pela tragédia que continuam a esperar a entrega dos
conjuntos habitacionais prometidos.
O presidente da Associação
de Vítimas do Morro do Bumba, Francisco Carlos, critica a demora em
providenciar moradia e o valor do aluguel social, que considera baixo:
"cinco anos seriam tempo suficiente para que todo mundo pudesse estar
morando em suas casas, em um lugar tranquilo. Muitas pessoas tentaram
alugar casas, mas houve problemas de atraso, e os proprietários pediram
as chaves de volta. Se, naquela época, já era difícil alugar com R$ 400,
imagine agora."
Para Francisco Carlos, uma prova de que o valor
do aluguel social está defasado é o acordo que a prefeitura fez para
conseguir retirar as famílias que passaram mais de três anos em abrigos
no 3º Batalhão de Infantaria. "Eles pagaram um complemento de R$ 600
para que as pessoas pudessem encontrar um lugar para morar, e só assim
elas saíram". A prefeitura confirmou o acordo e acrescentou que só as 92
famílias que estavam nos abrigos receberam a complementação.
O
presidente da associação mora em um dos 147 apartamentos do Condomínio
Viçoso Jardim, vizinho ao morro, que receberam desabrigados do Bumba.
Noventa e três famílias foram para um condomínio no bairro de Várzea das
Moças. O conjunto habitacional Zilda Arns, no Fonseca, que tem 374
unidades, receberá duas famílias do Bumba.
Segundo a prefeitura
de Niterói, 30 famílias do Morro do Bumba estão entre as 2.859 em toda a
cidade que ainda recebem aluguel social e aguardam a entrega de
apartamentos de programas governamentais para fazer a mudança. A
Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, que paga
os benefícios, afirma que o total é 2.285.
De acordo com a
prefeitura, neste semestre, serão entregues 372 unidades habitacionais
na Rua Teixeira de Freitas, onde dois prédios foram condenados antes de
ficar prontos. Há dois anos, fotos do condomínio mostraram rachaduras em
dois prédios que ainda não estavam concluídos, o que assustou os
futuros moradores. Os blocos comprometidos foram demolidos, e o total
foi reduzido de 11 para nove.
No segundo semestre, mais 1.472
moradias deverão ser entregues nos bairros de Caramujo e Baldeador, e a
meta da prefeitura é contratar até o fim do ano 5 mil unidades
habitacionais.
Agência Brasil
Realizando Sonhos
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