Nova remessa de sementes brasileiras é entregue ao Banco de Svalbard
Amostras de caju, fava, amendoim, mamona e gergelim vão se juntar às mais de 8 mil já depositadas na caixa-forte norueguesa
Mais uma remessa de sementes do Brasil foram levadas ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega, na última semana. Os 24 acessos, incluindo caju (2), fava (7), amendoim (4), mamona (3) e gergelim (8), vão se somar aos 8.125 já depositados pela Embrapa no silo norueguês.
A estrutura funciona como a maior reserva de segurança agrícola do planeta. Seu objetivo é proteger a biodiversidade diante de ameaças globais, como guerras, mudanças climáticas e pragas.
O cofre, localizado na ilha de Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, conserva atualmente cerca de 1,38 milhão de amostras de sementes de mais de 5 mil espécies, originárias de 223 países e territórios. Como os envios não são feitos diretamente pelos governos nacionais, as amostras chegam ao banco por meio de aproximadamente 120 instituições de pesquisa e bancos genéticos distribuídos em mais de 85 países. Esses centros reúnem e salvaguardam a diversidade agrícola de diferentes regiões do mundo.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, vê o depósito de sementes no Silo Global como motivo de orgulho e, sobretudo, de responsabilidade com o futuro.
“Essa iniciativa representa uma salvaguarda da biodiversidade agrícola mundial e reforça o compromisso da ciência brasileira com a segurança alimentar, a preservação dos recursos genéticos e a capacidade de responder aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Ao levarmos para Svalbard materiais desenvolvidos no Brasil, mostramos ao mundo a relevância da nossa pesquisa agropecuária e a contribuição da Embrapa para uma agricultura cada vez mais sustentável, resiliente e inovadora”, enfatiza.
Desde 2012, a Embrapa representa o Brasil no banco global. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Juliano Pádua, a maior quantidade de acessos depositados é de arroz (4.850), feijão (514) e milho (739). Há ainda forrageiras (Andropogon, Stylosanthes, Paspalum), fruteiras (caju e maracujá), hortaliças (abóbora, melão, melancia, cebola, alface), florestais (pinus), soja (17), trigo (3).
“A presença maciça de feijão, arroz e milho reflete a base da nossa alimentação e atende a uma das recomendações do Banco de Svalbard quanto à relevância para a segurança alimentar e a agricultura sustentável. Além disso, são culturas que apesar de não serem originárias do Brasil, são cultivadas no País há séculos e, por isso, apresentam características de rusticidade e adaptação às condições nacionais”, reforça.
Os acessos entregues pela presidente são oriundos das seguintes unidades da Embrapa: caju (Embrapa Agroindústria Tropical); fava (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia); amendoim, mamona e gergelim (Embrapa Algodão).
A Caixa-forte brasileira
O envio das sementes brasileiras para o banco norueguês é mais uma ação da Embrapa em prol da segurança alimentar das gerações atuais e futuras. A empresa tem como uma de suas prioridades, desde a sua criação na década de 1970, a conservação de sementes de importância para a agricultura e alimentação. Por isso, hoje conta com o maior banco de sementes do Brasil e da América Latina e um dos maiores do mundo, com quase 126 mil amostras de 1.213 espécies.
A caixa-forte brasileira é mantida na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF), e conserva as sementes a 18ºC abaixo de zero, em condições semelhantes às do banco norueguês, garantindo que permaneçam viáveis por dezenas ou centenas de anos.
Atualmente, o banco genético vegetal da Embrapa tem capacidade para conservar 600 mil amostras de sementes em quatro câmaras frias. Há ainda uma área para a instalação de outras duas câmaras, ampliando a capacidade de armazenamento para até 900 mil amostras.
A empresa investe também na preservação de espécies animais e de microrganismos de importância para a pesquisa agropecuária brasileira. Todo esse acervo genético, que conta com materiais nativos e exóticos, está à disposição da ciência brasileira para pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis, como bioinsumos, entre outros, em benefício da sociedade brasileira. Os números podem ser conferidos aqui.
Correio do Povo

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