UE abre caminho para centros de deportação fora do bloco

 




A União Europeia deu um passo importante para mudar sua política migratória. Na noite de domingo, 1º de junho de 2026, negociadores do Parlamento Europeu e dos países-membros chegaram a um acordo que permite criar centros de deportação em países terceiros e endurece as regras de asilo. A ideia é acelerar e aumentar o número de deportações de pessoas que tiveram o pedido de asilo negado.

Como vai funcionar na prática

Os chamados "centros de retorno" ficam fora da UE e vão receber pessoas que não podem ser mandadas de volta ao país de origem. Isso acontece, por exemplo, quando o país de origem se recusa a aceitar o cidadão ou quando nem existe relação diplomática com o governo alemão e outros membros do bloco.

Ainda não se sabe quais países vão sediar esses centros. A Alemanha e outros membros da UE já estão negociando acordos. Em troca de receber os deportados, esses países terceiros podem ganhar dinheiro ou ter prioridade na emissão de vistos europeus. O ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, da CSU, é um dos principais defensores da proposta.

O que muda nas regras

O acordo traz uma série de medidas mais duras:

  • Famílias podem ser deportadas: Menores desacompanhados continuam protegidos, mas famílias com crianças agora podem entrar na lista de deportação.
  • Mais pressão para cooperar: Quem teve o asilo negado precisa colaborar com a própria deportação. Se não colaborar, pode ser preso, ter pensão cortada ou documentos de viagem apreendidos em toda a Europa.
  • Detenção mais longa: A prisão preventiva até a deportação fica permitida se houver risco de fuga ou à segurança nacional. O prazo máximo sobe para 24 meses, com possibilidade de mais 6 meses em casos especiais.

Por que isso agora?

A Comissão Europeia diz que só 28% dos migrantes que deveriam deixar a UE foram de fato devolvidos em 2025. Ao mesmo tempo, os pedidos de asilo estão caindo. Só na Alemanha, o número de chegadas em maio foi o menor desde 2020, na época mais rígida da pandemia. A Frontex, agência de fronteiras da UE, também registrou queda forte nas travessias irregulares.

Próximos passos e polêmica

O texto ainda precisa ser aprovado oficialmente pelo Parlamento e pelos Estados-Membros, mas isso costuma ser uma formalidade. A proposta já divide opiniões. Enquanto conservadores e grupos de extrema-direita apoiaram os centros de retorno na comissão da UE, há críticas internas. Documentos do próprio Ministério do Interior alemão mostram que a política de fronteiras de Dobrindt era vista como "potencialmente tóxica" e juridicamente frágil até por funcionários do ministério.

Contexto
A medida faz parte de uma reforma maior do sistema de asilo da UE. Com menos refugiados chegando, o bloco agora discute como equilibrar políticas de isolamento com questões humanitárias.

Fonte: SPIEGEL, 1 de junho de 2026, 21h27

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