Cresce a ameaça russa
Os europeus vêm se conscientizando disso há algum tempo, mais especificamente desde que perceberam que Trump abandonou a Ucrânia
Por Jurandir Soares
As previsões do ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, de que até 2029 a Alemanha estará em guerra com a Rússia parecem, gradativamente, se encaminhar para uma comprovação. Afinal, a Alemanha é membro da Otan e o estatuto da organização estabelece que, se um de seus membros for atacado, todos os seus integrantes devem sair em sua defesa. Esses indícios de comprovação estão nos incidentes que têm ocorrido em decorrência da guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou a Otan de que deve tomar a sério a ameaça de um ataque russo em solo protegido pela Aliança Atlântica, o que considera possível em questão de meses. Sua manifestação veio depois de um drone russo ter atingido a cidade de Galati, na Romênia, e de o ex-presidente russo Dmitri Medvedev ter dito: “O sono tranquilo está acabando”, numa referência aos europeus.
INCIDENTES
O fato é que vários incidentes envolveram artefatos bélicos russos que cruzaram fronteiras e atingiram território de países-membros da Otan. Incidentes documentados e confirmados incluem o choque de drones explosivos russos em áreas povoadas. Durante ataques aos portos ucranianos no rio Danúbio, drones e seus destroços violaram o espaço aéreo romeno. Alguns desses incidentes causaram danos a edifícios residenciais, provocaram incêndios e deixaram feridos. A Romênia respondeu acionando caças F-16 e emitindo alertas para a população.
Destroços de drones e mísseis russos provenientes do território em conflito na Ucrânia foram encontrados em regiões da Letônia, causando preocupações para a segurança da Aliança no flanco oriental. Destroços caíram também em território da Polônia, meses atrás. Os incidentes são tratados como sérias violações da soberania e do espaço aéreo da Aliança, levando a repetidas condenações formais por parte da Otan e ao reforço da defesa antiaérea no leste europeu.
REAÇÃO
“Polônia, os países bálticos e agora a Romênia. Cada vez mais provocações russas”, destacou Tusk em mensagem no X. Ele se disse preocupado com as constantes manifestações de Medvedev, conhecido por lançar todo tipo possível de ameaças ao Ocidente. Aliás, esse Medvedev tem um histórico deprimente. Antes de mudar a Constituição, permitindo sua reeleição indefinidamente, Vladimir Putin tinha que cumprir, no máximo, dois mandatos como presidente. Assim, como não podia se reeleger, colocou Medvedev como candidato à Presidência. Com a força de Putin, ele foi eleito, porém não governou. Putin assumiu como primeiro-ministro e continuou governando. Medvedev ficou apenas como um títere, sujeitando-se ao ridículo papel de ser uma espécie de tapa-furo para Putin. Na realidade, um capacho de Putin. Agora, ele se presta a ser o porta-voz incendiário do governante.
SAÍDA
As preocupações do dirigente polonês, assim como dos demais mandatários da Otan, aumentaram substancialmente nos últimos dias, depois que o presidente Donald Trump ordenou a retirada da Polônia de 5 mil soldados americanos que ali estavam posicionados em nome da Aliança Atlântica. A decisão faz parte das manifestações de Trump no sentido de que a Otan deve investir mais em defesa. Os europeus já vêm se conscientizando disso há algum tempo, mais especificamente desde que perceberam que Trump abandonou a Ucrânia. Na sequência veio o abandono da Europa, com o afastamento da Otan, fato que levou o secretário-geral da organização, Mark Rutte, a conclamar seus parceiros para a nova realidade.
VISÃO
E tudo indica que é justamente esta nova realidade, de um enfraquecimento da Otan, que Putin está vislumbrando para concretizar a profecia do alemão Boris Pistorius. Todavia, nesse caso, por mais que tenha abandonado seus parceiros europeus, Trump deverá ser chamado à responsabilidade, não dele, Trump, mas do país Estados Unidos, para com o tratado que deu origem à aliança, criada para proteger o Ocidente contra a ex-União Soviética. Esta, um castelo que desmoronou, mas que Putin, com suas ações expansionistas, quer reconstruir.
Correio do Povo
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