Por Alex Pipkin, PhD em Administração
Apresentam-se como engenheiros do amanhã. Falam em progresso como quem promete salvação. O desenho é elegante, o discurso é sedutor.
Mas, quando o projeto se materializa, surge sempre o mesmo detalhe estrutural, isto é, limites impostos de cima para baixo. Antes de ampliar o poder, rebatizam-no. O controle ganha verniz moral e passa a exigir uma fé inabalável.
O Estado é elevado à condição de força motriz da história, tutor das imperfeições humanas, corretor dos rumos do coletivo abstrato. O mercado torna-se desvio ético, o vilão; o indivíduo, instabilidade a ser administrada; e o empresário, figura sob permanente suspeita. Em contraste, a máquina pública — impessoal, crescente, imune à concorrência — é tratada como expressão superior de responsabilidade social. Como se concentrar autoridade fosse sinônimo de virtude.
A lógica ilógica se organiza em termos simples. Quem produz precisa justificar; quem prospera deve desculpas; quem enriquece carrega culpa. Já quem tributa absolve-se pelo próprio ato de tributar.
Quando a burocracia se expande, protege-se e distribui benefícios a si mesma, e o fenômeno é celebrado como justiça. O setor privado permanece sob fiscalização contínua; o Estado acumula competências e redefine seus próprios limites. Tudo isso é apresentado como libertação.
Os defensores da emancipação não hesitam em transferir escolhas fundamentais a conselhos técnicos e a gabinetes distantes.
Diante de qualquer tensão econômica, tecnológica ou cultural, a resposta é expansão normativa. Acrescentam-se camadas, pareceres, instâncias. Quase nunca se considera que adultos possam deliberar sem supervisão “babá” permanente.
Se a tecnologia evolui, intervém-se. Se hábitos mudam, regulamenta-se. Se alguém discorda, enquadra-se.
Essa visão deposita confiança na estrutura, não na consciência. Parte da convicção de que, sob direção adequada, o poder ajustará a sociedade. Esquece apenas que poder acumulado raramente se retrai; ele avança até encontrar fronteiras reais.
Nesse ambiente, a dependência assume aparência de qualidade cívica. Quanto menor a esfera de decisão individual, maior o prestígio social. Autonomia passa a soar imprudente; responsabilidade pessoal, insensibilidade.
A sedução está na promessa de conforto. A liberdade implica risco, erro e consequência. Já a tutela oferece previsibilidade, desde que se aceite a condição de obedecer. Substitui-se a incerteza da escolha pela tranquilidade da autorização.
O resultado não é acidental. À medida que o poder se amplia, o espaço da pessoa diminui na mesma proporção. Cada nova lei, cada nova norma ocupa território antes pertencente à consciência; cada regulação adicional estreita a margem de ação espontânea.
Sem limites claros ao poder, cidadão torna-se palavra expressamente vazia.
Permanece o administrado. O administrado não decide, apenas aguarda permissão.
Quem vive de permissão não é livre; é tutelado e adestrado a chamar limitação de redenção.
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