Governo do RS prevê concluir obras de proteção contra cheias até 2031

 Em função da formação do El Niño, governo lançou hoje programa para preparar o RS para enfrentar possíveis impactos do fenômeno climático

Governador Leite durante lançamento do programa PreparaRS, com foco no enfrentamento de possíveis efeitos do El Niño no Estado Foto : Alina Souza


Durante o lançamento do Programa de Preparação do Estado para Eventos Extremos, o chamado PreparaRS, com foco nas ações relacionadas com a formação do fenômeno El Niño, o governador Eduardo Leite voltou a reforçar que todas as obras de sistemas de proteção contra cheias do Rio Grande do Sul serão concluídas apenas até 2031. Ele também atualizou detalhes do que já foi feito para mitigar efeitos de eventos climáticos, o que está em andamento e o que ainda resta ser feito.


“Quando insistem em atacar sobre essa previsão, é preciso reforçar que entregar nessa data ainda fará o RS como case mundial de construção de sistemas de proteção contra cheias. Em Nova Orleans, nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema demorou 12 anos para ficar pronto depois do furacão”, completou o governador.


Além disso, entre os investimentos previstos para os próximos meses estão a implementação de três novos radares meteorológicos no interior do RS. A previsão é que um deles entre em operação até o final deste ano e os outros dois até metade de 2027. “Eles vão dar cobertura total do Estado e permitem prever melhor o que está vindo. Os alertas só são possíveis a partir de informações. Até então, o Estado não tinha esse circuito todo para agir sobre as comunidades”, disse.


No encontro, Leite também recordou os investimentos que já vêm sendo feitos na área. Até o momento, foram destinados R$ 614,9 milhões para a recuperação dos sistemas de proteção contra cheias. Deste valor, cerca de R$ 267,5 milhões foram aportados em obras em Porto Alegre e outros R$ 213,3 em Canoas. “Estamos mais preparados para eventos climáticos, mas isso não significa estar blindado ou imune ao que pode acontecer”, afirmou.

Situação das ações para o El Niño de 2026

O que está pronto:


Radar meteorológico - um equipamento instalado e em operação em Porto Alegre;

Plataforma de voluntariado - pronta para uso e organizada para facilitar a integração dos interessados de imediato;

Estações hidrometeorológicas - utilizadas para monitorar aumento do nível de rios, precipitação e demais informações sobre o tempo. Foram adquiridas 130 estações, restando apenas uma para ser instalada, fato que deve ocorrer nos próximos dias.

Modelagem hidrodinâmica - elaboração de manchas de inundação para os 60 municípios com maior potencial de risco, com previsão de eventos críticos, contemplando todas as bacias do RS;

Reforço para estruturas de resposta - governo destinou R$ 69 milhões para modernização de frotas, aquisição de drones, conjuntos operações e estudos de vulnerabilidade;

Fortalecimento em bombeiros voluntários - governo também aportou R$ 7 milhões para aumentar a capacidade de resposta em cidades que não possuem Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS);

Planos de contingência - todos os 497 municípios gaúchos possuem planos de Contingência de Proteção e Defesa Civil (Plancon) estruturados para eventos climáticos.

O que está em andamento*:


Repasse via Fundo a Fundo de preparação para o El Niño - aporte de R$ 32,9 milhões ainda será feito para as prefeituras utilizarem em ações de preparação. O pagamento deve ser feito até o início de julho;

Outro radar meteorológico - deverá ser instalado no interior do RS ainda no segundo semestre de 2026;

Análises preliminares de vulnerabilidade - Defesa Civil entregará documentos para 60 municípios com maior potencial de risco no RS para subsidiar ações de preparação e resposta. Já foram entregues as análises de 25 cidades da região Metropolitana.

O que não ficará pronto:


Obras do sistema de proteção contra cheias - prazo para conclusão de todas estruturas, tanto as novas como as recuperadas, é 2031. Algumas já iniciaram as obras e outras estão em fase de projeto;

Dois radares meteorológicos - serão instalados no interior do RS até metade de 2027, totalizando quatro equipamentos e cobertura completa sobre o Estado;

Prédios de gestão integrada da Defesa Civil - estruturas localizadas em Porto Alegre e em cidades do interior do RS responsáveis pela coordenação de operações de preparação e resposta em situações de emergência. Obra na Capital deve ser entregue em março de 2027. As demais, no interior, ainda estão em fase de publicação do edital;

Centro de logística humanitária - contrato assinado nesta quarta-feira, com prazo de conclusão da reforma do espaço, em Porto Alegre, em até 300 dias.

*deve ser concluído até o final de 2026

Correio do Povo

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