Eleições na Colômbia: esquerdista Cepeda e direitista De la Espriella disputarão 2º turno
Candidato da oposição obteve uma pequena vantagem (44%) sobre o sucessor de Gustavo Petro (41%) no 1° turno
O advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella disputará a Presidência da Colômbia em um segundo turno contra Iván Cepeda, da extrema esquerda governista, após um primeiro turno apertado realizado no domingo (31).
Segundo a entidade que organiza as eleições, o excêntrico milionário, admirador de Donald Trump, surpreendeu ao vencer com 43,7% dos votos. Ele propõe uma linha-dura contra o crime, megapresídios e bombardeios, em meio à pior onda de violência vivida pelo país na última década.
Em 21 de junho, ele voltará a enfrentar o senador Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar a Colômbia, que não podia disputar a reeleição. Apesar de liderar a maioria das pesquisas, Cepeda ficou em segundo lugar, com 40,9% dos votos.
"Estamos nos extremos radicais. Que Deus nos proteja", disse Gloria Terranova, trabalhadora de uma fazenda de café de 59 anos.
O resultado foi uma surpresa em relação às pesquisas, que apontavam De la Espriella em segundo lugar. O candidato de extrema direita é um outsider de 47 anos sem experiência política, cantor amador e fã de Donald Trump.
O advogado, que já defendeu narcotraficantes e estrelas do futebol, faz campanha como "El Tigre" e se apresenta como o escolhido para evitar que a esquerda "volte ao poder e destrua o país".
A campanha presidencial na Colômbia foi marcada por atentados com carros-bomba, ataques com drones, o assassinato de um importante candidato e ameaças contra todos os presidenciáveis.
Assim como o presidente Petro, Cepeda questionou os resultados preliminares que o mostram em segundo lugar e disse que apenas se pronunciaria quando as comissões de apuração deixarem o resultado "totalmente esclarecido".
A etapa preliminar na Colômbia é a primeira contagem de votos feita pelos órgãos eleitorais. O objetivo é informar a população sobre os resultados no próprio dia das eleições. Os dados se tornam oficiais após a confirmação com apuração, que costuma coincidir com a contagem preliminar.
Filho de um comunista assassinado por agentes estatais e paramilitares, Cepeda prometeu no domingo derrotar o "fascismo mafioso".
Sua candidata a vice-presidente é Aida Quilcué, uma líder indígena que foi brevemente sequestrada pela guerrilha durante a campanha.
"Derrotar" Cepeda
De la Espriella votou em Barranquilla, a cidade caribenha que considera sua casa, cercado por seguranças com escudos à prova de balas.
"Aqui está o seu tigre que ruge e que morde! (...) Vamos enfrentar, derrotar e castigar os inimigos da Colômbia", gritou atrás de uma cápsula blindada e vestindo a camisa da seleção nacional de futebol após receber os resultados.
"Vamos mudar a história da Colômbia para sempre", comemorou.
De la Espriella propõe reduzir em 40% o tamanho do Estado para enfrentar a crise fiscal e incentivar o investimento privado.
Também promete extinguir o tribunal criado a partir do acordo de paz e adotar medidas radicais, como a pena de morte ou prisão "dez andares abaixo da terra" para mafiosos.
Os apoiadores do candidato simpatizam com a saudação militar e referências ao patriotismo. Neste domingo, muitos votaram vestindo a camisa da seleção colombiana de futebol.
"Vejo nele um homem decidido, de personalidade (...) A segurança é o que precisamos neste momento", disse à AFP Kelly Mayorga, vendedora de flores de 43 anos.
A campanha ocorreu em um ambiente de polarização e medo, marcado por atentados mortais atribuídos a guerrilhas, o assassinato de um candidato presidencial em 2025 e a recusa dos principais candidatos em participar de debates.
"Frustração"
A candidata da direita tradicional, Paloma Valencia, ficou em um distante terceiro lugar, com 6,9%. A senadora, afilhada política do ex-presidente de direita Álvaro Uribe, anunciou seu apoio a De la Espriella para o segundo turno, um respaldo considerado fundamental para seu objetivo de derrotar Cepeda.
"Continuarei nesta batalha para derrotar Iván Cepeda", afirmou.
O resultado deste domingo representa um revés para Cepeda, de 63 anos. "É um resultado surpreendente, um resultado inesperado. As pesquisas sugeriam que seria o contrário", afirmou Felipe Botero, diretor de Ciência Política e Estudos Globais da Universidade dos Andes.
De la Espriella "coloca Cepeda em dificuldades porque ele contava com a possibilidade de avançar na liderança", acrescentou.
Cepeda votou em um bairro popular de Bogotá onde cresceu antes de se exilar na antiga Tchecoslováquia, Bulgária e Cuba devido à perseguição sofrida por seu pai.
"Vamos celebrar o segundo governo progressista na Colômbia", afirmou mais cedo Cepeda, filósofo e defensor dos direitos humanos que costuma estar cercado por indígenas, camponeses e ambientalistas.
Na sede de campanha em Bogotá, o clima era de desânimo.
"Sim, é uma frustração", disse Andrés Alba, funcionário de uma cafeteria de Bogotá, de 42 anos.
Com uma campanha discreta, Cepeda recebeu apoio direto de Petro. O presidente, um ex-guerrilheiro que assinou a paz em 1990, foi o grande protagonista da campanha após um governo disruptivo, durante o qual entrou em conflito com o Congresso, os tribunais, a Procuradoria-Geral e o banco central.
Cepeda propõe dar continuidade às políticas de Petro e apostar nos "excluídos" em um dos países mais desiguais do mundo.
A oposição o critica por ser um dos arquitetos da “Paz Total”, política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com as organizações que permaneceram armadas após o acordo firmado com as Farc.
AFP e Correio do Povo

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